Rua da Judiaria

30-06-2011
marcar artigo

Yasser Arafat (1929-2004)

O Princípio de uma Nova Era

“Quando cair o teu inimigo, não te alegres,

nem quando tropeçar se regozije o teu coração,

para que o Senhor não o veja, e o desgoste”

Provérbios, 24:17,18

Confesso que pouco tenho a dizer sobre a morte de Arafat. Não partilho da teoria segundo a qual todos os obituários se devem escrever em tons suaves e inócuos, afogados em elogios. A morte não apaga o que se fez em vida. Por isso não posso lamentar a sua morte. Lamento, isso sim, a situação caótica em que a sua liderança colocou o povo palestiniano.Yasser Arafat foi um ditador corrupto que acumulou uma fortuna incomensurável; que pagava uma mesada de 150 mil euros mensais à sua mulher, em Paris, ao mesmo tempo que o seu povo continuava a viver na miséria, em Gaza e na Cisjordânia; que usava os fundos que desviou para comprar influências e manter o poder; que fingiu querer a paz para a rejeitar repetidamente cada vez que ela se aproximava.Agora, o factor mais importante, a meu ver, é a esperança da morte de Arafat poder alterar a dinâmica de violência e abrir caminho para o estabelecimento de uma paz duradoura no Médio Oriente. Por um lado, a OLP tem agora uma oportunidade única de quebrar o ciclo de caciquismo e corrupção que marcaram a era Arafat. Por outro, Israel fica privada do alibi que a “irrelevância” de Arafat propiciava e será obrigada a agir rapidamente no caminho da paz. O governo israelita tem, agora mais do que nunca, a obrigação moral e o dever de apoiar a nova liderança da Autoridade Palestiniana e reconhecer nela uma legítima parceria na mesa de negociações, sob pena de ver emergir os assassinos do Hamas como “alternativa”. Para já, deverá negociar-se de imediato com a AP a transição de poder provocada pelo plano de retirada unilateral de Gaza.Com o desaparecimento de Arafat, pessoalmente acredito que seria agora a vez de Ariel Sharon abandonar o governo israelita, de forma a permitir que o retomar das negociações de paz possa ser feito sem a presença de figuras polarizadoras.Numa amostra do que pode, e deve, ser o jornalismo feito para a Internet, o New York Times tem disponível uma notável reportagem multimédia recente bastante aprofundada sobre as complexidades e desafios da sociedade palestiniana, um trabalho francamente bem feito a não perder, da autoria do jornalista James Bennet.

Yasser Arafat (1929-2004)

O Princípio de uma Nova Era

“Quando cair o teu inimigo, não te alegres,

nem quando tropeçar se regozije o teu coração,

para que o Senhor não o veja, e o desgoste”

Provérbios, 24:17,18

Confesso que pouco tenho a dizer sobre a morte de Arafat. Não partilho da teoria segundo a qual todos os obituários se devem escrever em tons suaves e inócuos, afogados em elogios. A morte não apaga o que se fez em vida. Por isso não posso lamentar a sua morte. Lamento, isso sim, a situação caótica em que a sua liderança colocou o povo palestiniano.Yasser Arafat foi um ditador corrupto que acumulou uma fortuna incomensurável; que pagava uma mesada de 150 mil euros mensais à sua mulher, em Paris, ao mesmo tempo que o seu povo continuava a viver na miséria, em Gaza e na Cisjordânia; que usava os fundos que desviou para comprar influências e manter o poder; que fingiu querer a paz para a rejeitar repetidamente cada vez que ela se aproximava.Agora, o factor mais importante, a meu ver, é a esperança da morte de Arafat poder alterar a dinâmica de violência e abrir caminho para o estabelecimento de uma paz duradoura no Médio Oriente. Por um lado, a OLP tem agora uma oportunidade única de quebrar o ciclo de caciquismo e corrupção que marcaram a era Arafat. Por outro, Israel fica privada do alibi que a “irrelevância” de Arafat propiciava e será obrigada a agir rapidamente no caminho da paz. O governo israelita tem, agora mais do que nunca, a obrigação moral e o dever de apoiar a nova liderança da Autoridade Palestiniana e reconhecer nela uma legítima parceria na mesa de negociações, sob pena de ver emergir os assassinos do Hamas como “alternativa”. Para já, deverá negociar-se de imediato com a AP a transição de poder provocada pelo plano de retirada unilateral de Gaza.Com o desaparecimento de Arafat, pessoalmente acredito que seria agora a vez de Ariel Sharon abandonar o governo israelita, de forma a permitir que o retomar das negociações de paz possa ser feito sem a presença de figuras polarizadoras.Numa amostra do que pode, e deve, ser o jornalismo feito para a Internet, o New York Times tem disponível uma notável reportagem multimédia recente bastante aprofundada sobre as complexidades e desafios da sociedade palestiniana, um trabalho francamente bem feito a não perder, da autoria do jornalista James Bennet.

marcar artigo