PSD quer manter o entendimento com o CDS para evitar agravamento da crise política.
O PSD vai pedir hoje a Passos Coelho que "tente acalmar" a crise política aberta com a declaração de Portas contra o aumento da TSU e defender que o partido não deve dar "excessiva importância" ao líder do CDS. Fontes social-democratas disseram ao Diário Económico que, embora o PSD esteja desagradado com a atitude de Portas e reconheça que há uma quebra de confiança, o maior partido da coligação deve evitar uma crise. Mas defendem que o primeiro-ministro deve marcar uma posição forte e clara perante Portas.
A reunião da Comissão Permanente de segunda-feira e a reunião desta noite da Comissão Política do PSD - dirigida por Passos - tem esse mesmo propósito: responder a Portas com a mesma moeda. Isto é, tomar posição depois de reunidos os órgãos do partido. Dado o "sinal claro" e público ao ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros , o PSD entende que, no actual contexto económico, é urgente evitar o mais possível uma crise. "Episódios destes não podem acontecer novamente no futuro", disse ao Diário Económico um dirigente ‘laranja', para quem é necessário encontrar entre a posição dos dois partidos uma solução intermédia, para que nem Passos, nem Portas percam a face.
Duarte Marques, líder da JSD, que estará presente hoje na reunião da Comissão Política, disse ao Diário Económico que vai apelar "ao entendimento" entre PSD e CDS. A mensagem da "responsabilidade" em nome do "interesse nacional" tinha sido já deixada na segunda-feira pela vice-presidente do PSD Teresa Leal Coelho, após a reunião da Comissão Permanente, marcada depois de Portas ter assumido publicamente o desacordo face às medidas de austeridade. Passos parte para a reunião com a Comissão Política já depois de ouvir os parceiros sociais em São Bento, que vão pedir abertura ao primeiro-ministro para negociar alternativas à TSU. A solução intermédia que salve a face ao Governo e evite a crise pode estar, precisamente, na abertura que Passos assumiu na entrevista à RTP para "modelar" a medida. Mas ainda não se sabe qual a extensão desta modelação.
A subida da TSU para trabalhadores e consequente descida para empresas tem sido criticada por vários sectores, desde empresários a notáveis do PSD. E Passos ficou isolado quando Portas criticou a medida e pediu um recuo.
No núcleo duro de Passos Coelho é evidente que a relação futura com o parceiro de coligação vai ficar agora mais difícil com o episódio da TSU. Não estão afastados os problemas de governabilidade que possam surgir no futuro, após a desautorização de Portas. Mas, para já, o PSD tenta afastar este cenário de crise política. "Quebrou-se a confiança, mas o Governo tem que ser responsável porque o País enfrenta uma crise e um resgate financeiro", dizia ontem ao Diário Económico uma fonte do Executivo. Também ontem, em Ponta Delgada, o ministro da Defesa, Aguiar-Branco, deixava transparecer a mesma visão, mostrando-se "confiante" de que "não haverá crise política". Já os vice-presidentes do PSD remeteram-se ao silêncio. A ordem era para que não fossem feitas quaisquer declarações públicas antes da reunião da Comissão Política desta noite .
Com esta crise entre Portas e Passos, o cenário de eleições antecipadas voltou a ser falado. António Capucho falou num Governo de Salvação Nacional, mas Seguro já disse que rejeita. Ontem, Mário Soares defendeu também que o Governo está "moribundo" e sugeriu a Cavaco que nomeie novo Executivo. "Se o Governo tivesse sensibilidade talvez [o Governo se demitisse]", disse Soares. Mas Cavaco quer evitar a todo o custo uma crise política.
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PSD quer manter o entendimento com o CDS para evitar agravamento da crise política.
O PSD vai pedir hoje a Passos Coelho que "tente acalmar" a crise política aberta com a declaração de Portas contra o aumento da TSU e defender que o partido não deve dar "excessiva importância" ao líder do CDS. Fontes social-democratas disseram ao Diário Económico que, embora o PSD esteja desagradado com a atitude de Portas e reconheça que há uma quebra de confiança, o maior partido da coligação deve evitar uma crise. Mas defendem que o primeiro-ministro deve marcar uma posição forte e clara perante Portas.
A reunião da Comissão Permanente de segunda-feira e a reunião desta noite da Comissão Política do PSD - dirigida por Passos - tem esse mesmo propósito: responder a Portas com a mesma moeda. Isto é, tomar posição depois de reunidos os órgãos do partido. Dado o "sinal claro" e público ao ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros , o PSD entende que, no actual contexto económico, é urgente evitar o mais possível uma crise. "Episódios destes não podem acontecer novamente no futuro", disse ao Diário Económico um dirigente ‘laranja', para quem é necessário encontrar entre a posição dos dois partidos uma solução intermédia, para que nem Passos, nem Portas percam a face.
Duarte Marques, líder da JSD, que estará presente hoje na reunião da Comissão Política, disse ao Diário Económico que vai apelar "ao entendimento" entre PSD e CDS. A mensagem da "responsabilidade" em nome do "interesse nacional" tinha sido já deixada na segunda-feira pela vice-presidente do PSD Teresa Leal Coelho, após a reunião da Comissão Permanente, marcada depois de Portas ter assumido publicamente o desacordo face às medidas de austeridade. Passos parte para a reunião com a Comissão Política já depois de ouvir os parceiros sociais em São Bento, que vão pedir abertura ao primeiro-ministro para negociar alternativas à TSU. A solução intermédia que salve a face ao Governo e evite a crise pode estar, precisamente, na abertura que Passos assumiu na entrevista à RTP para "modelar" a medida. Mas ainda não se sabe qual a extensão desta modelação.
A subida da TSU para trabalhadores e consequente descida para empresas tem sido criticada por vários sectores, desde empresários a notáveis do PSD. E Passos ficou isolado quando Portas criticou a medida e pediu um recuo.
No núcleo duro de Passos Coelho é evidente que a relação futura com o parceiro de coligação vai ficar agora mais difícil com o episódio da TSU. Não estão afastados os problemas de governabilidade que possam surgir no futuro, após a desautorização de Portas. Mas, para já, o PSD tenta afastar este cenário de crise política. "Quebrou-se a confiança, mas o Governo tem que ser responsável porque o País enfrenta uma crise e um resgate financeiro", dizia ontem ao Diário Económico uma fonte do Executivo. Também ontem, em Ponta Delgada, o ministro da Defesa, Aguiar-Branco, deixava transparecer a mesma visão, mostrando-se "confiante" de que "não haverá crise política". Já os vice-presidentes do PSD remeteram-se ao silêncio. A ordem era para que não fossem feitas quaisquer declarações públicas antes da reunião da Comissão Política desta noite .
Com esta crise entre Portas e Passos, o cenário de eleições antecipadas voltou a ser falado. António Capucho falou num Governo de Salvação Nacional, mas Seguro já disse que rejeita. Ontem, Mário Soares defendeu também que o Governo está "moribundo" e sugeriu a Cavaco que nomeie novo Executivo. "Se o Governo tivesse sensibilidade talvez [o Governo se demitisse]", disse Soares. Mas Cavaco quer evitar a todo o custo uma crise política.