PP Disposto a Combate nas Ruas
Por EUNICE LOURENÇO
Domingo, 25 de Agosto de 2002 No Governo, defesa e leis laborais podem começar a afectar a boa estrela de Portas. No partido, os avanços de Monteiro são considerados fora de tempo. Leis laborais Tudo pela defesa da sua "dama" "Se houver combate no Parlamento, combatemos no Parlamento, se o combate for na rua, combatemos na rua." É assim que o secretário-geral do CDS, Pedro Mota Soares, manifesta a disponibilidade do partido para uma das lutas políticas que se aproxima e que promete aquecer o Outono: a alteração profunda da regulamentação do trabalho. Protagonizada por um dos ministros indicados pelo CDS-PP, Bagão Félix, esta reforma, assim como a da lei de bases da segurança social, conta com a oposição das centrais sindicais, que ameaçam com um greve geral. "As forças de esquerda preparam alguma agitação", disse Mota Soares ao PÚBLICO, prometendo que o CDS será "uma força de combate por uma luta muito justa e fundamental para a economia do país". Esta promessa de combate às forças de esquerda e à greve geral deveria marcar o discurso de ontem do líder do CDS, Paulo Portas, que à hora de fecho desta edição ainda não tinha começado. Mas Portas também enfrentará desafios no seu próprio ministério. Defesa E quando os militares começarem a reclamar? O ministro passou o Verão no ministério, sabendo muito bem como rende não ir de férias quanto toda a política está a banhos. As suas decisões de denunciar o contrato de compra de helicópteros proporcionaram-lhe uma presença regular nas notícias e apreciações positivas nos jornais. Mas os próximos tempos podem ser difíceis. No fundo, Portas congelou as compras de equipamento para a Defesa, um processo que demora muito tempo até os ramos terem o material que os políticos decidem comprar. Logo no início do seu mandato, o ministro condicionou o reequipamento à definição do conceito de defesa e à revisão da lei de programação militar. Disse que isto poderia ir sendo feito em paralelo e que até ao fim do ano esta reforma estaria terminada. Mas até agora, não há propostas. E um processo legislativo, quando chega ao Parlamento, ainda demora meses. Governo e coligação Aproximação entre receios mútuos Os dias de bonança, em que os ministros do CDS são os com melhor apreciação no Governo, podem conhecer agora algumas nuvens e mesmo trovoadas. Mas nada que deva afectar a coligação. Até pode acontecer o contrário. O PSD, ou pelo menos alguns sectores, ficará mais descansado se os ministros do CDS também tiverem problemas. É que se há no CDS quem, como Narana Coissoró, tema que o PSD absorva o CDS, mais há quem no PSD receie o líder democrata-cristão. Se as dificuldades forem divididas, a solidariedade poderá até ser reforçadas. Mas, no Executivo, Portas também terá de ir fazendo algum "jogo de cintura" entre os cortes que se anunciam e as suas habituais promessas para os mais pobres. Embora, em ambos os partidos, se diga que ainda é cedo para falar no aprofundamento da coligação para as próximas batalhas eleitorais, que começam com as europeias de 2004, o caminho já começou, com a aproximação entre as juventudes partidárias em termos europeus. Na passada sexta-feira, António Lobo Xavier, que em Janeiro regressou à comissão directiva do CDS, defendia, em entrevista a "O Independente", o aprofundamento da relação entre os dois partidos. Partido Combater o PP de um homem só Para as próximas batalhas, Portas precisará de um partido unido e que mostre que existe. Mota Soares promete um partido na rua e tenta contrariar a ideia de que o CDS é o partido de um homem só, falando dos três mil novos militantes e das 50 novas estruturas concelhias e distritais e lembrando que os democratas-cristãos não tiveram dificuldade em ter gente para desempenhar funções governativas. Mas também reconhece que é preciso fazer mais na dinamização das estruturas locais. "O CDS tem que ter uma vida e uma actividade própria", afirma o secretário-geral, apostando em reuniões entre dirigentes nacionais e membros do Governo com as estruturas locais como forma de dinamização e de aproximação entre partido e executivo. Quem entretanto se pôs em campo foi Manuel Monteiro. O ex-líder tinha apostado no fim de Portas na noite das eleições autárquicas e um mês depois foi derrotado em congresso, mas insiste em ter um espaço próprio e, para isso, criou um movimento e um centro de estudos. Monteiro quer ser candidato ao Parlamento Europeu e ameaça sê-lo, mesmo que o CDS não o queira. Mota Soares diz que não é o momento para falar de europeias, mas vai avisando: "Os militantes do CDS jamais compreenderiam que se tentasse fazer um novo partido à direita do CDS." OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE PS desafia Durão a baixar o IVA
Os quatro trabalhos de Ferro para um ano quente
Portas pede "trabalho geral" contra greve geral
PP disposto a combate nas ruas
EDITORIAL
A "rentrée"
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Entidades
PP Disposto a Combate nas Ruas
Por EUNICE LOURENÇO
Domingo, 25 de Agosto de 2002 No Governo, defesa e leis laborais podem começar a afectar a boa estrela de Portas. No partido, os avanços de Monteiro são considerados fora de tempo. Leis laborais Tudo pela defesa da sua "dama" "Se houver combate no Parlamento, combatemos no Parlamento, se o combate for na rua, combatemos na rua." É assim que o secretário-geral do CDS, Pedro Mota Soares, manifesta a disponibilidade do partido para uma das lutas políticas que se aproxima e que promete aquecer o Outono: a alteração profunda da regulamentação do trabalho. Protagonizada por um dos ministros indicados pelo CDS-PP, Bagão Félix, esta reforma, assim como a da lei de bases da segurança social, conta com a oposição das centrais sindicais, que ameaçam com um greve geral. "As forças de esquerda preparam alguma agitação", disse Mota Soares ao PÚBLICO, prometendo que o CDS será "uma força de combate por uma luta muito justa e fundamental para a economia do país". Esta promessa de combate às forças de esquerda e à greve geral deveria marcar o discurso de ontem do líder do CDS, Paulo Portas, que à hora de fecho desta edição ainda não tinha começado. Mas Portas também enfrentará desafios no seu próprio ministério. Defesa E quando os militares começarem a reclamar? O ministro passou o Verão no ministério, sabendo muito bem como rende não ir de férias quanto toda a política está a banhos. As suas decisões de denunciar o contrato de compra de helicópteros proporcionaram-lhe uma presença regular nas notícias e apreciações positivas nos jornais. Mas os próximos tempos podem ser difíceis. No fundo, Portas congelou as compras de equipamento para a Defesa, um processo que demora muito tempo até os ramos terem o material que os políticos decidem comprar. Logo no início do seu mandato, o ministro condicionou o reequipamento à definição do conceito de defesa e à revisão da lei de programação militar. Disse que isto poderia ir sendo feito em paralelo e que até ao fim do ano esta reforma estaria terminada. Mas até agora, não há propostas. E um processo legislativo, quando chega ao Parlamento, ainda demora meses. Governo e coligação Aproximação entre receios mútuos Os dias de bonança, em que os ministros do CDS são os com melhor apreciação no Governo, podem conhecer agora algumas nuvens e mesmo trovoadas. Mas nada que deva afectar a coligação. Até pode acontecer o contrário. O PSD, ou pelo menos alguns sectores, ficará mais descansado se os ministros do CDS também tiverem problemas. É que se há no CDS quem, como Narana Coissoró, tema que o PSD absorva o CDS, mais há quem no PSD receie o líder democrata-cristão. Se as dificuldades forem divididas, a solidariedade poderá até ser reforçadas. Mas, no Executivo, Portas também terá de ir fazendo algum "jogo de cintura" entre os cortes que se anunciam e as suas habituais promessas para os mais pobres. Embora, em ambos os partidos, se diga que ainda é cedo para falar no aprofundamento da coligação para as próximas batalhas eleitorais, que começam com as europeias de 2004, o caminho já começou, com a aproximação entre as juventudes partidárias em termos europeus. Na passada sexta-feira, António Lobo Xavier, que em Janeiro regressou à comissão directiva do CDS, defendia, em entrevista a "O Independente", o aprofundamento da relação entre os dois partidos. Partido Combater o PP de um homem só Para as próximas batalhas, Portas precisará de um partido unido e que mostre que existe. Mota Soares promete um partido na rua e tenta contrariar a ideia de que o CDS é o partido de um homem só, falando dos três mil novos militantes e das 50 novas estruturas concelhias e distritais e lembrando que os democratas-cristãos não tiveram dificuldade em ter gente para desempenhar funções governativas. Mas também reconhece que é preciso fazer mais na dinamização das estruturas locais. "O CDS tem que ter uma vida e uma actividade própria", afirma o secretário-geral, apostando em reuniões entre dirigentes nacionais e membros do Governo com as estruturas locais como forma de dinamização e de aproximação entre partido e executivo. Quem entretanto se pôs em campo foi Manuel Monteiro. O ex-líder tinha apostado no fim de Portas na noite das eleições autárquicas e um mês depois foi derrotado em congresso, mas insiste em ter um espaço próprio e, para isso, criou um movimento e um centro de estudos. Monteiro quer ser candidato ao Parlamento Europeu e ameaça sê-lo, mesmo que o CDS não o queira. Mota Soares diz que não é o momento para falar de europeias, mas vai avisando: "Os militantes do CDS jamais compreenderiam que se tentasse fazer um novo partido à direita do CDS." OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE PS desafia Durão a baixar o IVA
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