Dois possíveis candidatos tentam reunir apoios para conseguir chegar até às urnas
Eleições para a CCP Só Acolherão Uma Lista
Segunda-feira, 22 de Março de 2004
O sufrágio na Confederação do Comércio e Serviços de Portugal deveria realizar-se até ao final deste mês, mas o atraso, já incontornável, é considerado "normal". Há dois candidatos à sucessão de Vasco da Gama, mas só uma lista vai a votos
Dulce Furtado
Ao longo da última semana, duas possíveis listas para as eleições da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) têm vindo a ganhar maior definição, com os cabeças de lista respectivos - uma entendida como de continuidade, liderada por Miguel Costa Gomes, e outra vista como alternativa a essa mesma continuidade, liderada por José António Silva - a assumirem claramente a vontade de se fazerem à corrida. Ambos garantem que têm já reunidas as necessárias condições para formalizarem uma candidatura - mas ambos sabem que não há possibilidade de mais do que uma lista a chegar às urnas.
O obstáculo prático a que duas candidaturas se oficializem para este novo processo eleitoral na CCP advém dos próprios estatutos da Confederação, os quais exigem que uma candidatura - para ser formalmente elegível - tem que reunir um equilíbrio de representatividade das várias associações que integram a CCP: só na Direcção são necessárias, como membros efectivos, seis associações sectoriais, seis associações de serviços e seis associações regionais e ainda três suplentes de cada uma das vertentes. Existindo na confederação tão só 12 associações de serviços, a formação de uma candidatura elegível inviabilizará sempre que uma outra lista dispute as eleições nas urnas.
Segundo o PÚBLICO apurou, nenhuma das possíveis listas reuniu até ao momento o apoio absolutamente necessário a formar uma lista elegível, embora tanto Miguel Costa Gomes, um dos vice-presidentes actuais da direcção presidida por Vasco da Gama e presidente da Associação Comercial e Industrial de Barcelos, como José António Silva, presidente da Associação de Comerciantes do Algarve, com uma lista suportada por outro actual vice-presidente da CCP, João Vieira Lopes, afirmam ter do seu lado o número de associações necessárias à formação de uma candidatura.
Apoios multiplicados
Tendo evitado assumir expressamente a sua candidatura durante algum tempo, "por uma questão de respeito aos trâmites processuais exigidos pelos estatutos", Miguel Costa Gomes decidiu ao longo da passada semana passar de "candidato a candidato" para uma atitude clara de se assumir como cabeça de uma lista em formação. "Já estou de facto em campanha e em processo de reunir os apoios necessários: neste momento posso mesmo dizer que não acredito que venha a ser possível formar uma outra lista, dado ter recebido já o apoio de dez das associações de serviços que integram a confederação."
José António Silva, cujo nome terá sido proposto por um conjunto de elementos da actual direcção da CCP, manifesta a mesma exacta convicção e não tem dúvidas de que será o seu projecto a avançar até ao sufrágio: "Garanto aos associados que no tempo exacto, quando o processo eleitoral for aberto, apresentaremos a nossa candidatura às eleições. Pode ter-se como seguro que esta candidatura é mais do que viável: estamos mesmo em condições de pedir a convocação imediata do acto eleitoral e fazê-lo apresentado formalmente a nossa candidatura", afirmou este empresário algarvio ao PÚBLICO.
As candidaturas não terão ainda avançado mais pelo facto de as eleições não terem sido ainda convocadas pelo actual presidente da assembleia-geral da CCP, Mário Rui Costa. Os estatutos da Confederação indicam expressamente que "as eleições deverão efectuar-se até 31 de Março", a mesma data em que termina o mandato da actual direcção, liderada por Vasco da Gama. O óbice é que, para tal ter sido cumprido, a assembleia eleitoral deveria ter sido convocada não mais tarde do que o passado dia 15 de Fevereiro, uma vez que são também os estatutos a determinar que aquele momento da vida da Confederação seja convocado "com a antecedência mínima de 45 dias". Este atraso é considerado, porém, normal: "Sempre tem havido alguma elasticidade nessa questão", explicou Luís Faria, assessor da direcção da CCP.
Tendo o PÚBLICO apurado que Mário Rui Costa se encontra ausente no estrangeiro e que só regressará a Portugal após 26 de Março, parece evidente que as eleições para a Confederação não venham a ser marcadas para mais cedo do que meados de Maio próximo. Entretanto, as duas possíveis listas continuam a desenvolver negociações junto das diversas associações que integram a Confederação no sentido de, mais do que conseguirem um compromisso de apoio verbal, angariar para o seu lado - leia-se para a sua lista - o número necessário de associações que lhes permita formar uma candidatura capaz de chegar às urnas em condições de elegibilidade. Só uma o conseguirá.
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Dois possíveis candidatos tentam reunir apoios para conseguir chegar até às urnas
Eleições para a CCP Só Acolherão Uma Lista
Segunda-feira, 22 de Março de 2004
O sufrágio na Confederação do Comércio e Serviços de Portugal deveria realizar-se até ao final deste mês, mas o atraso, já incontornável, é considerado "normal". Há dois candidatos à sucessão de Vasco da Gama, mas só uma lista vai a votos
Dulce Furtado
Ao longo da última semana, duas possíveis listas para as eleições da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) têm vindo a ganhar maior definição, com os cabeças de lista respectivos - uma entendida como de continuidade, liderada por Miguel Costa Gomes, e outra vista como alternativa a essa mesma continuidade, liderada por José António Silva - a assumirem claramente a vontade de se fazerem à corrida. Ambos garantem que têm já reunidas as necessárias condições para formalizarem uma candidatura - mas ambos sabem que não há possibilidade de mais do que uma lista a chegar às urnas.
O obstáculo prático a que duas candidaturas se oficializem para este novo processo eleitoral na CCP advém dos próprios estatutos da Confederação, os quais exigem que uma candidatura - para ser formalmente elegível - tem que reunir um equilíbrio de representatividade das várias associações que integram a CCP: só na Direcção são necessárias, como membros efectivos, seis associações sectoriais, seis associações de serviços e seis associações regionais e ainda três suplentes de cada uma das vertentes. Existindo na confederação tão só 12 associações de serviços, a formação de uma candidatura elegível inviabilizará sempre que uma outra lista dispute as eleições nas urnas.
Segundo o PÚBLICO apurou, nenhuma das possíveis listas reuniu até ao momento o apoio absolutamente necessário a formar uma lista elegível, embora tanto Miguel Costa Gomes, um dos vice-presidentes actuais da direcção presidida por Vasco da Gama e presidente da Associação Comercial e Industrial de Barcelos, como José António Silva, presidente da Associação de Comerciantes do Algarve, com uma lista suportada por outro actual vice-presidente da CCP, João Vieira Lopes, afirmam ter do seu lado o número de associações necessárias à formação de uma candidatura.
Apoios multiplicados
Tendo evitado assumir expressamente a sua candidatura durante algum tempo, "por uma questão de respeito aos trâmites processuais exigidos pelos estatutos", Miguel Costa Gomes decidiu ao longo da passada semana passar de "candidato a candidato" para uma atitude clara de se assumir como cabeça de uma lista em formação. "Já estou de facto em campanha e em processo de reunir os apoios necessários: neste momento posso mesmo dizer que não acredito que venha a ser possível formar uma outra lista, dado ter recebido já o apoio de dez das associações de serviços que integram a confederação."
José António Silva, cujo nome terá sido proposto por um conjunto de elementos da actual direcção da CCP, manifesta a mesma exacta convicção e não tem dúvidas de que será o seu projecto a avançar até ao sufrágio: "Garanto aos associados que no tempo exacto, quando o processo eleitoral for aberto, apresentaremos a nossa candidatura às eleições. Pode ter-se como seguro que esta candidatura é mais do que viável: estamos mesmo em condições de pedir a convocação imediata do acto eleitoral e fazê-lo apresentado formalmente a nossa candidatura", afirmou este empresário algarvio ao PÚBLICO.
As candidaturas não terão ainda avançado mais pelo facto de as eleições não terem sido ainda convocadas pelo actual presidente da assembleia-geral da CCP, Mário Rui Costa. Os estatutos da Confederação indicam expressamente que "as eleições deverão efectuar-se até 31 de Março", a mesma data em que termina o mandato da actual direcção, liderada por Vasco da Gama. O óbice é que, para tal ter sido cumprido, a assembleia eleitoral deveria ter sido convocada não mais tarde do que o passado dia 15 de Fevereiro, uma vez que são também os estatutos a determinar que aquele momento da vida da Confederação seja convocado "com a antecedência mínima de 45 dias". Este atraso é considerado, porém, normal: "Sempre tem havido alguma elasticidade nessa questão", explicou Luís Faria, assessor da direcção da CCP.
Tendo o PÚBLICO apurado que Mário Rui Costa se encontra ausente no estrangeiro e que só regressará a Portugal após 26 de Março, parece evidente que as eleições para a Confederação não venham a ser marcadas para mais cedo do que meados de Maio próximo. Entretanto, as duas possíveis listas continuam a desenvolver negociações junto das diversas associações que integram a Confederação no sentido de, mais do que conseguirem um compromisso de apoio verbal, angariar para o seu lado - leia-se para a sua lista - o número necessário de associações que lhes permita formar uma candidatura capaz de chegar às urnas em condições de elegibilidade. Só uma o conseguirá.