Candidatos polémicos e guerras partidárias no Parlamento Europeu fazem tremer Comissão Juncker
Luís Reis Pires
03 Out 2014
Começou a guerra partidária nas audições aos comissários europeus. Depois de, na quarta-feira, o espanhol Miguel Cañete, do Partido Popular Europeu (PPE), ter sido "grelhado" no Parlamento- foi a expressão utilizada no Twitter -, a direita retribuiu ontem na mesma moeda a Pierre Moscovici, que será obrigado a um segundo exame.
O socialista enfrentou uma dura batalha com os eurodeputados da direita, que o questionaram várias vezes sobre como tenciona fazer cumprir as regras orçamentais na Europa, se quando esteve como ministro das Finanças em França violou o acordado com Bruxelas e adiou a consolidação orçamental por dois anos.
Mas a pressão sobre Moscovici é mais retaliação partidária do que outra coisa. Sabendo que o francês ia estar dependente do resultado de Cañete - envolto em polémica por estar nomeado para a Acção Climática e estar envolvido no negócio do petróleo -, os socialistas adiaram a votação que estava prevista para ontem de manhã e pediram mais esclarecimentos sobre os negócios do espanhol.
A direita respondeu na mesma moeda e conseguiu enviar o francês para novo exame, adiando assim uma decisão final, que chegou já depois de a comissão para os Assuntos Jurídicos se pronunciar sobre Cañete.
As quezílias partidárias estão a abanar ainda mais uma já trémula Comissão Juncker, que depois de dois dias de audições calmas entrou agora numa fase mais quente.
De entre os 21 candidatos já ouvidos, Moscovici é o segundo a precisar de uma audição adicional, depois de Jonathan Hill.
O britânico também não convenceu os eurodeputados, que estão a torcer o nariz ao facto de, numa altura de crescente afastamento entre o Reino Unido e a Europa, Juncker ter nomeado para a regulação financeira um homem da City londrina, que no passado nunca duvidou em penalizar o euro sempre que isso jogasse a favor do sistema financeiro britânico.
Há ainda vários comissários em suspenso, como o húngaro Tibor Navrasics, um velho "inimigo" dos eurodeputados, que o acusam de ter violado a independência do sistema de justiça e a liberdade de informação na Hungria em 2012, quando era ministro da Justiça do país.
Também Vera Jourová está a ser colocada em xeque. Os eurodeputados consideram que a ex-ministra checa, nomeada para a pasta da Justiça, e que foi acusada de corrupção no seu país há oito anos - chegou a estar presa -, não foi convincente na sua audição.
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Candidatos polémicos e guerras partidárias no Parlamento Europeu fazem tremer Comissão Juncker
Luís Reis Pires
03 Out 2014
Começou a guerra partidária nas audições aos comissários europeus. Depois de, na quarta-feira, o espanhol Miguel Cañete, do Partido Popular Europeu (PPE), ter sido "grelhado" no Parlamento- foi a expressão utilizada no Twitter -, a direita retribuiu ontem na mesma moeda a Pierre Moscovici, que será obrigado a um segundo exame.
O socialista enfrentou uma dura batalha com os eurodeputados da direita, que o questionaram várias vezes sobre como tenciona fazer cumprir as regras orçamentais na Europa, se quando esteve como ministro das Finanças em França violou o acordado com Bruxelas e adiou a consolidação orçamental por dois anos.
Mas a pressão sobre Moscovici é mais retaliação partidária do que outra coisa. Sabendo que o francês ia estar dependente do resultado de Cañete - envolto em polémica por estar nomeado para a Acção Climática e estar envolvido no negócio do petróleo -, os socialistas adiaram a votação que estava prevista para ontem de manhã e pediram mais esclarecimentos sobre os negócios do espanhol.
A direita respondeu na mesma moeda e conseguiu enviar o francês para novo exame, adiando assim uma decisão final, que chegou já depois de a comissão para os Assuntos Jurídicos se pronunciar sobre Cañete.
As quezílias partidárias estão a abanar ainda mais uma já trémula Comissão Juncker, que depois de dois dias de audições calmas entrou agora numa fase mais quente.
De entre os 21 candidatos já ouvidos, Moscovici é o segundo a precisar de uma audição adicional, depois de Jonathan Hill.
O britânico também não convenceu os eurodeputados, que estão a torcer o nariz ao facto de, numa altura de crescente afastamento entre o Reino Unido e a Europa, Juncker ter nomeado para a regulação financeira um homem da City londrina, que no passado nunca duvidou em penalizar o euro sempre que isso jogasse a favor do sistema financeiro britânico.
Há ainda vários comissários em suspenso, como o húngaro Tibor Navrasics, um velho "inimigo" dos eurodeputados, que o acusam de ter violado a independência do sistema de justiça e a liberdade de informação na Hungria em 2012, quando era ministro da Justiça do país.
Também Vera Jourová está a ser colocada em xeque. Os eurodeputados consideram que a ex-ministra checa, nomeada para a pasta da Justiça, e que foi acusada de corrupção no seu país há oito anos - chegou a estar presa -, não foi convincente na sua audição.