Comissão Já Definiu Obrigações e Conteúdos do Serviço Público
Domingo, 14 de Julho de 2002 A comissão de reflexão encarregue de estudar um modelo para o serviço público de televisão já estabeleceu aquilo que considera serem os princípios, as obrigações e os conteúdos do serviço público. Fica agora a faltar debater as questões da fiscalização - directamente ligada à da regulação - e do financiamento, e preparar as conclusões para o documento final a apresentar ao Governo. De acordo com a vice-presidente do grupo, Maria José Nogueira Pinto, a comissão "não está a definir uma grelha de programas, mas sim conteúdos, embora isso, de certa forma, balize as futuras grelhas". Desmentindo notícias de que já estaria definida a defesa de um serviço público com dois canais, acrescentou que o grupo só pensará nos "suportes" numa fase final. "Repensar o serviço público implica não nos prendermos ao problema da RTP, por isso discutiremos os suportes sim, mas de um modo abrangente, isto é, o serviço público de televisão compreende não só os canais públicos mas também os privados, por cabo e hertzianos", afirmou Maria José Nogueira Pinto no final de uma mesa-redonda promovida pelo Cento Nacional de Cultura (CNC), que teve como principal orador o ensaísta francês Edgar Morin. Edgar Morin fez uma intervenção generalista sobre a importância e o papel da televisão na sociedade - sobretudo o de "educar" -, e realçou a importância da criatividade e de se saber conjugar as diversas necessidades dos vários públicos no serviço público de TV. Debateu-se também a presença da violência na televisão (começando nos desenhos animados e terminando nos filmes, contribuindo para a sua banalização), as diferenças de tratamento da informação entre os operadores públicos e privados (os primeiros devem promover o livre confronto de ideias, enquanto os segundos costumam "transformar o debate num 'show'"), e a relação de dependência que os vários públicos e os próprios políticos têm com a TV - realçando-se, no último caso, o poder da TV em orientar a agenda política. "A TV é a história em directo, faz com que o espectador participe no mundo", afirmou Morin, realçando a importância deste "media" na "preservação da cultura de um país" e na procura da sua identidade. O escritor francês defendeu também que "o espectador não é totalmente passivo e rejeita o que não quer (sobretudo conteúdos políticos) através da arma que é o 'zapping'". Na mesa-redonda participaram também Guilherme de Oliveira Martins, vice-presidente do CNC, o crítico Eduardo Cintra Torres, o director do PÚBLICO, José Manuel Fernandes, e o director da "Visão", Carlos Cáceres Monteiro. Maria Lopes OUTROS TÍTULOS EM MEDIA Serviço público de TV deve ter provedor do espectador
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Domingo, 14 de Julho de 2002 A comissão de reflexão encarregue de estudar um modelo para o serviço público de televisão já estabeleceu aquilo que considera serem os princípios, as obrigações e os conteúdos do serviço público. Fica agora a faltar debater as questões da fiscalização - directamente ligada à da regulação - e do financiamento, e preparar as conclusões para o documento final a apresentar ao Governo. De acordo com a vice-presidente do grupo, Maria José Nogueira Pinto, a comissão "não está a definir uma grelha de programas, mas sim conteúdos, embora isso, de certa forma, balize as futuras grelhas". Desmentindo notícias de que já estaria definida a defesa de um serviço público com dois canais, acrescentou que o grupo só pensará nos "suportes" numa fase final. "Repensar o serviço público implica não nos prendermos ao problema da RTP, por isso discutiremos os suportes sim, mas de um modo abrangente, isto é, o serviço público de televisão compreende não só os canais públicos mas também os privados, por cabo e hertzianos", afirmou Maria José Nogueira Pinto no final de uma mesa-redonda promovida pelo Cento Nacional de Cultura (CNC), que teve como principal orador o ensaísta francês Edgar Morin. Edgar Morin fez uma intervenção generalista sobre a importância e o papel da televisão na sociedade - sobretudo o de "educar" -, e realçou a importância da criatividade e de se saber conjugar as diversas necessidades dos vários públicos no serviço público de TV. Debateu-se também a presença da violência na televisão (começando nos desenhos animados e terminando nos filmes, contribuindo para a sua banalização), as diferenças de tratamento da informação entre os operadores públicos e privados (os primeiros devem promover o livre confronto de ideias, enquanto os segundos costumam "transformar o debate num 'show'"), e a relação de dependência que os vários públicos e os próprios políticos têm com a TV - realçando-se, no último caso, o poder da TV em orientar a agenda política. "A TV é a história em directo, faz com que o espectador participe no mundo", afirmou Morin, realçando a importância deste "media" na "preservação da cultura de um país" e na procura da sua identidade. O escritor francês defendeu também que "o espectador não é totalmente passivo e rejeita o que não quer (sobretudo conteúdos políticos) através da arma que é o 'zapping'". Na mesa-redonda participaram também Guilherme de Oliveira Martins, vice-presidente do CNC, o crítico Eduardo Cintra Torres, o director do PÚBLICO, José Manuel Fernandes, e o director da "Visão", Carlos Cáceres Monteiro. Maria Lopes OUTROS TÍTULOS EM MEDIA Serviço público de TV deve ter provedor do espectador
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