Cotadas pressionadas a incluir mulheres nos cargos de topo
Daniel Schäfer, em Frankfurt, Nikki Tait, em Bruxelas, Peggy Hollinger e Jennifer Thompson, em Paris
22 Fev 2011
Londres vai propor esta semana que um quinto dos administradores das empresas cotadas no FTSE 350 seja mulheres.
Josef Ackermann, CEO do Deutsche Bank, declarou este mês que os conselhos de administração das empresas alemãs seriam "mais agradáveis e coloridos" se a presença feminina fosse mais visível. Um comentário condescendente que serviu, acima de tudo, de argumento aos defensores de quotas num debate aceso sobre o fraco nível de representação feminina nos conselhos de administração e supervisão em toda a Europa.
Os reguladores começam a perder a paciência face aos escassos progressos das empresas quando se trata de mudar o modelo de gestão tradicional, que há muito impede as mulheres de ascenderem a cargos de topo. A introdução de uma quota obrigatória em certos países, e inclusive ao nível da União Europeia - medida compulsória odiada por muitos gestores e por um vasto grupo de mulheres executivas -, é hoje um "tema quente".
Os defensores da quota citam diferentes estudos elaborados pela McKinsey e pelas Nações Unidas, que demonstram que o desempenho das empresas onde o nível de representação feminina é mais elevado é superior ao da concorrência em termos de rentabilidade e/ou aumento do preço das acções. Referem igualmente o exemplo da França e da Noruega, onde a quota feminina para as funções de director não executivo é já uma realidade.
Viviane Reding, comissária europeia, ameaçou recentemente impor quotas nas 500 maiores empresas cotadas se não dessem passos rápidos no sentido da diversidade: "Não me refiro a pequenas empresas e sim às 500 maiores cotadas em bolsa, nas quais as mulheres não representam mais que 3% no conselho de administração. Dentre os CEO, apenas um em dez é mulher. Acredito que o equilíbrio de género é uma questão da maior importância para a sociedade".
Reding vai reunir-se a 1 de Março com os líderes de 15 grandes empresas com vista a discutir sugestões concretas para fomentar a diversidade de género na Europa. Na semana passada, Angela Merkel classificou a ausência de mulheres na gestão de "verdadeiro escândalo" e instou as empresas a aproveitar "esta última oportunidade" para introduzir as mudanças necessárias antes da entrada em vigor de regras compulsórias.
No Reino Unido, o governo vai anunciar esta semana uma recomendação para que, até 2013, um quinto dos directores do FTSE 350 sejam mulheres. Na Noruega, desde 2008 que as empresas são obrigadas por lei a ter um conselho de administração composto, no mínimo, por 40% de mulheres. Passado o cepticismo inicial de que não haveria mulheres competentes em número suficiente para fazer cumprir a lei, são muitos os investidores e executivos a reconhecer o êxito desta medida.
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Cotadas pressionadas a incluir mulheres nos cargos de topo
Daniel Schäfer, em Frankfurt, Nikki Tait, em Bruxelas, Peggy Hollinger e Jennifer Thompson, em Paris
22 Fev 2011
Londres vai propor esta semana que um quinto dos administradores das empresas cotadas no FTSE 350 seja mulheres.
Josef Ackermann, CEO do Deutsche Bank, declarou este mês que os conselhos de administração das empresas alemãs seriam "mais agradáveis e coloridos" se a presença feminina fosse mais visível. Um comentário condescendente que serviu, acima de tudo, de argumento aos defensores de quotas num debate aceso sobre o fraco nível de representação feminina nos conselhos de administração e supervisão em toda a Europa.
Os reguladores começam a perder a paciência face aos escassos progressos das empresas quando se trata de mudar o modelo de gestão tradicional, que há muito impede as mulheres de ascenderem a cargos de topo. A introdução de uma quota obrigatória em certos países, e inclusive ao nível da União Europeia - medida compulsória odiada por muitos gestores e por um vasto grupo de mulheres executivas -, é hoje um "tema quente".
Os defensores da quota citam diferentes estudos elaborados pela McKinsey e pelas Nações Unidas, que demonstram que o desempenho das empresas onde o nível de representação feminina é mais elevado é superior ao da concorrência em termos de rentabilidade e/ou aumento do preço das acções. Referem igualmente o exemplo da França e da Noruega, onde a quota feminina para as funções de director não executivo é já uma realidade.
Viviane Reding, comissária europeia, ameaçou recentemente impor quotas nas 500 maiores empresas cotadas se não dessem passos rápidos no sentido da diversidade: "Não me refiro a pequenas empresas e sim às 500 maiores cotadas em bolsa, nas quais as mulheres não representam mais que 3% no conselho de administração. Dentre os CEO, apenas um em dez é mulher. Acredito que o equilíbrio de género é uma questão da maior importância para a sociedade".
Reding vai reunir-se a 1 de Março com os líderes de 15 grandes empresas com vista a discutir sugestões concretas para fomentar a diversidade de género na Europa. Na semana passada, Angela Merkel classificou a ausência de mulheres na gestão de "verdadeiro escândalo" e instou as empresas a aproveitar "esta última oportunidade" para introduzir as mudanças necessárias antes da entrada em vigor de regras compulsórias.
No Reino Unido, o governo vai anunciar esta semana uma recomendação para que, até 2013, um quinto dos directores do FTSE 350 sejam mulheres. Na Noruega, desde 2008 que as empresas são obrigadas por lei a ter um conselho de administração composto, no mínimo, por 40% de mulheres. Passado o cepticismo inicial de que não haveria mulheres competentes em número suficiente para fazer cumprir a lei, são muitos os investidores e executivos a reconhecer o êxito desta medida.