O pivô que chegou a chefe na CNN

04-07-2011
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Apareceu-me um metro e noventa e quatro de pessoa à porta e com uns pés enormes", recorda Teresa Paixão, produtora da RTP, quando conheceu Pedro Mendonça Pinto. Antes apenas tinham falado ao telefone. "Ele estava a estudar comunicação social nos Estados Unidos e mandou-se o curriculum, que vinha acompanhado por uma cassete com a emissão do programa que fazia na universidade", conta. À encomenda vinda pelo correio, respondeu com um telefonema. "Quando lhe liguei, disse-me: 'Que engraçado, pensava que tudo se conseguia por cunhas.' Estávamos em Setembro ou Outubro e combinámos encontrar-nos quando ele viesse a Portugal passar o Natal com a família."

Pedro entrou assim para a RTP2. "Apresentava o Caderno Diário à tarde e de manhã era assistente de produção da série Jardim da Celeste, que foi emitida na RTP2 e RTP1", recorda Teresa Paixão.

Rita Ferro Rodrigues, hoje apresentadora da SIC, estreou-se no Caderno Diário e viu chegar Pedro Mendonça Pinto. "Era um miúdo óptimo, simpático e bem-formado", recorda. E prossegue: "Tinha grande vontade de aprender e não havia nada a apontar-lhe." Rita elogia-lhe "a voz linda" e reconhece que naquela altura "a imagem dele não era grande espingarda."

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Três anos depois, o jornalista repetiu a mesma fórmula: enviou para a CNN um currriculum e uma cassete do programa que fazia na RTP2. Esteve uns tempos em Atlanta, nos EUA, e mais tarde voltou a Portugal para ser pivô da Sport TV, onde teve como editor e mais tarde chefe de redacção Luís Miguel Pereira. "Quando ele chegou foi um choque, porque vinha de uma cultura completamente diferente, com outro registo e outras prioridades na forma de trabalhar."

Luís Miguel Pereira lembra que Pedro Mendonça Pinto achava estranho "abrir as notícias com futebol ou com uma declaração de qualquer dirigente desportivo, porque nos EUA não é assim".

O chefe de redacção da Sport TV diz ainda que, apesar das dificuldades de adaptação, "como pivô ele era tecnicamente muito bom e foi dos melhores profissionais que já passaram pela Sport TV". Não estranhou, por isso, que Pedro Pinto esteja onde está hoje: "É um pouco cidadão do mundo, e a proposta da CNN foi muito aliciante."

Aos 36 anos, Pedro Mendonça Pinto não se sente um português de luxo no estrangeiro. "Não sinto isso. Sinto é um grande orgulho por estar a trabalhar numa estação que tem o prestígio que tem. Sou um privilegiado por ter vindo para cá e ter atingido o patamar onde estou com o meu trabalho", disse o pivô.

Tem mais dois anos de contrato com a CNN e dirige o departamento de desporto internacional da estação. Às vezes passa-lhe pela cabeça voltar a trabalhar em Portugal. "Mas, ultimamente, fiquei desiludido por os canais portugueses se terem esquecido completamente de mim. Apostam sempre nas mesmas caras, enquanto eu poderia ser uma mais-valia. Nunca ganhei qualquer prémio no meu país, enquanto já fui nomeado para prémios internacionais", lamenta.

Pedro Mendonça Pinto reconhece que na CNN tem levado a cabo trabalhos que dificilmente faria em Portugal: "Tenho as portas abertas e já entrevistei todos os grandes desportistas da última década. A CNN tem um impacto global, e chego a sítios onde numa chegaria." E recusa qualquer comparação com José Mourinho ou Cristiano Ronaldo, só porque é um português de sucesso no estrangeiro. "Eles ganham títulos e têm concorrência ao mais alto nível. Não me sinto uma estrela internacional e nem mereço qualquer estatuto. Sou apenas um jornalista/pivô", remata.

Apareceu-me um metro e noventa e quatro de pessoa à porta e com uns pés enormes", recorda Teresa Paixão, produtora da RTP, quando conheceu Pedro Mendonça Pinto. Antes apenas tinham falado ao telefone. "Ele estava a estudar comunicação social nos Estados Unidos e mandou-se o curriculum, que vinha acompanhado por uma cassete com a emissão do programa que fazia na universidade", conta. À encomenda vinda pelo correio, respondeu com um telefonema. "Quando lhe liguei, disse-me: 'Que engraçado, pensava que tudo se conseguia por cunhas.' Estávamos em Setembro ou Outubro e combinámos encontrar-nos quando ele viesse a Portugal passar o Natal com a família."

Pedro entrou assim para a RTP2. "Apresentava o Caderno Diário à tarde e de manhã era assistente de produção da série Jardim da Celeste, que foi emitida na RTP2 e RTP1", recorda Teresa Paixão.

Rita Ferro Rodrigues, hoje apresentadora da SIC, estreou-se no Caderno Diário e viu chegar Pedro Mendonça Pinto. "Era um miúdo óptimo, simpático e bem-formado", recorda. E prossegue: "Tinha grande vontade de aprender e não havia nada a apontar-lhe." Rita elogia-lhe "a voz linda" e reconhece que naquela altura "a imagem dele não era grande espingarda."

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Três anos depois, o jornalista repetiu a mesma fórmula: enviou para a CNN um currriculum e uma cassete do programa que fazia na RTP2. Esteve uns tempos em Atlanta, nos EUA, e mais tarde voltou a Portugal para ser pivô da Sport TV, onde teve como editor e mais tarde chefe de redacção Luís Miguel Pereira. "Quando ele chegou foi um choque, porque vinha de uma cultura completamente diferente, com outro registo e outras prioridades na forma de trabalhar."

Luís Miguel Pereira lembra que Pedro Mendonça Pinto achava estranho "abrir as notícias com futebol ou com uma declaração de qualquer dirigente desportivo, porque nos EUA não é assim".

O chefe de redacção da Sport TV diz ainda que, apesar das dificuldades de adaptação, "como pivô ele era tecnicamente muito bom e foi dos melhores profissionais que já passaram pela Sport TV". Não estranhou, por isso, que Pedro Pinto esteja onde está hoje: "É um pouco cidadão do mundo, e a proposta da CNN foi muito aliciante."

Aos 36 anos, Pedro Mendonça Pinto não se sente um português de luxo no estrangeiro. "Não sinto isso. Sinto é um grande orgulho por estar a trabalhar numa estação que tem o prestígio que tem. Sou um privilegiado por ter vindo para cá e ter atingido o patamar onde estou com o meu trabalho", disse o pivô.

Tem mais dois anos de contrato com a CNN e dirige o departamento de desporto internacional da estação. Às vezes passa-lhe pela cabeça voltar a trabalhar em Portugal. "Mas, ultimamente, fiquei desiludido por os canais portugueses se terem esquecido completamente de mim. Apostam sempre nas mesmas caras, enquanto eu poderia ser uma mais-valia. Nunca ganhei qualquer prémio no meu país, enquanto já fui nomeado para prémios internacionais", lamenta.

Pedro Mendonça Pinto reconhece que na CNN tem levado a cabo trabalhos que dificilmente faria em Portugal: "Tenho as portas abertas e já entrevistei todos os grandes desportistas da última década. A CNN tem um impacto global, e chego a sítios onde numa chegaria." E recusa qualquer comparação com José Mourinho ou Cristiano Ronaldo, só porque é um português de sucesso no estrangeiro. "Eles ganham títulos e têm concorrência ao mais alto nível. Não me sinto uma estrela internacional e nem mereço qualquer estatuto. Sou apenas um jornalista/pivô", remata.

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