Bar Velho Online: Simples, claro, meridiano

03-07-2011
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A política é uma palco privilegiado pela exposição pública que lhe é inerente e pelo grau de intervenção na sociedade que permite. Como em todas as actividades, existem bons e maus exemplos.O que não posso compreender é a mesquinhez reinante e a falta de ideias que assola parte da classe política que tem a possibilidade de governar o nosso país.Este texto de José Pacheco Pereira no Jamais é disso um exemplo paradigmático.Discutir soluções, ideias ou caminhos que possam ajudar a corrigir os problemas que da sua cátedra privilegiada costuma apontar não é a escolha de Pacheco Pereira. Aquele que é aventado como um dos grandes intelectuais portugueses, dá uma pálida imagem de si próprio e faz-nos questionar qual o seu propósito enquanto candidato a deputado. Pelo texto supra referido, ficamos a saber que o que move Pacheco Pereira não é um qualquer ideal de estado, uma qualquer visão para o país em que ele acredite e que defenda com argumentos racionais ou, até, somente com paixão. Até porque o diagnóstico para Portugal peca por ridiculamente cândido: O problema do país é tão somente Sócrates. A certo ponto, Pacheco Pereira tem a desfaçatez de perguntar mesmo: “Não gostam de Manuela Ferreira Leite? E depois, gostam mais de Sócrates?“, como se os destinos da Nação dependessem de um corte de cabelo, de uma voz, de um sorriso ou de um traço de personalidade.Percebemos, assim, que o que move Pacheco Pereira é esse nobre objectivo de afastar o impuro José Sócrates do poder, esse homem elevado à figura do Demo, gritando em nome da "verdade" tudo o que entender necessário - o insulto, a insinuação, a imoralidade, até a inverdade se tal se mostrar como o único caminho para salvar Portugal de Sócrates.Dia 28 de Setembro de 2009, Sócrates deixa S. Bento. O Psi-20 sobe em flecha, os centros de emprego são inundados de telefonemas de ex-desempregados que arranjaram emprego nessa manhã. O crescimento é uma realidade e supera a média europeia, atirando a palavra convergência para os livros de história de Portugal. Estes livros são devorados pelos nossos estudantes que, espontaneamente, deitaram fora os seus Magalhães num acto de patriotismo e de apreço pela escola perfeita que dia 28 lhes trouxe.Obrigado Pacheco Pereira. O difícil foi a batalha para retirar esse (nem sei que adjectivo lhe atribuir e nem o Eça – que ora voltei a reler – me consegue ajudar)…bem, o Sócrates. As coisas compuseram-se sozinhas, não foi?E um sorriso cúmplice de Pacheco Pereira fecha o plano, os créditos finais irrompem pela sala adentro e a cortina desce. Mas isto não é um filme. E a política não é um jogo em que nos possamos limitar a querer derrubar o adversário.


A política é uma palco privilegiado pela exposição pública que lhe é inerente e pelo grau de intervenção na sociedade que permite. Como em todas as actividades, existem bons e maus exemplos.O que não posso compreender é a mesquinhez reinante e a falta de ideias que assola parte da classe política que tem a possibilidade de governar o nosso país.Este texto de José Pacheco Pereira no Jamais é disso um exemplo paradigmático.Discutir soluções, ideias ou caminhos que possam ajudar a corrigir os problemas que da sua cátedra privilegiada costuma apontar não é a escolha de Pacheco Pereira. Aquele que é aventado como um dos grandes intelectuais portugueses, dá uma pálida imagem de si próprio e faz-nos questionar qual o seu propósito enquanto candidato a deputado. Pelo texto supra referido, ficamos a saber que o que move Pacheco Pereira não é um qualquer ideal de estado, uma qualquer visão para o país em que ele acredite e que defenda com argumentos racionais ou, até, somente com paixão. Até porque o diagnóstico para Portugal peca por ridiculamente cândido: O problema do país é tão somente Sócrates. A certo ponto, Pacheco Pereira tem a desfaçatez de perguntar mesmo: “Não gostam de Manuela Ferreira Leite? E depois, gostam mais de Sócrates?“, como se os destinos da Nação dependessem de um corte de cabelo, de uma voz, de um sorriso ou de um traço de personalidade.Percebemos, assim, que o que move Pacheco Pereira é esse nobre objectivo de afastar o impuro José Sócrates do poder, esse homem elevado à figura do Demo, gritando em nome da "verdade" tudo o que entender necessário - o insulto, a insinuação, a imoralidade, até a inverdade se tal se mostrar como o único caminho para salvar Portugal de Sócrates.Dia 28 de Setembro de 2009, Sócrates deixa S. Bento. O Psi-20 sobe em flecha, os centros de emprego são inundados de telefonemas de ex-desempregados que arranjaram emprego nessa manhã. O crescimento é uma realidade e supera a média europeia, atirando a palavra convergência para os livros de história de Portugal. Estes livros são devorados pelos nossos estudantes que, espontaneamente, deitaram fora os seus Magalhães num acto de patriotismo e de apreço pela escola perfeita que dia 28 lhes trouxe.Obrigado Pacheco Pereira. O difícil foi a batalha para retirar esse (nem sei que adjectivo lhe atribuir e nem o Eça – que ora voltei a reler – me consegue ajudar)…bem, o Sócrates. As coisas compuseram-se sozinhas, não foi?E um sorriso cúmplice de Pacheco Pereira fecha o plano, os créditos finais irrompem pela sala adentro e a cortina desce. Mas isto não é um filme. E a política não é um jogo em que nos possamos limitar a querer derrubar o adversário.

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