São passados trinta e quatro anos sobre o 25 de Abril de 1974, data a partir da qual os cidadãos deste país projectaram para Portugal um futuro melhor, em Liberdade, com mais Igualdade e maior Justiça. Passados estes anos todos muitos questionam-se ainda sobre se vale a pena recordar esta data e os ideais que a ela estão associados, em pleno século XXI.A resposta é simples e baseia-se em infindáveis SES que cada um deverá ponderar:Se o desemprego não o preocupa.Se acha que a Justiça funciona igualmente para todos.Se a pobreza não o incomoda.Se acha que há igualdade de oportunidades.Se acha justa a redistribuição da riqueza.Se confia na protecção social.Se a Saúde responde às sua necessidades.Se acha que o Ensino é para todos.Se confia plenamente nos políticos.…São alguns SES, que a sua consciência terá que equacionar, e a resposta é apenas sua, porque em Liberdade é você quem decide.*** * ***Abril..É sempre tempo de falarde um Abril que aconteceu,de remoer um Abril que se não deu.Em Abril renascemos.Respirámos tão fundo que à nossa volta estremeceu o mundo.Assim fizemos nós, os já cansados, os sofridos,os ansiosos pela luz tardia no brilhar.Assim falo eu dos que Abril aguardaramem silêncios redondos de medo e solidão. Dos que mais longe foram e rasgaram o escuroe por isso pagaram com o corpo e o coração.Depois de Abril nasceram.Não trouxeram consigo a memória das sombras.Não precisaram de aprender da liberdade o nome,porque ela os inundou como se seiva fora, primordial e imensa.Assim falo eu dos que souberam pelos pais e os pais dos paisque um outro mundo houvera em que o Adamastorimpedira a dobragem do Cabo das Tormentasque em Esperança se tornou para lá dos temporais.Abril ainda aqui está.Filhos irão nascer, netos dos netos a haver.A pouco e pouco Abril se irá esbatendo,a lembrança dos homens esmorecendo.Assim pergunto eu:Que restará então?Que histórias contarão?Quem falará da dor do camponês a mendigar o pão?Quem lembrará o operário banido pelo patrão?Quem chorará do bravo resistente a vil prisão?Agora afirmo eu:Aos novos comedores do sangue da manada,aos velhos fazedores do mito e da traição,saberemos dizer, com o queixo levantado,do nosso amigo segurando a mão,a palpitar, festivo, o coração:Abril nos deu a hora e nada foi em vão.Licínia QuitérioRecebido por mail*** * ***FOTOGRAFIA LedyOwl Daemys*** * ***CARTOONPatrick Chappatte
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São passados trinta e quatro anos sobre o 25 de Abril de 1974, data a partir da qual os cidadãos deste país projectaram para Portugal um futuro melhor, em Liberdade, com mais Igualdade e maior Justiça. Passados estes anos todos muitos questionam-se ainda sobre se vale a pena recordar esta data e os ideais que a ela estão associados, em pleno século XXI.A resposta é simples e baseia-se em infindáveis SES que cada um deverá ponderar:Se o desemprego não o preocupa.Se acha que a Justiça funciona igualmente para todos.Se a pobreza não o incomoda.Se acha que há igualdade de oportunidades.Se acha justa a redistribuição da riqueza.Se confia na protecção social.Se a Saúde responde às sua necessidades.Se acha que o Ensino é para todos.Se confia plenamente nos políticos.…São alguns SES, que a sua consciência terá que equacionar, e a resposta é apenas sua, porque em Liberdade é você quem decide.*** * ***Abril..É sempre tempo de falarde um Abril que aconteceu,de remoer um Abril que se não deu.Em Abril renascemos.Respirámos tão fundo que à nossa volta estremeceu o mundo.Assim fizemos nós, os já cansados, os sofridos,os ansiosos pela luz tardia no brilhar.Assim falo eu dos que Abril aguardaramem silêncios redondos de medo e solidão. Dos que mais longe foram e rasgaram o escuroe por isso pagaram com o corpo e o coração.Depois de Abril nasceram.Não trouxeram consigo a memória das sombras.Não precisaram de aprender da liberdade o nome,porque ela os inundou como se seiva fora, primordial e imensa.Assim falo eu dos que souberam pelos pais e os pais dos paisque um outro mundo houvera em que o Adamastorimpedira a dobragem do Cabo das Tormentasque em Esperança se tornou para lá dos temporais.Abril ainda aqui está.Filhos irão nascer, netos dos netos a haver.A pouco e pouco Abril se irá esbatendo,a lembrança dos homens esmorecendo.Assim pergunto eu:Que restará então?Que histórias contarão?Quem falará da dor do camponês a mendigar o pão?Quem lembrará o operário banido pelo patrão?Quem chorará do bravo resistente a vil prisão?Agora afirmo eu:Aos novos comedores do sangue da manada,aos velhos fazedores do mito e da traição,saberemos dizer, com o queixo levantado,do nosso amigo segurando a mão,a palpitar, festivo, o coração:Abril nos deu a hora e nada foi em vão.Licínia QuitérioRecebido por mail*** * ***FOTOGRAFIA LedyOwl Daemys*** * ***CARTOONPatrick Chappatte