Ricardo e Vasco, Os Homens Que Podem Suceder a César
Por ANA SÁ LOPES
Terça-feira, 19 de Outubro de 2004 Ricardo Rodrigues, ex-secretário regional da Agricultura que se demitiu do Governo de Carlos César na sequência de notícias que o davam como envolvido no escândalo de pedofilia de São Miguel, pode vir a ser o vice-presidente do Governo Regional dos Açores, ficando assim colocado na primeira linha para suceder a Carlos César no último congresso do PS-Açores, antes das próximas eleições regionais. O seu regresso ao Governo, de onde saiu mal o seu nome começou a circular, embora nunca tenha sido chamado a depor, é dado como certo. Se Ricardo Rodrigues não aceitar o cargo de vice-presidente, é provável que a escolha recaia no jovem Vasco Cordeiro, que substituiu Ricardo Rodrigues no cargo de secretário regional da Agricultura. Ricardo Rodrigues e Vasco Cordeiro são, neste momento, os mais influentes "homens do presidente", que Carlos César escolheu para o acompanharem a par e passo na campanha eleitoral. A sucessão de Carlos César poderá passar por um dos dois advogados, amigos e "vizinhos" de escritório. O nome de Sérgio Ávila - o presidente da Câmara de Angra do Heroísmo e líder do PS-Terceira - passou também a contar no calendário do futuro do PS, embora a naturalidade da ilha Terceira ainda seja apontada como obstáculo à ascensão política nos Açores, região dominada pela mais populosa ilha de São Miguel. José Contente, secretário regional da Habitação, que ocupou durante muitos anos o papel de número dois de Carlos César, sempre foi apontado como hipotético sucessor, mas o afastamento entre o presidente do Governo Regional e o antigamente apelidado "Jorge Coelho dos Açores" tornou-se visível. Depois da estrondosa vitória de domingo - que extravasou mesmo as perspectivas mais optimistas do PS - Carlos César anunciou que não se recandidatará a um quarto mandato como presidente do Governo Regional. Nos próximos quatro anos, o PS terá que engendrar uma alternativa interna a Carlos César. O modo como a transferência de poder dentro do PS se processar ditará o futuro do partido nas regionais de 2008. Mota Amaral, recorde-se, abandonou o partido e o Governo um ano antes das regionais de Outubro de 1996, e, em sequência, o PSD perdeu as eleições. Carlos César jurou, mais uma vez, na noite eleitoral, que não abandona o mandato a meio, desmentindo as hipóteses que o dão como "ministeriável" num hipotético governo de José Sócrates, se o PS vencer as próximas legislativas. Resta saber como é que a transição se procederá, tendo o PS que eleger um líder para se candidatar às regionais de 2008, com Carlos César ainda como presidente do Governo Regional. Na República, a coabitação Cavaco Silva-Fernando Nogueira foi um falhanço. Ricardo Rodrigues é militante do PS-Açores apenas há ano e meio: chegou ao Governo como independente, tendo ganho notoriedade pública como presidente do SOS-Lagoas, uma organização ambientalista que ainda deu dores de cabeça a Mota Amaral. Este advogado de 46 anos aproximou-se do PS em 1995, tendo sido o mandatário da candidatura de Medeiros Ferreira à Assembleia da República. Vasco Cordeiro tem 31 anos, e antes de ter sido chamado de urgência para ocupar o cargo de secretário regional da Agricultura, era líder parlamentar do PS na Assembleia Legislativa. Antes, tinha sido líder da JS-Açores e, antigo estagiário e hoje vizinho de escritório de Ricardo Rodrigues, contribuiu para aproximar o seu antecessor ao PS. OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE PSD e CDS ponderaram concorrer separados em três ilhas dos Açores
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Calheta
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