EXPRESSO online

07-05-2003
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O que eles dizem «O MINISTRO da Defesa tem feito um excelente trabalho. Não é correcto que se ponha em causa a honra das pessoas sem provas. Qualquer um de nós pode ser testemunha num processo», disse ontem o primeiro-ministro aos portugueses. Ao fim de uma aflitiva semana, em que o distanciamento silencioso do Governo e do PSD em relação ao líder do CDS (à excepção do comprometedor Mota Amaral...) se começava a tornar cada vez mais desconfortável. Fez bem Durão Barroso. Não há razões para duvidar da qualidade do trabalho que o ministro tem feito na Defesa. Nem alguém se atreverá a contestar que não se deve pôr em causa a honra das pessoas, ainda por cima sem provas (se bem que o ex-director de «O Independente» e actual ministro da Defesa não seja um exemplo a recordar nesse campo). E ainda mais incontestável é a afirmação de que nenhum cidadão está livre de ser testemunha num processo. Fez bem Durão Barroso. Não há razões para duvidar da qualidade do trabalho que o ministro tem feito na Defesa. Nem alguém se atreverá a contestar que não se deve pôr em causa a honra das pessoas, ainda por cima sem provas (se bem que o ex-director de «O Independente» e actual ministro da Defesa não seja um exemplo a recordar nesse campo). E ainda mais incontestável é a afirmação de que nenhum cidadão está livre de ser testemunha num processo. O problema é que a questão não é essa. Ou não é, fundamentalmente, essa. No plano técnico-jurídico caberá às instâncias judiciais decidir até que ponto vai o envolvimento de Paulo Portas no escândalo financeiro da Moderna. E a nota que a Procuradoria-Geral da República fez sair esta semana foi clara na intenção de não se comprometer e deixar em aberto a eventualidade de novos episódios. O problema é que a questão não é essa. Ou não é, fundamentalmente, essa. No plano técnico-jurídico caberá às instâncias judiciais decidir até que ponto vai o envolvimento de Paulo Portas no escândalo financeiro da Moderna. E a nota que a Procuradoria-Geral da República fez sair esta semana foi clara na intenção de não se comprometer e deixar em aberto a eventualidade de novos episódios. A questão é, desde há muito e eminentemente, a que respeita à conduta de Paulo Portas no plano ético e político. A sua associação aos Braga Gonçalves - diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és... - na gestão da Amostra e nos financiamentos da Moderna, as prebendas e mordomias que aceitou, desde viagens ao infausto Jaguar, os milhares de contos que se esbanjaram e desapareceram na gestão de Portas, os cheques com destinos exóticos, etc. - nada disto abona a favor da lisura de comportamento dos intervenientes. Paulo Portas não viu, não duvidou, não estranhou, não percebeu? A questão é, desde há muito e eminentemente, a que respeita à conduta de Paulo Portas no plano ético e político. A sua associação aos Braga Gonçalves - diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és... - na gestão da Amostra e nos financiamentos da Moderna, as prebendas e mordomias que aceitou, desde viagens ao infausto Jaguar, os milhares de contos que se esbanjaram e desapareceram na gestão de Portas, os cheques com destinos exóticos, etc. - nada disto abona a favor da lisura de comportamento dos intervenientes. Paulo Portas não viu, não duvidou, não estranhou, não percebeu? O problema não é, naturalmente, Paulo Portas ser testemunha de tudo isso. O problema, como Durão Barroso é dos primeiros a perceber, é de o seu ministro assumir ou não as responsabilidades éticas e políticas do seu comportamento. E das consequências que isso trará ao Governo. O problema não é, naturalmente, Paulo Portas ser testemunha de tudo isso. O problema, como Durão Barroso é dos primeiros a perceber, é de o seu ministro assumir ou não as responsabilidades éticas e políticas do seu comportamento. E das consequências que isso trará ao Governo. J.A.L. J.A.L. jalima@mail.expresso.pt jalima@mail.expresso.pt José António Lima

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O que eles dizem «O MINISTRO da Defesa tem feito um excelente trabalho. Não é correcto que se ponha em causa a honra das pessoas sem provas. Qualquer um de nós pode ser testemunha num processo», disse ontem o primeiro-ministro aos portugueses. Ao fim de uma aflitiva semana, em que o distanciamento silencioso do Governo e do PSD em relação ao líder do CDS (à excepção do comprometedor Mota Amaral...) se começava a tornar cada vez mais desconfortável. Fez bem Durão Barroso. Não há razões para duvidar da qualidade do trabalho que o ministro tem feito na Defesa. Nem alguém se atreverá a contestar que não se deve pôr em causa a honra das pessoas, ainda por cima sem provas (se bem que o ex-director de «O Independente» e actual ministro da Defesa não seja um exemplo a recordar nesse campo). E ainda mais incontestável é a afirmação de que nenhum cidadão está livre de ser testemunha num processo. Fez bem Durão Barroso. Não há razões para duvidar da qualidade do trabalho que o ministro tem feito na Defesa. Nem alguém se atreverá a contestar que não se deve pôr em causa a honra das pessoas, ainda por cima sem provas (se bem que o ex-director de «O Independente» e actual ministro da Defesa não seja um exemplo a recordar nesse campo). E ainda mais incontestável é a afirmação de que nenhum cidadão está livre de ser testemunha num processo. O problema é que a questão não é essa. Ou não é, fundamentalmente, essa. No plano técnico-jurídico caberá às instâncias judiciais decidir até que ponto vai o envolvimento de Paulo Portas no escândalo financeiro da Moderna. E a nota que a Procuradoria-Geral da República fez sair esta semana foi clara na intenção de não se comprometer e deixar em aberto a eventualidade de novos episódios. O problema é que a questão não é essa. Ou não é, fundamentalmente, essa. No plano técnico-jurídico caberá às instâncias judiciais decidir até que ponto vai o envolvimento de Paulo Portas no escândalo financeiro da Moderna. E a nota que a Procuradoria-Geral da República fez sair esta semana foi clara na intenção de não se comprometer e deixar em aberto a eventualidade de novos episódios. A questão é, desde há muito e eminentemente, a que respeita à conduta de Paulo Portas no plano ético e político. A sua associação aos Braga Gonçalves - diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és... - na gestão da Amostra e nos financiamentos da Moderna, as prebendas e mordomias que aceitou, desde viagens ao infausto Jaguar, os milhares de contos que se esbanjaram e desapareceram na gestão de Portas, os cheques com destinos exóticos, etc. - nada disto abona a favor da lisura de comportamento dos intervenientes. Paulo Portas não viu, não duvidou, não estranhou, não percebeu? A questão é, desde há muito e eminentemente, a que respeita à conduta de Paulo Portas no plano ético e político. A sua associação aos Braga Gonçalves - diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és... - na gestão da Amostra e nos financiamentos da Moderna, as prebendas e mordomias que aceitou, desde viagens ao infausto Jaguar, os milhares de contos que se esbanjaram e desapareceram na gestão de Portas, os cheques com destinos exóticos, etc. - nada disto abona a favor da lisura de comportamento dos intervenientes. Paulo Portas não viu, não duvidou, não estranhou, não percebeu? O problema não é, naturalmente, Paulo Portas ser testemunha de tudo isso. O problema, como Durão Barroso é dos primeiros a perceber, é de o seu ministro assumir ou não as responsabilidades éticas e políticas do seu comportamento. E das consequências que isso trará ao Governo. O problema não é, naturalmente, Paulo Portas ser testemunha de tudo isso. O problema, como Durão Barroso é dos primeiros a perceber, é de o seu ministro assumir ou não as responsabilidades éticas e políticas do seu comportamento. E das consequências que isso trará ao Governo. J.A.L. J.A.L. jalima@mail.expresso.pt jalima@mail.expresso.pt José António Lima

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