Balanço 2004
Bolsa de Lisboa Recuperou Cinco Mil Milhões de Euros
Segunda-feira, 03 de Janeiro de 2005
O PSI-20 fechou o ano de 2004 com uma valorização de 12,22 por cento, uma das maiores da Europa. A subida representa uma recuperação de quase cinco mil milhões de euros no valor de mercado das empresas que integram o índice. A segunda metade do ano ficou marcada por algum pessimismo e as perspectivas para 2005 são moderadas
Anabela Campos e Rosa Soares
A Euronext Lisboa está entre as bolsas mundiais que acumularam maiores valorizações em 2004. O PSI-20, que agrupa as principais empresas nacionais cotadas, aproximou-se do fecho do ano com um ganho anual de 12,22 por cento (valor de fecho de quinta-feira, restando apenas meia sessão de bolsa de sexta-feira). A subida representa, em capitalização bolsista, uma valorização de quase cinco mil milhões de euros, superando ligeiramente o valor de 2001.
Em 2004, a capitalização das 20 empresas que integram o índice totalizava 33,949 mil milhões de euros, representando cerca de um quarto do Produto Interno Bruto nacional. Em 2003, este valor era de 29,103 mil milhões de euros, bem mais que os 24,035 mil milhões de euros de 2002. Em 2001, a capitalização bolsista era de 32,314 mil milhões de euros.
A valorização de 12 por cento do PSI-20 fica abaixo dos 18 por cento que chegou a apresentar nos primeiros meses do ano, e dos 15,8 que conseguiu em 2003, mas não deixa de representar uma forte recuperação. Francisco Garcia dos Santos, presidente da Associação Portuguesa de Corretores, disse ao PÚBLICO que "2004 fica marcado pela consolidação do movimento de subida que começou em 2003". Valentim Martins, director da área comercial do Caixa-Banco de Investimentos, admite que a bolsa terminou num bom nível, especialmente depois da quebra de expectativas que se verificou no terceiro e quatro trimestres. Pedro Mendes, do Millennium bcp investimentos, destaca que a evolução da bolsa portuguesa compara favoravelmente com outros índices internacionais. Refere também que a segunda metade do ano foi marcada por perspectivas menos optimistas sobre a economia portuguesa.
A apenas uma sessão do fecho de ano, as maiores subidas da Europa foram registadas pela bolsa de Milão (+18,13 por cento), e de Madrid (+16,36 por cento). A praça de Lisboa ocupa o terceiro lugar, bem à frente da alemã (+7,34 por cento) e de Londres (+7,58 por cento). O Euro Stock 50, que agrupa as 50 maiores companhias europeias, fechou o ano com um saldo positivo de 6,89 por cento. Nas bolsas norte-americanas, os ganhos foram modestos, com o Dow Jones a subir 3,6 por cento, o Nasdaq Compositive a valorizar 8,73 por cento e a S&P 500 a conquistar 9,25 por cento. No Japão, a variação do Nikkei ficou-se pelos 7,61 por cento.
Da euforia à apatia
Dado o comportamento geral dos mercados, a valorização da praça portuguesa não deixa de ser surpreendente, especialmente se enquadrado numa conjuntura de fraco crescimento da economia portuguesa e de um longo período de instabilidade política. A isto ainda se juntam algumas situações concretas nas maiores empresas cotadas, caso do "chumbo" de Bruxelas à integração do gás na EDP, do atraso na venda da Seguros & Pensões por parte do BCP e da atribulada privatização da Portucel.
Entre as empresas com maior ponderação no índice, a maior subida aconteceu na PT (+12,53 por cento). A EDP e o BCP ganharam respectivamente 6,7 e 6,21 por cento. A liderar os ganhos esteve a Impresa (+68,57 por cento), seguida da Sonae SGPS (+62,61 por cento) e da SonaeCom (+59,49 por cento). Ganhos ainda significativos na Pararede (+46,15 por cento) e na Cofina (45,6 por cento). A Media Capital, que entrou em Bolsa em Março deste ano, passando a integrar o PSI-20 desde Junho, ganhou 26,4 por cento.
O ano de 2004 começou com muito optimismo na bolsa portuguesa e nos mercados accionistas internacionais. Os investidores estavam confiantes numa recuperação das maiores economias mundiais e entram em força nos mercados. Mas muita coisa correu mal, particularmente a partir do primeiro trimestre, pelos que os ganhos acumulados nos primeiros meses foram parcialmente anulados nos seguintes. Nesses acontecimentos estão os atentados terroristas em Madrid, a instabilidade político-militar no Iraque, o aumento galopante do preço do petróleo, a valorização do euro face ao dólar, a subida das taxas de juro nos Estados Unidos, com a continuação do crescimento dos défices gémeos norte-americanos (externo e orçamental) e ainda as eleições norte-americanas, que terminaram com a reeleição de George W. Bush.
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Balanço 2004
Bolsa de Lisboa Recuperou Cinco Mil Milhões de Euros
Segunda-feira, 03 de Janeiro de 2005
O PSI-20 fechou o ano de 2004 com uma valorização de 12,22 por cento, uma das maiores da Europa. A subida representa uma recuperação de quase cinco mil milhões de euros no valor de mercado das empresas que integram o índice. A segunda metade do ano ficou marcada por algum pessimismo e as perspectivas para 2005 são moderadas
Anabela Campos e Rosa Soares
A Euronext Lisboa está entre as bolsas mundiais que acumularam maiores valorizações em 2004. O PSI-20, que agrupa as principais empresas nacionais cotadas, aproximou-se do fecho do ano com um ganho anual de 12,22 por cento (valor de fecho de quinta-feira, restando apenas meia sessão de bolsa de sexta-feira). A subida representa, em capitalização bolsista, uma valorização de quase cinco mil milhões de euros, superando ligeiramente o valor de 2001.
Em 2004, a capitalização das 20 empresas que integram o índice totalizava 33,949 mil milhões de euros, representando cerca de um quarto do Produto Interno Bruto nacional. Em 2003, este valor era de 29,103 mil milhões de euros, bem mais que os 24,035 mil milhões de euros de 2002. Em 2001, a capitalização bolsista era de 32,314 mil milhões de euros.
A valorização de 12 por cento do PSI-20 fica abaixo dos 18 por cento que chegou a apresentar nos primeiros meses do ano, e dos 15,8 que conseguiu em 2003, mas não deixa de representar uma forte recuperação. Francisco Garcia dos Santos, presidente da Associação Portuguesa de Corretores, disse ao PÚBLICO que "2004 fica marcado pela consolidação do movimento de subida que começou em 2003". Valentim Martins, director da área comercial do Caixa-Banco de Investimentos, admite que a bolsa terminou num bom nível, especialmente depois da quebra de expectativas que se verificou no terceiro e quatro trimestres. Pedro Mendes, do Millennium bcp investimentos, destaca que a evolução da bolsa portuguesa compara favoravelmente com outros índices internacionais. Refere também que a segunda metade do ano foi marcada por perspectivas menos optimistas sobre a economia portuguesa.
A apenas uma sessão do fecho de ano, as maiores subidas da Europa foram registadas pela bolsa de Milão (+18,13 por cento), e de Madrid (+16,36 por cento). A praça de Lisboa ocupa o terceiro lugar, bem à frente da alemã (+7,34 por cento) e de Londres (+7,58 por cento). O Euro Stock 50, que agrupa as 50 maiores companhias europeias, fechou o ano com um saldo positivo de 6,89 por cento. Nas bolsas norte-americanas, os ganhos foram modestos, com o Dow Jones a subir 3,6 por cento, o Nasdaq Compositive a valorizar 8,73 por cento e a S&P 500 a conquistar 9,25 por cento. No Japão, a variação do Nikkei ficou-se pelos 7,61 por cento.
Da euforia à apatia
Dado o comportamento geral dos mercados, a valorização da praça portuguesa não deixa de ser surpreendente, especialmente se enquadrado numa conjuntura de fraco crescimento da economia portuguesa e de um longo período de instabilidade política. A isto ainda se juntam algumas situações concretas nas maiores empresas cotadas, caso do "chumbo" de Bruxelas à integração do gás na EDP, do atraso na venda da Seguros & Pensões por parte do BCP e da atribulada privatização da Portucel.
Entre as empresas com maior ponderação no índice, a maior subida aconteceu na PT (+12,53 por cento). A EDP e o BCP ganharam respectivamente 6,7 e 6,21 por cento. A liderar os ganhos esteve a Impresa (+68,57 por cento), seguida da Sonae SGPS (+62,61 por cento) e da SonaeCom (+59,49 por cento). Ganhos ainda significativos na Pararede (+46,15 por cento) e na Cofina (45,6 por cento). A Media Capital, que entrou em Bolsa em Março deste ano, passando a integrar o PSI-20 desde Junho, ganhou 26,4 por cento.
O ano de 2004 começou com muito optimismo na bolsa portuguesa e nos mercados accionistas internacionais. Os investidores estavam confiantes numa recuperação das maiores economias mundiais e entram em força nos mercados. Mas muita coisa correu mal, particularmente a partir do primeiro trimestre, pelos que os ganhos acumulados nos primeiros meses foram parcialmente anulados nos seguintes. Nesses acontecimentos estão os atentados terroristas em Madrid, a instabilidade político-militar no Iraque, o aumento galopante do preço do petróleo, a valorização do euro face ao dólar, a subida das taxas de juro nos Estados Unidos, com a continuação do crescimento dos défices gémeos norte-americanos (externo e orçamental) e ainda as eleições norte-americanas, que terminaram com a reeleição de George W. Bush.