secularista e a questão religiosa « O Insurgente

03-07-2011
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Religião e vida pública. Por João Carlos Espada.

Um primeiro ponto consiste na observação de que a tese modernizadora/secularista foi refutada pelos factos. Peter Berger, um dos mais famosos autores da tese, é abundantemente citado pela sua coragem intelectual: reconheceu que se enganara. A percentagem de crentes nas quatro maiores religiões do mundo – cristianismo, islamismo, budismo e hinduísmo – cresceu de 67% em 1900 para 73% em 2005 e pode chegar aos 80% em 2050. O cristianismo tem hoje as mais elevadas taxas de crescimento na Ásia. Em África, são estimados actualmente 400 milhões de cristãos, contra menos de 10 milhões em 1900.

(…)

Uma delas, originária da Revolução Francesa de 1789, concebe o Estado como hostil à religião. A outra, originária da Revolução Americana de 1776, limita-se a separar a Igreja do Estado e a consagrar a liberdade religiosa.

Curiosamente, a tradição americana (cronologicamente anterior à francesa) revelou-se melhor, quer para a vida pública quer para a religião. Para a vida pública, porque incentivou os movimentos religiosos a traduzirem as suas reclamações políticas e morais em termos compreensíveis pelas outras religiões e pelos não crentes. Para a religião, porque a protegeu da intromissão do Estado – estando talvez aí um factor crucial da vitalidade da religião na sociedade civil americana.

Religião e vida pública. Por João Carlos Espada.

Um primeiro ponto consiste na observação de que a tese modernizadora/secularista foi refutada pelos factos. Peter Berger, um dos mais famosos autores da tese, é abundantemente citado pela sua coragem intelectual: reconheceu que se enganara. A percentagem de crentes nas quatro maiores religiões do mundo – cristianismo, islamismo, budismo e hinduísmo – cresceu de 67% em 1900 para 73% em 2005 e pode chegar aos 80% em 2050. O cristianismo tem hoje as mais elevadas taxas de crescimento na Ásia. Em África, são estimados actualmente 400 milhões de cristãos, contra menos de 10 milhões em 1900.

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Uma delas, originária da Revolução Francesa de 1789, concebe o Estado como hostil à religião. A outra, originária da Revolução Americana de 1776, limita-se a separar a Igreja do Estado e a consagrar a liberdade religiosa.

Curiosamente, a tradição americana (cronologicamente anterior à francesa) revelou-se melhor, quer para a vida pública quer para a religião. Para a vida pública, porque incentivou os movimentos religiosos a traduzirem as suas reclamações políticas e morais em termos compreensíveis pelas outras religiões e pelos não crentes. Para a religião, porque a protegeu da intromissão do Estado – estando talvez aí um factor crucial da vitalidade da religião na sociedade civil americana.

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