Valência Ganha Taça América
Por NYSSE ARRUDA
Quinta-feira, 27 de Novembro de 2003 O porto espanhol de Valência ganhou ontem o mais cobiçado troféu náutico, a Taça América em vela, que organizará em 2007, e preparou-se de imediato para a enorme recepção da comitiva que acompanhou o centenário troféu na viagem desde Genebra, com uma festa que decorreu ontem à noite na Câmara local, e para um "tour" pela cidade e pelas instalações náuticas marcada para esta manhã. Ficaram por terra as pretensões dos projectos de Lisboa/Cascais e Marselha e Nápoles, que também concorriam à organização. A decisão foi ontem de manhã dada a conhecer, numa sala do Hotel President Wilson situado nas margens do lago daquela cidade suíça, anunciada pela AC Management, sociedade gestora do evento da XXXII edição da Taça América. Passavam poucos minutos das 11h quando Pierre-Yves Firmenich, comodoro da Sociedade Náutica de Genebra, e Michel Bonnefous, CEO da AC Management, revelaram que Valência será a sede da prova. "O principal critério para a escolha foi a qualidade desportiva apresentada por cada cidade e Valência destacou-se das demais. Os ventos em Valência são muito bons e confiáveis. Se os compararmos com Auckland, na Nova Zelândia, onde foram perdidos 15 dias de regatas, em Valência perderíamos apenas um, no pior caso", disse o comodoro suíço. Bonnefous anunciou também que um novo e dinâmico programa de pré-regatas terá lugar já a partir de Setembro de 2004, com o objectivo de trazer o prestigiado evento náutico para o maior número de público. "Em 2004 estamos a prever a realização de três pré-regatas em diferentes locacais. Outras tantas pré-regatas terão lugar em 2005 e 2006, antes de realizarmos uma regata em frota em 2007. Alguns desses eventos serão oferecidos a cada uma das quatro cidades finalistas", garantiu Bonnefous. Antes ainda de revelar a cidade escolhida, Bonnefois fez questão de declarar que a empresa francesa Louis Vuitton continuaria sua parceria na 32ª edição da Taça América, mantendo uma relação de mais de 20 anos com o evento. Assim, a Louis Vuitton Cup, a série qualificatória para os sindicatos desafiantes, terá lugar em Abril de 2007, e as "match-racings" finais, entre o sindicato desafiante e a equipa defensora suíça Alinghi, iniciar-se-ão no dia 23 de Junho de 2007. Pela primeira vez, a Louis Vuitton será o principal patrocinador do evento, além da série qualificatória, e será também o oficial "time keeper" das provas. As notícias foram aplaudidas pelos representantes de 15 potenciais sindicatos de oito países presentes na cerimónia. Agora, aguardam-se os detalhes sobre as regras que regerão a construção dos novos iates "International America's Cup Class", que serão revelados hoje durante a conferência de imprensa em Valência. Portugueses resignados Enquanto as autoridades espanholas rejubilavam com a decisão que leva a mais antiga competição náutica para as águas do Mediterrâneo pela primeira vez em 152 anos de história do evento, no salão do Clube Naval de Cascais o tom era de pesar ao ver caída por terra a candidatura portuguesa de Lisboa/Cascais, considerada uma das favoritas na disputa pelo privilégio de sediar o evento, à frente das demais cidades candidatas como Marselha e Nápoles. O principal mentor do projecto Lisboa/Cascais, Patrick Monteiro de Barros, comodoro do Clube Naval de Cascais, surgia no grande ecrã montado no salão, e com um certo pesar declarava-se desiludido, embora resignado com a decisão da AC Management, minutos depois de conhecer a decisão: "Fizemos tudo o que podíamos para apresentar uma candidatura sólida e consistente, mas acho que não foi suficiente e congratulo os nossos amigos espanhóis." "Temos de aceitar a derrota sem nos esquecermos que tudo o que foi feito até agora já proporcionou muito para Cascais. A vila ficou indelevelmente marcada como destino turístico para a prática de vela, um perfil que só vem acentuar a tradição náutica local, sede de várias regatas internacionais como o Campeonato Europeu da classe Star em Setembro passado", disse António Capucho, presidente da Câmara de Cascais, acrescentando que as obras de requalificação previstas para o Clube Naval, a Cidadela e a Marina, ambos já sob a tutela da Câmara local, irão de qualquer forma para a frente com um investimento aproximado de 25 milhões de euros, oriundos das receitas do jogo. "Não podemos deixar de reconhecer também que o trabalho feito por Patrick Monteiro de Barros já deu frutos e ele será condecorado com a medalha de honra do município de Cascais. Uma medalha de mérito desportivo será também atribuída a Miguel Magalhães, da direcção do Clube Naval de Cascais, bem como ao arquitecto André Caiado", completou Capucho. "Não posso indicar falhas na candidatura portuguesa e acredito que fizemos o melhor. Toda esta acção foi importante para a região, que durante estes últimos oito meses beneficiou de uma grande exposição mediática no mundo inteiro", acrescentou Vasco Pinto Basto, vice-comodoro do Clube Naval de Cascais. Um dos grandes trunfos da candidatura portuguesa era justamente a qualidade desportiva dos campos de regatas em Cascais, considerados por muitos como um dos melhores do mundo. Porém, os ventos constantes do quadrante Norte, que apesar de apresentarem alguma variação em força, se fazem sentir na região durante boa parte do ano, parecem não ter sido suficientes para convencer os suíços. Reboques longos e penalizantes "Penso que o que a AC Management entende por qualidade desportiva refere-se ao tempo de duração de reboque dos veleiros desde as bases até ao campo de regatas, o que aqui significaria cerca de 45 minutos desde Algés até Cascais e em Valência é de apenas 15 minutos. Penso também que Valência apresenta uma maior probabilidade de vento utilizável durante o período de duração do evento", disse o velejador profissional português João Cabeçadas, membro da equipa suíça "Alinghi", defensora do troféu, encarregado do aparelho de laborar dos iates suíços desde 1999. Cabeçadas referiu-se também às exaustivas medições do vento feitas em todas as cidades candidatas, e apesar de Cascais ter um coeficiente bom, a cidade espanhola terá ficado acima na probabilidade de ventos estáveis. "Acho que Portugal deve aproveitar o momento, pois essa candidatura chamou a atenção de muita gente para o valor náutico do país", salientou ainda Cabeçadas. 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Valência Ganha Taça América
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"O principal critério para a escolha foi a qualidade desportiva apresentada por cada cidade e Valência destacou-se das demais. Os ventos em Valência são muito bons e confiáveis. Se os compararmos com Auckland, na Nova Zelândia, onde foram perdidos 15 dias de regatas, em Valência perderíamos apenas um, no pior caso", disse o comodoro suíço. Bonnefous anunciou também que um novo e dinâmico programa de pré-regatas terá lugar já a partir de Setembro de 2004, com o objectivo de trazer o prestigiado evento náutico para o maior número de público. "Em 2004 estamos a prever a realização de três pré-regatas em diferentes locacais. Outras tantas pré-regatas terão lugar em 2005 e 2006, antes de realizarmos uma regata em frota em 2007. Alguns desses eventos serão oferecidos a cada uma das quatro cidades finalistas", garantiu Bonnefous. Antes ainda de revelar a cidade escolhida, Bonnefois fez questão de declarar que a empresa francesa Louis Vuitton continuaria sua parceria na 32ª edição da Taça América, mantendo uma relação de mais de 20 anos com o evento. Assim, a Louis Vuitton Cup, a série qualificatória para os sindicatos desafiantes, terá lugar em Abril de 2007, e as "match-racings" finais, entre o sindicato desafiante e a equipa defensora suíça Alinghi, iniciar-se-ão no dia 23 de Junho de 2007. Pela primeira vez, a Louis Vuitton será o principal patrocinador do evento, além da série qualificatória, e será também o oficial "time keeper" das provas. As notícias foram aplaudidas pelos representantes de 15 potenciais sindicatos de oito países presentes na cerimónia. Agora, aguardam-se os detalhes sobre as regras que regerão a construção dos novos iates "International America's Cup Class", que serão revelados hoje durante a conferência de imprensa em Valência. Portugueses resignados Enquanto as autoridades espanholas rejubilavam com a decisão que leva a mais antiga competição náutica para as águas do Mediterrâneo pela primeira vez em 152 anos de história do evento, no salão do Clube Naval de Cascais o tom era de pesar ao ver caída por terra a candidatura portuguesa de Lisboa/Cascais, considerada uma das favoritas na disputa pelo privilégio de sediar o evento, à frente das demais cidades candidatas como Marselha e Nápoles. O principal mentor do projecto Lisboa/Cascais, Patrick Monteiro de Barros, comodoro do Clube Naval de Cascais, surgia no grande ecrã montado no salão, e com um certo pesar declarava-se desiludido, embora resignado com a decisão da AC Management, minutos depois de conhecer a decisão: "Fizemos tudo o que podíamos para apresentar uma candidatura sólida e consistente, mas acho que não foi suficiente e congratulo os nossos amigos espanhóis." "Temos de aceitar a derrota sem nos esquecermos que tudo o que foi feito até agora já proporcionou muito para Cascais. A vila ficou indelevelmente marcada como destino turístico para a prática de vela, um perfil que só vem acentuar a tradição náutica local, sede de várias regatas internacionais como o Campeonato Europeu da classe Star em Setembro passado", disse António Capucho, presidente da Câmara de Cascais, acrescentando que as obras de requalificação previstas para o Clube Naval, a Cidadela e a Marina, ambos já sob a tutela da Câmara local, irão de qualquer forma para a frente com um investimento aproximado de 25 milhões de euros, oriundos das receitas do jogo. "Não podemos deixar de reconhecer também que o trabalho feito por Patrick Monteiro de Barros já deu frutos e ele será condecorado com a medalha de honra do município de Cascais. Uma medalha de mérito desportivo será também atribuída a Miguel Magalhães, da direcção do Clube Naval de Cascais, bem como ao arquitecto André Caiado", completou Capucho. "Não posso indicar falhas na candidatura portuguesa e acredito que fizemos o melhor. Toda esta acção foi importante para a região, que durante estes últimos oito meses beneficiou de uma grande exposição mediática no mundo inteiro", acrescentou Vasco Pinto Basto, vice-comodoro do Clube Naval de Cascais. Um dos grandes trunfos da candidatura portuguesa era justamente a qualidade desportiva dos campos de regatas em Cascais, considerados por muitos como um dos melhores do mundo. Porém, os ventos constantes do quadrante Norte, que apesar de apresentarem alguma variação em força, se fazem sentir na região durante boa parte do ano, parecem não ter sido suficientes para convencer os suíços. Reboques longos e penalizantes "Penso que o que a AC Management entende por qualidade desportiva refere-se ao tempo de duração de reboque dos veleiros desde as bases até ao campo de regatas, o que aqui significaria cerca de 45 minutos desde Algés até Cascais e em Valência é de apenas 15 minutos. Penso também que Valência apresenta uma maior probabilidade de vento utilizável durante o período de duração do evento", disse o velejador profissional português João Cabeçadas, membro da equipa suíça "Alinghi", defensora do troféu, encarregado do aparelho de laborar dos iates suíços desde 1999. Cabeçadas referiu-se também às exaustivas medições do vento feitas em todas as cidades candidatas, e apesar de Cascais ter um coeficiente bom, a cidade espanhola terá ficado acima na probabilidade de ventos estáveis. "Acho que Portugal deve aproveitar o momento, pois essa candidatura chamou a atenção de muita gente para o valor náutico do país", salientou ainda Cabeçadas. 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