Estado da Nação serve de ensaio à campanha eleitoral

09-07-2015
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Quem vai ganhar a confiança dos portugueses? O PS, que usa a palavra nos cartazes e como emblema da liderança de António Costa, ou a coligação PSD/CDS que começou a introduzi-la na sua narrativa eleitoral e ontem a usou até à exaustão no debate do Estado da Nação? A campanha eleitoral arrancou ontem no hemiciclo e é na disputa da confiança dos portugueses que ela se vai jogar até às legislativas. A coligação pede confiança para se manter no poder. O PS pede confiança para voltar ao poder.

Tentando capitalizar o descontentamento social com a política de austeridade, o PS começou a usar a expressão "confiança no futuro" para conquistar eleitorado. A coligação reagiu, fazendo dessa confiança no futuro uma bandeira sua. Ontem, de Luís Montenegro a Telmo Correia, passando pelo próprio Passos Coelho e por Paulo Portas, todos tentaram convencer os portugueses que só com a coligação os portugueses podem encarar o futuro com "muita confiança". De tal forma que o líder parlamentar do PSD repetiu 12 vezes a palavra e Paulo Portas terminou o último debate do Estado da Nação deste Governo com a mesma ideia: "Olhemos com confiança os dias à nossa frente".

Percebendo que a maioria está a entrar na sua narrativa eleitoral, o PS, acompanhado pela restante oposição, passou as cinco horas de debate a dizer que o primeiro-ministro "mente", "vende um futuro de ilusão" e não cumpriu nenhuma das promessas eleitorais que fez e trouxe ao Parlamento uma "visão do país que é uma enorme fraude". Ana Catarina Mendes, do PS, até lembrou que Passos prometeu crescimento na próxima legislatura, mas levou a Bruxelas um corte de 600 milhões nas pensões.

O país melhor vs. uma nação pior

No dia em que se retratou o Estado da Nação, as duas bancadas tentaram descredibilizar a estratégia da uma da outra, num clima pré-eleitoral cada vez mais crispado. Se é verdade que coligação e PS batem-se por duas visões completamente opostas do país (para uns está melhor do que há quatro anos, para os outros está uma "nódoa"), também é verdade que ambos defendem que o país precisa de duas coisas: confiança e mudança.

Mas se a mudança para o PS significa dar "uma nova maioria" a António Costa, para Paulo Portas a verdadeira mudança só existe com esta coligação PSD/CDS no Governo, porque na "continuidade" de políticas, o país conseguirá "mudar de horizonte". Até porque, o vice-primeiro-ministro avisou que a mudança que o PS fala é um "regresso ao passado", ou seja, ao perigo de um novo resgate.

Também as passagens bíblicas acabaram por ser bastante disputadas. O PS, através de Ferro Rodrigues, introduziu-as com os "sete pecados capitais" que António Costa atribui ao Governo. Passos já levava a resposta pronta: "Respondo com outra imagem bíblica, as "dez pragas que o PS deixou a Portugal". E foram elas, segundo o primeiro-ministro, as obras faraónicas; os programas de estabilidade e crescimento; uma desigualdade maior que em toda a União Europeia; défices orçamentais volumosos e ruinosos; défices externos preocupantes; o completo desgoverno do sector empresarial do Estado; a nacionalização do BPN; o défice tarifário na electricidade; o endividamento galopante; e um desemprego estrutural.

Também Telmo Correia, do CDS, rematou com sete erros colossais do PS e citou o Evangelho segundo São Mateus: "Desconfiai dos falsos profetas", porque, diz o vice-presidente do CDS, "se seguirmos os falsos profetas, supostos salvadores e as suas ilusões, o que acontecerá é que voltaremos para trás, perderemos os esforços dos portugueses e no fim ficaremos piores do que estávamos no início".

Grécia: entre a solidariedade e o fantasma do medo

A forma de olhar para a crise na Grécia também ilustrou duas visões distintas do mesmo país. Toda a esquerda pediu solidariedade com a Grécia e, para o Governo, "não é viável que um país peça dinheiro aos outros para ir contra todos", resumiu Portas. Também Passos acenou várias vezes durante o debate com o fantasma da falta de dinheiro nos bancos gregos, para convencer os portugueses de que as propostas que o PS vendem "ilusões".

E como o discurso era pré-eleitoral, ficaram já as promessas e o piscar de olho a todo o eleitorado. Passos lembrou professores, empresários, funcionários públicos, agentes de segurança e outros e elogiou a sua capacidade de "superação". Portas prometeu que a próxima legislatura "será social". Pelo PS, Ana Catarina Mendes prometeu crescimento.

Quem vai ganhar a confiança dos portugueses? O PS, que usa a palavra nos cartazes e como emblema da liderança de António Costa, ou a coligação PSD/CDS que começou a introduzi-la na sua narrativa eleitoral e ontem a usou até à exaustão no debate do Estado da Nação? A campanha eleitoral arrancou ontem no hemiciclo e é na disputa da confiança dos portugueses que ela se vai jogar até às legislativas. A coligação pede confiança para se manter no poder. O PS pede confiança para voltar ao poder.

Tentando capitalizar o descontentamento social com a política de austeridade, o PS começou a usar a expressão "confiança no futuro" para conquistar eleitorado. A coligação reagiu, fazendo dessa confiança no futuro uma bandeira sua. Ontem, de Luís Montenegro a Telmo Correia, passando pelo próprio Passos Coelho e por Paulo Portas, todos tentaram convencer os portugueses que só com a coligação os portugueses podem encarar o futuro com "muita confiança". De tal forma que o líder parlamentar do PSD repetiu 12 vezes a palavra e Paulo Portas terminou o último debate do Estado da Nação deste Governo com a mesma ideia: "Olhemos com confiança os dias à nossa frente".

Percebendo que a maioria está a entrar na sua narrativa eleitoral, o PS, acompanhado pela restante oposição, passou as cinco horas de debate a dizer que o primeiro-ministro "mente", "vende um futuro de ilusão" e não cumpriu nenhuma das promessas eleitorais que fez e trouxe ao Parlamento uma "visão do país que é uma enorme fraude". Ana Catarina Mendes, do PS, até lembrou que Passos prometeu crescimento na próxima legislatura, mas levou a Bruxelas um corte de 600 milhões nas pensões.

O país melhor vs. uma nação pior

No dia em que se retratou o Estado da Nação, as duas bancadas tentaram descredibilizar a estratégia da uma da outra, num clima pré-eleitoral cada vez mais crispado. Se é verdade que coligação e PS batem-se por duas visões completamente opostas do país (para uns está melhor do que há quatro anos, para os outros está uma "nódoa"), também é verdade que ambos defendem que o país precisa de duas coisas: confiança e mudança.

Mas se a mudança para o PS significa dar "uma nova maioria" a António Costa, para Paulo Portas a verdadeira mudança só existe com esta coligação PSD/CDS no Governo, porque na "continuidade" de políticas, o país conseguirá "mudar de horizonte". Até porque, o vice-primeiro-ministro avisou que a mudança que o PS fala é um "regresso ao passado", ou seja, ao perigo de um novo resgate.

Também as passagens bíblicas acabaram por ser bastante disputadas. O PS, através de Ferro Rodrigues, introduziu-as com os "sete pecados capitais" que António Costa atribui ao Governo. Passos já levava a resposta pronta: "Respondo com outra imagem bíblica, as "dez pragas que o PS deixou a Portugal". E foram elas, segundo o primeiro-ministro, as obras faraónicas; os programas de estabilidade e crescimento; uma desigualdade maior que em toda a União Europeia; défices orçamentais volumosos e ruinosos; défices externos preocupantes; o completo desgoverno do sector empresarial do Estado; a nacionalização do BPN; o défice tarifário na electricidade; o endividamento galopante; e um desemprego estrutural.

Também Telmo Correia, do CDS, rematou com sete erros colossais do PS e citou o Evangelho segundo São Mateus: "Desconfiai dos falsos profetas", porque, diz o vice-presidente do CDS, "se seguirmos os falsos profetas, supostos salvadores e as suas ilusões, o que acontecerá é que voltaremos para trás, perderemos os esforços dos portugueses e no fim ficaremos piores do que estávamos no início".

Grécia: entre a solidariedade e o fantasma do medo

A forma de olhar para a crise na Grécia também ilustrou duas visões distintas do mesmo país. Toda a esquerda pediu solidariedade com a Grécia e, para o Governo, "não é viável que um país peça dinheiro aos outros para ir contra todos", resumiu Portas. Também Passos acenou várias vezes durante o debate com o fantasma da falta de dinheiro nos bancos gregos, para convencer os portugueses de que as propostas que o PS vendem "ilusões".

E como o discurso era pré-eleitoral, ficaram já as promessas e o piscar de olho a todo o eleitorado. Passos lembrou professores, empresários, funcionários públicos, agentes de segurança e outros e elogiou a sua capacidade de "superação". Portas prometeu que a próxima legislatura "será social". Pelo PS, Ana Catarina Mendes prometeu crescimento.

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