Num dia com um significado especial para a Igreja, mas também para os portugueses em geral, D. José Policarpo dirigiu uma mensagem de divisão. A defesa da vida na evocação do Deus incarnado não carece de uma cruzada contra a interrupção voluntária da gravidez.D. Policarpo deve saber, porque é inteligente, que a despenalização do aborto não significa que o Estado esteja a incitar as mulheres a abortar. O que está em causa é apenas não as punir e permitir que, em vez de porem em risco a sua própria vida, em abortos de vão de escada, disponham de condições humanas para que possam interromper a gravidez.Nos Estados Unidos, chegou a haver prolifers que atacaram a tiro os médicos que, legalmente, praticavam a interrupção voluntária da gravidez. É o paradoxo máximo — matar para defender a vida. D. Policarpo não chega a esse extremo. Mas também é paradoxal que o patriarca de Lisboa patrocine a ideia de que as mulheres devam primeiro ser punidas, para, depois, serem perdoadas pela Igreja.Não era certamente isso que Cristo tinha em mente, quando, a propósito dos impostos cobrados por Roma, mandou distinguir o que é devido a Deus e aos homens.
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Num dia com um significado especial para a Igreja, mas também para os portugueses em geral, D. José Policarpo dirigiu uma mensagem de divisão. A defesa da vida na evocação do Deus incarnado não carece de uma cruzada contra a interrupção voluntária da gravidez.D. Policarpo deve saber, porque é inteligente, que a despenalização do aborto não significa que o Estado esteja a incitar as mulheres a abortar. O que está em causa é apenas não as punir e permitir que, em vez de porem em risco a sua própria vida, em abortos de vão de escada, disponham de condições humanas para que possam interromper a gravidez.Nos Estados Unidos, chegou a haver prolifers que atacaram a tiro os médicos que, legalmente, praticavam a interrupção voluntária da gravidez. É o paradoxo máximo — matar para defender a vida. D. Policarpo não chega a esse extremo. Mas também é paradoxal que o patriarca de Lisboa patrocine a ideia de que as mulheres devam primeiro ser punidas, para, depois, serem perdoadas pela Igreja.Não era certamente isso que Cristo tinha em mente, quando, a propósito dos impostos cobrados por Roma, mandou distinguir o que é devido a Deus e aos homens.