EXPRESSO online

07-11-2002
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Caso Moderna Ana Baião Paulo Portas na bancada do Governo: o líder do CDS/PP aposta em manter a estratégia da discrição Convergência absorve CDS/PP O FANTASMA do processo da Moderna volta a assombrar Paulo Portas num momento em que o desempenho do CDS/PP (e seu líder) no Governo vinha a pautar-se pela sobriedade e pelo «low profile». Mas ninguém, quer do lado dos sociais-democratas quer do lado dos populares, admite que o dossiê Moderna - que inviabilizou a Alternativa Democrática de Marcelo Rebelo de Sousa - possa lançar um grão de areia na bem lubrificada engrenagem da Convergência Democrática de Durão Barroso. Mas o que já não é tão consensual, em especial entre os populares, é que o CDS/PP só tem a ganhar com a estratégia do líder para o partido. Entre os democratas-cristãos há quem reconheça que a entrada do partido no Governo «matou o grupo parlamentar, que é o mais sacrificado», e outros vão mesmo ao ponto de afirmar que «o partido foi absorvido pelo Governo». «Há uma estratégia de priorizar a governação e isso é normal. Quando se está na oposição, a prioridade é o grupo parlamentar, quando se está no Governo, a prioridade é a governação», sustenta, porém, um deputado, que subscreve a orientação de Portas. Mas o que já não é tão consensual, em especial entre os populares, é que o CDS/PP só tem a ganhar com a estratégia do líder para o partido. Entre os democratas-cristãos há quem reconheça que a entrada do partido no Governo «matou o grupo parlamentar, que é o mais sacrificado», e outros vão mesmo ao ponto de afirmar que «o partido foi absorvido pelo Governo». «Há uma estratégia de priorizar a governação e isso é normal. Quando se está na oposição, a prioridade é o grupo parlamentar, quando se está no Governo, a prioridade é a governação», sustenta, porém, um deputado, que subscreve a orientação de Portas. 'CD' no bom caminho 'CD' no bom caminho Com o Governo a tomar medidas pouco populares - como o aumento do IVA, o fim das bonificações ao crédito ou a alienação de um dos canais da RTP -, Portas e os restantes ministros do CDS têm conseguido manter-se afastados das grandes polémicas, sob o pretexto da total solidariedade com um Governo a que pertencem. Com o Governo a tomar medidas pouco populares - como o aumento do IVA, o fim das bonificações ao crédito ou a alienação de um dos canais da RTP -, Portas e os restantes ministros do CDS têm conseguido manter-se afastados das grandes polémicas, sob o pretexto da total solidariedade com um Governo a que pertencem. Decorridos os dois primeiros meses de vida da Convergência Democrática, até os sociais-democratas inicialmente mais reticentes a um acordo com Portas começam a baixar as defesas e a acreditar no bom rumo da coligação. «Este Governo funciona como se não fosse um governo de dois partidos. As discussões são francas e leais e as decisões são fáceis de tomar», assegura um ministro social-democrata, que garante não existirem no Governo quaisquer razões de desconfiança em relação a Paulo Portas. Decorridos os dois primeiros meses de vida da Convergência Democrática, até os sociais-democratas inicialmente mais reticentes a um acordo com Portas começam a baixar as defesas e a acreditar no bom rumo da coligação. «Este Governo funciona como se não fosse um governo de dois partidos. As discussões são francas e leais e as decisões são fáceis de tomar», assegura um ministro social-democrata, que garante não existirem no Governo quaisquer razões de desconfiança em relação a Paulo Portas. No CDS/PP, o primeiro balanço é também positivo para todos. Mas já não sem que também haja quem afirme as praticamente inevitáveis sequelas no partido e no grupo parlamentar. «Há o risco evidente de o partido se diluir no Governo», admite o deputado popular João Rebelo, salvaguardando, porém, que «o partido ainda está a arranjar balizas e a criar o seu próprio espaço». No CDS/PP, o primeiro balanço é também positivo para todos. Mas já não sem que também haja quem afirme as praticamente inevitáveis sequelas no partido e no grupo parlamentar. «Há o risco evidente de o partido se diluir no Governo», admite o deputado popular João Rebelo, salvaguardando, porém, que «o partido ainda está a arranjar balizas e a criar o seu próprio espaço». Já o líder da bancada parlamentar, Telmo Correia, considera que o partido não corre o risco de perder identidade «porque há um cunho democrata-cristão nas três pastas do CDS no Governo». O dirigente popular ressalva, no entanto, que «o destino do partido, neste momento, está intimamente ligado à prestação dos seus ministros no Governo». Já o líder da bancada parlamentar, Telmo Correia, considera que o partido não corre o risco de perder identidade «porque há um cunho democrata-cristão nas três pastas do CDS no Governo». O dirigente popular ressalva, no entanto, que «o destino do partido, neste momento, está intimamente ligado à prestação dos seus ministros no Governo». Consciente do risco de o partido poder vir a esgotar-se no Governo, o secretário-geral, Luís Pedro Mota Soares, defende que a melhor forma de o CDS manter a identidade é «continuar a ter uma voz própria e fazer o seu caminho». Para isso, «deve apostar na organização interna, na implantação de mais concelhias e estruturas locais e no reforço da sua malha de autarcas», acrescenta Mota Soares, que está empenhado em concretizar o plano nacional de implantação do partido, que quer concluir até ao fim do ano. Consciente do risco de o partido poder vir a esgotar-se no Governo, o secretário-geral, Luís Pedro Mota Soares, defende que a melhor forma de o CDS manter a identidade é «continuar a ter uma voz própria e fazer o seu caminho». Para isso, «deve apostar na organização interna, na implantação de mais concelhias e estruturas locais e no reforço da sua malha de autarcas», acrescenta Mota Soares, que está empenhado em concretizar o plano nacional de implantação do partido, que quer concluir até ao fim do ano. Quanto ao facto de o grupo parlamentar ter vindo a perder visibilidade, os populares são unânimes: «É completamente diferente ser da oposição ou estar no Governo». Quanto ao facto de o grupo parlamentar ter vindo a perder visibilidade, os populares são unânimes: «É completamente diferente ser da oposição ou estar no Governo». «Há um esforço de articulação com o Governo que implica o sacrifício da nossa própria agenda à agenda das reformas governamentais que são necessárias e prioritárias», justifica Telmo Correia, para quem «o critério da estabilidade governativa é absoluto» e, como tal, também a «solidariedade entre os dois partidos da coligação». E Narana Coissoró reforça: «Não podemos ser oposição a um governo ao qual pertencemos». «Há um esforço de articulação com o Governo que implica o sacrifício da nossa própria agenda à agenda das reformas governamentais que são necessárias e prioritárias», justifica Telmo Correia, para quem «o critério da estabilidade governativa é absoluto» e, como tal, também a «solidariedade entre os dois partidos da coligação». E Narana Coissoró reforça: «Não podemos ser oposição a um governo ao qual pertencemos». João Rebelo, por seu lado, diz que o partido está numa «fase de ambientação», já que passou «de uma prática de quase 20 anos de oposição a uma prática de governação». João Rebelo, por seu lado, diz que o partido está numa «fase de ambientação», já que passou «de uma prática de quase 20 anos de oposição a uma prática de governação». Sofia Rainho

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Caso Moderna Ana Baião Paulo Portas na bancada do Governo: o líder do CDS/PP aposta em manter a estratégia da discrição Convergência absorve CDS/PP O FANTASMA do processo da Moderna volta a assombrar Paulo Portas num momento em que o desempenho do CDS/PP (e seu líder) no Governo vinha a pautar-se pela sobriedade e pelo «low profile». Mas ninguém, quer do lado dos sociais-democratas quer do lado dos populares, admite que o dossiê Moderna - que inviabilizou a Alternativa Democrática de Marcelo Rebelo de Sousa - possa lançar um grão de areia na bem lubrificada engrenagem da Convergência Democrática de Durão Barroso. Mas o que já não é tão consensual, em especial entre os populares, é que o CDS/PP só tem a ganhar com a estratégia do líder para o partido. Entre os democratas-cristãos há quem reconheça que a entrada do partido no Governo «matou o grupo parlamentar, que é o mais sacrificado», e outros vão mesmo ao ponto de afirmar que «o partido foi absorvido pelo Governo». «Há uma estratégia de priorizar a governação e isso é normal. Quando se está na oposição, a prioridade é o grupo parlamentar, quando se está no Governo, a prioridade é a governação», sustenta, porém, um deputado, que subscreve a orientação de Portas. Mas o que já não é tão consensual, em especial entre os populares, é que o CDS/PP só tem a ganhar com a estratégia do líder para o partido. Entre os democratas-cristãos há quem reconheça que a entrada do partido no Governo «matou o grupo parlamentar, que é o mais sacrificado», e outros vão mesmo ao ponto de afirmar que «o partido foi absorvido pelo Governo». «Há uma estratégia de priorizar a governação e isso é normal. Quando se está na oposição, a prioridade é o grupo parlamentar, quando se está no Governo, a prioridade é a governação», sustenta, porém, um deputado, que subscreve a orientação de Portas. 'CD' no bom caminho 'CD' no bom caminho Com o Governo a tomar medidas pouco populares - como o aumento do IVA, o fim das bonificações ao crédito ou a alienação de um dos canais da RTP -, Portas e os restantes ministros do CDS têm conseguido manter-se afastados das grandes polémicas, sob o pretexto da total solidariedade com um Governo a que pertencem. Com o Governo a tomar medidas pouco populares - como o aumento do IVA, o fim das bonificações ao crédito ou a alienação de um dos canais da RTP -, Portas e os restantes ministros do CDS têm conseguido manter-se afastados das grandes polémicas, sob o pretexto da total solidariedade com um Governo a que pertencem. Decorridos os dois primeiros meses de vida da Convergência Democrática, até os sociais-democratas inicialmente mais reticentes a um acordo com Portas começam a baixar as defesas e a acreditar no bom rumo da coligação. «Este Governo funciona como se não fosse um governo de dois partidos. As discussões são francas e leais e as decisões são fáceis de tomar», assegura um ministro social-democrata, que garante não existirem no Governo quaisquer razões de desconfiança em relação a Paulo Portas. Decorridos os dois primeiros meses de vida da Convergência Democrática, até os sociais-democratas inicialmente mais reticentes a um acordo com Portas começam a baixar as defesas e a acreditar no bom rumo da coligação. «Este Governo funciona como se não fosse um governo de dois partidos. As discussões são francas e leais e as decisões são fáceis de tomar», assegura um ministro social-democrata, que garante não existirem no Governo quaisquer razões de desconfiança em relação a Paulo Portas. No CDS/PP, o primeiro balanço é também positivo para todos. Mas já não sem que também haja quem afirme as praticamente inevitáveis sequelas no partido e no grupo parlamentar. «Há o risco evidente de o partido se diluir no Governo», admite o deputado popular João Rebelo, salvaguardando, porém, que «o partido ainda está a arranjar balizas e a criar o seu próprio espaço». No CDS/PP, o primeiro balanço é também positivo para todos. Mas já não sem que também haja quem afirme as praticamente inevitáveis sequelas no partido e no grupo parlamentar. «Há o risco evidente de o partido se diluir no Governo», admite o deputado popular João Rebelo, salvaguardando, porém, que «o partido ainda está a arranjar balizas e a criar o seu próprio espaço». Já o líder da bancada parlamentar, Telmo Correia, considera que o partido não corre o risco de perder identidade «porque há um cunho democrata-cristão nas três pastas do CDS no Governo». O dirigente popular ressalva, no entanto, que «o destino do partido, neste momento, está intimamente ligado à prestação dos seus ministros no Governo». Já o líder da bancada parlamentar, Telmo Correia, considera que o partido não corre o risco de perder identidade «porque há um cunho democrata-cristão nas três pastas do CDS no Governo». O dirigente popular ressalva, no entanto, que «o destino do partido, neste momento, está intimamente ligado à prestação dos seus ministros no Governo». Consciente do risco de o partido poder vir a esgotar-se no Governo, o secretário-geral, Luís Pedro Mota Soares, defende que a melhor forma de o CDS manter a identidade é «continuar a ter uma voz própria e fazer o seu caminho». Para isso, «deve apostar na organização interna, na implantação de mais concelhias e estruturas locais e no reforço da sua malha de autarcas», acrescenta Mota Soares, que está empenhado em concretizar o plano nacional de implantação do partido, que quer concluir até ao fim do ano. Consciente do risco de o partido poder vir a esgotar-se no Governo, o secretário-geral, Luís Pedro Mota Soares, defende que a melhor forma de o CDS manter a identidade é «continuar a ter uma voz própria e fazer o seu caminho». Para isso, «deve apostar na organização interna, na implantação de mais concelhias e estruturas locais e no reforço da sua malha de autarcas», acrescenta Mota Soares, que está empenhado em concretizar o plano nacional de implantação do partido, que quer concluir até ao fim do ano. Quanto ao facto de o grupo parlamentar ter vindo a perder visibilidade, os populares são unânimes: «É completamente diferente ser da oposição ou estar no Governo». Quanto ao facto de o grupo parlamentar ter vindo a perder visibilidade, os populares são unânimes: «É completamente diferente ser da oposição ou estar no Governo». «Há um esforço de articulação com o Governo que implica o sacrifício da nossa própria agenda à agenda das reformas governamentais que são necessárias e prioritárias», justifica Telmo Correia, para quem «o critério da estabilidade governativa é absoluto» e, como tal, também a «solidariedade entre os dois partidos da coligação». E Narana Coissoró reforça: «Não podemos ser oposição a um governo ao qual pertencemos». «Há um esforço de articulação com o Governo que implica o sacrifício da nossa própria agenda à agenda das reformas governamentais que são necessárias e prioritárias», justifica Telmo Correia, para quem «o critério da estabilidade governativa é absoluto» e, como tal, também a «solidariedade entre os dois partidos da coligação». E Narana Coissoró reforça: «Não podemos ser oposição a um governo ao qual pertencemos». João Rebelo, por seu lado, diz que o partido está numa «fase de ambientação», já que passou «de uma prática de quase 20 anos de oposição a uma prática de governação». João Rebelo, por seu lado, diz que o partido está numa «fase de ambientação», já que passou «de uma prática de quase 20 anos de oposição a uma prática de governação». Sofia Rainho

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