O dia de hoje é radicalmente diferente do de ontem

01-02-2012
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Não é que a política dos PECs não nos levasse inevitavelmente a este desfecho. Não é que não continuamos a ser mandados pelos mesmos. Mas vir a ter este desfecho, não significa estar nesta situação. Perante a afirmação da crise em todo o seu esplendor, é preciso lembrar que ela não é neutra. Por muito que pareça que estamos todos no mesmo barco, é importante assinalar que, há muito, uns poucos já não estão aqui. A crise é uma espécie de catástrofe encomendada. Poucos vão lucrar muito, a grande maioria vai perder quase tudo. A crise é um instrumento da luta de classes. A maioria das conquistas sociais de gerações de trabalhadores vai ser engolida neste tsunami. Quando o tempo passar, o capital financeiro terá engolido uma ainda maior fatia dos rendimentos dos trabalhadores dos países do sul da Europa. E estará a pressionar para que se limitem os direitos dos trabalhadores do norte e centro da Europa. Perante este desastre seria necessário reconstituir uma esquerda capaz de afirmar que a crise e a austeridade não são uma obrigação, mas uma escolha política. A alternativa passa pela contrução de uma outra política à escala europeia. Acontece que embora a economia seja global, e a política económica e o euro sejam continentais, a política democrática existe apenas confinada nas fronteiras dos estados nação. O Parlamento Europeu não passa de um simulacro, afundado em burocracia, de uma democracia. Por isso, este combate acontece em todas os países, no espaço nacional de cada um. Em Portugal, PCP e BE deveriam perceber que não estamos em tempos normais. E que estes acontecimentos exigem respostas radicalmente novas. Fazer uma reunião entre os dois partidos é simpático, mas tem de ser mais do que uma encenação para eleitor ver. Só uma coligação entre comunistas e bloquistas alargada a outros activistas de esquerda podia ter a ambição de contestar a política dos PECs e do FMI. Quem não se bate para vencer torna-se progressivamente inútil.

Não é que a política dos PECs não nos levasse inevitavelmente a este desfecho. Não é que não continuamos a ser mandados pelos mesmos. Mas vir a ter este desfecho, não significa estar nesta situação. Perante a afirmação da crise em todo o seu esplendor, é preciso lembrar que ela não é neutra. Por muito que pareça que estamos todos no mesmo barco, é importante assinalar que, há muito, uns poucos já não estão aqui. A crise é uma espécie de catástrofe encomendada. Poucos vão lucrar muito, a grande maioria vai perder quase tudo. A crise é um instrumento da luta de classes. A maioria das conquistas sociais de gerações de trabalhadores vai ser engolida neste tsunami. Quando o tempo passar, o capital financeiro terá engolido uma ainda maior fatia dos rendimentos dos trabalhadores dos países do sul da Europa. E estará a pressionar para que se limitem os direitos dos trabalhadores do norte e centro da Europa. Perante este desastre seria necessário reconstituir uma esquerda capaz de afirmar que a crise e a austeridade não são uma obrigação, mas uma escolha política. A alternativa passa pela contrução de uma outra política à escala europeia. Acontece que embora a economia seja global, e a política económica e o euro sejam continentais, a política democrática existe apenas confinada nas fronteiras dos estados nação. O Parlamento Europeu não passa de um simulacro, afundado em burocracia, de uma democracia. Por isso, este combate acontece em todas os países, no espaço nacional de cada um. Em Portugal, PCP e BE deveriam perceber que não estamos em tempos normais. E que estes acontecimentos exigem respostas radicalmente novas. Fazer uma reunião entre os dois partidos é simpático, mas tem de ser mais do que uma encenação para eleitor ver. Só uma coligação entre comunistas e bloquistas alargada a outros activistas de esquerda podia ter a ambição de contestar a política dos PECs e do FMI. Quem não se bate para vencer torna-se progressivamente inútil.

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