Para quem hoje se passear pelas ruas do Porto, na noite de São João, será difícil imaginar que usar o já tradicional martelo de plástico nesta festa já deu direito a multa. Mas, no início dos anos 70, a Câmara Municipal e o Governo Civil do Porto "acharam que o martelo ia contra as tradições de São João", conta Manuel Marinho, e o seu uso passou a ser sancionado com uma multa. "Apanhava-se uma multa de setenta escudos, na altura. Para ter uma ideia, ganhava-se cerca de 30 escudos por mês ", enfatiza o proprietário actual da Fábrica Estrela do Paraíso. Quando o inventor do brinquedo, Manuel Boaventura, foi obrigado a interromper a produção de martelos, decidiu recorrer aos tribunais, relata o seu sucessor. Mesmo assim, durante esse período, que durou "cinco ou seis anos", os portuenses não deixaram de usar o brinquedo, conta Marinho, baseado em relatos do seu avô. Em 1973, depois de perder na primeira e na segunda instâncias, Manuel Boaventura conseguiu que o Supremo Tribunal de Justiça o autorizasse a retomar a produção. Desde então, o martelo musical foi também adoptado noutras festas populares, como o São João de Braga ou o de Vila do Conde, o São Pedro da Afurada (Gaia), o Carnaval de Torres Vedras ou em festas de passagem de ano.
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Para quem hoje se passear pelas ruas do Porto, na noite de São João, será difícil imaginar que usar o já tradicional martelo de plástico nesta festa já deu direito a multa. Mas, no início dos anos 70, a Câmara Municipal e o Governo Civil do Porto "acharam que o martelo ia contra as tradições de São João", conta Manuel Marinho, e o seu uso passou a ser sancionado com uma multa. "Apanhava-se uma multa de setenta escudos, na altura. Para ter uma ideia, ganhava-se cerca de 30 escudos por mês ", enfatiza o proprietário actual da Fábrica Estrela do Paraíso. Quando o inventor do brinquedo, Manuel Boaventura, foi obrigado a interromper a produção de martelos, decidiu recorrer aos tribunais, relata o seu sucessor. Mesmo assim, durante esse período, que durou "cinco ou seis anos", os portuenses não deixaram de usar o brinquedo, conta Marinho, baseado em relatos do seu avô. Em 1973, depois de perder na primeira e na segunda instâncias, Manuel Boaventura conseguiu que o Supremo Tribunal de Justiça o autorizasse a retomar a produção. Desde então, o martelo musical foi também adoptado noutras festas populares, como o São João de Braga ou o de Vila do Conde, o São Pedro da Afurada (Gaia), o Carnaval de Torres Vedras ou em festas de passagem de ano.
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