"Não há maior dor no mundo quea perda da sua terra natal."Eurípedes, 431 a. C.“Pessoas reais, necessidades reais” é o lema da campanha para assinalar o Dia Mundial do Refugiado, que se assinala hoje, 20 de Junho, instituído pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, para reafirmar os valores dos acordos internacionais de protecção dos refugiados.A efeméride foi igualmente adoptada com o objectivo de aumentar a consciência da sociedade sobre a problemática dos homens e mulheres deslocados por guerras e conflitos armados ou perseguidos por motivos de religião, nacionalidade, raça, grupo social e/ou opinião política.A deslocação humana representa um dos maiores problemas da actualidade. Aproximadamente, 40 milhões de pessoas encontram-se deslocadas devido a conflitos, violência, perseguições, degradação ambiental ou desastres naturais e este número continua a crescer.Assim, torna-se cada vez mais essencial e urgente o compromisso da comunidade internacional em discutir e desenvolver soluções efectivas para esta questão.De acordo com o relatório anual do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o número de pessoas forçadas a se deslocar devido a conflitos e perseguições chegou a 42 milhões em todo o mundo no final de 2008.“Em 2009, já observamos novos deslocados no Paquistão, Sri Lanka e Somália”, informou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres.Refugiado, segundo a ONU, é uma pessoa que se encontra fora do seu país de origem porque tem fortes probabilidades de ser objecto de abusos graves, em virtude da sua religião, etnia, raça, crença ou ideologia.Esperança é a palavra mais importante para um refugiado político. Quem o defende é a presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR), Teresa Tito de Morais, em entrevista à Agência Lusa. Para marcar a data, o CPR decidiu transmitir uma mensagem de esperança aos cerca de 300 refugiados que vivem em Portugal.Para Teresa Morais, os refugiados "vêm em busca de melhores condições de vida e nós temos de contribuir para lhes dizer que essa esperança não é ficção, é uma realidade que deve e vai ser conseguida". O centro de acolhimento do CPR, que funciona em Bobadela, Loures, acolhe neste momento 38 refugiados. A instituição pretende oferecer "acompanhamento próximo" que permita aos refugiados integrarem-se no nosso País. Na instituição os refugiados têm acesso a aulas de português, formação e encaminhamento para emprego e para a legalização da situação de permanência em Portugal.De acordo com o CPR, em 2008 houve 160 pedidos de asilo e de estatuto de refugiados, sendo que 60 por cento foram concedidos. Este ano, já foram pedidos 78. Também o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu compromissos firmes e solidários à comunidade internacional, em altura de crise internacional, para responder às carências dos mais de 42 milhões de refugiados em todo o mundo. Na sua mensagem sobre este dia, Ban Ki-moon salienta que os refugiados e as suas famílias são "especialmente vulneráveis às graves consequências da crise económica mundial em curso".Quinta-feira à noite, em Washington, Angelina Jolie, embaixadora da ONU para os Refugiados, apareceu ao lado do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, para pedir ao mundo que não considere como um fardo as milhares de vítimas de conflitos em todo o mundo, mas antes reconheça o seu potencial. Os refugiados "são os sobreviventes. E podem trazer essas qualidades para o serviço das suas comunidades e dos países que os abrigarem", disse Jolie."É difícil equilibrar a soberania dos Estados com a soberania do ser humano", disse Guterres salientando que também o "pessoal humanitário está a tornar-se cada vez mais um alvo", o que apresenta o dilema de como equilibrar "as necessidades urgentes de civis inocentes e garantir a segurança das pessoas a tentar ajudá-los".O Dia Mundial dos Refugiados será assinalado com um concerto em Washington e outro de refugiados curdos no Norte do Iraque, um jogo de futebol na Austrália entre refugiados e um festival de cinema no Japão. O site http://www.refugeedaylive.org transmitirá hoje, entre as 14:00 e as 02:00 TMG (15:00 e 03:00 de domingo em Lisboa), imagens ao vivo do Iraque, do Paquistão, de um campo de refugiados em África e de um acampamento para deslocados na Colômbia.
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"Não há maior dor no mundo quea perda da sua terra natal."Eurípedes, 431 a. C.“Pessoas reais, necessidades reais” é o lema da campanha para assinalar o Dia Mundial do Refugiado, que se assinala hoje, 20 de Junho, instituído pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, para reafirmar os valores dos acordos internacionais de protecção dos refugiados.A efeméride foi igualmente adoptada com o objectivo de aumentar a consciência da sociedade sobre a problemática dos homens e mulheres deslocados por guerras e conflitos armados ou perseguidos por motivos de religião, nacionalidade, raça, grupo social e/ou opinião política.A deslocação humana representa um dos maiores problemas da actualidade. Aproximadamente, 40 milhões de pessoas encontram-se deslocadas devido a conflitos, violência, perseguições, degradação ambiental ou desastres naturais e este número continua a crescer.Assim, torna-se cada vez mais essencial e urgente o compromisso da comunidade internacional em discutir e desenvolver soluções efectivas para esta questão.De acordo com o relatório anual do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o número de pessoas forçadas a se deslocar devido a conflitos e perseguições chegou a 42 milhões em todo o mundo no final de 2008.“Em 2009, já observamos novos deslocados no Paquistão, Sri Lanka e Somália”, informou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres.Refugiado, segundo a ONU, é uma pessoa que se encontra fora do seu país de origem porque tem fortes probabilidades de ser objecto de abusos graves, em virtude da sua religião, etnia, raça, crença ou ideologia.Esperança é a palavra mais importante para um refugiado político. Quem o defende é a presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR), Teresa Tito de Morais, em entrevista à Agência Lusa. Para marcar a data, o CPR decidiu transmitir uma mensagem de esperança aos cerca de 300 refugiados que vivem em Portugal.Para Teresa Morais, os refugiados "vêm em busca de melhores condições de vida e nós temos de contribuir para lhes dizer que essa esperança não é ficção, é uma realidade que deve e vai ser conseguida". O centro de acolhimento do CPR, que funciona em Bobadela, Loures, acolhe neste momento 38 refugiados. A instituição pretende oferecer "acompanhamento próximo" que permita aos refugiados integrarem-se no nosso País. Na instituição os refugiados têm acesso a aulas de português, formação e encaminhamento para emprego e para a legalização da situação de permanência em Portugal.De acordo com o CPR, em 2008 houve 160 pedidos de asilo e de estatuto de refugiados, sendo que 60 por cento foram concedidos. Este ano, já foram pedidos 78. Também o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu compromissos firmes e solidários à comunidade internacional, em altura de crise internacional, para responder às carências dos mais de 42 milhões de refugiados em todo o mundo. Na sua mensagem sobre este dia, Ban Ki-moon salienta que os refugiados e as suas famílias são "especialmente vulneráveis às graves consequências da crise económica mundial em curso".Quinta-feira à noite, em Washington, Angelina Jolie, embaixadora da ONU para os Refugiados, apareceu ao lado do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, para pedir ao mundo que não considere como um fardo as milhares de vítimas de conflitos em todo o mundo, mas antes reconheça o seu potencial. Os refugiados "são os sobreviventes. E podem trazer essas qualidades para o serviço das suas comunidades e dos países que os abrigarem", disse Jolie."É difícil equilibrar a soberania dos Estados com a soberania do ser humano", disse Guterres salientando que também o "pessoal humanitário está a tornar-se cada vez mais um alvo", o que apresenta o dilema de como equilibrar "as necessidades urgentes de civis inocentes e garantir a segurança das pessoas a tentar ajudá-los".O Dia Mundial dos Refugiados será assinalado com um concerto em Washington e outro de refugiados curdos no Norte do Iraque, um jogo de futebol na Austrália entre refugiados e um festival de cinema no Japão. O site http://www.refugeedaylive.org transmitirá hoje, entre as 14:00 e as 02:00 TMG (15:00 e 03:00 de domingo em Lisboa), imagens ao vivo do Iraque, do Paquistão, de um campo de refugiados em África e de um acampamento para deslocados na Colômbia.