Quadros mais antigos da PT perdem lugares na nova orgânica

03-06-2002
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Redução do Conselho de Administração irá ser conseguida à custa dos "homens da casa"

Quadros Mais Antigos da PT Perdem Lugares na Nova Orgânica

Por CLARA TEIXEIRA

Segunda-feira, 27 de Maio de 2002

Norberto Fernandes, Carlos Antunes e Mata Costa são alguns dos nomes que poderão ser sacrificados pelo novo modelo de gestão. Na administração, apenas deverão ficar os executivos e os representantes dos privados.

Ao entregar a gestão diária da Portugal Telecom (PT) ao vice-presidente Miguel Horta e Costa e o poder de decisão aos accionistas privados, o presidente Francisco Murteira Nabo acabou por "sacrificar" os administradores que desde há longos anos o acompanhavam. Norberto Fernandes, Estalisnau da Mata Costa, Carlos Antunes e Eduardo Martins, a par de Hélder Seabra, Víctor Dias e João de Mello Franco, preparam-se para sair do numeroso Conselho de Administração (CA), formado por 23 membros, que Murteira Nabo já disse querer ver reduzido a 17 ou, no mínimo, 15 pessoas. O que está previsto é que apenas permaneçam no CA o próprio Murteira Nabo, como presidente, os cinco membros que amanhã vão ser eleitos para a comissão executiva - isto se for mantida a tradição de garantir aos executivos um lugar na administração do grupo -, e os actuais nove representantes dos accionistas privados da PT.

Se a versão mais reduzida de 15 membros for adoptada, Francisco Padinha e Eduardo Correia de Matos podem conhecer o mesmo destino, embora as funções que ambos têm desempenhado no Brasil lhes garantam um papel de relevo no seio da empresa. No caso de Fancisco Padinha, a sua substituição no CA poderia funcionar quase como uma troca directa com Carlos Vasconcellos Cruz que, uma vez regressado do Brasil, vai integrar a nova comissão executiva sem ter passado previamente pela administração.

Com o fim da presença do Estado na empresa - não obstante a "golden-share" que conserva -, Murteira Nabo e os seus accionistas entenderam que havia chegado a hora de afastar os profissionais formados na casa - alguns deles desde há mais de 20 anos - e de substituí-los por gestores oriundos do ramo da consultoria, que recentemente entraram na PT com o estatuto de profissionais independentes.

Entre os que saem encontra-se Norberto Fernandes, que há apenas dois anos foi chamado por Murteira Nabo para uma das vice-presidências do grupo PT, com responsabilidades directas sobre a área móvel. Na altura, o presidente estava empenhado em assegurar a sua própria sucessão, e Norberto Fernandes parecia ser o eleito. O gestor e apreciador de música clássica de 52 anos de idade, ex-quadro dos CTT, para onde entrou em 1975, e posteriormente da Marconi, acabou por não resistir aos novos ventos que varrem o andar cimeiro do edifício do Fórum Picoas e, independentemente das missões que Murteira Nabo lhe queira atribuir, terá um lugar de inspector-geral à sua espera, cargo reservado aos quadros da casa que já ocuparam altas funções na empresa.

Carlos Antunes é outra das saídas previsíveis. Supõe-se que não irá resistir à chegada de Carlos Vasconcellos e Cruz à comissão executiva, onde se prepara para ocupar o pelouro do negócio da rede fixa. Presidente da PT Comunicações desde a criação da empresa, em Setembro de 2000, Carlos Antunes cumpriu com êxito a missão de perder o mínimo possível de quota de mercado para os novos operadores nascidos com a liberalização, suportando em simultâneo os ataques do presidente da autoridade reguladora. Aos 56 anos, este antigo quadro da Marconi tem igualmente à espera um lugar de inspector-geral.

Mata Costa foi uma das vozes que se fez ouvir contra a "ocupação" da PT pelos jovens oriundos das consultoras. Membro da comissão executiva, perdeu em 2001 o pelouro das finanças para Zeinal Bava (ex-Merryll Lynch), e desde esse momento a sua relação com o presidente parece ter esfriado bastante. Oriundo dos CTT/TLP, Mata Costa tem 50 anos de idade e fez toda a sua carreira profissional nas empresas que formaram o que é hoje o grupo PT, para onde entrou em 1977. Não está afastada a hipótese de vir a ser chamado para alguns projectos por Murteira Nabo ou pelo próprio Miguel Horta e Costa.

Já Eduardo Martins, que em conversa telefónica com o PÚBLICO admitiu que "provavelmente" vai deixar o CA da PT em breve, prepara-se para abraçar o estatuto de aposentado, solicitado quando em 2001 abdicou da direcção da PT Multimedia em guerra aberta com o então administrador Zeinal Bava. Aos 56 anos, este antigo quadro dos CTT vai manter-se ligado ao grupo como responsável por alguns projectos em Macau e na China. O Euro 2004, onde a PT quer ter visibilidade, faz igualmente parte das suas responsabilidades futuras.

Redução do Conselho de Administração irá ser conseguida à custa dos "homens da casa"

Quadros Mais Antigos da PT Perdem Lugares na Nova Orgânica

Por CLARA TEIXEIRA

Segunda-feira, 27 de Maio de 2002

Norberto Fernandes, Carlos Antunes e Mata Costa são alguns dos nomes que poderão ser sacrificados pelo novo modelo de gestão. Na administração, apenas deverão ficar os executivos e os representantes dos privados.

Ao entregar a gestão diária da Portugal Telecom (PT) ao vice-presidente Miguel Horta e Costa e o poder de decisão aos accionistas privados, o presidente Francisco Murteira Nabo acabou por "sacrificar" os administradores que desde há longos anos o acompanhavam. Norberto Fernandes, Estalisnau da Mata Costa, Carlos Antunes e Eduardo Martins, a par de Hélder Seabra, Víctor Dias e João de Mello Franco, preparam-se para sair do numeroso Conselho de Administração (CA), formado por 23 membros, que Murteira Nabo já disse querer ver reduzido a 17 ou, no mínimo, 15 pessoas. O que está previsto é que apenas permaneçam no CA o próprio Murteira Nabo, como presidente, os cinco membros que amanhã vão ser eleitos para a comissão executiva - isto se for mantida a tradição de garantir aos executivos um lugar na administração do grupo -, e os actuais nove representantes dos accionistas privados da PT.

Se a versão mais reduzida de 15 membros for adoptada, Francisco Padinha e Eduardo Correia de Matos podem conhecer o mesmo destino, embora as funções que ambos têm desempenhado no Brasil lhes garantam um papel de relevo no seio da empresa. No caso de Fancisco Padinha, a sua substituição no CA poderia funcionar quase como uma troca directa com Carlos Vasconcellos Cruz que, uma vez regressado do Brasil, vai integrar a nova comissão executiva sem ter passado previamente pela administração.

Com o fim da presença do Estado na empresa - não obstante a "golden-share" que conserva -, Murteira Nabo e os seus accionistas entenderam que havia chegado a hora de afastar os profissionais formados na casa - alguns deles desde há mais de 20 anos - e de substituí-los por gestores oriundos do ramo da consultoria, que recentemente entraram na PT com o estatuto de profissionais independentes.

Entre os que saem encontra-se Norberto Fernandes, que há apenas dois anos foi chamado por Murteira Nabo para uma das vice-presidências do grupo PT, com responsabilidades directas sobre a área móvel. Na altura, o presidente estava empenhado em assegurar a sua própria sucessão, e Norberto Fernandes parecia ser o eleito. O gestor e apreciador de música clássica de 52 anos de idade, ex-quadro dos CTT, para onde entrou em 1975, e posteriormente da Marconi, acabou por não resistir aos novos ventos que varrem o andar cimeiro do edifício do Fórum Picoas e, independentemente das missões que Murteira Nabo lhe queira atribuir, terá um lugar de inspector-geral à sua espera, cargo reservado aos quadros da casa que já ocuparam altas funções na empresa.

Carlos Antunes é outra das saídas previsíveis. Supõe-se que não irá resistir à chegada de Carlos Vasconcellos e Cruz à comissão executiva, onde se prepara para ocupar o pelouro do negócio da rede fixa. Presidente da PT Comunicações desde a criação da empresa, em Setembro de 2000, Carlos Antunes cumpriu com êxito a missão de perder o mínimo possível de quota de mercado para os novos operadores nascidos com a liberalização, suportando em simultâneo os ataques do presidente da autoridade reguladora. Aos 56 anos, este antigo quadro da Marconi tem igualmente à espera um lugar de inspector-geral.

Mata Costa foi uma das vozes que se fez ouvir contra a "ocupação" da PT pelos jovens oriundos das consultoras. Membro da comissão executiva, perdeu em 2001 o pelouro das finanças para Zeinal Bava (ex-Merryll Lynch), e desde esse momento a sua relação com o presidente parece ter esfriado bastante. Oriundo dos CTT/TLP, Mata Costa tem 50 anos de idade e fez toda a sua carreira profissional nas empresas que formaram o que é hoje o grupo PT, para onde entrou em 1977. Não está afastada a hipótese de vir a ser chamado para alguns projectos por Murteira Nabo ou pelo próprio Miguel Horta e Costa.

Já Eduardo Martins, que em conversa telefónica com o PÚBLICO admitiu que "provavelmente" vai deixar o CA da PT em breve, prepara-se para abraçar o estatuto de aposentado, solicitado quando em 2001 abdicou da direcção da PT Multimedia em guerra aberta com o então administrador Zeinal Bava. Aos 56 anos, este antigo quadro dos CTT vai manter-se ligado ao grupo como responsável por alguns projectos em Macau e na China. O Euro 2004, onde a PT quer ter visibilidade, faz igualmente parte das suas responsabilidades futuras.

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