GNR Identificou Autor da Morte do Touro em Monsaraz
Segunda-feira, 9 de Setembro de 2002
Governador civil de Évora diz que acontecimentos são tentativa de "criação de facto político"
PÚBLICO/Lusa
O governador civil de Évora critica, o presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz apoia, a GNR já identificou o autor do acto: a morte de um touro nas festas de Monsaraz, sábado ao fim do dia, já está a gerar polémica, à semelhança do que aconteceu nos últimos anos em Barrancos.
Apesar de proibida pela Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC), por não se verificar o "carácter ininterrupto" da tradição, a morte do touro ocorreu no final de uma novilhada popular, realizada na praça de armas do castelo de Monsaraz, no primeiro dia das festas em honra do Senhor Jesus dos Passos.
A Misericórdia de Monsaraz, entidade que organiza as festas, tinha interposto recurso da proibição, mas sem resultado. A solução dos promotores da festa foi violar a lei que, depois de anos de polémicas a propósito das touradas de morte em Barrancos, passou a permitir a morte do touro em arena, desde que o Parlamento aprovou, em Julho, as novas regras, na condição de que haja uma tradição ininterrupta de pelo menos 50 anos.
O governador civil de Évora, Luís Capoulas, não gostou. E, citado pela Lusa, relacionou o caso com "propósitos mais ou menos confessos de criação de um facto político". Em comunicado, o representante do Governo no distrito recorda que o touro foi abatido em público, depois de imobilizado para o efeito, em infracção à lei n/0 12- B/2002, de 8 de Julho. O governador civil lamenta que "a coberto da invocada manutenção de uma tradição local, aliás sem afinidade com o espectáculo tauromáquico, os propósitos mais ou menos confessos da criação de um facto político se tenham sobreposto ao dever de estrito cumprimento das regras do Estado de Direito que a todos nos obrigam".
Apesar de não terem sido visíveis no castelo de Monsaraz, onde decorreu a novilhada com touro de morte, Luís Capoulas acrescenta que os efectivos da GNR presentes no local procederam já à identificação, quer dos autores morais (elementos da comissão de festas), quer do autor material de tal infracção. Agora, o respectivo auto de notícia deverá ser presente hoje mesmo no Tribunal de Reguengos de Monsaraz para os procedimentos subsequentes, nos termos da lei, refere a nota do governador civil de Évora.
O comandante do destacamento da Guarda Nacional Republicana em Reguengos de Monsaraz, capitão Serafim, confirmou por seu turno à Lusa que a corporação já identificou todos os elementos da comissão de festas e o autor da morte do touro. O mesmo responsável adiantou que todos os elementos identificados são acusados de abate clandestino. O golpe fatal no animal, desferido cerca das 19h35, depois de laçado e preso ao muro da arena, foi dado quando o touro se encontrava coberto por um pano escuro, situação que impediu a observação do acto.
O animal abatido foi depois carregado numa carrinha e transportado para um local incerto para ser desmanchado, operação acompanhada por um veterinário, segundo disse à Lusa o presidente da autarquia, o socialista Victor Martelo, que garantiu que a carne seria oferecida à população para consumo, como garantiu ser também de tradição. O presidente da câmara de Reguengos de Monsaraz manifestou-se ainda satisfeito por ter sido mantida a tradição da lide com touro de morte, apesar de recusada a autorização excepcional para tal espectáculo.
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GNR Identificou Autor da Morte do Touro em Monsaraz
Segunda-feira, 9 de Setembro de 2002
Governador civil de Évora diz que acontecimentos são tentativa de "criação de facto político"
PÚBLICO/Lusa
O governador civil de Évora critica, o presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz apoia, a GNR já identificou o autor do acto: a morte de um touro nas festas de Monsaraz, sábado ao fim do dia, já está a gerar polémica, à semelhança do que aconteceu nos últimos anos em Barrancos.
Apesar de proibida pela Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC), por não se verificar o "carácter ininterrupto" da tradição, a morte do touro ocorreu no final de uma novilhada popular, realizada na praça de armas do castelo de Monsaraz, no primeiro dia das festas em honra do Senhor Jesus dos Passos.
A Misericórdia de Monsaraz, entidade que organiza as festas, tinha interposto recurso da proibição, mas sem resultado. A solução dos promotores da festa foi violar a lei que, depois de anos de polémicas a propósito das touradas de morte em Barrancos, passou a permitir a morte do touro em arena, desde que o Parlamento aprovou, em Julho, as novas regras, na condição de que haja uma tradição ininterrupta de pelo menos 50 anos.
O governador civil de Évora, Luís Capoulas, não gostou. E, citado pela Lusa, relacionou o caso com "propósitos mais ou menos confessos de criação de um facto político". Em comunicado, o representante do Governo no distrito recorda que o touro foi abatido em público, depois de imobilizado para o efeito, em infracção à lei n/0 12- B/2002, de 8 de Julho. O governador civil lamenta que "a coberto da invocada manutenção de uma tradição local, aliás sem afinidade com o espectáculo tauromáquico, os propósitos mais ou menos confessos da criação de um facto político se tenham sobreposto ao dever de estrito cumprimento das regras do Estado de Direito que a todos nos obrigam".
Apesar de não terem sido visíveis no castelo de Monsaraz, onde decorreu a novilhada com touro de morte, Luís Capoulas acrescenta que os efectivos da GNR presentes no local procederam já à identificação, quer dos autores morais (elementos da comissão de festas), quer do autor material de tal infracção. Agora, o respectivo auto de notícia deverá ser presente hoje mesmo no Tribunal de Reguengos de Monsaraz para os procedimentos subsequentes, nos termos da lei, refere a nota do governador civil de Évora.
O comandante do destacamento da Guarda Nacional Republicana em Reguengos de Monsaraz, capitão Serafim, confirmou por seu turno à Lusa que a corporação já identificou todos os elementos da comissão de festas e o autor da morte do touro. O mesmo responsável adiantou que todos os elementos identificados são acusados de abate clandestino. O golpe fatal no animal, desferido cerca das 19h35, depois de laçado e preso ao muro da arena, foi dado quando o touro se encontrava coberto por um pano escuro, situação que impediu a observação do acto.
O animal abatido foi depois carregado numa carrinha e transportado para um local incerto para ser desmanchado, operação acompanhada por um veterinário, segundo disse à Lusa o presidente da autarquia, o socialista Victor Martelo, que garantiu que a carne seria oferecida à população para consumo, como garantiu ser também de tradição. O presidente da câmara de Reguengos de Monsaraz manifestou-se ainda satisfeito por ter sido mantida a tradição da lide com touro de morte, apesar de recusada a autorização excepcional para tal espectáculo.