gonn1000: A MORTE FICA-LHES TÃO BEM

03-07-2011
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Através de filmes marcantes como "Night of the Living Dead" (1968), "Dawn of the Dead" (1978) e "Day of the Dead" (1985), George Romero tornou-se num dos nomes fulcrais do cinema de terror, particularmente de obras centradas em aventuras com zombies e largas doses de suspense."Terra dos Mortos" (Land of the Dead), quarto episódio da saga dos mortos, volta a evidenciar o profissionalismo do cineasta, confirmando que ainda é um autor a ter em conta e capaz de dar continuidade à sua respeitável filmografia.Desenrolando-se anos após os eventos de "Day of the Dead", a película não é uma sequela desta última mas o seu ponto de partida assenta nas situações que aí ocorreram. Assim, o filme decorre numa realidade futura onde a Terra foi dizimada por zombies, forçando os seres humanos a ocupar lugares estratégicos onde conseguem ainda sobreviver e escapar à ameaça dos seus perigosos antagonistas e predadores. Um desses locais é Fiddler's Green, dividido entre uma zona quase paradisíaca, reservada aos mais ricos e abastados, e e as zonas periféricas, guetos de onde reside a maior parte dessa sociedade.Contudo, aos poucos até esta cidade, à partida um refúgio seguro, será alvo das investidas dos mortos-vivos, pois estes tornam-se menos irracionais e adoptam um plano que colocará em risco a continuidade da raça humana.Embora não seja uma obra especialmente criativa - o que tem para oferecer já foi feito, sobretudo pelo próprio Romero -, "Terra dos Mortos" é, ainda assim, um bom concentrado de acção, suspense, terror, drama, algum humor negro e um travo de gore, capaz de proporcionar um muito competente exercício de série B.Há alguns elementos pouco conseguidos, como a irregular direcção de actores (onde se destacam, apesar de tudo, John Leguizamo ou Dennis Hopper) ou a superficialidade das personagens, compensados por um argumento linear mas eficaz, um ritmo equilibrado e sempre envolvente e um astuto trabalho de realização, que apesar do notório low-budget consegue ser bastante seguro."Terra dos Mortos" proporciona alguns momentos de assinalável desconforto e claustrofobia, para os quais contribuem a convincente soturnidade dos zombies ou as intrigantes atmosferas nocturnas, e felizmente Romero mantém uma postura back to basics, ou seja, fixa-se no que é essencial e não se perde em sequências de carnificina descontrolada ou em cenas de pirotecnia megalómana, concedendo assim uma considerável carga realista aos acontecimentos. Interessante, também (embora um pouco óbvio e simplista) é o subtexto social do filme, onde o realizador recorre a alguma ironia e estabelece paralelismos com as desigualdades presentes no mundo contemporâneo.Não atingindo o estatuto de clássico nem de obra essencial - ao contrário de outros títulos de Romero -, "Terra dos Mortos" eleva-se, contudo, acima da mediania e supera o nível medíocre da maioria da concorrência dentro do género, que ultimamente se tem mostrado muito pouco profícua. Não chega a ser o melhor do que se fez recentemente em domínios de filmes de zombies - "28 Dias Depois", de Danny Boyle, é mais inventivo e surpreendente -, mas anda lá perto, conquistando pela eficácia, economia e rigor que evidencia.E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM


Através de filmes marcantes como "Night of the Living Dead" (1968), "Dawn of the Dead" (1978) e "Day of the Dead" (1985), George Romero tornou-se num dos nomes fulcrais do cinema de terror, particularmente de obras centradas em aventuras com zombies e largas doses de suspense."Terra dos Mortos" (Land of the Dead), quarto episódio da saga dos mortos, volta a evidenciar o profissionalismo do cineasta, confirmando que ainda é um autor a ter em conta e capaz de dar continuidade à sua respeitável filmografia.Desenrolando-se anos após os eventos de "Day of the Dead", a película não é uma sequela desta última mas o seu ponto de partida assenta nas situações que aí ocorreram. Assim, o filme decorre numa realidade futura onde a Terra foi dizimada por zombies, forçando os seres humanos a ocupar lugares estratégicos onde conseguem ainda sobreviver e escapar à ameaça dos seus perigosos antagonistas e predadores. Um desses locais é Fiddler's Green, dividido entre uma zona quase paradisíaca, reservada aos mais ricos e abastados, e e as zonas periféricas, guetos de onde reside a maior parte dessa sociedade.Contudo, aos poucos até esta cidade, à partida um refúgio seguro, será alvo das investidas dos mortos-vivos, pois estes tornam-se menos irracionais e adoptam um plano que colocará em risco a continuidade da raça humana.Embora não seja uma obra especialmente criativa - o que tem para oferecer já foi feito, sobretudo pelo próprio Romero -, "Terra dos Mortos" é, ainda assim, um bom concentrado de acção, suspense, terror, drama, algum humor negro e um travo de gore, capaz de proporcionar um muito competente exercício de série B.Há alguns elementos pouco conseguidos, como a irregular direcção de actores (onde se destacam, apesar de tudo, John Leguizamo ou Dennis Hopper) ou a superficialidade das personagens, compensados por um argumento linear mas eficaz, um ritmo equilibrado e sempre envolvente e um astuto trabalho de realização, que apesar do notório low-budget consegue ser bastante seguro."Terra dos Mortos" proporciona alguns momentos de assinalável desconforto e claustrofobia, para os quais contribuem a convincente soturnidade dos zombies ou as intrigantes atmosferas nocturnas, e felizmente Romero mantém uma postura back to basics, ou seja, fixa-se no que é essencial e não se perde em sequências de carnificina descontrolada ou em cenas de pirotecnia megalómana, concedendo assim uma considerável carga realista aos acontecimentos. Interessante, também (embora um pouco óbvio e simplista) é o subtexto social do filme, onde o realizador recorre a alguma ironia e estabelece paralelismos com as desigualdades presentes no mundo contemporâneo.Não atingindo o estatuto de clássico nem de obra essencial - ao contrário de outros títulos de Romero -, "Terra dos Mortos" eleva-se, contudo, acima da mediania e supera o nível medíocre da maioria da concorrência dentro do género, que ultimamente se tem mostrado muito pouco profícua. Não chega a ser o melhor do que se fez recentemente em domínios de filmes de zombies - "28 Dias Depois", de Danny Boyle, é mais inventivo e surpreendente -, mas anda lá perto, conquistando pela eficácia, economia e rigor que evidencia.E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM

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