Primeiro-ministro disse que ia, mas já não vai à maior feira mundial de calçado
"Conte comigo em Milão." Ainda há três semanas, no célebre Congresso das Exportações, no Europarque, o primeiro-ministro garantia ao presidente da associação dos industriais de calçado (APICCAPS), Fortunato Frederico, que o reencontro estava marcado para a Micam, a maior feira mundial do sector, que arranca no próximo domingo naquela cidade italiana. Mas já não vai, confirmou o Negócios junto do gabinete de José Sócrates.
"Tínhamos a expectativa de que o primeiro-ministro pudesse visitar a Micam. Ao longo dos últimos meses houve várias conversas nesse sentido", reagiu Paulo Gonçalves, porta-voz da APICCAPS, ressalvando que a informação que tinha até ao momento, do próprio gabinete do chefe de Governo, apontava para a presença de Sócrates. "O primeiro-ministro disse que gostava muito de ir a Milão, considerando que seria uma homenagem justa a um sector que tem feito muito pelas exportações", enfatizou o mesmo responsável associativo.
"Mas compreendemos [que Sócrates tenha recuado na decisão], já que o 'timing' desta feira não é o mais adequado" face à agenda da próxima semana do chefe de Governo, rematou Paulo Gonçalves. Lembrete: na quarta-feira, tomada de posse de Cavaco Silva; no dia seguinte, discussão da moção de censura do Bloco de Esquerda; e na sexta-feira, cimeira de chefes de Estado dos países do euro.
Caso Sócrates tivesse firmado a Micam, seria a primeira vez que um primeiro-ministro português estaria presente numa feira internacional de calçado, o sector mais internacionalizado da economia nacional e o que mais positivamente contribui para abalança comercial do país: um saldo líquido anual da ordem dos 700 milhões de euros. À falta de Sócrates, está já confirmada a presença de Fernando Medina, secretário de Estado da Indústria.
Em aberto continua a possibilidade de o ministro Vieira da Silva deslocar-se também a Milão, adiantou ao Negócios fonte oficial do Ministério da Economia.
1/3 das exportações na feira
A próxima edição da Micam, a maior e mais prestigiada feira de calçado do mundo, vai contar com a presença de 97 marcas portuguesas de sapatos, que representam mais de seis mil postos de trabalho e cerca de 450 milhões de euros de exportações.
Trata-se da segunda maior delegação estrangeira na feira de Milão, sendo apenas superada pela de Espanha. Ora, Itália e Espanha são precisamente os grandes concorrentes de Portugal nesta indústria. As exportações portuguesas de calçado cresceram 24% na última década, tendo fechado 2010 perto dos 1,3 mil milhões de euros (95% da produção). Nesse período, as exportações italianas de sapatos recuaram 1,9% e as espanholas 7,3%. Mais: no último ano, o preço médio do par de sapatos nacional aumentou 11,6%, para 22,75 euros, enquanto o italiano (29,67 euros) e o espanhol (16,62 euros) caíram.
Fileira do calçado vai investir na eficiência energética
A APICCAPS acaba de lançar um plano de acção para as energias renováveis e eficiência energética na fileira do calçado. O documento, elaborado pelo INESC Porto, e que foi ontem apresentado, sugere, por exemplo,"colocar um sistema de monitorização de energia com uma plataforma de consumo capaz de informar, automaticamente e em tempo real, os responsáveis da empresa aquando da ocorrência de consumos anómalos". No domínio mais importante, a força motriz (vale quase 80% da factura energética), sugere-se "a utilização de motores de alta eficiência; a substituição de motores sobredimensionados; a alteração dos sistemas de transmissão com correias trapezoidais por correias dentadas; desligar motores quando não estão a ser usados; recorrer a temporizadores programáveis para ligar sistemas apenas quando necessário; e, entre outras, executar operações de manutenção".
Jornal de Negócios, 2 de Março de 2011
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Primeiro-ministro disse que ia, mas já não vai à maior feira mundial de calçado
"Conte comigo em Milão." Ainda há três semanas, no célebre Congresso das Exportações, no Europarque, o primeiro-ministro garantia ao presidente da associação dos industriais de calçado (APICCAPS), Fortunato Frederico, que o reencontro estava marcado para a Micam, a maior feira mundial do sector, que arranca no próximo domingo naquela cidade italiana. Mas já não vai, confirmou o Negócios junto do gabinete de José Sócrates.
"Tínhamos a expectativa de que o primeiro-ministro pudesse visitar a Micam. Ao longo dos últimos meses houve várias conversas nesse sentido", reagiu Paulo Gonçalves, porta-voz da APICCAPS, ressalvando que a informação que tinha até ao momento, do próprio gabinete do chefe de Governo, apontava para a presença de Sócrates. "O primeiro-ministro disse que gostava muito de ir a Milão, considerando que seria uma homenagem justa a um sector que tem feito muito pelas exportações", enfatizou o mesmo responsável associativo.
"Mas compreendemos [que Sócrates tenha recuado na decisão], já que o 'timing' desta feira não é o mais adequado" face à agenda da próxima semana do chefe de Governo, rematou Paulo Gonçalves. Lembrete: na quarta-feira, tomada de posse de Cavaco Silva; no dia seguinte, discussão da moção de censura do Bloco de Esquerda; e na sexta-feira, cimeira de chefes de Estado dos países do euro.
Caso Sócrates tivesse firmado a Micam, seria a primeira vez que um primeiro-ministro português estaria presente numa feira internacional de calçado, o sector mais internacionalizado da economia nacional e o que mais positivamente contribui para abalança comercial do país: um saldo líquido anual da ordem dos 700 milhões de euros. À falta de Sócrates, está já confirmada a presença de Fernando Medina, secretário de Estado da Indústria.
Em aberto continua a possibilidade de o ministro Vieira da Silva deslocar-se também a Milão, adiantou ao Negócios fonte oficial do Ministério da Economia.
1/3 das exportações na feira
A próxima edição da Micam, a maior e mais prestigiada feira de calçado do mundo, vai contar com a presença de 97 marcas portuguesas de sapatos, que representam mais de seis mil postos de trabalho e cerca de 450 milhões de euros de exportações.
Trata-se da segunda maior delegação estrangeira na feira de Milão, sendo apenas superada pela de Espanha. Ora, Itália e Espanha são precisamente os grandes concorrentes de Portugal nesta indústria. As exportações portuguesas de calçado cresceram 24% na última década, tendo fechado 2010 perto dos 1,3 mil milhões de euros (95% da produção). Nesse período, as exportações italianas de sapatos recuaram 1,9% e as espanholas 7,3%. Mais: no último ano, o preço médio do par de sapatos nacional aumentou 11,6%, para 22,75 euros, enquanto o italiano (29,67 euros) e o espanhol (16,62 euros) caíram.
Fileira do calçado vai investir na eficiência energética
A APICCAPS acaba de lançar um plano de acção para as energias renováveis e eficiência energética na fileira do calçado. O documento, elaborado pelo INESC Porto, e que foi ontem apresentado, sugere, por exemplo,"colocar um sistema de monitorização de energia com uma plataforma de consumo capaz de informar, automaticamente e em tempo real, os responsáveis da empresa aquando da ocorrência de consumos anómalos". No domínio mais importante, a força motriz (vale quase 80% da factura energética), sugere-se "a utilização de motores de alta eficiência; a substituição de motores sobredimensionados; a alteração dos sistemas de transmissão com correias trapezoidais por correias dentadas; desligar motores quando não estão a ser usados; recorrer a temporizadores programáveis para ligar sistemas apenas quando necessário; e, entre outras, executar operações de manutenção".
Jornal de Negócios, 2 de Março de 2011