Personagem: Jorge Sampaio

10-01-2004
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Personagem: Jorge Sampaio

Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2004

A mensagem de Ano Novo do Presidente da República teve, desta feita, uma forte componente económica e social. Jorge Sampaio lembrou que muitos portugueses viram, em 2003, as suas condições de vida piorarem e dirigiu uma palavra às muitas famílias que viram o desemprego bater à sua porta. Mas o mais grave é que "todos esses a quem o presente frustrou as expectativas de um quotidiano livre de incertezas e angústias olham com inquietação para o ano de 2004". Por isso, o Presidente fez questão de deixar uma clara mensagem ao Governo, ao dizer que os portugueses não esperam apenas "compreensão pelas suas dificuldades". Exigem "políticas activas que encontrem soluções sustentadas para os problemas que o país enfrenta". Ou seja: não basta pôr as finanças públicas em ordem. É preciso remar efectivamente contra a maré que deixou o país no estado debilitado em que se encontra.

A frase

"É sinal de que estamos em recessão",Luís Faria, secretário-geral da Confederação do Comércio Português, questionado sobre o facto de muitas lojas terem arrancado com descontos e promoções após o Natal, quando a época de saldos começa oficialmente apenas depois de amanhã

Revista da semana: Preços "upa, upa"

Rendas de casa, portagens, pão, transportes, água, gás, electricidade - tudo encarece no início do ano. É um ciclo que se repete com a circunstância, também inalterada, de se registarem, em praticamente todos os items, actualizações de preços que ficam mais ou menos acima da inflação que o Governo espera para o ano em curso. Com salários a crescerem a um nível inferior ao dos preços, ainda não será desta que a qualidade de vida dos portugueses irá conhecer qualquer incremento.

Quem segura o euro?

Ninguém consegue segurar o euro. Na semana passada, a última do ano, a moeda única europeia bateu novo recorde, ao fixar-se a 1,2649 dólares. Feitas as contas, são 20 por cento mais do que valia no dia 1 de Janeiro de 2002. O ego dos europeus que integraram o euro estará mais cheio do que um balão, mas o orgulho não enche barriga e há muita gente que se interroga sobre as consequências de tão notável desempenho. Com um euro demasiado forte, os produtos da eurolândia perdem competitividade e há muitos países à espera que sejam as exportações a impulsionar a retoma da economia.

Parmalat sofre

Calisto Tanzi, o patrão da Parmalat, foi preso na semana passada. O herdeiro do fundador do gigante italiano do agro-alimentar vai ter que explicar como é que a companhia acabou atolada num buraco financeiro de, pelo menos, dez mil milhões de euros, e o que fez aos 500 milhões de euros que desapareceram das contas da empresa. Mais um caso complicado para a justiça transalpina. Por cá, o responsável do grupo vai repetindo declarações de que a Parmalat Portugal está de boa saúde e que os problemas financeiros da casa-mãe não afectam os negócios em terras lusas. Para bem dos trabalhadores da Parmalat e de muitos produtores de leite nacionais que optaram por vender aos italianos, seria bom que o futuro próximo confirmasse estas declarações.

BCP alivia carga

A poucos dias de fechar o ano, o Banco Comercial Português vendeu a participação (11 por cento) que detinha na Companhia de Seguros de Crédito (Cosec). De uma penada, Jardim Gonçalves resolve duas questões. Por um lado, encaixa, com a operação, 3,250 milhões de euros, que irão reflectir-se positivamente nos resultados de 2003; por outro, ao vender a posição à Euler Hermes (afiliada do grupo Allianz), que já detinha 14 por cento da resseguradora, abre caminho para que a companhia encontre o parceiro estrangeiro que, nas palavras do presidente do BPI (o maior accionista da Cosec), é fundamental para a sua afirmação.

Portucel na recta final

O caderno de encargos para a privatização de 30 por cento da Portucel foi finalmente publicado em Diário da República. O texto não tem grande novidade face à informação que foi saindo às pinguinhas do ministério da Economia. O preço por acção é de 1,45 euros, o objectivo é que o comprador possa contribuir para o crescimento da empresa, a consolidação da sua estratégia e a afirmação nos mercados em que opera. O factor preço só será utilizado como critério para desempatar propostas semelhantes. Para evitar mais partidas como a que a Sonae pregou no anterior processo, ao chumbar a proposta da Cofina/Lecta, desta vez o Governo não estabelece condições que afastem eventuais candidatos, o que abre o leque de potenciais interessados.

Autoeuropa investe

O espectro da Autoeuropa deixar Palmela em busca de um qualquer paraíso de mão-de-obra barata esfumou-se, em definitivo, e na semana passada a empresa assinou mesmo novo contrato de investimento com o Governo português. São 600 milhões de euros a concretizar até 2011, com uma participação pública de 11,8 por cento. O novo director-geral da empresa aproveitou a assinatura do contrato de investimento para revelar que, além do novo modelo que irá começar a sair das linhas de montagem em 2005, um outro poderá estar na calha. Se tal vier a acontecer, será mais emprego a nascer na península de Setúbal, eternamente carenciada de postos de trabalho.

Bolsa antecipa retoma

A bolsa de Lisboa fechou o ano com o PSI20 a registar um ganho de 15 por cento face a um 2002 que tinha sido para esquecer - o índice caiu 26 por cento. O valor de mercado das cotadas também inchou (16 mil milhões de euros) para cerca de 90 mil milhões de euros. Os investidores parecem estar confiantes de que 2004 será o ano de retoma. O problema é se já anteciparam tudo em 2003 e este ano os ganhos ficam no tinteiro.

Agenda:Hoje, 5

·Realiza-se, pelas 17h, no auditório do edifício-sede do Montepio Geral, em Lisboa, a cerimónia de tomada de posse dos órgãos associativos para o triénio 2004-2006, presididos por José da Silva Lopes.

·O Eurostat divulga os dados das encomendas na indústria da Zona Euro referentes a Dezembro e anuncia a primeira estimativa para a inflação da Zona Euro em Dezembro.

·Os trabalhadores da empresa de lanifícios Fino's (cuja falência foi já decretada pelo Tribunal de Portalegre) deverão conhecer hoje o liquidatário judicial.

Terça, 6

·O Banco de Portugal publica o Boletim Económico de Dezembro.

·Reúne-se, às 15h, a Comissão Parlamentar de Execução Orçamental, para votação do relatório sobre a Dívida Pública e Garantias Pessoais do Estado, do deputado José Manuel Ribeiro (PSD) e apreciação e votação do relatório relativo à Execução Orçamental da Segurança Social do 1º semestre de 2003, do deputado Vasco Cunha (PSD), entre outros assuntos.

Quarta, 7

·A ministra Teresa Gouveia preside à abertura do Fórum de Embaixadores, pelas 11h30, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Coimbra. Este fórum, que ao longo de três dias vai debater questões relacionadas com a diplomacia económica, é uma iniciativa da Agência Portuguesa de Investimento.

·A Comissão Europeia debate a proposta de reforma das Perspectivas Financeiras.

·Início oficial dos saldos de Inverno, que se prolongam até dia 28 de Fevereiro.

Quinta, 8

·Jornadas sobre Código do Trabalho, hoje e amanhã, no Centro de Congressos de Lisboa, uma iniciativa da Inspecção-Geral do Trabalho e do Centro de Estudos Judiciários. Os trabalhos decorrem das 9h30 às 16h30.

·Reunião do Banco Central Europeu.

Sexta, 9

·A Assembleia da República discute o relatório referente à Conta Geral do Estado do ano de 2001 e o projecto do PS para a reposição do regime de crédito bonificado. A partir das 10h.

Personagem: Jorge Sampaio

Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2004

A mensagem de Ano Novo do Presidente da República teve, desta feita, uma forte componente económica e social. Jorge Sampaio lembrou que muitos portugueses viram, em 2003, as suas condições de vida piorarem e dirigiu uma palavra às muitas famílias que viram o desemprego bater à sua porta. Mas o mais grave é que "todos esses a quem o presente frustrou as expectativas de um quotidiano livre de incertezas e angústias olham com inquietação para o ano de 2004". Por isso, o Presidente fez questão de deixar uma clara mensagem ao Governo, ao dizer que os portugueses não esperam apenas "compreensão pelas suas dificuldades". Exigem "políticas activas que encontrem soluções sustentadas para os problemas que o país enfrenta". Ou seja: não basta pôr as finanças públicas em ordem. É preciso remar efectivamente contra a maré que deixou o país no estado debilitado em que se encontra.

A frase

"É sinal de que estamos em recessão",Luís Faria, secretário-geral da Confederação do Comércio Português, questionado sobre o facto de muitas lojas terem arrancado com descontos e promoções após o Natal, quando a época de saldos começa oficialmente apenas depois de amanhã

Revista da semana: Preços "upa, upa"

Rendas de casa, portagens, pão, transportes, água, gás, electricidade - tudo encarece no início do ano. É um ciclo que se repete com a circunstância, também inalterada, de se registarem, em praticamente todos os items, actualizações de preços que ficam mais ou menos acima da inflação que o Governo espera para o ano em curso. Com salários a crescerem a um nível inferior ao dos preços, ainda não será desta que a qualidade de vida dos portugueses irá conhecer qualquer incremento.

Quem segura o euro?

Ninguém consegue segurar o euro. Na semana passada, a última do ano, a moeda única europeia bateu novo recorde, ao fixar-se a 1,2649 dólares. Feitas as contas, são 20 por cento mais do que valia no dia 1 de Janeiro de 2002. O ego dos europeus que integraram o euro estará mais cheio do que um balão, mas o orgulho não enche barriga e há muita gente que se interroga sobre as consequências de tão notável desempenho. Com um euro demasiado forte, os produtos da eurolândia perdem competitividade e há muitos países à espera que sejam as exportações a impulsionar a retoma da economia.

Parmalat sofre

Calisto Tanzi, o patrão da Parmalat, foi preso na semana passada. O herdeiro do fundador do gigante italiano do agro-alimentar vai ter que explicar como é que a companhia acabou atolada num buraco financeiro de, pelo menos, dez mil milhões de euros, e o que fez aos 500 milhões de euros que desapareceram das contas da empresa. Mais um caso complicado para a justiça transalpina. Por cá, o responsável do grupo vai repetindo declarações de que a Parmalat Portugal está de boa saúde e que os problemas financeiros da casa-mãe não afectam os negócios em terras lusas. Para bem dos trabalhadores da Parmalat e de muitos produtores de leite nacionais que optaram por vender aos italianos, seria bom que o futuro próximo confirmasse estas declarações.

BCP alivia carga

A poucos dias de fechar o ano, o Banco Comercial Português vendeu a participação (11 por cento) que detinha na Companhia de Seguros de Crédito (Cosec). De uma penada, Jardim Gonçalves resolve duas questões. Por um lado, encaixa, com a operação, 3,250 milhões de euros, que irão reflectir-se positivamente nos resultados de 2003; por outro, ao vender a posição à Euler Hermes (afiliada do grupo Allianz), que já detinha 14 por cento da resseguradora, abre caminho para que a companhia encontre o parceiro estrangeiro que, nas palavras do presidente do BPI (o maior accionista da Cosec), é fundamental para a sua afirmação.

Portucel na recta final

O caderno de encargos para a privatização de 30 por cento da Portucel foi finalmente publicado em Diário da República. O texto não tem grande novidade face à informação que foi saindo às pinguinhas do ministério da Economia. O preço por acção é de 1,45 euros, o objectivo é que o comprador possa contribuir para o crescimento da empresa, a consolidação da sua estratégia e a afirmação nos mercados em que opera. O factor preço só será utilizado como critério para desempatar propostas semelhantes. Para evitar mais partidas como a que a Sonae pregou no anterior processo, ao chumbar a proposta da Cofina/Lecta, desta vez o Governo não estabelece condições que afastem eventuais candidatos, o que abre o leque de potenciais interessados.

Autoeuropa investe

O espectro da Autoeuropa deixar Palmela em busca de um qualquer paraíso de mão-de-obra barata esfumou-se, em definitivo, e na semana passada a empresa assinou mesmo novo contrato de investimento com o Governo português. São 600 milhões de euros a concretizar até 2011, com uma participação pública de 11,8 por cento. O novo director-geral da empresa aproveitou a assinatura do contrato de investimento para revelar que, além do novo modelo que irá começar a sair das linhas de montagem em 2005, um outro poderá estar na calha. Se tal vier a acontecer, será mais emprego a nascer na península de Setúbal, eternamente carenciada de postos de trabalho.

Bolsa antecipa retoma

A bolsa de Lisboa fechou o ano com o PSI20 a registar um ganho de 15 por cento face a um 2002 que tinha sido para esquecer - o índice caiu 26 por cento. O valor de mercado das cotadas também inchou (16 mil milhões de euros) para cerca de 90 mil milhões de euros. Os investidores parecem estar confiantes de que 2004 será o ano de retoma. O problema é se já anteciparam tudo em 2003 e este ano os ganhos ficam no tinteiro.

Agenda:Hoje, 5

·Realiza-se, pelas 17h, no auditório do edifício-sede do Montepio Geral, em Lisboa, a cerimónia de tomada de posse dos órgãos associativos para o triénio 2004-2006, presididos por José da Silva Lopes.

·O Eurostat divulga os dados das encomendas na indústria da Zona Euro referentes a Dezembro e anuncia a primeira estimativa para a inflação da Zona Euro em Dezembro.

·Os trabalhadores da empresa de lanifícios Fino's (cuja falência foi já decretada pelo Tribunal de Portalegre) deverão conhecer hoje o liquidatário judicial.

Terça, 6

·O Banco de Portugal publica o Boletim Económico de Dezembro.

·Reúne-se, às 15h, a Comissão Parlamentar de Execução Orçamental, para votação do relatório sobre a Dívida Pública e Garantias Pessoais do Estado, do deputado José Manuel Ribeiro (PSD) e apreciação e votação do relatório relativo à Execução Orçamental da Segurança Social do 1º semestre de 2003, do deputado Vasco Cunha (PSD), entre outros assuntos.

Quarta, 7

·A ministra Teresa Gouveia preside à abertura do Fórum de Embaixadores, pelas 11h30, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Coimbra. Este fórum, que ao longo de três dias vai debater questões relacionadas com a diplomacia económica, é uma iniciativa da Agência Portuguesa de Investimento.

·A Comissão Europeia debate a proposta de reforma das Perspectivas Financeiras.

·Início oficial dos saldos de Inverno, que se prolongam até dia 28 de Fevereiro.

Quinta, 8

·Jornadas sobre Código do Trabalho, hoje e amanhã, no Centro de Congressos de Lisboa, uma iniciativa da Inspecção-Geral do Trabalho e do Centro de Estudos Judiciários. Os trabalhos decorrem das 9h30 às 16h30.

·Reunião do Banco Central Europeu.

Sexta, 9

·A Assembleia da República discute o relatório referente à Conta Geral do Estado do ano de 2001 e o projecto do PS para a reposição do regime de crédito bonificado. A partir das 10h.

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