EXPRESSO: País

03-05-2002
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Carlos Tavares ou o economista tranquilo R.O. Carlos Tavares «É IMPORTANTE que o próximo ministro das Finanças já conheça o ministério, porque terá de tomar medidas imediatas; e é fundamental que tenha total confiança no e do primeiro-ministro, porque será necessário tomar decisões muito difíceis». Há quase dois meses, era assim que Carlos Manuel Tavares da Silva, economista, 49 anos a completar em 4 de Abril, signo Carneiro e benfiquista desiludido com os últimos anos do «Glorioso», definia as condições a que deveria obedecer o titular da mais difícil pasta - depois da tarefa do primeiro-ministro - do futuro Governo de Portugal. E elas servem-lhe como uma luva. Há quase dois meses, era assim que Carlos Manuel Tavares da Silva, economista, 49 anos a completar em 4 de Abril, signo Carneiro e benfiquista desiludido com os últimos anos do «Glorioso», definia as condições a que deveria obedecer o titular da mais difícil pasta - depois da tarefa do primeiro-ministro - do futuro Governo de Portugal. E elas servem-lhe como uma luva. Na altura, estava Tavares longe de imaginar que o seu nome poderia estar agora na calha para ocupar o cargo, depois de, pelo caminho, se terem colocado de fora Tavares Moreira e António Borges, de Ernâni Lopes também se ter afastado e de não se ver como será possível que Miguel Cadilhe conviva no mesmo executivo com Paulo Portas, já que «O Independente», na altura em que o líder do PP era director, foi quem mais atacou o primeiro (e melhor) ministro das Finanças de Cavaco Silva, com os famosos casos da sisa da casa das Amoreiras e da utilização de uma carrinha da Guarda Fiscal para proceder à mudança - acusações de que Cadilhe viria a ser ilibado, ganhando em tribunal as causas que colocou contra Portas. Calmo, ponderado, dando ideia de que nunca se exalta, conhecedor profundo dos mecanismos financeiros do Estado e do sistema bancário, Carlos Tavares nasceu em Estarreja, onde aliás é presidente da Assembleia Municipal, cargo que já tinha exercido entre 1993 e 1997. Formou-se em Economia na Faculdade de Economia do Porto e trabalhava no Gabinete de Estudos do Banco Português do Atlântico quando Miguel Cadilhe, que de lá tinha saído para ocupar o cargo de ministro das Finanças, o convidou para seu assessor. Tavares aceitou e, pouco tempo depois, era nomeado director do GAFEEP – Gabinete para a Análise do Financiamento do Estado e das Empresas Públicas, que passou a controlar os orçamentos e os planos de investimento das empresas do Estado, com excelentes resultados - mas que, entretanto, foi definitivamente enterrado por Sousa Franco, devendo agora ser recuperado. Acumulou depois estas funções com as de director do Gabinete de Estudos Económicos das Finanças e, em Maio de 1989, passa a secretário de Estado do Tesouro da equipa de Cadilhe. Após a saída deste, em Janeiro de 1990, transita para a equipa do novo ministro, Miguel Beleza, e cumpre o mandato até Novembro de 1991, quando Braga de Macedo assume o cargo. Durante o seu consulado realizou-se a reforma da dívida pública (a emissão administrada da dívida passou a ser sujeita às condições de mercado), passou-se do regime de controlo dos «plafonds» de crédito dos bancos para o controlo monetário indirecto, foi publicada a lei que proibiu operações de tesouraria e ficou pronta a Lei Quadro do Sistema Financeiro, publicada já por Braga de Macedo. Depois de sair do Governo regressa ao BPA e passa a integrar a administração de João Oliveira em Fevereiro de 1992 - mas sai em Novembro para presidir ao Banco Nacional Ultramarino, ao mesmo tempo que passou a ser administrador e, mais tarde, vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos, sob a presidência de Rui Vilar. Em 1996 regressa ao BPA, que já tinha sido comprado pelo BCP, e é administrador da Cisf. Convidado por António Champalimaud, transita depois para o grupo do empresário, onde assume a vice-presidência dos bancos Chemical, Totta e Pinto e Sotto Mayor e é administrador do Crédito Predial. Por mandato de Champalimaud, é ele que negoceia o acordo de entrada dos espanhóis do Santander no grupo, a que se opôs ferozmente o então ministro das Finanças, Sousa Franco. Tavares ainda hoje lamenta: «Esse acordo era bem melhor para o sistema financeiro e para o país do que o que foi conseguido. Foi mal compreendido por políticos e jornalistas». Com uma filha de 22 anos, licenciada em Economia («já sabe mais que o pai», diz), tem uma casa de fim-de-semana em Colares e vive ao lado do Estádio da Luz, porque uma das suas paixões é o Benfica. Mas quando lhe falam num eventual perdão fiscal ao clube da Luz, a sua ortodoxia financeira em matéria das contas do Estado vem ao de cima: «Nessa matéria, sou o pior interlocutor que o Benfica pode ter». Tem sido um colaborador muito próximo de Durão Barroso no gabinete de estudos económicos do PSD e foi ele quem, com mais clareza - em artigo publicado em 1 de Março de 2002 no EXPRESSO e no programa televisivo «EXPRESSO da Meia-Noite», na Sic-Notícias -, explicou a coerência da proposta do líder do PSD, conhecida por «choque fiscal» a que chamou «o choque da verdade». «Da conjugação das três medidas - descida do IRC para 20%, reorganização da administração fiscal e simplificação e racionalização da descida do imposto - é de esperar que o risco de perda de receita se converta antes na oportunidade do seu aumento e no definitivo impulso para a modernização e a moralização do sistema fiscal», escreveu no referido artigo. Resta apenas saber se será ele a provar na prática a sua teoria.

Nicolau Santos

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Caça ao voto custou 100 milhões

Durão com mão de ferro

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COMENTÁRIOS

1 comentário 1 a 1

24 de Março de 2002 às 20:22

Diogo Sotto Mai ( op3706@mail.telepac.pt )

Este Carlos Tavares é bem um homem de mão" dos detentores do capital parasitário e bancário, pronto a vender a Pátria por ordem do Dono.

Organizou a pseudo-venda de uma parte da banca portuguesa a espanhóis a troco de uns míseros porcentos do banco espanhol para o Campas.

O seu "curriculum" é notável e mistura de uma maneira perfeita a interdependência entre o político da direita e o grande capital privado. Umas vezes no Estado, outras a servir os DONOS. Com um "currculum" assim não haverá independência do poder político relativamente aos DONOS do CAPITAL.

Por isso, o programa do Servidor é fazer com que os detentores do Capital paguem menos impostos e as classes médias mais. Aposto que que, nas Finanças, a primeira coisa que o homem vai fazer é aumentar o IVA. "Para reduzir o consumo", como disse Durão aos microfones da TSF. Claro, do consumo das classes médias, não dos Champas, Jardim Gonçalves, Bulhosas e tantos mais. Eles têm tanto que nenhum IVA os incomoda.

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Carlos Tavares ou o economista tranquilo R.O. Carlos Tavares «É IMPORTANTE que o próximo ministro das Finanças já conheça o ministério, porque terá de tomar medidas imediatas; e é fundamental que tenha total confiança no e do primeiro-ministro, porque será necessário tomar decisões muito difíceis». Há quase dois meses, era assim que Carlos Manuel Tavares da Silva, economista, 49 anos a completar em 4 de Abril, signo Carneiro e benfiquista desiludido com os últimos anos do «Glorioso», definia as condições a que deveria obedecer o titular da mais difícil pasta - depois da tarefa do primeiro-ministro - do futuro Governo de Portugal. E elas servem-lhe como uma luva. Há quase dois meses, era assim que Carlos Manuel Tavares da Silva, economista, 49 anos a completar em 4 de Abril, signo Carneiro e benfiquista desiludido com os últimos anos do «Glorioso», definia as condições a que deveria obedecer o titular da mais difícil pasta - depois da tarefa do primeiro-ministro - do futuro Governo de Portugal. E elas servem-lhe como uma luva. Na altura, estava Tavares longe de imaginar que o seu nome poderia estar agora na calha para ocupar o cargo, depois de, pelo caminho, se terem colocado de fora Tavares Moreira e António Borges, de Ernâni Lopes também se ter afastado e de não se ver como será possível que Miguel Cadilhe conviva no mesmo executivo com Paulo Portas, já que «O Independente», na altura em que o líder do PP era director, foi quem mais atacou o primeiro (e melhor) ministro das Finanças de Cavaco Silva, com os famosos casos da sisa da casa das Amoreiras e da utilização de uma carrinha da Guarda Fiscal para proceder à mudança - acusações de que Cadilhe viria a ser ilibado, ganhando em tribunal as causas que colocou contra Portas. Calmo, ponderado, dando ideia de que nunca se exalta, conhecedor profundo dos mecanismos financeiros do Estado e do sistema bancário, Carlos Tavares nasceu em Estarreja, onde aliás é presidente da Assembleia Municipal, cargo que já tinha exercido entre 1993 e 1997. Formou-se em Economia na Faculdade de Economia do Porto e trabalhava no Gabinete de Estudos do Banco Português do Atlântico quando Miguel Cadilhe, que de lá tinha saído para ocupar o cargo de ministro das Finanças, o convidou para seu assessor. Tavares aceitou e, pouco tempo depois, era nomeado director do GAFEEP – Gabinete para a Análise do Financiamento do Estado e das Empresas Públicas, que passou a controlar os orçamentos e os planos de investimento das empresas do Estado, com excelentes resultados - mas que, entretanto, foi definitivamente enterrado por Sousa Franco, devendo agora ser recuperado. Acumulou depois estas funções com as de director do Gabinete de Estudos Económicos das Finanças e, em Maio de 1989, passa a secretário de Estado do Tesouro da equipa de Cadilhe. Após a saída deste, em Janeiro de 1990, transita para a equipa do novo ministro, Miguel Beleza, e cumpre o mandato até Novembro de 1991, quando Braga de Macedo assume o cargo. Durante o seu consulado realizou-se a reforma da dívida pública (a emissão administrada da dívida passou a ser sujeita às condições de mercado), passou-se do regime de controlo dos «plafonds» de crédito dos bancos para o controlo monetário indirecto, foi publicada a lei que proibiu operações de tesouraria e ficou pronta a Lei Quadro do Sistema Financeiro, publicada já por Braga de Macedo. Depois de sair do Governo regressa ao BPA e passa a integrar a administração de João Oliveira em Fevereiro de 1992 - mas sai em Novembro para presidir ao Banco Nacional Ultramarino, ao mesmo tempo que passou a ser administrador e, mais tarde, vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos, sob a presidência de Rui Vilar. Em 1996 regressa ao BPA, que já tinha sido comprado pelo BCP, e é administrador da Cisf. Convidado por António Champalimaud, transita depois para o grupo do empresário, onde assume a vice-presidência dos bancos Chemical, Totta e Pinto e Sotto Mayor e é administrador do Crédito Predial. Por mandato de Champalimaud, é ele que negoceia o acordo de entrada dos espanhóis do Santander no grupo, a que se opôs ferozmente o então ministro das Finanças, Sousa Franco. Tavares ainda hoje lamenta: «Esse acordo era bem melhor para o sistema financeiro e para o país do que o que foi conseguido. Foi mal compreendido por políticos e jornalistas». Com uma filha de 22 anos, licenciada em Economia («já sabe mais que o pai», diz), tem uma casa de fim-de-semana em Colares e vive ao lado do Estádio da Luz, porque uma das suas paixões é o Benfica. Mas quando lhe falam num eventual perdão fiscal ao clube da Luz, a sua ortodoxia financeira em matéria das contas do Estado vem ao de cima: «Nessa matéria, sou o pior interlocutor que o Benfica pode ter». Tem sido um colaborador muito próximo de Durão Barroso no gabinete de estudos económicos do PSD e foi ele quem, com mais clareza - em artigo publicado em 1 de Março de 2002 no EXPRESSO e no programa televisivo «EXPRESSO da Meia-Noite», na Sic-Notícias -, explicou a coerência da proposta do líder do PSD, conhecida por «choque fiscal» a que chamou «o choque da verdade». «Da conjugação das três medidas - descida do IRC para 20%, reorganização da administração fiscal e simplificação e racionalização da descida do imposto - é de esperar que o risco de perda de receita se converta antes na oportunidade do seu aumento e no definitivo impulso para a modernização e a moralização do sistema fiscal», escreveu no referido artigo. Resta apenas saber se será ele a provar na prática a sua teoria.

Nicolau Santos

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PSD com ligação forçada

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Programas compatíveis

Sampaio coabita como dantes

2002 não é igual a 1985

Carlos Tavares ou o economista tranquilo

A AD revisitada

As eleições vistas de fora

Caça ao voto custou 100 milhões

Durão com mão de ferro

Os nomes de que se fala

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24 de Março de 2002 às 20:22

Diogo Sotto Mai ( op3706@mail.telepac.pt )

Este Carlos Tavares é bem um homem de mão" dos detentores do capital parasitário e bancário, pronto a vender a Pátria por ordem do Dono.

Organizou a pseudo-venda de uma parte da banca portuguesa a espanhóis a troco de uns míseros porcentos do banco espanhol para o Campas.

O seu "curriculum" é notável e mistura de uma maneira perfeita a interdependência entre o político da direita e o grande capital privado. Umas vezes no Estado, outras a servir os DONOS. Com um "currculum" assim não haverá independência do poder político relativamente aos DONOS do CAPITAL.

Por isso, o programa do Servidor é fazer com que os detentores do Capital paguem menos impostos e as classes médias mais. Aposto que que, nas Finanças, a primeira coisa que o homem vai fazer é aumentar o IVA. "Para reduzir o consumo", como disse Durão aos microfones da TSF. Claro, do consumo das classes médias, não dos Champas, Jardim Gonçalves, Bulhosas e tantos mais. Eles têm tanto que nenhum IVA os incomoda.

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