EXPRESSO: País

04-09-2002
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O ministro influente...

Jorge Simão Luís Marques Mendes: «Sem ele o Governo seria muito provavelmente pior», diz Torres Pereira

É HOJE ministro dos Assuntos Parlamentares e um dos principais conselheiros de Durão Barroso, integrando o núcleo de coordenação política do Executivo. Ninguém o preveria, há dois anos, em Viseu, quando se candidatou contra Barroso - mas, como salvaguarda um dos seus apoiantes, Luís Marques Mendes

«Nem os que apoiam Durão Barroso elogiam a sua liderança. O PSD não faz oposição», afirmou Marques Mendes numa entrevista ao EXPRESSO nas vésperas do Congresso de Viseu. Barroso acusou-o de divisionismo: «Se há companheiros que acham que sabem fazer melhor oposição, então não façam oposição ao PSD».

Depois de Viseu, Mendes continuou intensamente as suas actividades partidárias pelo país, em particular no distrito de Aveiro, pelo qual era deputado, sem nunca esconder que continuava crítico em relação ao líder. «É mau não existir Governo, mas é igualmente mau não haver alternativa», afirmou em Maio de 2001, numa entrevista à Renascença. O convite para o Executivo causou por isso surpresa, tanto mais que não houve qualquer sinal de reconciliação, como aconteceu entre Barroso e Santana Lopes.

Precipitadas novas eleições, com a demissão de António Guterres, os mendistas foram varridos das listas por Durão Barroso. Menos o próprio Marques Mendes, que se manteve como cabeça-de-lista por Aveiro e obteve uma das maiores vitórias do PSD a nível distrital.

Pedro Passos Coelho, candidato a secretário-geral do partido na lista encabeçada por Mendes em Viseu, considera que não é estranho vê-lo hoje como ministro de Barroso. «Ele é um político e com responsabilidades no PSD. Dentro das condições que terá realizado para aceitar integrar o Governo, tenho a certeza que este só ficou enriquecido», afirma, considerando que sai «reforçada a sua legitimidade política». Passos Coelho discorda de que, com a chegada ao poder, o barrosismo aparentemente absorveu tudo. Lembra que o PSD sempre teve «grupos». Artur Torres Pereira, ex-secretário-geral do PSD e um dos apoiantes mais activos de Mendes em Viseu, considera que este é hoje uma das figuras-chave do Executivo e que o convite para o integrar «só enobreceu Durão Barroso», que mostrou ser «magnânimo». «A qualidade da prestação do Governo não seria a mesma, se Marques Mendes não estivesse lá», afirma Torres Pereira, considerando que, «independentemente dos acidentes de percurso, o Executivo vai no bom caminho». Quanto a mendistas e santanistas, diz que já não existem: «agora há é portuguesismo!»

Mas, tendo em conta tudo o que se passou, afinal não era Barroso que tinha razão? «Se voltasse atrás, teria voltado a não apoiar Durão Barroso. Se fosse hoje, também. A razão não se mede dessa forma», responde Passos Coelho.

O ministro influente...

Jorge Simão Luís Marques Mendes: «Sem ele o Governo seria muito provavelmente pior», diz Torres Pereira

É HOJE ministro dos Assuntos Parlamentares e um dos principais conselheiros de Durão Barroso, integrando o núcleo de coordenação política do Executivo. Ninguém o preveria, há dois anos, em Viseu, quando se candidatou contra Barroso - mas, como salvaguarda um dos seus apoiantes, Luís Marques Mendes

«Nem os que apoiam Durão Barroso elogiam a sua liderança. O PSD não faz oposição», afirmou Marques Mendes numa entrevista ao EXPRESSO nas vésperas do Congresso de Viseu. Barroso acusou-o de divisionismo: «Se há companheiros que acham que sabem fazer melhor oposição, então não façam oposição ao PSD».

Depois de Viseu, Mendes continuou intensamente as suas actividades partidárias pelo país, em particular no distrito de Aveiro, pelo qual era deputado, sem nunca esconder que continuava crítico em relação ao líder. «É mau não existir Governo, mas é igualmente mau não haver alternativa», afirmou em Maio de 2001, numa entrevista à Renascença. O convite para o Executivo causou por isso surpresa, tanto mais que não houve qualquer sinal de reconciliação, como aconteceu entre Barroso e Santana Lopes.

Precipitadas novas eleições, com a demissão de António Guterres, os mendistas foram varridos das listas por Durão Barroso. Menos o próprio Marques Mendes, que se manteve como cabeça-de-lista por Aveiro e obteve uma das maiores vitórias do PSD a nível distrital.

Pedro Passos Coelho, candidato a secretário-geral do partido na lista encabeçada por Mendes em Viseu, considera que não é estranho vê-lo hoje como ministro de Barroso. «Ele é um político e com responsabilidades no PSD. Dentro das condições que terá realizado para aceitar integrar o Governo, tenho a certeza que este só ficou enriquecido», afirma, considerando que sai «reforçada a sua legitimidade política». Passos Coelho discorda de que, com a chegada ao poder, o barrosismo aparentemente absorveu tudo. Lembra que o PSD sempre teve «grupos». Artur Torres Pereira, ex-secretário-geral do PSD e um dos apoiantes mais activos de Mendes em Viseu, considera que este é hoje uma das figuras-chave do Executivo e que o convite para o integrar «só enobreceu Durão Barroso», que mostrou ser «magnânimo». «A qualidade da prestação do Governo não seria a mesma, se Marques Mendes não estivesse lá», afirma Torres Pereira, considerando que, «independentemente dos acidentes de percurso, o Executivo vai no bom caminho». Quanto a mendistas e santanistas, diz que já não existem: «agora há é portuguesismo!»

Mas, tendo em conta tudo o que se passou, afinal não era Barroso que tinha razão? «Se voltasse atrás, teria voltado a não apoiar Durão Barroso. Se fosse hoje, também. A razão não se mede dessa forma», responde Passos Coelho.

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