Medeiros Ferreira Responsabiliza o PS pelo Estado da Justiça
Por SÃO JOSÉ ALMEIDA *COM JOÃO PEDRO HENRIQUES
Sábado, 25 de Outubro de 2003 O deputado José Medeiros Ferreira considera que, se o estado da Justiça em Portugal tem problemas, eles se devem ao próprio PS que foi governo durante seis anos e introduziu alterações como, por exemplo, o actual sistema de escutas. A crítica de Medeiros Ferreira foi expressa na reunião da Comissão Política, quinta-feira à noite, e constou de uma intervenção apontada ao PÚBLICO como importante pelas criticas ou autocríticas do ponto de vista partidário que expressou. Medeiros Ferreira sustentou que o PS tem que dar tempo a Ferro Rodrigues, mas foi claro a defender que o PS não pode desenvolver um discurso de que está em causa o Estado de direito, pois esse discurso, considerou, não mobiliza ninguém. Esta posição defendida por Medeiros Ferreira foi maioritária na reunião da Comissão Política e surgiu em oposição à tese de que o PS está a ser vítima de um ataque que é dirigido ao partido e a figuras da direcção usando para isso o processo Casa Pia, mas cuja origem ninguém identificou. A tese da cabala foi expressa na reunião por figuras como Pedro Adão e Silva e Ana Gomes, mas também por António Costa e José Sócrates. Aparentemente na mesma linha, mas num outro nível, mais teórico e doutrinal, interveio Alberto Martins, para fazer uma defesa do Estado de direito democrático. Já Jorge Lacão, que foi muito aplaudido, fez a defesa de Ferro em relação a este processo. Na linha de Medeiros Ferreira, ainda que noutro tipo de intervenção, Francisco Assis sustentou que o PS não pode afirmar que está em causa a democracia e o Estado de direito, pois, se acha que este não funciona, então, tem que ser consequente e não pode afirmar que confia no andamento da Justiça, mas tem antes que declarar que se vive um estado de excepção. Ainda em relação ao processo Casa Pia, Eduardo Cabrita lembrou as notícias que dão como certa a existência de 82 suspeitos neste processo que são personalidades públicas. Quem também está radicalmente contra o prosseguimento da tese da cabala é Jorge Coelho. Falando já de madrugada, depois das três da manhã, num tom caracterizado ao PÚBLICO como "frio" e "distante", afirmando-se "preocupadíssimo" com a situação. Não escamoteando a ideia de que se trata de um processo político, que está em curso contra o PS e contra Ferro, sustentou que o PS não pode defender que está em causa o Estado democrático. Considerou também que o PS não pode culpar a comunicação social, sob pena de permanecer afastado do poder. Garantiu que a direcção tem que separar o partido deste processo. Lembrou que houve um congresso que aprovou uma linha de renovação que ainda não foi cumprida. E, sublinhando que quando chegou à direcção do partido não era conhecido, afirmou que os actuais dirigentes têm de fazer o seu caminho, sempre separando o processo Casa Pia do partido. Quanto às criticas expressas na reunião, saliente-se ainda que Carlos César foi claro a condenar o regresso de Paulo Pedroso ao Parlamento. Já Manuel Maria Carrilho nunca pediu a demissão de Ferro e não votou contra o documento de apoio ao líder. Limitou-se a repetir as criticas da carta aos socialistas publicada anteontem no "Diário de Notícias", se bem que de forma mais aprofundada. De acordo com os relatos feitos ao PÚBLICO, o momento de maior tensão nesta intervenção foi quando Carrilho lembrou que Ferro, logo após a prisão de Paulo Pedroso, declarou que esclarecer o processo Casa Pia ia ser o combate da vida dele. Carrilho frisou que o combate da vida do PS tem que ser o país. Das intervenções críticas que já eram esperadas refira-se João Soares, que viria a votar contra a moção de apoio a Ferro. João Soares sustentou que, até ao último parágrafo da declaração inicial de Ferro Rodrigues, pensou que este se ia demitir. Já sobre a questão da demissão ou não demissão de Ferro, João Soares considerou que não sabia se este devia ou não fazê-lo e que isto era uma decisão que cabia ao próprio. Mas afirmou que não era capaz de lhe dizer para ficar. OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE Ferro com prazo de validade prolongado
Medeiros Ferreira responsabiliza o PS pelo estado da Justiça
Costa empurra Ferro para a demissão
Moção de apoio aprovada
Seis nomes, seis incógnitas
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Medeiros Ferreira Responsabiliza o PS pelo Estado da Justiça
Por SÃO JOSÉ ALMEIDA *COM JOÃO PEDRO HENRIQUES
Sábado, 25 de Outubro de 2003 O deputado José Medeiros Ferreira considera que, se o estado da Justiça em Portugal tem problemas, eles se devem ao próprio PS que foi governo durante seis anos e introduziu alterações como, por exemplo, o actual sistema de escutas. A crítica de Medeiros Ferreira foi expressa na reunião da Comissão Política, quinta-feira à noite, e constou de uma intervenção apontada ao PÚBLICO como importante pelas criticas ou autocríticas do ponto de vista partidário que expressou. Medeiros Ferreira sustentou que o PS tem que dar tempo a Ferro Rodrigues, mas foi claro a defender que o PS não pode desenvolver um discurso de que está em causa o Estado de direito, pois esse discurso, considerou, não mobiliza ninguém. Esta posição defendida por Medeiros Ferreira foi maioritária na reunião da Comissão Política e surgiu em oposição à tese de que o PS está a ser vítima de um ataque que é dirigido ao partido e a figuras da direcção usando para isso o processo Casa Pia, mas cuja origem ninguém identificou. A tese da cabala foi expressa na reunião por figuras como Pedro Adão e Silva e Ana Gomes, mas também por António Costa e José Sócrates. Aparentemente na mesma linha, mas num outro nível, mais teórico e doutrinal, interveio Alberto Martins, para fazer uma defesa do Estado de direito democrático. Já Jorge Lacão, que foi muito aplaudido, fez a defesa de Ferro em relação a este processo. Na linha de Medeiros Ferreira, ainda que noutro tipo de intervenção, Francisco Assis sustentou que o PS não pode afirmar que está em causa a democracia e o Estado de direito, pois, se acha que este não funciona, então, tem que ser consequente e não pode afirmar que confia no andamento da Justiça, mas tem antes que declarar que se vive um estado de excepção. Ainda em relação ao processo Casa Pia, Eduardo Cabrita lembrou as notícias que dão como certa a existência de 82 suspeitos neste processo que são personalidades públicas. Quem também está radicalmente contra o prosseguimento da tese da cabala é Jorge Coelho. Falando já de madrugada, depois das três da manhã, num tom caracterizado ao PÚBLICO como "frio" e "distante", afirmando-se "preocupadíssimo" com a situação. Não escamoteando a ideia de que se trata de um processo político, que está em curso contra o PS e contra Ferro, sustentou que o PS não pode defender que está em causa o Estado democrático. Considerou também que o PS não pode culpar a comunicação social, sob pena de permanecer afastado do poder. Garantiu que a direcção tem que separar o partido deste processo. Lembrou que houve um congresso que aprovou uma linha de renovação que ainda não foi cumprida. E, sublinhando que quando chegou à direcção do partido não era conhecido, afirmou que os actuais dirigentes têm de fazer o seu caminho, sempre separando o processo Casa Pia do partido. Quanto às criticas expressas na reunião, saliente-se ainda que Carlos César foi claro a condenar o regresso de Paulo Pedroso ao Parlamento. Já Manuel Maria Carrilho nunca pediu a demissão de Ferro e não votou contra o documento de apoio ao líder. Limitou-se a repetir as criticas da carta aos socialistas publicada anteontem no "Diário de Notícias", se bem que de forma mais aprofundada. De acordo com os relatos feitos ao PÚBLICO, o momento de maior tensão nesta intervenção foi quando Carrilho lembrou que Ferro, logo após a prisão de Paulo Pedroso, declarou que esclarecer o processo Casa Pia ia ser o combate da vida dele. Carrilho frisou que o combate da vida do PS tem que ser o país. Das intervenções críticas que já eram esperadas refira-se João Soares, que viria a votar contra a moção de apoio a Ferro. João Soares sustentou que, até ao último parágrafo da declaração inicial de Ferro Rodrigues, pensou que este se ia demitir. Já sobre a questão da demissão ou não demissão de Ferro, João Soares considerou que não sabia se este devia ou não fazê-lo e que isto era uma decisão que cabia ao próprio. Mas afirmou que não era capaz de lhe dizer para ficar. OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE Ferro com prazo de validade prolongado
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Costa empurra Ferro para a demissão
Moção de apoio aprovada
Seis nomes, seis incógnitas