Pedro Correia, 18.04.22
Ana Vidal: «- Então, paizinho, que tal estás a dar-te com o tablet que te demos nos anos?
- Muito bem.
- E não tens dificuldades nas aplicações?
- Nenhumas!»
João Carvalho: «A 11 de Setembro de 1891, sentado no banco de um jardim (ainda hoje assinalado, junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança e paredes meias com o Senhor Santo Cristo dos Milagres), Antero de Quental suicidou-se com dois tiros na boca. Aos 49 anos, quis acabar na terra que o viu nascer e onde procurava sem encontrar, de mão dada com a doença, o sentido da vida. Também quis ter a certeza de que acabava com ela. O segundo tiro era uma garantia de que lhe punha fim e o intervalo entre os dois disparos não o iluminou — uma conclusão que podemos tirar com aparente segurança.»
José António Abreu: «Rita Redshoes anda pelo país a cantar coisas como esta (e esta). Se o tema nada vos diz, isso tanto pode ser motivo de parabéns (ainda estão tããão dentro do prazo, meus filhos) como de preocupação (pois é, a Alzheimer não perdoa). Para os outros: olhem, há coisas que já ninguém nos tira (a não ser o raio da Alzheimer, claro). Seja como for, podem todos consultar a agenda com os próximos concertos aqui (exceptuando os que sofram de Parkinson porque – agora reparo; bolas – deixei a área onde clicar muito pequena; desculpem lá).»
Rui Rocha: «No escalão até 24 anos, apenas 61% dos inquiridos se dizem católicos. E no escalão entre 25 e 34 anos os católicos são menos de 70%. Isto é, não só a ICAR está a perder fiéis, como revela uma progressiva incapacidade de cativar o interesse das pessoas à medida que a sua idade baixa.»
Eu: «É o maior desafio para qualquer jornalista: como agarrar o leitor logo nas primeiras linhas? Há técnicas clássicas que se desenvolveram para focar a atenção das pessoas num texto, seduzindo-as com o estilo e o conteúdo. Um desafio estimulante, diga-se. E tanto mais estimulante quanto é certo que a capacidade de concentração da generalidade dos leitores contemporâneos está cada vez mais diluída. A estética de videoclip, o culto do zapping, as mil e umas artimanhas da linguagem publicitária, as centenas de canais televisivos ao dispor de cada um, as mensagens de telemóvel que a todo o momento nos assaltam e a magia da Internet tornam-nos seres dispersos e errantes.»
Pedro Correia, 18.04.22
Ana Vidal: «- Então, paizinho, que tal estás a dar-te com o tablet que te demos nos anos?
- Muito bem.
- E não tens dificuldades nas aplicações?
- Nenhumas!»
João Carvalho: «A 11 de Setembro de 1891, sentado no banco de um jardim (ainda hoje assinalado, junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança e paredes meias com o Senhor Santo Cristo dos Milagres), Antero de Quental suicidou-se com dois tiros na boca. Aos 49 anos, quis acabar na terra que o viu nascer e onde procurava sem encontrar, de mão dada com a doença, o sentido da vida. Também quis ter a certeza de que acabava com ela. O segundo tiro era uma garantia de que lhe punha fim e o intervalo entre os dois disparos não o iluminou — uma conclusão que podemos tirar com aparente segurança.»
José António Abreu: «Rita Redshoes anda pelo país a cantar coisas como esta (e esta). Se o tema nada vos diz, isso tanto pode ser motivo de parabéns (ainda estão tããão dentro do prazo, meus filhos) como de preocupação (pois é, a Alzheimer não perdoa). Para os outros: olhem, há coisas que já ninguém nos tira (a não ser o raio da Alzheimer, claro). Seja como for, podem todos consultar a agenda com os próximos concertos aqui (exceptuando os que sofram de Parkinson porque – agora reparo; bolas – deixei a área onde clicar muito pequena; desculpem lá).»
Rui Rocha: «No escalão até 24 anos, apenas 61% dos inquiridos se dizem católicos. E no escalão entre 25 e 34 anos os católicos são menos de 70%. Isto é, não só a ICAR está a perder fiéis, como revela uma progressiva incapacidade de cativar o interesse das pessoas à medida que a sua idade baixa.»
Eu: «É o maior desafio para qualquer jornalista: como agarrar o leitor logo nas primeiras linhas? Há técnicas clássicas que se desenvolveram para focar a atenção das pessoas num texto, seduzindo-as com o estilo e o conteúdo. Um desafio estimulante, diga-se. E tanto mais estimulante quanto é certo que a capacidade de concentração da generalidade dos leitores contemporâneos está cada vez mais diluída. A estética de videoclip, o culto do zapping, as mil e umas artimanhas da linguagem publicitária, as centenas de canais televisivos ao dispor de cada um, as mensagens de telemóvel que a todo o momento nos assaltam e a magia da Internet tornam-nos seres dispersos e errantes.»