Pelo menos 60 mil euros foi quanto tivemos que pagar pelos caprichos de Narciso Mota ao nomear seis vereadores a tempo inteiro em vez de cinco, mesmo esses um exagero. A resposta habitual (também foi a mesma no caso do Boletim Municipal) é a de que isso são trocos no orçamento da autarquia. Este argumento, muito católico, irrita-me profundamente.Raul Iturra relembra “A ética protestante e o espírito capitalista” de Max Weber (1905) para explicar porque é que os católicos, por oposição ao protestantes, são propensos a estas atitudes. Surgindo de uma cisão com a Igreja de Roma, acusada de viver no meio do esplendor e da riqueza, o protestantismo baseou a sua ética na pobreza. Aos seguidores de Lutero, não lhes sendo permitido ostentar riqueza, restava-lhes o aforro e o investimento dos seus tesouros no comércio e bens de lucro.Esta postura contrasta com a dos católicos que sempre gastaram à tripa-forra e, como tal, sempre viveram de empréstimos. Além disso, como o catolicismo manteve o sacramento da confissão privada com concessão de perdão (o protestantismo também, mas pública e sem concessão de perdão), fomentou entre os católicos a desvalorização das leis pois sabiam que isso lhes seria perdoado.O nosso mal, como sociedade, é o de sistematicamente perdoar este tipo de pecados aos políticos. Se fosse eu quem mandasse, não haveria pai-nossos nem ave-marias que valessem ao nosso presidente por assim desperdiçar o dinheiro que é de todos.
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Pelo menos 60 mil euros foi quanto tivemos que pagar pelos caprichos de Narciso Mota ao nomear seis vereadores a tempo inteiro em vez de cinco, mesmo esses um exagero. A resposta habitual (também foi a mesma no caso do Boletim Municipal) é a de que isso são trocos no orçamento da autarquia. Este argumento, muito católico, irrita-me profundamente.Raul Iturra relembra “A ética protestante e o espírito capitalista” de Max Weber (1905) para explicar porque é que os católicos, por oposição ao protestantes, são propensos a estas atitudes. Surgindo de uma cisão com a Igreja de Roma, acusada de viver no meio do esplendor e da riqueza, o protestantismo baseou a sua ética na pobreza. Aos seguidores de Lutero, não lhes sendo permitido ostentar riqueza, restava-lhes o aforro e o investimento dos seus tesouros no comércio e bens de lucro.Esta postura contrasta com a dos católicos que sempre gastaram à tripa-forra e, como tal, sempre viveram de empréstimos. Além disso, como o catolicismo manteve o sacramento da confissão privada com concessão de perdão (o protestantismo também, mas pública e sem concessão de perdão), fomentou entre os católicos a desvalorização das leis pois sabiam que isso lhes seria perdoado.O nosso mal, como sociedade, é o de sistematicamente perdoar este tipo de pecados aos políticos. Se fosse eu quem mandasse, não haveria pai-nossos nem ave-marias que valessem ao nosso presidente por assim desperdiçar o dinheiro que é de todos.