O Ridículo Bem-disposto
Por HUGO DANIEL SOUSA
quinta-feira, 31 de Janeiro de 2002
A RTP, ou a nova RTP, deu-nos anteontem mais uma pérola para o já longo e triste capítulo das cenas ridículas do serviço público em Portugal. Apresentado por José Alberto de Carvalho, o Telejornal deu-nos o exemplo do que não é servir os cidadãos, os telespectadores, os contribuintes. Dada mais uma notícia sobre a polémica à volta da construção do novo Estádio da Luz - um tema importante para o país e particularmente para os cidadãos e munícipes de Lisboa -, foi feita uma ligação em directo à Costa de Caparica. Sim, à Costa de Caparica. Os entrevistados eram, com todo o respeito que merecem, dois conhecidos sócios do Benfica: o "Barbas" e Jorge Máximo. Os dois associados, levava o Telejornal cerca de dez minutos, lançaram críticas e ameaçaram até, com uma simbólica laranja na mão, o partido de Pedro Santana Lopes, o presidente da Câmara de Lisboa. Aqueles minutos, só explicáveis por uma desesperada necessidade de encher o alinhamento, nada contribuíram para o esclarecimento dos telespectadores e, particularmente, de quem vive na capital. Contrataram um novo director-geral (com o nosso dinheiro, leia-se dos contribuintes), "pescaram" na concorrência alguns dos pivôs mais caros do mercado (à nossa custa), trocaram de cenários (com verbas saídas do nosso trabalho), prometeram uma nova televisão, publicitaram uma aposta na informação e agora oferecem-nos um momento hilariante e ridículo. Talvez seja a tal informação bem-disposta, que o "slogan" promete, provavelmente interessante para o santo padroeiro dos disparates televisivos. E o problema agrava-se porque logo ao lado, a SIC entrevistava em directo o ministro do Desporto e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa. É verdade que o canal de Carnaxide usou uma indelicada e duvidosa omissão - Santana Lopes e José Lello não sabiam da presença um do outro em directo -, mas, pelo menos, os dois entrevistados tinham mais para dizer do que os sócios benfiquistas colocados no pedestal da RTP, que deixou para a hora seguinte uma conversa com Santana Lopes. E o primeiro canal da televisão pública tem-nos desiludido com outros momentos tristes, como a histeria em redor de um assassinato na Suíça ou de um suicídio no Jardim Zoológico. Este é, infelizmente, só mais um exemplo. Mas um exemplo que sai caro.
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O Ridículo Bem-disposto
Por HUGO DANIEL SOUSA
quinta-feira, 31 de Janeiro de 2002
A RTP, ou a nova RTP, deu-nos anteontem mais uma pérola para o já longo e triste capítulo das cenas ridículas do serviço público em Portugal. Apresentado por José Alberto de Carvalho, o Telejornal deu-nos o exemplo do que não é servir os cidadãos, os telespectadores, os contribuintes. Dada mais uma notícia sobre a polémica à volta da construção do novo Estádio da Luz - um tema importante para o país e particularmente para os cidadãos e munícipes de Lisboa -, foi feita uma ligação em directo à Costa de Caparica. Sim, à Costa de Caparica. Os entrevistados eram, com todo o respeito que merecem, dois conhecidos sócios do Benfica: o "Barbas" e Jorge Máximo. Os dois associados, levava o Telejornal cerca de dez minutos, lançaram críticas e ameaçaram até, com uma simbólica laranja na mão, o partido de Pedro Santana Lopes, o presidente da Câmara de Lisboa. Aqueles minutos, só explicáveis por uma desesperada necessidade de encher o alinhamento, nada contribuíram para o esclarecimento dos telespectadores e, particularmente, de quem vive na capital. Contrataram um novo director-geral (com o nosso dinheiro, leia-se dos contribuintes), "pescaram" na concorrência alguns dos pivôs mais caros do mercado (à nossa custa), trocaram de cenários (com verbas saídas do nosso trabalho), prometeram uma nova televisão, publicitaram uma aposta na informação e agora oferecem-nos um momento hilariante e ridículo. Talvez seja a tal informação bem-disposta, que o "slogan" promete, provavelmente interessante para o santo padroeiro dos disparates televisivos. E o problema agrava-se porque logo ao lado, a SIC entrevistava em directo o ministro do Desporto e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa. É verdade que o canal de Carnaxide usou uma indelicada e duvidosa omissão - Santana Lopes e José Lello não sabiam da presença um do outro em directo -, mas, pelo menos, os dois entrevistados tinham mais para dizer do que os sócios benfiquistas colocados no pedestal da RTP, que deixou para a hora seguinte uma conversa com Santana Lopes. E o primeiro canal da televisão pública tem-nos desiludido com outros momentos tristes, como a histeria em redor de um assassinato na Suíça ou de um suicídio no Jardim Zoológico. Este é, infelizmente, só mais um exemplo. Mas um exemplo que sai caro.