A Controvérsia
Quinta-feira, 21 de Outubro de 2004
PS afirma que 20 por cento dos alunos estão sem aulas
Um mês após o arranque do ano lectivo, 20 por cento dos estudantes - cerca de 300 mil - continuam sem aulas a pelo menos uma disciplina (ou a todas, no caso dos do 1º ciclo). Os números foram apresentados ontem no Parlamento pelo deputado socialista António Braga, que garantiu ter recolhido estes "dados objectivos junto de serviços do Ministério da Educação". Confrontada com este cenário, a ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, admitiu não ter informações para contrapor, mas recusou que a realidade descrita por António Braga correspondesse à verdade. José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa, apresentou, por seu turno, os dados fornecidos pelas direcções regionais de Educação e explicou por que razão era difícil ao ministério saber ao certo quantos alunos estão sem aulas. "Todos os agrupamentos estão a funcionar, embora existam falhas. Por diversos motivos e tal como acontece em todos os anos lectivos. É difícil apurar os números ao dia porque esta é uma realidade dinâmica." O secretário de Estado considerou ainda não ser possível saber qual a percentagem de falhas imputável ao processo de colocação de docentes e admitiu que, em relação ao ano anterior, haverá "mais três a quatro por cento" de professores em falta. i.l
Denúncias sobre escolas que guardaram horários chegam ao ME
Terminadas as várias fases do concurso de professores, era suposto neste momento haver apenas horários de substituição por preencher, decorrentes de baixas médicas, licenças de parto ou uma ou outra turma a mais que tenha sido necessário constituir. Mas os números surpreenderam todos. Na chamada primeira "colocação cíclica", apareceram 6570 vagas para todo o ano lectivo, correspondentes a 70 por cento do total de horários postos a concurso. Acontece que, não se tratando de substituições temporárias, deveriam ter entrado em fases anteriores do concurso. Por que razão não foi assim ninguém sabe, mas a ministra da Educação avançou algumas explicações. "Há professores que estão a acusar as escolas de guardar horários. Pode também haver outros horários que, por problemas de comunicação, não passaram para o sistema. E é possível que professores que pediram destacamento por condições específicas tenham, entretanto, desistido das colocações", receosos da fiscalização que está em curso. A verdade é que 2773 candidatos bem graduados excluíram-se desta fase do concurso, por acharem que estavam em condições de recusar substituições temporárias, e deparam-se agora com a existência de mais de seis mil horários para todo o ano lectivo. i.l.
Categorias
Entidades
A Controvérsia
Quinta-feira, 21 de Outubro de 2004
PS afirma que 20 por cento dos alunos estão sem aulas
Um mês após o arranque do ano lectivo, 20 por cento dos estudantes - cerca de 300 mil - continuam sem aulas a pelo menos uma disciplina (ou a todas, no caso dos do 1º ciclo). Os números foram apresentados ontem no Parlamento pelo deputado socialista António Braga, que garantiu ter recolhido estes "dados objectivos junto de serviços do Ministério da Educação". Confrontada com este cenário, a ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, admitiu não ter informações para contrapor, mas recusou que a realidade descrita por António Braga correspondesse à verdade. José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa, apresentou, por seu turno, os dados fornecidos pelas direcções regionais de Educação e explicou por que razão era difícil ao ministério saber ao certo quantos alunos estão sem aulas. "Todos os agrupamentos estão a funcionar, embora existam falhas. Por diversos motivos e tal como acontece em todos os anos lectivos. É difícil apurar os números ao dia porque esta é uma realidade dinâmica." O secretário de Estado considerou ainda não ser possível saber qual a percentagem de falhas imputável ao processo de colocação de docentes e admitiu que, em relação ao ano anterior, haverá "mais três a quatro por cento" de professores em falta. i.l
Denúncias sobre escolas que guardaram horários chegam ao ME
Terminadas as várias fases do concurso de professores, era suposto neste momento haver apenas horários de substituição por preencher, decorrentes de baixas médicas, licenças de parto ou uma ou outra turma a mais que tenha sido necessário constituir. Mas os números surpreenderam todos. Na chamada primeira "colocação cíclica", apareceram 6570 vagas para todo o ano lectivo, correspondentes a 70 por cento do total de horários postos a concurso. Acontece que, não se tratando de substituições temporárias, deveriam ter entrado em fases anteriores do concurso. Por que razão não foi assim ninguém sabe, mas a ministra da Educação avançou algumas explicações. "Há professores que estão a acusar as escolas de guardar horários. Pode também haver outros horários que, por problemas de comunicação, não passaram para o sistema. E é possível que professores que pediram destacamento por condições específicas tenham, entretanto, desistido das colocações", receosos da fiscalização que está em curso. A verdade é que 2773 candidatos bem graduados excluíram-se desta fase do concurso, por acharem que estavam em condições de recusar substituições temporárias, e deparam-se agora com a existência de mais de seis mil horários para todo o ano lectivo. i.l.