Eslováquia pode ser última viagem do Papa

20-09-2003
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Eslováquia Pode Ser Última Viagem do Papa

Por ANTÓNIO MARUJO

Sexta-feira, 12 de Setembro de 2003

Pode a viagem à Eslováquia, a 102ª deslocação que João Paulo II faz fora de Itália, ser a última deslocação do actual Papa ao estrangeiro? A dúvida foi ontem levantada por responsáveis do Vaticano que, em privado, segundo conta a AFP, começam a admitir essa hipótese, depois de João Paulo II, 83 anos, se ter ficado pela leitura das primeiras linhas do discurso que tinha preparado à chegada a Bratislava.

"Mesmo que o Papa tivesse desejado continuar a ler o seu discurso, creio que valia a pena aligeirar a fadiga com que ele está confrontado durante a viagem", disse o porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, minimizando o episódio.

Chegado a Bratislava às 11h00 locais (10h00 em Lisboa), a bordo de um avião da Alitalia baptizado "Praça de São Francisco de Assis", João Paulo II foi acolhido por uma pequena multidão de um milhar de pessoas. As agências descrevem que o Papa Wojtyla tremia, por causa da doença de Parkinson de que o Papa sofre. Depois de três ou quatro frases pronunciadas em eslovaco e ouvidas claramente, a cabeça tombou um pouco mais para a frente e João Paulo II teve mais dificuldades em articular as palavras.

O seu secretário, Stanislav Dziwisz, interveio então para que o discurso fosse continuado por um responsável do Vaticano. No final, o Papa voltou a tomar a palavra para concluir abençoando o país e desejando "paz, prosperidade e harmonia" aos eslovacos.

Não é a primeira vez que um episódio destes acontece. Mas a progressiva debilidade de Wojtyla e a doença de que sofre fazem temer pela continuação das viagens fora de Itália, uma das marcas do pontificado do primeiro Papa polaco da história da Igreja Católica.

Talvez já prevendo as dificuldades da viagem, o dia de ontem no programa papal era pouco preenchido: depois da sua chegada, o Papa encontrou-se com os líderes políticos do país e, ao fim da tarde, foi à catedral de Trnava, um dos lugares do país onde existem mais católicos, para presidir a uma pequena oração.

Nos próximos dias, o ritmo mantém-se de modo a não fatigar demasiado João Paulo II. No domingo, Wojtyla preside à beatificação de dois mártires do regime comunista (ver PÚBLICO de ontem): Vasil Hopko (1904-1976), que foi um dos mais importantes bispos do país e morreu vítima de envenenamentos progressivos, e a freira Zdenka Cecilia Schelingova (1916-1955), condenada e torturada por ter ajudado um padre a fugir da prisão.

A cerimónia será o ponto alto desta terceira visita à Eslováquia - as outras foram em 1990, após a queda do regime comunista, ainda como Checoslováquia, e a segunda em 1995, depois da separação amigável do país com a República Checa de Vaclav Havel.

A Eslováquia, que faz parte do lote de dez países que entrarão na União Europeia em Maio do próximo ano, tem cerca de 5,4 milhões de habitantes, dos quais a maior parte (mais de 70 por cento) se afirmam católicos.

O actual governo, uma coligação de centro-direita liderada pelo Partido da Democracia Cristã, é contestado pela oposição em algumas opções político-religiosas: uma nova Concordata é criticada por ser uma forma de aquele partido alargar a influência da Igreja Católica no país e um debate parlamentar sobre o aborto foi adiado para depois da visita papal.

Eslováquia Pode Ser Última Viagem do Papa

Por ANTÓNIO MARUJO

Sexta-feira, 12 de Setembro de 2003

Pode a viagem à Eslováquia, a 102ª deslocação que João Paulo II faz fora de Itália, ser a última deslocação do actual Papa ao estrangeiro? A dúvida foi ontem levantada por responsáveis do Vaticano que, em privado, segundo conta a AFP, começam a admitir essa hipótese, depois de João Paulo II, 83 anos, se ter ficado pela leitura das primeiras linhas do discurso que tinha preparado à chegada a Bratislava.

"Mesmo que o Papa tivesse desejado continuar a ler o seu discurso, creio que valia a pena aligeirar a fadiga com que ele está confrontado durante a viagem", disse o porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, minimizando o episódio.

Chegado a Bratislava às 11h00 locais (10h00 em Lisboa), a bordo de um avião da Alitalia baptizado "Praça de São Francisco de Assis", João Paulo II foi acolhido por uma pequena multidão de um milhar de pessoas. As agências descrevem que o Papa Wojtyla tremia, por causa da doença de Parkinson de que o Papa sofre. Depois de três ou quatro frases pronunciadas em eslovaco e ouvidas claramente, a cabeça tombou um pouco mais para a frente e João Paulo II teve mais dificuldades em articular as palavras.

O seu secretário, Stanislav Dziwisz, interveio então para que o discurso fosse continuado por um responsável do Vaticano. No final, o Papa voltou a tomar a palavra para concluir abençoando o país e desejando "paz, prosperidade e harmonia" aos eslovacos.

Não é a primeira vez que um episódio destes acontece. Mas a progressiva debilidade de Wojtyla e a doença de que sofre fazem temer pela continuação das viagens fora de Itália, uma das marcas do pontificado do primeiro Papa polaco da história da Igreja Católica.

Talvez já prevendo as dificuldades da viagem, o dia de ontem no programa papal era pouco preenchido: depois da sua chegada, o Papa encontrou-se com os líderes políticos do país e, ao fim da tarde, foi à catedral de Trnava, um dos lugares do país onde existem mais católicos, para presidir a uma pequena oração.

Nos próximos dias, o ritmo mantém-se de modo a não fatigar demasiado João Paulo II. No domingo, Wojtyla preside à beatificação de dois mártires do regime comunista (ver PÚBLICO de ontem): Vasil Hopko (1904-1976), que foi um dos mais importantes bispos do país e morreu vítima de envenenamentos progressivos, e a freira Zdenka Cecilia Schelingova (1916-1955), condenada e torturada por ter ajudado um padre a fugir da prisão.

A cerimónia será o ponto alto desta terceira visita à Eslováquia - as outras foram em 1990, após a queda do regime comunista, ainda como Checoslováquia, e a segunda em 1995, depois da separação amigável do país com a República Checa de Vaclav Havel.

A Eslováquia, que faz parte do lote de dez países que entrarão na União Europeia em Maio do próximo ano, tem cerca de 5,4 milhões de habitantes, dos quais a maior parte (mais de 70 por cento) se afirmam católicos.

O actual governo, uma coligação de centro-direita liderada pelo Partido da Democracia Cristã, é contestado pela oposição em algumas opções político-religiosas: uma nova Concordata é criticada por ser uma forma de aquele partido alargar a influência da Igreja Católica no país e um debate parlamentar sobre o aborto foi adiado para depois da visita papal.

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