BES sob pressão da CMVM para reembolsar dívida da ESFG
Filipe Alves
filipe.alves@economico.pt
29 Jul 2014
Banco ainda não decidiu se reembolsa clientes que investiram 211 milhões em dívida do Espírito Santo Financial Group. Prejuízo semestral pode superar dois mil milhões, levando a novo aumento de capital.
O Banco Espírito Santo (BES) não tomou ainda uma decisão quanto ao reembolso do papel comercial da Espírito Santo Financial Group (ESFG) que vendeu a clientes de retalho, apurou o Económico. Apesar de pressionada em público pela CMVM para que garanta esse reembolso de 211 milhões de euros, a gestão liderada por Vítor Bento sustenta que, ao contrário da ESI e da Rio Forte, a ESFG é cotada e devidamente supervisionada, pelo que os clientes correram um risco aceitável ao investirem no papel comercial da empresa, que há dias pediu protecção contra credores no Luxemburgo.
Num comunicado divulgado na quinta-feira, o BES garantiu o reembolso da dívida da Rio Forte e da Espírito Santo International (ESI) subscrita por clientes de retalho, num total de 597 milhões de euros que vencem este ano, sem fazer menção à ESFG. Ora no mesmo dia, no Parlamento, o presidente da CMVM tinha defendido que o BES deve assegurar o reembolso de todas as aplicações de clientes de retalho em dívida de empresas do Grupo Espírito Santo (GES), sem admitir excepções. A CMVM entende que devem ser reembolsados todos os investidores não-qualificados que subscreveram produtos aos balcões do BES, ou de outros bancos do grupo, referentes a dívida emitida por empresas do GES.
A ESFG, dona de 20,1% do BES, é detida em 49% pela Rio Forte, que por sua vez é controlada em 100% pela Espírito Santo International (ESI), sendo que estas três holdings do GES estão insolventes e entraram em incumprimento. No que toca a clientes de retalho do BES, estão em causa 808 milhões de euros: 342 milhões em dívida da Rio Forte, 255 milhões da ESI e 211 milhões da ESFG. O BES vendeu ainda a clientes de retalho papel comercial da ESCOM (64 milhões), da ES Tourism (144 milhões) e de duas outras subsidiárias (44 milhões).
Embora o banco admita a possibilidade de também reembolsar os investidores em dívida da ESFG, considera que há ainda tempo para decidir, dado que estas emissões de dívida subordinada vencerão em 2015 e 2019. Se o BES não assegurar o pagamento, estes investidores terão os mesmos direitos que os outros credores de dívida subordinada da sociedade insolvente. Ou seja, apenas serão reembolsados após os credores de dívida não subordinada.
BES poderá registar prejuízo recorde superior a dois mil milhões de euros
A necessidade de reembolsar estes clientes e as perdas com crédito ao GES (com uma exposição de 1,2 mil milhões de euros) obrigam o BES a preparar medidas de capitalização que serão conhecidas após a divulgação dos resultados semestrais, amanhã à noite.
Segundo analistas e fontes do mercado, o BES poderá apresentar um prejuízo superior a dois mil milhões de euros, no primeiro semestre. A confirmar-se, torna-se muito provável um novo aumento de capital, feito no mercado ou recorrendo à linha de capitalização da ‘troika', que tem ainda 6,4 mil milhões de euros. De modo a evitar o recurso a esta linha, o Banco de Portugal tem procurado assegurar a entrada de novos accionistas no BES.
Esta conjuntura tem afectado o ‘rating'. Ontem, o BES anunciou que a chinesa Dagong reviu a notação de longo prazo para ‘B', com ‘outlook' negativo.
BES sob pressão da CMVM para reembolsar dívida da ESFG
Filipe Alves
filipe.alves@economico.pt
29 Jul 2014
Banco ainda não decidiu se reembolsa clientes que investiram 211 milhões em dívida do Espírito Santo Financial Group. Prejuízo semestral pode superar dois mil milhões, levando a novo aumento de capital.
O Banco Espírito Santo (BES) não tomou ainda uma decisão quanto ao reembolso do papel comercial da Espírito Santo Financial Group (ESFG) que vendeu a clientes de retalho, apurou o Económico. Apesar de pressionada em público pela CMVM para que garanta esse reembolso de 211 milhões de euros, a gestão liderada por Vítor Bento sustenta que, ao contrário da ESI e da Rio Forte, a ESFG é cotada e devidamente supervisionada, pelo que os clientes correram um risco aceitável ao investirem no papel comercial da empresa, que há dias pediu protecção contra credores no Luxemburgo.
Num comunicado divulgado na quinta-feira, o BES garantiu o reembolso da dívida da Rio Forte e da Espírito Santo International (ESI) subscrita por clientes de retalho, num total de 597 milhões de euros que vencem este ano, sem fazer menção à ESFG. Ora no mesmo dia, no Parlamento, o presidente da CMVM tinha defendido que o BES deve assegurar o reembolso de todas as aplicações de clientes de retalho em dívida de empresas do Grupo Espírito Santo (GES), sem admitir excepções. A CMVM entende que devem ser reembolsados todos os investidores não-qualificados que subscreveram produtos aos balcões do BES, ou de outros bancos do grupo, referentes a dívida emitida por empresas do GES.
A ESFG, dona de 20,1% do BES, é detida em 49% pela Rio Forte, que por sua vez é controlada em 100% pela Espírito Santo International (ESI), sendo que estas três holdings do GES estão insolventes e entraram em incumprimento. No que toca a clientes de retalho do BES, estão em causa 808 milhões de euros: 342 milhões em dívida da Rio Forte, 255 milhões da ESI e 211 milhões da ESFG. O BES vendeu ainda a clientes de retalho papel comercial da ESCOM (64 milhões), da ES Tourism (144 milhões) e de duas outras subsidiárias (44 milhões).
Embora o banco admita a possibilidade de também reembolsar os investidores em dívida da ESFG, considera que há ainda tempo para decidir, dado que estas emissões de dívida subordinada vencerão em 2015 e 2019. Se o BES não assegurar o pagamento, estes investidores terão os mesmos direitos que os outros credores de dívida subordinada da sociedade insolvente. Ou seja, apenas serão reembolsados após os credores de dívida não subordinada.
BES poderá registar prejuízo recorde superior a dois mil milhões de euros
A necessidade de reembolsar estes clientes e as perdas com crédito ao GES (com uma exposição de 1,2 mil milhões de euros) obrigam o BES a preparar medidas de capitalização que serão conhecidas após a divulgação dos resultados semestrais, amanhã à noite.
Segundo analistas e fontes do mercado, o BES poderá apresentar um prejuízo superior a dois mil milhões de euros, no primeiro semestre. A confirmar-se, torna-se muito provável um novo aumento de capital, feito no mercado ou recorrendo à linha de capitalização da ‘troika', que tem ainda 6,4 mil milhões de euros. De modo a evitar o recurso a esta linha, o Banco de Portugal tem procurado assegurar a entrada de novos accionistas no BES.
Esta conjuntura tem afectado o ‘rating'. Ontem, o BES anunciou que a chinesa Dagong reviu a notação de longo prazo para ‘B', com ‘outlook' negativo.