Barrancos
Igreja contra Touradas José Luiz de Albuquerque D'Orey
Engenheiro
Lisboa
Há dois anos foi-me dada a oportunidade de, neste mesmo jornal, manifestar, como português, a minha preocupação pelo retrocesso cultural e ético que representa o espectáculo de Barrancos e, como católico, pela associação entre esta festa da morte e o culto a N. Senhora da Conceição. Seja dito de passagem que, nessa mesma altura, o Sr. Presidente da República dava a entender que o progresso era lento, mas que lá chegaríamos. As suas afirmações, na visita ao Alentejo, desmentiram essa ténue promessa. À frente do interesse pelo progresso civilizacional e ético do País, colocou uma demagogia fácil e oportunista servida por um estilo no mínimo infantilizante que os portugueses não merecem. O erro do Presidente e de muitos outros políticos é o de, com boa ou má fé, reduzirem a mero desacordo de sensibilidades ou de culturas o que são, de facto, princípios éticos objectivos. Ainda que os valores sejam culturalmente relativos, há sempre alguns que, num dado contexto, devem ser aceites como absolutos. Se, para a cultura cristã e ocidental, o respeito pela vida humana é um deles, o respeito pelo sofrimento, humano ou animal, é outro, e é possível afirmar, sem risco de erro, que a crueldade é a pior de todas as coisas. As suas afirmações, na visita ao Alentejo, desmentiram essa ténue promessa. À frente do interesse pelo progresso civilizacional e ético do País, colocou uma demagogia fácil e oportunista servida por um estilo no mínimo infantilizante que os portugueses não merecem. O erro do Presidente e de muitos outros políticos é o de, com boa ou má fé, reduzirem a mero desacordo de sensibilidades ou de culturas o que são, de facto, princípios éticos objectivos. Ainda que os valores sejam culturalmente relativos, há sempre alguns que, num dado contexto, devem ser aceites como absolutos. Se, para a cultura cristã e ocidental, o respeito pela vida humana é um deles, o respeito pelo sofrimento, humano ou animal, é outro, e é possível afirmar, sem risco de erro, que a crueldade é a pior de todas as coisas. (Seria útil que o ministro Paulo Portas reflectisse nestes factos para não incorrer na incoerência de condenar, no ecrã da televisão, a violência que encoraja, ao vivo, nas arenas) (Seria útil que o ministro Paulo Portas reflectisse nestes factos para não incorrer na incoerência de condenar, no ecrã da televisão, a violência que encoraja, ao vivo, nas arenas) Mas não é a discordância com o Presidente e com a sua desastrosa intervenção que me interessa testemunhar, e sim algumas razões para ter esperança na Igreja em que acredito. A sua sabedoria é antiga. S. Tomás, que não era exactamente um defensor dos direitos dos animais, alertou para que a crueldade com eles induziria à crueldade para com os próprios humanos. E no nosso país, nos anos 30, a Reunião Plenária dos Bispos portugueses recomendava que se «abstenham os clérigos de assistir ao bárbaro espectáculo das touradas». Mas não é a discordância com o Presidente e com a sua desastrosa intervenção que me interessa testemunhar, e sim algumas razões para ter esperança na Igreja em que acredito. A sua sabedoria é antiga. S. Tomás, que não era exactamente um defensor dos direitos dos animais, alertou para que a crueldade com eles induziria à crueldade para com os próprios humanos. E no nosso país, nos anos 30, a Reunião Plenária dos Bispos portugueses recomendava que se «abstenham os clérigos de assistir ao bárbaro espectáculo das touradas». Com autorização do Sr. Bispo de Viseu transcrevo o que há dois anos me escreveu e que, de certa forma, está na origem da minha esperança: «Considero indigno andar a promover festas e divertimentos com base no sofrimento, morte e sangue dos animais, para além da deformação que tal facto e atitude provocam nos sentimentos mais dignos da pessoa humana.» E outro eminente responsável da hierarquia, cujo nome não menciono por o não ter conseguido contactar, declarou-me o seu desacordo em relação à tourada promovida pela Rádio Renascença: «Não entendo como uma instituição católica organiza espectáculos desse teor! A lucidez é uma forma de responsabilidade moral e cultural. Mas falta a Luz em certos sectores...» Com autorização do Sr. Bispo de Viseu transcrevo o que há dois anos me escreveu e que, de certa forma, está na origem da minha esperança: «Considero indigno andar a promover festas e divertimentos com base no sofrimento, morte e sangue dos animais, para além da deformação que tal facto e atitude provocam nos sentimentos mais dignos da pessoa humana.» E outro eminente responsável da hierarquia, cujo nome não menciono por o não ter conseguido contactar, declarou-me o seu desacordo em relação à tourada promovida pela Rádio Renascença: «Não entendo como uma instituição católica organiza espectáculos desse teor! A lucidez é uma forma de responsabilidade moral e cultural. Mas falta a Luz em certos sectores...» De braços caídos... nunca! De braços caídos... nunca! 12:35 15 Julho 2002
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Comentários
21 a 37 de 37 ArJuno 17:06 16 Julho 2002 Ser prático a falar ajuda à comunicaçao!
Legalista também é um governante que cria um lei desumana com o simples fim de criar desumanidades legais e de prática obrigatoria pelos poderes públicos.
A cultura que em vários países mulçumanos desumaniza as mulheres também é localmente legal e, no entanto, como qualquer tradição nojenta deve ser banida.
A tradição e a cultura de um povo mede-se pela dignidade que dão a esse povo e, por isso, devem ser banidas da face da Terra as que o não fizerem.
Uma lei de excepcção para Barrancos é a criação de um pólo de cultura terceiromundista e de violência gratuita a animais por pura diversão e falsa cultura.
Porque não de faz uma lei idêntica para as populações da RAIA ou de aldeias piscatórias se poderem dedicar ao contrabando como o fazem sem sofrer as penas criminais que lhe são impostas?
Porque não permitir que em certos bairros a prostituição seja legal? Seria igual para todos naquele local.
Porque não se legaliza todo o tipo de crime na zona onde são perpretados?
Dizem que não os há, não os procuram...
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Há aldeias neste país onde os garotos metem gatos dentro de panelas tapadas com uma tampa selada com um cordel. De seguida metem a panela nas fogueiras de S. João, Sto. António e esperam à gargalhada que o cordel arda e o gato fuja entre gemidos de horror. Os adultos batem palmas.
Quem não viu isto ainda, perdeu concerteza um espetáculo popular que raia os limites da selvajaria. Nem os animais selvajens torturam as presas antes de as comer, excepto os barranquenhos e outros pseudointelectuais do gozo violento.
Que tal tornar a queima dos gatos, que ficam com as patas queimadas(queimaduras de que grau não sabemos?) cujas patas são um meio de sobrevivência: locomoção. Assim vão morrer sabe-se lá onde e em que condições!
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Até parece que ser padre, PR, veterinário ou empresário das touradas dá a indivíduos a sabedoria, a humanidade e o poder de decidir se os touros nasceram para ser torturados antes de serem cozinhados ou não.
Só há uma razão que se poderia admitir para tal coisa: dizem os barranquenhos que a carne daqueles touros torturados tem poderes afrodisíacos. Assim, em defesa do gozo e da dignidade da mulher barranquenha, que ganha por ano um pouco de prazer sexual, coitadas, e cuja energia sexual os amantes, maridos ou não, vão buscar a uns litros de cerveja e nacos de carne morta por um espanhol, pois nem para isso os Barranquenhos servem, talvez se lhes deva dar essa oportunidade única.
Quando a corbardia é tanta que até para a tortura encomendam sanguinários de espanha, raio de cultura portuguesa é a nossa quando se copia o que se faz em espanha!!!!
Bah!!!! cobardes!!!! Porque toureiam as couves antes de fazerem o cozido à portuguesa? Será que precisam de sofrimento e de sangue?
José Maria 13:35 16 Julho 2002 Touradas, Factos e Valores
Caro Miguel Moutinho,
È com prazer,
Principio básico é não deturpar o que escrevo e tirar juizos de valor como seja o seu comentário que “... a argumentação que tem apresentado é falaciosa, isto é, incorrecta e inválida, pelo que é absolutamente refutada.”. Bem adjectivada mas vazia de conteudo.
É um facto que as Touradas em Portugal são resultado da nossa tradição. Podemos questionar a mesma, gostar ou não gostar, mas as touradas não apareceram um dia do nada.
Concordo plenamente quando afirma que de um facto nunca se pode tirar um valor ou um princípio moral. Fazê-lo é uma das mais evidentes falácias, que constitui um erro argumentativo flagrante, quer para quem gosta quer para quem não gosta do touradas.
Mas, partir do facto da tourada ser uma Tradição Portuguesa, uma forma de arte, um veículo cultural, que garante identificação social ou cultural, e pelo facto da tourada ser uma prática apreciada (não sei se de maiorias) mas de um grande numero de Portugueses é justificação para a sua existência.
Quanto á questão de se é ou não moral, eticamente reprovável quem, se não for a prova viva do numero de pessoas que gosta e se identifica com a festa brava, para qualificar e rotular esta manifestação.
Quem são as pessoas que em Portugal tem essa superioridade moral face aos factos que o Miguel enumerou ? Um grupo de numero incerto de pessoas ?
Nós podemos afirmar quantas pessoas assistem por ano ás corridas de Touros em Portugal, e o Miguel como pessoa bem informada sabe que é em numero crescente e que depois do espectáculo do futebol é o 2º mais visto. De resto os 3 canais de televisão tem a sua corrida de Touros, os Jornais e Revistas, Rádios e porquê ? Não tem audiência ?
Isto a mim parecem-me factos de que posso tirar conclusões.
Miguel, da minha parte, aceito e respeito o facto que não goste, que não se identifique com festa brava, que segundo os seus valores ache eticamente reprovável, que se manifeste e lute pelas suas ideias e convicções de forma civilizada e democrática. Agora atacar grande parte (não a maioria) da população Portuguesa, já não para mencionar a Espanhola, Francesa, Mexicana ..., catalogando-nos da forma como tem feito já não posso concordar.
Todos nós temos problemas éticos ? Sejamos sérios Miguel.
A moralidade e ética é um valor das pessoas que se manifestam contra as Touradas ?
Pegando nas suas palavras “Tanto o relativismo como o subjectivismo moral acarretam perigos que ninguém quererá correr, pois tornam tudo moralmente permissível ou justificável (ou, pior, não passível sequer de ser discutido) desde que se conforme com o meio particular em que um determinado acto moralmente relevante (para o bem e para o mal) tem lugar, ou desde que seja consonante com o indivíduo particular que pratica ou aprecia um determinado acto moralmente relevante (uma vez mais, para o bem e para o mal).”, aplica-se aos que se manifestam contra as Touradas.
Nunca me leu da minha parte pronunciar-me sobre juízo de valores ou outros comentários sobre quem não gosta de Touros.
O gosto que tenho e que os aficcionados tem são bastante objectivos, e as corridas são feitas á luz do dia de tal forma que para não haver casos obscuros e á margem da lei Barrancos foi legalizado.
Miguel quanto á sua ultima frase “Não se pode admitir a tortura apenas porque alguns (muitos ou poucos) gostam, pois os gostos são moralmente irrelevantes.”, respondo com outra sua “... a argumentação que tem apresentado é falaciosa, isto é, incorrecta e inválida, pelo que é absolutamente refutada.”.
È um facto que a festa brava está viva, e está a crescer em Portugal.
Um abraço
Miguel Moutinho 12:17 16 Julho 2002 Touradas, Factos e Valores
Caro José Maria,
Junto-me à discussão que trava com a Diana, na esperança de que me permita trocarmos impressões em conjunto.
Devo dizer-lhe que de um facto nunca se pode tirar um valor ou um princípio moral. Fazê-lo é uma das mais evidentes falácias, que constitui um erro argumentativo flagrante. Ora, partir do facto da tourada ser uma tradição, arte, factor cultural, motor ou garante de identificação social ou cultural, ou partir do facto da tourada ser uma prática apreciada por maiorias (facto esse que não corresponde à realidade), em suma, partir de qualquer um destes ou de qualquer outro facto para uma justificação moral é, portanto, uma falácia. De algo que é não se segue algo que deva ser: de um facto não se segue um valor. Logo, a argumentação que tem apresentado é falaciosa, isto é, incorrecta e inválida, pelo que é absolutamente refutada.
Dito isto, importa também fazer referência a um suposto argumento que os defensores das touradas utilizam recorrentemente, como é o caso de "só vai quem quer" ou "só vê quem quer". Este tipo de argumento, ou, em sentido mais próprio, esta afirmação tem implicações perigosas que, certamente, ninguém aceitará, nem mesmo os defensores das touradas, nem mesmo o José Maria. Dizer que "só vai quem quer" ou "só vê quem quer" é relativizar a aceitabilidade da tourada. Ora, se a tourada levanta problemas éticos sérios - e levanta-os, de que maneira! - esses problemas éticos têm que ser analisados e debatidos à luz de princípios éticos universais (a universalidade ou universalizabilidade são exigências fundamentais da ética) e não segundo gostos subjectivos. Tanto o relativismo como o subjectivismo moral acarretam perigos que ninguém quererá correr, pois tornam tudo moralmente permissível ou justificável (ou, pior, não passível sequer de ser discutido) desde que se conforme com o meio particular em que um determinado acto moralmente relevante (para o bem e para o mal) tem lugar, ou desde que seja consonante com o indivíduo particular que pratica ou aprecia um determinado acto moralmente relevante (uma vez mais, para o bem e para o mal). A implicação principal e mais evidente do relativismo ou do subjectivismo moral é que atrocidades hediondas como foram a escravatura, a negação e violação dos direitos e das liberdades das mulheres, a perseguição e genocídio dos judeus, etc., sejam acontecimentos moralmente aceitáveis ou justificáveis (ou, pior, não discutíveis) pela simples e absurda razão de que se conformavam com o meio particular (e respectivos padrões valorativos) em que aconteceram ou com os princípios subjectivos dos indivíduos particulares que os perpetraram. Seriamente, ninguém poderá admitir isto. Não se pode admitir a tortura apenas porque alguns (muitos ou poucos) gostam, pois os gostos são moralmente irrelevantes.
Juntando-me à Diana, convido-o a apresentar um único argumento que seja em defesa das touradas. Peço-lhe apenas que evite cometer os erros argumentativos que acima denunciei, para não ser preciso repetir a sua exposição e o modo como invalidam qualquer argumento.
Cumprimentos,
Miguel Moutinho
Diana Martins 11:09 16 Julho 2002
José Maria,
Desculpe mas um pouco à parte da n/ conversa, o que é para si gostar?
Diana Martins 10:58 16 Julho 2002 Caro José Maria,
Ainda bem que concordamos com facto de que por a tourada ser tradição não significa que seja aceitável.
Acho divertido que tente justificar a tourada pelo número de pessoas que dependem e gostam dela, porque ao que sei e pelas estatísticas apresentadas em todas as sondagens, a maioria da população portuguesa não gosta de tourada e uma grande maioria não gosta de touros de morte. Mas mesmo tentando aceitar este argumento "democrático", que terá seguramente tendência para lei geral (a democracia entenda-se), não posso deixar de frisar que caso o defenda cai em contradição: se é a vontade da maioria que impera não há espaço para regimes de excepção.
Devo acrescentar que ainda recentemente ouvi um toureiro (perdoe-me mas não fixei o nome) dizer que conjuga uma outra profissão com a tourada, porque segundo o mesmo "é impossível viver só da tourada hoje em dia"... Ao mesmo tempo há quem diga que as praças estão sempre cheias e que é o segundo espectáculo mais visto em Portugal, mas há ainda quem diga que se oferecem centenas de convites, incluindo estas ofertas na dita ajuda às misericórdias....
Assim, e mais uma vez os seus argumentos não me parecem factos... se não lhe causar incómodo, acha que podia tentar explicar-me com novos argumentos a existência da tourada?
melhores cumprimentos, José Maria 10:40 16 Julho 2002 Ambos concordamos com o facto de a Tourada ser uma tradição. A tradição por si só não é boa nem má, depende do juízo de valores que cada um faz da mesma, da identificação ou não que tem pela mesma.
Não ponho em causa que existe um colectivo de valores que evolua e em que determinada altura a classifique não como tradição mas como uma aberração qualquer e que como tal seja abulida. Mas da mesma forma que venho até este ponto, pela dimensão cultural, pelo numero de pessoas em Portugal, de todas as classes políticas, ideológicas, crenças, credos, classes sociais que vão ás corridas de Touros, e pelo numero crescente que vem a ter no nosso território, não se podem catalogar como uma actividade em declínio mas em verdadeira ascensão.
Quanto me diz que o gosto crescente de uma população, já numerosa em Portugal a assistir ás corridas de Touros, não justifica manter esta prática, pergunto eu quem tem hoje em dia legitimidade moral e ética para por em causa este fenómeno em Portugal ?
Diana, não estamos a falar da “identificação de alguns” mas sim de um grande numero de pessoas que se identifica, e gosta da festa brava, e isso é que não pode ser universalmente ignorado.
Esta é uma altura do ano propicia a quem quer conhecer este fenómeno na sua essência – O numero de pessoas, o tipo de pessoas o ambiente que se vive. Talvez tenha uma surpresa pela positiva, o que não estou com isto a dizer que deixe de respeitar a natureza.
Já escrevi isto atrás mas volto a repetir – As pessoas ligadas ao campo, desde, os ganadeiros, campinos, aos criadores de cavalos, aos toureiros a pé ou a cavalo, aos forcados até ao aficcionado, todos eles/nós gostamos e respeitamos a natureza. Para a Diana isto pode ser um contra-senso, um tentar dourar a pilula para ficar bem na fotografia, mas não é.
Diana Martins 09:57 16 Julho 2002 Caro José Maria,
Que a tourada é tradição é um facto, mas desse facto não decorre que seja algo de bom, de bem ou de belo... Há, como sabe, tradições boas e más e há, pela tradição da história do homem, tendência para abolir as tradições más...
Pelo que, o seu primeiro argumento, ao que me parece, não justifica a manutenção desta prática.
Quanto à identificação de alguns, também não me parece que desse facto se possa retirar uma lei com tendência para a universalidade. Pois, como já deve ter desconfiado, eu identifico-me, entre outros, com o valor do respeito pela natureza, e desse facto subjectivo também não se faz lei.
Agradeço que, assim que se puder, apresente algum facto justificado e justificável que garanta a existência de touradas.
Atenciosamente,
José Maria 09:20 16 Julho 2002 Diana Martins,
De forma muito simples - O gosto de parte de uma populaçáo por uma festa. Da Festa Brava, das corridas de touros e a sua identificação com os valores que assentam numa tradição que vem de gerações em gerações. mikeangelo 00:37 16 Julho 2002 as recomendações do José Maria
o artigo do Sr. Nuno Serras Pereira é verdadeiramente hilariante, no entanto, lamento informá-lo de que estes desvarios, ainda que o tenham empolgado muito, de pouco valem...
quanto ao artigo da Sra. Susana Maria Cardoso, não sei que interpretação distorcida fez, mas dizer "felizmente não tive pesadelos" [depois de ver uma tourada na tv] dificilmente pode ser considerado algo abonatório...
quanto à entrevista ao Sr. Joaquim Bastinhas, fico feliz por saber que gostou, também eu fiquei completamente surpreendido -- não é que o homem é a favor das touradas? Diana Martins 21:05 15 Julho 2002 Caro José Maria,
Desafio-o, porque me parece ser uma pessoa razoável, a apresentar um só argumento que justifique a existência de touradas no Portugal do séc. XXI. Agradeço, contudo, que não procure defender a tourada com juízos de valor, antes peço que o faça com factos.
Melhores cumprimentos
José Maria 18:56 15 Julho 2002 Caro Ramtamplan,
Denoto que existe uma evolução e um interesse da sua parte em relação a que gosta da festa brava, pelo menos no facto de provocar algumas questões para esclarecer o tema em vez de fazer comparações pouco próprias, como as que fez num comentário atrasado.
Questiona o caro ramtamplam sobre Castas. Muito simples - Casta dos que são sempre Portugueses, apesar de adversidades, e das opiniões contrárias ás que temos sobre determinado tema e a Casta dos que se sentem embaraçados por serem Portugueses como é o caso do nosso parceiro de comentário Atento.
Quanto á questão que Igreja e de Deus? Se é sobre a do comentador anónimo não sei. Se é sobre a minha, enviei um segundo comentário no qual desafio a ler e a perceber qual a Igreja.
Li num comentário que escreveu que Francisco Louçã é um habitual nas manifestações contra as touradas. Acho bem que defenda um grupo de pessoas, que tem uma determinada visão e gostos. Da minha parte respeito-o, mas tenho uma opinião gostos diferentes. Não é por isso que vou passar a classificá-lo a ele nem a si, de pedófilo, barbaro ... .
Volto a frisar, e retomando a sua visão do tema, que continuam a ter uma visão estreita e unilateral do tema segundo o Ramtamplam “O sr. Presidente esteve mal, mais que não fosse deveria pensar em pessoas mais sensóveis que sofrem com estes actos de barbárie ...”, deste ponto de vista o Presidente não deveria olhar pelo Portugueses que gostam de corridas de touros. O Presidente lembrou-se sim dos tempos de jovem em que lutava por um mundo mais justo e mais humano, quando foi a Barrancos e viu a forma como aquele povo lutava.
Caros defensores dos animais não há sentido democrático no argumentário que lançam entre o rol de calunias que escrevem contra quem gosta da festa brava.
Um abraço.
ramtamplam 17:41 15 Julho 2002 Graças a Deus que somos feitos de castas diferentes????
Onde é que isso está escrito????
Qual Deus???????? José Maria 17:39 15 Julho 2002 Agencia Ecclesia
Gostaria de vos deixar 3 artigos que estão publicados num site chamado “Agencia Ecclesia – Igreja Católica em Portugal” (http://www.agenciaecclesia.org/), e que podem de certa forma ilustrar o que estes comentaristas pensam sobre o tema, bem como uma entrevista do cavaleiro Joaquim Batinhas.
http://www.agenciaecclesia.org/ecclesia/artigo.asp?cod_artigo=109613
http://www.agenciaecclesia.org/ecclesia/artigo.asp?cod_artigo=56366
http://www.agenciaecclesia.org/ecclesia/artigo_fc.asp?cod_artigo=126884
Obrigado
Abraço
José Maria 17:14 15 Julho 2002 Caro Des Atento
São compreensíveis as náuseas quando se é um Português pela rama. A nós Portugueses isso não sucede quando lemos os seus mails. Ao contrário do Caro Atento eu não sinto náuseas, quando leio as opiniões contrárias as que defendo, sinto náuseas quando leio o que escreve e passo a transcrever “ Ser português é por vezes embaraçoso.”.
Graças a Deus que somos feitos de castas diferentes.
Ao contrário do que afirma compreendo perfeitamente que não se goste, que não se entenda, o que o caro Atento por ser desatento ainda não percebeu. Agora é um facto que existe em Portugal uma grande maioria de pessoas de gosta de touros, corridas de touros e da festa brava em geral e que não são Talibans, Holigans, não batem nas mulheres e não matam cães.
Quando se faz depender progresso e desenvolvimento da existência ou não de tradições como o caso das corridas, e nos esquecemos de tudo o resto, algo está errado.
Em tempos perguntou se a maioria dos Portugueses são a favor da excepção á lei ?Acho que a resposta dada pela AR, que representa os Portugueses, respondeu á sua questão.
Não é por repetidamente chamar de talibans a quem gosta da festa de touros que vai defender o seu ponto de vista. Lanço-lhe um desfio : Exponha as suas ideias e o que defende ?
Um abraço
Atento 16:46 15 Julho 2002 Para o JM
Olhe José Maria eu como leitor ocasional dos comentários do Expresso sinto verdadeira naúsea quando leio o que você escrevinha por aqui.
Não é por repetir à exautão as suas "verdades" que outros perderão a lucidez.
O mundo está cheio de "talibans" do seu calibre. Uns apedrejam as mulheres até à morte em nome de deus. Outros fazem muitas outras coisas nojentas em nome de tantas outras. Sabe que na Califórnia pode ir parar à prisão por matar um cão?
Tudo tem a ver com algo que você não pode de certeza compreender.
O sentido mais profundo de perceber como ser humano o que está certo e o que está errado. José Maria 16:13 15 Julho 2002 Touradas e Igreja Cristã de mãos dadas.
Assumo pela forma que nos é apresentado este comentário, cujo autor não teve coragem de se identificar com mesmo, que a Igreja que fala não é a mesma com que o povo Português se identifica. Hoje em dia há tantas igrejas, e tantas formas de enganar crentes que possivelmente este comentarista pertencerá a uma destas formas.
A ligação entre esta forma profana de manifestação (Tourada em Barrancos) e a festa de N. Senhora da Conceição existe, e a ligação entre ambas é tão forte que leva a que estes devotos a N. Senhora da Conceição não queiram separar uma da outra. Existe uma tradição que assim se impõe.
Noto que neste artigo o “Comentarista Anónimo” assume na sua pessoa o bastião dos princípios éticos, morais e religiosos do país, remetendo para o Presidente da Republica, uma visão demagoga, fácil e oportunista, quando afinal o que se passou foi o contrário : O Presidente da Republica soube ver, analisar e agir sobre um facto do país real. Emendou um erro.
Não sei em que Igreja acredita o “Comentarista Anónimo”, nem que experiência ou conhecimento tem sobre o tema das corridas de Touros e sobre toda a fé Cristã que existe de facto em torno da mesma. Basta olhar, que todas as festas em Portugal tem por norma associadas uma corrida de Touros. Não é de agora, é de sempre.
Para não mencionar de novo a Corrida de Touros da RR, devo frisar que uma elevada percentagem é feita em praças de Misericórdias, muitas vezes com lucros a favor das mesmas ou de obras por elas apoiadas.
Mais é bom ver o padre da paróquia na festa, ver a nossa Igreja Cristã presente, e representada a alto nível, por sacerdotes que conseguem ter uma visão lata e uma proximidade da população que dificilmente e infelizmente não se conseguirá junto de outros como o caso do “Comentarista Anónimo”.
Será que todos os que gostam de corridas são maus Cristãos ? As Misericórdias são dirigidas por gente de má índole e sem princípios ? Em que será que a nossa população, o nosso Presidente, os Padres, deputados se tornaram de um dia para outro ?
Tenha decoro e se quer que o tema que escreve seja comentado com seriedade escreva com seriedade.
Leia o artigo do Miguel Moutinho -Presidente da Sociedade Ética de Defesa dos Animais (SEDA)Amadora denominado “Amnésia Barranquenha”; , em que eu apesar de não concordar com a sua posição, por defender a festa de touros, respeito tal como outros que assumem as suas posições som lisura e frontalidade.
Mais 2 pontinnhos :
1. Lamento que o Expresso tenha permitido que seja Publicada uma opinião de um leitor que não teve sequer coragem de se identificar com o que escreve, e tem e veleidade de querer representar a Igreja (seja ela qual for);
2. Levante os braços e faça algo de util - apresente-se e represente-se.Ou então reduza-se á sua insignificância e fale por si.
Um abraço
ramtamplam 15:26 15 Julho 2002 Seria de bom tom saber quem assina este artigo. < anteriores
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Há dois anos foi-me dada a oportunidade de, neste mesmo jornal, manifestar, como português, a minha preocupação pelo retrocesso cultural e ético que representa o espectáculo de Barrancos e, como católico, pela associação entre esta festa da morte e o culto a N. Senhora da Conceição. Seja dito de passagem que, nessa mesma altura, o Sr. Presidente da República dava a entender que o progresso era lento, mas que lá chegaríamos. As suas afirmações, na visita ao Alentejo, desmentiram essa ténue promessa. À frente do interesse pelo progresso civilizacional e ético do País, colocou uma demagogia fácil e oportunista servida por um estilo no mínimo infantilizante que os portugueses não merecem. O erro do Presidente e de muitos outros políticos é o de, com boa ou má fé, reduzirem a mero desacordo de sensibilidades ou de culturas o que são, de facto, princípios éticos objectivos. Ainda que os valores sejam culturalmente relativos, há sempre alguns que, num dado contexto, devem ser aceites como absolutos. Se, para a cultura cristã e ocidental, o respeito pela vida humana é um deles, o respeito pelo sofrimento, humano ou animal, é outro, e é possível afirmar, sem risco de erro, que a crueldade é a pior de todas as coisas. As suas afirmações, na visita ao Alentejo, desmentiram essa ténue promessa. À frente do interesse pelo progresso civilizacional e ético do País, colocou uma demagogia fácil e oportunista servida por um estilo no mínimo infantilizante que os portugueses não merecem. O erro do Presidente e de muitos outros políticos é o de, com boa ou má fé, reduzirem a mero desacordo de sensibilidades ou de culturas o que são, de facto, princípios éticos objectivos. Ainda que os valores sejam culturalmente relativos, há sempre alguns que, num dado contexto, devem ser aceites como absolutos. Se, para a cultura cristã e ocidental, o respeito pela vida humana é um deles, o respeito pelo sofrimento, humano ou animal, é outro, e é possível afirmar, sem risco de erro, que a crueldade é a pior de todas as coisas. (Seria útil que o ministro Paulo Portas reflectisse nestes factos para não incorrer na incoerência de condenar, no ecrã da televisão, a violência que encoraja, ao vivo, nas arenas) (Seria útil que o ministro Paulo Portas reflectisse nestes factos para não incorrer na incoerência de condenar, no ecrã da televisão, a violência que encoraja, ao vivo, nas arenas) Mas não é a discordância com o Presidente e com a sua desastrosa intervenção que me interessa testemunhar, e sim algumas razões para ter esperança na Igreja em que acredito. A sua sabedoria é antiga. S. Tomás, que não era exactamente um defensor dos direitos dos animais, alertou para que a crueldade com eles induziria à crueldade para com os próprios humanos. E no nosso país, nos anos 30, a Reunião Plenária dos Bispos portugueses recomendava que se «abstenham os clérigos de assistir ao bárbaro espectáculo das touradas». Mas não é a discordância com o Presidente e com a sua desastrosa intervenção que me interessa testemunhar, e sim algumas razões para ter esperança na Igreja em que acredito. A sua sabedoria é antiga. S. Tomás, que não era exactamente um defensor dos direitos dos animais, alertou para que a crueldade com eles induziria à crueldade para com os próprios humanos. E no nosso país, nos anos 30, a Reunião Plenária dos Bispos portugueses recomendava que se «abstenham os clérigos de assistir ao bárbaro espectáculo das touradas». Com autorização do Sr. Bispo de Viseu transcrevo o que há dois anos me escreveu e que, de certa forma, está na origem da minha esperança: «Considero indigno andar a promover festas e divertimentos com base no sofrimento, morte e sangue dos animais, para além da deformação que tal facto e atitude provocam nos sentimentos mais dignos da pessoa humana.» E outro eminente responsável da hierarquia, cujo nome não menciono por o não ter conseguido contactar, declarou-me o seu desacordo em relação à tourada promovida pela Rádio Renascença: «Não entendo como uma instituição católica organiza espectáculos desse teor! A lucidez é uma forma de responsabilidade moral e cultural. Mas falta a Luz em certos sectores...» Com autorização do Sr. Bispo de Viseu transcrevo o que há dois anos me escreveu e que, de certa forma, está na origem da minha esperança: «Considero indigno andar a promover festas e divertimentos com base no sofrimento, morte e sangue dos animais, para além da deformação que tal facto e atitude provocam nos sentimentos mais dignos da pessoa humana.» E outro eminente responsável da hierarquia, cujo nome não menciono por o não ter conseguido contactar, declarou-me o seu desacordo em relação à tourada promovida pela Rádio Renascença: «Não entendo como uma instituição católica organiza espectáculos desse teor! A lucidez é uma forma de responsabilidade moral e cultural. Mas falta a Luz em certos sectores...» De braços caídos... nunca! De braços caídos... nunca! 12:35 15 Julho 2002
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21 a 37 de 37 ArJuno 17:06 16 Julho 2002 Ser prático a falar ajuda à comunicaçao!
Legalista também é um governante que cria um lei desumana com o simples fim de criar desumanidades legais e de prática obrigatoria pelos poderes públicos.
A cultura que em vários países mulçumanos desumaniza as mulheres também é localmente legal e, no entanto, como qualquer tradição nojenta deve ser banida.
A tradição e a cultura de um povo mede-se pela dignidade que dão a esse povo e, por isso, devem ser banidas da face da Terra as que o não fizerem.
Uma lei de excepcção para Barrancos é a criação de um pólo de cultura terceiromundista e de violência gratuita a animais por pura diversão e falsa cultura.
Porque não de faz uma lei idêntica para as populações da RAIA ou de aldeias piscatórias se poderem dedicar ao contrabando como o fazem sem sofrer as penas criminais que lhe são impostas?
Porque não permitir que em certos bairros a prostituição seja legal? Seria igual para todos naquele local.
Porque não se legaliza todo o tipo de crime na zona onde são perpretados?
Dizem que não os há, não os procuram...
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Há aldeias neste país onde os garotos metem gatos dentro de panelas tapadas com uma tampa selada com um cordel. De seguida metem a panela nas fogueiras de S. João, Sto. António e esperam à gargalhada que o cordel arda e o gato fuja entre gemidos de horror. Os adultos batem palmas.
Quem não viu isto ainda, perdeu concerteza um espetáculo popular que raia os limites da selvajaria. Nem os animais selvajens torturam as presas antes de as comer, excepto os barranquenhos e outros pseudointelectuais do gozo violento.
Que tal tornar a queima dos gatos, que ficam com as patas queimadas(queimaduras de que grau não sabemos?) cujas patas são um meio de sobrevivência: locomoção. Assim vão morrer sabe-se lá onde e em que condições!
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Até parece que ser padre, PR, veterinário ou empresário das touradas dá a indivíduos a sabedoria, a humanidade e o poder de decidir se os touros nasceram para ser torturados antes de serem cozinhados ou não.
Só há uma razão que se poderia admitir para tal coisa: dizem os barranquenhos que a carne daqueles touros torturados tem poderes afrodisíacos. Assim, em defesa do gozo e da dignidade da mulher barranquenha, que ganha por ano um pouco de prazer sexual, coitadas, e cuja energia sexual os amantes, maridos ou não, vão buscar a uns litros de cerveja e nacos de carne morta por um espanhol, pois nem para isso os Barranquenhos servem, talvez se lhes deva dar essa oportunidade única.
Quando a corbardia é tanta que até para a tortura encomendam sanguinários de espanha, raio de cultura portuguesa é a nossa quando se copia o que se faz em espanha!!!!
Bah!!!! cobardes!!!! Porque toureiam as couves antes de fazerem o cozido à portuguesa? Será que precisam de sofrimento e de sangue?
José Maria 13:35 16 Julho 2002 Touradas, Factos e Valores
Caro Miguel Moutinho,
È com prazer,
Principio básico é não deturpar o que escrevo e tirar juizos de valor como seja o seu comentário que “... a argumentação que tem apresentado é falaciosa, isto é, incorrecta e inválida, pelo que é absolutamente refutada.”. Bem adjectivada mas vazia de conteudo.
É um facto que as Touradas em Portugal são resultado da nossa tradição. Podemos questionar a mesma, gostar ou não gostar, mas as touradas não apareceram um dia do nada.
Concordo plenamente quando afirma que de um facto nunca se pode tirar um valor ou um princípio moral. Fazê-lo é uma das mais evidentes falácias, que constitui um erro argumentativo flagrante, quer para quem gosta quer para quem não gosta do touradas.
Mas, partir do facto da tourada ser uma Tradição Portuguesa, uma forma de arte, um veículo cultural, que garante identificação social ou cultural, e pelo facto da tourada ser uma prática apreciada (não sei se de maiorias) mas de um grande numero de Portugueses é justificação para a sua existência.
Quanto á questão de se é ou não moral, eticamente reprovável quem, se não for a prova viva do numero de pessoas que gosta e se identifica com a festa brava, para qualificar e rotular esta manifestação.
Quem são as pessoas que em Portugal tem essa superioridade moral face aos factos que o Miguel enumerou ? Um grupo de numero incerto de pessoas ?
Nós podemos afirmar quantas pessoas assistem por ano ás corridas de Touros em Portugal, e o Miguel como pessoa bem informada sabe que é em numero crescente e que depois do espectáculo do futebol é o 2º mais visto. De resto os 3 canais de televisão tem a sua corrida de Touros, os Jornais e Revistas, Rádios e porquê ? Não tem audiência ?
Isto a mim parecem-me factos de que posso tirar conclusões.
Miguel, da minha parte, aceito e respeito o facto que não goste, que não se identifique com festa brava, que segundo os seus valores ache eticamente reprovável, que se manifeste e lute pelas suas ideias e convicções de forma civilizada e democrática. Agora atacar grande parte (não a maioria) da população Portuguesa, já não para mencionar a Espanhola, Francesa, Mexicana ..., catalogando-nos da forma como tem feito já não posso concordar.
Todos nós temos problemas éticos ? Sejamos sérios Miguel.
A moralidade e ética é um valor das pessoas que se manifestam contra as Touradas ?
Pegando nas suas palavras “Tanto o relativismo como o subjectivismo moral acarretam perigos que ninguém quererá correr, pois tornam tudo moralmente permissível ou justificável (ou, pior, não passível sequer de ser discutido) desde que se conforme com o meio particular em que um determinado acto moralmente relevante (para o bem e para o mal) tem lugar, ou desde que seja consonante com o indivíduo particular que pratica ou aprecia um determinado acto moralmente relevante (uma vez mais, para o bem e para o mal).”, aplica-se aos que se manifestam contra as Touradas.
Nunca me leu da minha parte pronunciar-me sobre juízo de valores ou outros comentários sobre quem não gosta de Touros.
O gosto que tenho e que os aficcionados tem são bastante objectivos, e as corridas são feitas á luz do dia de tal forma que para não haver casos obscuros e á margem da lei Barrancos foi legalizado.
Miguel quanto á sua ultima frase “Não se pode admitir a tortura apenas porque alguns (muitos ou poucos) gostam, pois os gostos são moralmente irrelevantes.”, respondo com outra sua “... a argumentação que tem apresentado é falaciosa, isto é, incorrecta e inválida, pelo que é absolutamente refutada.”.
È um facto que a festa brava está viva, e está a crescer em Portugal.
Um abraço
Miguel Moutinho 12:17 16 Julho 2002 Touradas, Factos e Valores
Caro José Maria,
Junto-me à discussão que trava com a Diana, na esperança de que me permita trocarmos impressões em conjunto.
Devo dizer-lhe que de um facto nunca se pode tirar um valor ou um princípio moral. Fazê-lo é uma das mais evidentes falácias, que constitui um erro argumentativo flagrante. Ora, partir do facto da tourada ser uma tradição, arte, factor cultural, motor ou garante de identificação social ou cultural, ou partir do facto da tourada ser uma prática apreciada por maiorias (facto esse que não corresponde à realidade), em suma, partir de qualquer um destes ou de qualquer outro facto para uma justificação moral é, portanto, uma falácia. De algo que é não se segue algo que deva ser: de um facto não se segue um valor. Logo, a argumentação que tem apresentado é falaciosa, isto é, incorrecta e inválida, pelo que é absolutamente refutada.
Dito isto, importa também fazer referência a um suposto argumento que os defensores das touradas utilizam recorrentemente, como é o caso de "só vai quem quer" ou "só vê quem quer". Este tipo de argumento, ou, em sentido mais próprio, esta afirmação tem implicações perigosas que, certamente, ninguém aceitará, nem mesmo os defensores das touradas, nem mesmo o José Maria. Dizer que "só vai quem quer" ou "só vê quem quer" é relativizar a aceitabilidade da tourada. Ora, se a tourada levanta problemas éticos sérios - e levanta-os, de que maneira! - esses problemas éticos têm que ser analisados e debatidos à luz de princípios éticos universais (a universalidade ou universalizabilidade são exigências fundamentais da ética) e não segundo gostos subjectivos. Tanto o relativismo como o subjectivismo moral acarretam perigos que ninguém quererá correr, pois tornam tudo moralmente permissível ou justificável (ou, pior, não passível sequer de ser discutido) desde que se conforme com o meio particular em que um determinado acto moralmente relevante (para o bem e para o mal) tem lugar, ou desde que seja consonante com o indivíduo particular que pratica ou aprecia um determinado acto moralmente relevante (uma vez mais, para o bem e para o mal). A implicação principal e mais evidente do relativismo ou do subjectivismo moral é que atrocidades hediondas como foram a escravatura, a negação e violação dos direitos e das liberdades das mulheres, a perseguição e genocídio dos judeus, etc., sejam acontecimentos moralmente aceitáveis ou justificáveis (ou, pior, não discutíveis) pela simples e absurda razão de que se conformavam com o meio particular (e respectivos padrões valorativos) em que aconteceram ou com os princípios subjectivos dos indivíduos particulares que os perpetraram. Seriamente, ninguém poderá admitir isto. Não se pode admitir a tortura apenas porque alguns (muitos ou poucos) gostam, pois os gostos são moralmente irrelevantes.
Juntando-me à Diana, convido-o a apresentar um único argumento que seja em defesa das touradas. Peço-lhe apenas que evite cometer os erros argumentativos que acima denunciei, para não ser preciso repetir a sua exposição e o modo como invalidam qualquer argumento.
Cumprimentos,
Miguel Moutinho
Diana Martins 11:09 16 Julho 2002
José Maria,
Desculpe mas um pouco à parte da n/ conversa, o que é para si gostar?
Diana Martins 10:58 16 Julho 2002 Caro José Maria,
Ainda bem que concordamos com facto de que por a tourada ser tradição não significa que seja aceitável.
Acho divertido que tente justificar a tourada pelo número de pessoas que dependem e gostam dela, porque ao que sei e pelas estatísticas apresentadas em todas as sondagens, a maioria da população portuguesa não gosta de tourada e uma grande maioria não gosta de touros de morte. Mas mesmo tentando aceitar este argumento "democrático", que terá seguramente tendência para lei geral (a democracia entenda-se), não posso deixar de frisar que caso o defenda cai em contradição: se é a vontade da maioria que impera não há espaço para regimes de excepção.
Devo acrescentar que ainda recentemente ouvi um toureiro (perdoe-me mas não fixei o nome) dizer que conjuga uma outra profissão com a tourada, porque segundo o mesmo "é impossível viver só da tourada hoje em dia"... Ao mesmo tempo há quem diga que as praças estão sempre cheias e que é o segundo espectáculo mais visto em Portugal, mas há ainda quem diga que se oferecem centenas de convites, incluindo estas ofertas na dita ajuda às misericórdias....
Assim, e mais uma vez os seus argumentos não me parecem factos... se não lhe causar incómodo, acha que podia tentar explicar-me com novos argumentos a existência da tourada?
melhores cumprimentos, José Maria 10:40 16 Julho 2002 Ambos concordamos com o facto de a Tourada ser uma tradição. A tradição por si só não é boa nem má, depende do juízo de valores que cada um faz da mesma, da identificação ou não que tem pela mesma.
Não ponho em causa que existe um colectivo de valores que evolua e em que determinada altura a classifique não como tradição mas como uma aberração qualquer e que como tal seja abulida. Mas da mesma forma que venho até este ponto, pela dimensão cultural, pelo numero de pessoas em Portugal, de todas as classes políticas, ideológicas, crenças, credos, classes sociais que vão ás corridas de Touros, e pelo numero crescente que vem a ter no nosso território, não se podem catalogar como uma actividade em declínio mas em verdadeira ascensão.
Quanto me diz que o gosto crescente de uma população, já numerosa em Portugal a assistir ás corridas de Touros, não justifica manter esta prática, pergunto eu quem tem hoje em dia legitimidade moral e ética para por em causa este fenómeno em Portugal ?
Diana, não estamos a falar da “identificação de alguns” mas sim de um grande numero de pessoas que se identifica, e gosta da festa brava, e isso é que não pode ser universalmente ignorado.
Esta é uma altura do ano propicia a quem quer conhecer este fenómeno na sua essência – O numero de pessoas, o tipo de pessoas o ambiente que se vive. Talvez tenha uma surpresa pela positiva, o que não estou com isto a dizer que deixe de respeitar a natureza.
Já escrevi isto atrás mas volto a repetir – As pessoas ligadas ao campo, desde, os ganadeiros, campinos, aos criadores de cavalos, aos toureiros a pé ou a cavalo, aos forcados até ao aficcionado, todos eles/nós gostamos e respeitamos a natureza. Para a Diana isto pode ser um contra-senso, um tentar dourar a pilula para ficar bem na fotografia, mas não é.
Diana Martins 09:57 16 Julho 2002 Caro José Maria,
Que a tourada é tradição é um facto, mas desse facto não decorre que seja algo de bom, de bem ou de belo... Há, como sabe, tradições boas e más e há, pela tradição da história do homem, tendência para abolir as tradições más...
Pelo que, o seu primeiro argumento, ao que me parece, não justifica a manutenção desta prática.
Quanto à identificação de alguns, também não me parece que desse facto se possa retirar uma lei com tendência para a universalidade. Pois, como já deve ter desconfiado, eu identifico-me, entre outros, com o valor do respeito pela natureza, e desse facto subjectivo também não se faz lei.
Agradeço que, assim que se puder, apresente algum facto justificado e justificável que garanta a existência de touradas.
Atenciosamente,
José Maria 09:20 16 Julho 2002 Diana Martins,
De forma muito simples - O gosto de parte de uma populaçáo por uma festa. Da Festa Brava, das corridas de touros e a sua identificação com os valores que assentam numa tradição que vem de gerações em gerações. mikeangelo 00:37 16 Julho 2002 as recomendações do José Maria
o artigo do Sr. Nuno Serras Pereira é verdadeiramente hilariante, no entanto, lamento informá-lo de que estes desvarios, ainda que o tenham empolgado muito, de pouco valem...
quanto ao artigo da Sra. Susana Maria Cardoso, não sei que interpretação distorcida fez, mas dizer "felizmente não tive pesadelos" [depois de ver uma tourada na tv] dificilmente pode ser considerado algo abonatório...
quanto à entrevista ao Sr. Joaquim Bastinhas, fico feliz por saber que gostou, também eu fiquei completamente surpreendido -- não é que o homem é a favor das touradas? Diana Martins 21:05 15 Julho 2002 Caro José Maria,
Desafio-o, porque me parece ser uma pessoa razoável, a apresentar um só argumento que justifique a existência de touradas no Portugal do séc. XXI. Agradeço, contudo, que não procure defender a tourada com juízos de valor, antes peço que o faça com factos.
Melhores cumprimentos
José Maria 18:56 15 Julho 2002 Caro Ramtamplan,
Denoto que existe uma evolução e um interesse da sua parte em relação a que gosta da festa brava, pelo menos no facto de provocar algumas questões para esclarecer o tema em vez de fazer comparações pouco próprias, como as que fez num comentário atrasado.
Questiona o caro ramtamplam sobre Castas. Muito simples - Casta dos que são sempre Portugueses, apesar de adversidades, e das opiniões contrárias ás que temos sobre determinado tema e a Casta dos que se sentem embaraçados por serem Portugueses como é o caso do nosso parceiro de comentário Atento.
Quanto á questão que Igreja e de Deus? Se é sobre a do comentador anónimo não sei. Se é sobre a minha, enviei um segundo comentário no qual desafio a ler e a perceber qual a Igreja.
Li num comentário que escreveu que Francisco Louçã é um habitual nas manifestações contra as touradas. Acho bem que defenda um grupo de pessoas, que tem uma determinada visão e gostos. Da minha parte respeito-o, mas tenho uma opinião gostos diferentes. Não é por isso que vou passar a classificá-lo a ele nem a si, de pedófilo, barbaro ... .
Volto a frisar, e retomando a sua visão do tema, que continuam a ter uma visão estreita e unilateral do tema segundo o Ramtamplam “O sr. Presidente esteve mal, mais que não fosse deveria pensar em pessoas mais sensóveis que sofrem com estes actos de barbárie ...”, deste ponto de vista o Presidente não deveria olhar pelo Portugueses que gostam de corridas de touros. O Presidente lembrou-se sim dos tempos de jovem em que lutava por um mundo mais justo e mais humano, quando foi a Barrancos e viu a forma como aquele povo lutava.
Caros defensores dos animais não há sentido democrático no argumentário que lançam entre o rol de calunias que escrevem contra quem gosta da festa brava.
Um abraço.
ramtamplam 17:41 15 Julho 2002 Graças a Deus que somos feitos de castas diferentes????
Onde é que isso está escrito????
Qual Deus???????? José Maria 17:39 15 Julho 2002 Agencia Ecclesia
Gostaria de vos deixar 3 artigos que estão publicados num site chamado “Agencia Ecclesia – Igreja Católica em Portugal” (http://www.agenciaecclesia.org/), e que podem de certa forma ilustrar o que estes comentaristas pensam sobre o tema, bem como uma entrevista do cavaleiro Joaquim Batinhas.
http://www.agenciaecclesia.org/ecclesia/artigo.asp?cod_artigo=109613
http://www.agenciaecclesia.org/ecclesia/artigo.asp?cod_artigo=56366
http://www.agenciaecclesia.org/ecclesia/artigo_fc.asp?cod_artigo=126884
Obrigado
Abraço
José Maria 17:14 15 Julho 2002 Caro Des Atento
São compreensíveis as náuseas quando se é um Português pela rama. A nós Portugueses isso não sucede quando lemos os seus mails. Ao contrário do Caro Atento eu não sinto náuseas, quando leio as opiniões contrárias as que defendo, sinto náuseas quando leio o que escreve e passo a transcrever “ Ser português é por vezes embaraçoso.”.
Graças a Deus que somos feitos de castas diferentes.
Ao contrário do que afirma compreendo perfeitamente que não se goste, que não se entenda, o que o caro Atento por ser desatento ainda não percebeu. Agora é um facto que existe em Portugal uma grande maioria de pessoas de gosta de touros, corridas de touros e da festa brava em geral e que não são Talibans, Holigans, não batem nas mulheres e não matam cães.
Quando se faz depender progresso e desenvolvimento da existência ou não de tradições como o caso das corridas, e nos esquecemos de tudo o resto, algo está errado.
Em tempos perguntou se a maioria dos Portugueses são a favor da excepção á lei ?Acho que a resposta dada pela AR, que representa os Portugueses, respondeu á sua questão.
Não é por repetidamente chamar de talibans a quem gosta da festa de touros que vai defender o seu ponto de vista. Lanço-lhe um desfio : Exponha as suas ideias e o que defende ?
Um abraço
Atento 16:46 15 Julho 2002 Para o JM
Olhe José Maria eu como leitor ocasional dos comentários do Expresso sinto verdadeira naúsea quando leio o que você escrevinha por aqui.
Não é por repetir à exautão as suas "verdades" que outros perderão a lucidez.
O mundo está cheio de "talibans" do seu calibre. Uns apedrejam as mulheres até à morte em nome de deus. Outros fazem muitas outras coisas nojentas em nome de tantas outras. Sabe que na Califórnia pode ir parar à prisão por matar um cão?
Tudo tem a ver com algo que você não pode de certeza compreender.
O sentido mais profundo de perceber como ser humano o que está certo e o que está errado. José Maria 16:13 15 Julho 2002 Touradas e Igreja Cristã de mãos dadas.
Assumo pela forma que nos é apresentado este comentário, cujo autor não teve coragem de se identificar com mesmo, que a Igreja que fala não é a mesma com que o povo Português se identifica. Hoje em dia há tantas igrejas, e tantas formas de enganar crentes que possivelmente este comentarista pertencerá a uma destas formas.
A ligação entre esta forma profana de manifestação (Tourada em Barrancos) e a festa de N. Senhora da Conceição existe, e a ligação entre ambas é tão forte que leva a que estes devotos a N. Senhora da Conceição não queiram separar uma da outra. Existe uma tradição que assim se impõe.
Noto que neste artigo o “Comentarista Anónimo” assume na sua pessoa o bastião dos princípios éticos, morais e religiosos do país, remetendo para o Presidente da Republica, uma visão demagoga, fácil e oportunista, quando afinal o que se passou foi o contrário : O Presidente da Republica soube ver, analisar e agir sobre um facto do país real. Emendou um erro.
Não sei em que Igreja acredita o “Comentarista Anónimo”, nem que experiência ou conhecimento tem sobre o tema das corridas de Touros e sobre toda a fé Cristã que existe de facto em torno da mesma. Basta olhar, que todas as festas em Portugal tem por norma associadas uma corrida de Touros. Não é de agora, é de sempre.
Para não mencionar de novo a Corrida de Touros da RR, devo frisar que uma elevada percentagem é feita em praças de Misericórdias, muitas vezes com lucros a favor das mesmas ou de obras por elas apoiadas.
Mais é bom ver o padre da paróquia na festa, ver a nossa Igreja Cristã presente, e representada a alto nível, por sacerdotes que conseguem ter uma visão lata e uma proximidade da população que dificilmente e infelizmente não se conseguirá junto de outros como o caso do “Comentarista Anónimo”.
Será que todos os que gostam de corridas são maus Cristãos ? As Misericórdias são dirigidas por gente de má índole e sem princípios ? Em que será que a nossa população, o nosso Presidente, os Padres, deputados se tornaram de um dia para outro ?
Tenha decoro e se quer que o tema que escreve seja comentado com seriedade escreva com seriedade.
Leia o artigo do Miguel Moutinho -Presidente da Sociedade Ética de Defesa dos Animais (SEDA)Amadora denominado “Amnésia Barranquenha”; , em que eu apesar de não concordar com a sua posição, por defender a festa de touros, respeito tal como outros que assumem as suas posições som lisura e frontalidade.
Mais 2 pontinnhos :
1. Lamento que o Expresso tenha permitido que seja Publicada uma opinião de um leitor que não teve sequer coragem de se identificar com o que escreve, e tem e veleidade de querer representar a Igreja (seja ela qual for);
2. Levante os braços e faça algo de util - apresente-se e represente-se.Ou então reduza-se á sua insignificância e fale por si.
Um abraço
ramtamplam 15:26 15 Julho 2002 Seria de bom tom saber quem assina este artigo. < anteriores
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