O mar turístico esconde guerras que nem os mergulhadores conseguem decifrar

20-08-2011
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O alemão pratica mergulho desde os dez anos. "Quase me perdi, mas adorei. Eu gosto de naufrágios, mas aqui há muito ferro-velho na água, pouco mais há. O melhor local no Algarve e no mundo é Sagres", afiança. Porquê? "Porque tem muita visibilidade e muita vida marinha. Foi lá que encontrei uma âncora antiga. Só eu sei onde está. Mergulho lá, sozinho, muitas vezes." Estava explicado o seu afastamento.Muitos canhões avistados, moreias e um safio com que Felizardo Pinto se assustou, pois quando se virou tinha-o quase colado aos óculos. "Brincamos com eles, mas assim de repente, à nossa frente, podem assustar", admite o instrutor, arrancando com os dois motores para zarpar para as bandas do avião. Volger brincou então, pela primeira vez: "Foi um U-boat [submarino alemão que se destacou nos dois grandes conflitos mundiais] que o afundou", gracejou, olhando para o escocês. Este riu-se à gargalhada, demonstrando que não morre de amores pelos ingleses.

"Um pescador diz que viu uma bola de fogo, que veio aqui e que recolheu a tripulação. Ora, há algo que não bate certo: se viu bola de fogo, não deveria haver sobreviventes; daqui ao aeroporto de saída [em Marrocos] seriam duas horas de voo e nenhum piloto arriscaria estar tão longe correndo o risco de ficar sem combustível. Se fosse 15 minutos, era outra história. O que penso: provavelmente um avião alemão picou sobre o bombardeiro e abateu-o. Se não tinha combustível, porquê a grande bola de fogo?", diz Felizardo Pinto no briefing que antecede novo mergulho, não muito distante do primeiro.

"Um pescador diz que há outro [avião] por aqui, mas nunca o encontrámos. Deste que temos aqui só resta uma das asas, e dois motores. Não se sabe do resto da fuselagem. O relatório da Força Aérea dos Estados Unidos diz que o avião se despenhou por não ter combustível. Vamos lá então ver."

"Chegámos aos 14 metros e ficou tudo amarelo. Havia pouca visibilidade", conta Brígida Mateus, que chegou ao mergulho não apenas pela curiosidade, mas por interesse profissional. "Fiz pós-graduação em Arqueologia Subaquática e aqui no centro há muito interesse pela Arqueologia. E eu tinha por objectivo ir para os Açores, onde a maior especialidade na Arqueologia é subaquática. A baía de Angra do Heroísmo tem um grande historial de naufrágios. Estagiei lá no centro regional de cultura." Sobre o Algarve acredita que ainda há muita coisa para descobrir. Os relatos históricos assim o indicam.

"Sim, vimos a asa. Havia uma corda que a rodeava", diz Rory, satisfeito com o mergulho. O bombardeiro B-24 Liberator, quadrimotor da marinha norte-americana, despenhou-se a 30 de Novembro de 1943. "Está bem conservada, e vi uma moreia grande, que saía do motor. E uma lagosta", descreve Alexandra. Todos a viram.

Rory deu nota alta à jornada. Ele já mergulha há nove anos. Fá-lo frequentemente na Escócia, onde alterna com o golfe. "Moro ao lado de Saint-Andrews, a meca do golfe, sou um privilegiado", admite. "O equipamento é bom, o guia é bom, e acho que é um bom local para mergulhar, pois a água é bem mais quente do que na Escócia, ainda que lá haja mais visibilidade. Todavia, não há sítio como a Austrália para mergulhar. É lá que está a grande barreira de coral", sentencia.

"Algarve na rota europeia do mergulho"

O centro e escola OpenWaters tem sete anos de actividade. O seu director, Felizardo Pinto, de 41 anos, leva 20 de mergulho. "É uma actividade que tem vindo a crescer, mas agora estagnou. A crise afecta todos. Mergulhos como estes, com equipamento próprio, saem a 30 euros, sem equipamento, 50 euros. O cliente está a retrair-se um pouco", admite o responsável, embora no Verão saia todos os dias, principalmente com ingleses e nórdicos.

O alemão pratica mergulho desde os dez anos. "Quase me perdi, mas adorei. Eu gosto de naufrágios, mas aqui há muito ferro-velho na água, pouco mais há. O melhor local no Algarve e no mundo é Sagres", afiança. Porquê? "Porque tem muita visibilidade e muita vida marinha. Foi lá que encontrei uma âncora antiga. Só eu sei onde está. Mergulho lá, sozinho, muitas vezes." Estava explicado o seu afastamento.Muitos canhões avistados, moreias e um safio com que Felizardo Pinto se assustou, pois quando se virou tinha-o quase colado aos óculos. "Brincamos com eles, mas assim de repente, à nossa frente, podem assustar", admite o instrutor, arrancando com os dois motores para zarpar para as bandas do avião. Volger brincou então, pela primeira vez: "Foi um U-boat [submarino alemão que se destacou nos dois grandes conflitos mundiais] que o afundou", gracejou, olhando para o escocês. Este riu-se à gargalhada, demonstrando que não morre de amores pelos ingleses.

"Um pescador diz que viu uma bola de fogo, que veio aqui e que recolheu a tripulação. Ora, há algo que não bate certo: se viu bola de fogo, não deveria haver sobreviventes; daqui ao aeroporto de saída [em Marrocos] seriam duas horas de voo e nenhum piloto arriscaria estar tão longe correndo o risco de ficar sem combustível. Se fosse 15 minutos, era outra história. O que penso: provavelmente um avião alemão picou sobre o bombardeiro e abateu-o. Se não tinha combustível, porquê a grande bola de fogo?", diz Felizardo Pinto no briefing que antecede novo mergulho, não muito distante do primeiro.

"Um pescador diz que há outro [avião] por aqui, mas nunca o encontrámos. Deste que temos aqui só resta uma das asas, e dois motores. Não se sabe do resto da fuselagem. O relatório da Força Aérea dos Estados Unidos diz que o avião se despenhou por não ter combustível. Vamos lá então ver."

"Chegámos aos 14 metros e ficou tudo amarelo. Havia pouca visibilidade", conta Brígida Mateus, que chegou ao mergulho não apenas pela curiosidade, mas por interesse profissional. "Fiz pós-graduação em Arqueologia Subaquática e aqui no centro há muito interesse pela Arqueologia. E eu tinha por objectivo ir para os Açores, onde a maior especialidade na Arqueologia é subaquática. A baía de Angra do Heroísmo tem um grande historial de naufrágios. Estagiei lá no centro regional de cultura." Sobre o Algarve acredita que ainda há muita coisa para descobrir. Os relatos históricos assim o indicam.

"Sim, vimos a asa. Havia uma corda que a rodeava", diz Rory, satisfeito com o mergulho. O bombardeiro B-24 Liberator, quadrimotor da marinha norte-americana, despenhou-se a 30 de Novembro de 1943. "Está bem conservada, e vi uma moreia grande, que saía do motor. E uma lagosta", descreve Alexandra. Todos a viram.

Rory deu nota alta à jornada. Ele já mergulha há nove anos. Fá-lo frequentemente na Escócia, onde alterna com o golfe. "Moro ao lado de Saint-Andrews, a meca do golfe, sou um privilegiado", admite. "O equipamento é bom, o guia é bom, e acho que é um bom local para mergulhar, pois a água é bem mais quente do que na Escócia, ainda que lá haja mais visibilidade. Todavia, não há sítio como a Austrália para mergulhar. É lá que está a grande barreira de coral", sentencia.

"Algarve na rota europeia do mergulho"

O centro e escola OpenWaters tem sete anos de actividade. O seu director, Felizardo Pinto, de 41 anos, leva 20 de mergulho. "É uma actividade que tem vindo a crescer, mas agora estagnou. A crise afecta todos. Mergulhos como estes, com equipamento próprio, saem a 30 euros, sem equipamento, 50 euros. O cliente está a retrair-se um pouco", admite o responsável, embora no Verão saia todos os dias, principalmente com ingleses e nórdicos.

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