"A experiência não é um antivírus para o erro"

05-07-2002
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O Governo visto de fora

"A Experiência Não É Um Antivírus para o Erro"

Quinta-feira, 20 de Junho de 2002

Paulo Teixeira Pinto, ex-secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros nos governos de Cavaco Silva, é peremptório ao afirmar que o Governo vai na direcção certa. Os erros que aponta são essencialmente de "avaliação política" de certos assuntos e nunca sobre medidas concretas.

"O mais positivo é a atitude não conformista, governar não é uma gestão da administração pública", considera, defendendo que o actual Executivo mostra "ousadia de ir contra a corrente", por contraste com o anterior governo do PS.

O ex-governante, que foi convidado por Durão Barroso para colaborar na redacção da sua moção ao congresso, considera que as medidas tomadas tanto na área das finanças como as da RTP "seriam sempre matérias difíceis e polémicas". "O ideal seria concentrar tudo [medidas impopulares] num único Conselho de Ministros", acrescentou.

"A discussão política tem sido monotemática para o bem e para o mal", diz, acrescentando que o lado positivo é o de que enquanto se debate a RTP - que na sua opinião merece um "tratamento de choque" - a atenção das pessoas não está tão centrada noutras medidas, no âmbito das finanças e administração pública, que criariam mais desgaste ao Governo.

"Há uma regra fundamental: medidas políticas susceptíveis de criar grande impacte têm de ser escalonadas, o efeito benigno de umas apaga o das outras. E as medidas susceptíveis de criar embaraço devem ser acompanhadas de outra mais mediáticas", defende.

O caso da RTP, considera, no entanto, que atingiu proporções incontroláveis, classificando de "incidentes inerentes ao processo legislativo" o chumbo do Tribunal Constitucional.

Paulo Teixeira Pinto, que se afastou de Durão Barroso depois de o ter apoiado no congresso de Tavira, aponta ainda alguns erros políticos a este Governo: a gestão do caso do Benfica, a ida do embaixador português em Paris a um comício de Chirac e as declarações não convergentes sobre a redução de efectivos da função pública. As áreas que considera terem excedido as suas expectativas são a educação e a agricultura.

Apesar de Durão Barroso ter anunciado este Governo como uma equipa de pessoas experientes, salienta que "raros são os ministros que têm experiência nas pastas onde estão" e que "a experiência não é um antivírus ao erro".

Sobre o primeiro-ministro, considera que o facto de ter limitado as suas intervenções públicas "não é um sinal de desaparecimento, nem erro político". "Está a preservar a imagem e a sua própria função. Os ministros têm que ter a humildade de dar a cara pela positiva e pela negativa", explica, considerando que o primeiro-ministro é quem faz ganhar ou perder as eleições. Para além disso, refere, tal atitude "preserva-o no imediato e abre espaço no futuro para que possam ser feitas mudanças".

Helena Pereira

O Governo visto de fora

"A Experiência Não É Um Antivírus para o Erro"

Quinta-feira, 20 de Junho de 2002

Paulo Teixeira Pinto, ex-secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros nos governos de Cavaco Silva, é peremptório ao afirmar que o Governo vai na direcção certa. Os erros que aponta são essencialmente de "avaliação política" de certos assuntos e nunca sobre medidas concretas.

"O mais positivo é a atitude não conformista, governar não é uma gestão da administração pública", considera, defendendo que o actual Executivo mostra "ousadia de ir contra a corrente", por contraste com o anterior governo do PS.

O ex-governante, que foi convidado por Durão Barroso para colaborar na redacção da sua moção ao congresso, considera que as medidas tomadas tanto na área das finanças como as da RTP "seriam sempre matérias difíceis e polémicas". "O ideal seria concentrar tudo [medidas impopulares] num único Conselho de Ministros", acrescentou.

"A discussão política tem sido monotemática para o bem e para o mal", diz, acrescentando que o lado positivo é o de que enquanto se debate a RTP - que na sua opinião merece um "tratamento de choque" - a atenção das pessoas não está tão centrada noutras medidas, no âmbito das finanças e administração pública, que criariam mais desgaste ao Governo.

"Há uma regra fundamental: medidas políticas susceptíveis de criar grande impacte têm de ser escalonadas, o efeito benigno de umas apaga o das outras. E as medidas susceptíveis de criar embaraço devem ser acompanhadas de outra mais mediáticas", defende.

O caso da RTP, considera, no entanto, que atingiu proporções incontroláveis, classificando de "incidentes inerentes ao processo legislativo" o chumbo do Tribunal Constitucional.

Paulo Teixeira Pinto, que se afastou de Durão Barroso depois de o ter apoiado no congresso de Tavira, aponta ainda alguns erros políticos a este Governo: a gestão do caso do Benfica, a ida do embaixador português em Paris a um comício de Chirac e as declarações não convergentes sobre a redução de efectivos da função pública. As áreas que considera terem excedido as suas expectativas são a educação e a agricultura.

Apesar de Durão Barroso ter anunciado este Governo como uma equipa de pessoas experientes, salienta que "raros são os ministros que têm experiência nas pastas onde estão" e que "a experiência não é um antivírus ao erro".

Sobre o primeiro-ministro, considera que o facto de ter limitado as suas intervenções públicas "não é um sinal de desaparecimento, nem erro político". "Está a preservar a imagem e a sua própria função. Os ministros têm que ter a humildade de dar a cara pela positiva e pela negativa", explica, considerando que o primeiro-ministro é quem faz ganhar ou perder as eleições. Para além disso, refere, tal atitude "preserva-o no imediato e abre espaço no futuro para que possam ser feitas mudanças".

Helena Pereira

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