O Acidental: O único político

01-07-2011
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1.Ontem, perguntei aqui se ainda havia políticos na Europa. Bom, parece que, afinal, há um. E, por sinal, é um homem de esquerda: Tony Blair: «Ouço pessoas a dizerem que temos de parar e debater a globalização. Também podemos debater se o Outono vem a seguir ao Verão […] não há mistério, por isso não há necessidade de debater o óbvio. O que funciona nesta era de rápida globalização é uma economia liberal aberta» (Público, p. 26)2. Blair pouco falou da EU. Blair falou da “malaise” francesa e ao medo alemão. E falou com orgulho patriota: “somos um grande país e nós temos orgulho nele”. Só um reparo: Blair pode falar assim porque há 20 anos uma senhora fez no Reino Unido aquilo que hoje é necessário fazer na Europa Continental.3. Os britânicos, como sempre, adaptam-se. Não esperam que o mundo obedeça às suas teorias feitas à priori. Ao invés, os europeus continentais continuam a discutir se “penico de barro ganha ferrugem” e, mais grave, continuam a fazer birra quando descobrem que Outono vem mesmo a seguir ao Verão. Os europeus continentais têm uma especificidade única no mundo: conseguem transformar o “óbvio ululante” numa nota de rodapé.[Henrique Raposo]

1.Ontem, perguntei aqui se ainda havia políticos na Europa. Bom, parece que, afinal, há um. E, por sinal, é um homem de esquerda: Tony Blair: «Ouço pessoas a dizerem que temos de parar e debater a globalização. Também podemos debater se o Outono vem a seguir ao Verão […] não há mistério, por isso não há necessidade de debater o óbvio. O que funciona nesta era de rápida globalização é uma economia liberal aberta» (Público, p. 26)2. Blair pouco falou da EU. Blair falou da “malaise” francesa e ao medo alemão. E falou com orgulho patriota: “somos um grande país e nós temos orgulho nele”. Só um reparo: Blair pode falar assim porque há 20 anos uma senhora fez no Reino Unido aquilo que hoje é necessário fazer na Europa Continental.3. Os britânicos, como sempre, adaptam-se. Não esperam que o mundo obedeça às suas teorias feitas à priori. Ao invés, os europeus continentais continuam a discutir se “penico de barro ganha ferrugem” e, mais grave, continuam a fazer birra quando descobrem que Outono vem mesmo a seguir ao Verão. Os europeus continentais têm uma especificidade única no mundo: conseguem transformar o “óbvio ululante” numa nota de rodapé.[Henrique Raposo]

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