Fernando Negrão é o novo presidente do instituto da droga

08-08-2002
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Fernando Negrão É o Novo Presidente do Instituto da Droga

Por CATARINA GOMES

Sábado, 3 de Agosto de 2002

Ex-director da PJ diz que teve contacto com os problemas da toxicodependência enquanto juiz

Fernando Negrão, deputado social-democrata e ex-director da Polícia Judiciária, aceitou presidir ao novo instituto na área da droga, que resultará da fusão entre o Serviço de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência (SPTT) e o Instituto Português da Droga e da Toxicodependência (IPDT), confirmou ao PÚBLICO o magistrado.

O nome de Negrão era ontem avançado pela imprensa como titular do novo organismo. Embora nunca tenha ocupado qualquer cargo na área da toxicodependência, afirma que "sempre foi um problema" que o interessou e com o qual esteve em contacto "enquanto juiz": "Conheci os problemas de muitos jovens."

Negrão exerceu pela última vez funções como magistrado judicial no Tribunal de Setúbal, uma das áreas do país em que o problema da toxicodependência mais é sentido. "Vou tratar com vontade política a prevenção, tratamento e integração do toxicodependente", assegura. O deputado afirma que tem várias ideias sobre o assunto, mas que não as divulga neste momento porque não vai decidir sozinho.

Como braços-direitos, enquanto vice-presidentes do futuro instituto público, cuja designação ainda não é conhecida, confirma que deverão estar João Goulão, actual presidente do SPTT, e Fernando Mendes, vice-presidente do IPDT, que, por sua vez, informa não ter sido contactado pelo ministério para assumir a função.

Uma das primeiras tarefas que Negrão tem pela frente será o redimensionamento, com a consequente diminuição de pessoal, das duas estruturas que vão ser fundidas numa única, sob tutela do Ministério da Saúde. No horizonte poderá também estar uma eventual diminuição do número de comissões de dissuasão da toxicodependência, estruturas administrativas criadas pelo anterior Governo para pôr em prática a descriminalização do consumo de droga. Actualmente existem 18, mas algumas têm pouca afluência de indiciados.

Negrão irá agora pedir a sua suspensão de mandato de deputado. Acrescenta que não hesitou em aceitar o convite, apesar de não ter sido a primeira opção do ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira. "Não me preocupa, também já fui convidado para outros casos e recusei." Já houve vários convites e recusas para este cargo; talvez por isso, o assessor do gabinete de imprensa do Ministério da Saúde informa que o magistrado "ainda não aceitou formalmente o convite". Uma das pessoas que fez parte da lista de "insucessos" foi a psicóloga Madalena Fontaura, directora técnica da Associação Vale do Acor, uma comunidade terapêutica para toxicodependentes ligada à Igreja Católica.

Fernando Negrão É o Novo Presidente do Instituto da Droga

Por CATARINA GOMES

Sábado, 3 de Agosto de 2002

Ex-director da PJ diz que teve contacto com os problemas da toxicodependência enquanto juiz

Fernando Negrão, deputado social-democrata e ex-director da Polícia Judiciária, aceitou presidir ao novo instituto na área da droga, que resultará da fusão entre o Serviço de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência (SPTT) e o Instituto Português da Droga e da Toxicodependência (IPDT), confirmou ao PÚBLICO o magistrado.

O nome de Negrão era ontem avançado pela imprensa como titular do novo organismo. Embora nunca tenha ocupado qualquer cargo na área da toxicodependência, afirma que "sempre foi um problema" que o interessou e com o qual esteve em contacto "enquanto juiz": "Conheci os problemas de muitos jovens."

Negrão exerceu pela última vez funções como magistrado judicial no Tribunal de Setúbal, uma das áreas do país em que o problema da toxicodependência mais é sentido. "Vou tratar com vontade política a prevenção, tratamento e integração do toxicodependente", assegura. O deputado afirma que tem várias ideias sobre o assunto, mas que não as divulga neste momento porque não vai decidir sozinho.

Como braços-direitos, enquanto vice-presidentes do futuro instituto público, cuja designação ainda não é conhecida, confirma que deverão estar João Goulão, actual presidente do SPTT, e Fernando Mendes, vice-presidente do IPDT, que, por sua vez, informa não ter sido contactado pelo ministério para assumir a função.

Uma das primeiras tarefas que Negrão tem pela frente será o redimensionamento, com a consequente diminuição de pessoal, das duas estruturas que vão ser fundidas numa única, sob tutela do Ministério da Saúde. No horizonte poderá também estar uma eventual diminuição do número de comissões de dissuasão da toxicodependência, estruturas administrativas criadas pelo anterior Governo para pôr em prática a descriminalização do consumo de droga. Actualmente existem 18, mas algumas têm pouca afluência de indiciados.

Negrão irá agora pedir a sua suspensão de mandato de deputado. Acrescenta que não hesitou em aceitar o convite, apesar de não ter sido a primeira opção do ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira. "Não me preocupa, também já fui convidado para outros casos e recusei." Já houve vários convites e recusas para este cargo; talvez por isso, o assessor do gabinete de imprensa do Ministério da Saúde informa que o magistrado "ainda não aceitou formalmente o convite". Uma das pessoas que fez parte da lista de "insucessos" foi a psicóloga Madalena Fontaura, directora técnica da Associação Vale do Acor, uma comunidade terapêutica para toxicodependentes ligada à Igreja Católica.

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