Numa carta dirigida ao Congresso, o Presidente Barack Obama anunciou na sexta-feira ter “autorizado um pequeno número de soldados americanos equipados para irem para a África Central ajudar as forças da região que trabalham para obrigar Joseph Kony a abandonar o campo de batalha”. O LRA tem fama de ser uma das guerrilhas mais violentas do mundo e Kony é procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade.
O primeiro grupo de soldados americanos já chegou na quarta-feira ao Uganda e durante este mês outros seguirão para os países vizinhos, que autorizaram a presença americana: República Democrática do Congo (RDC), República Centro-Africana e Sudão do Sul, explicou o Presidente. Trata-se da mobilização mais importante de tropas em África anunciada por Washington desde o sangrento fiasco da intervenção na Somália, em 1993, durante a Administração Bill Clinton.
O Governo americano precisou que os soldados não irão combater directamente os rebeldes. “As nossas forças darão informação, conselhos e uma ajuda” aos parceiros, garantiu Obama. O Presidente, que uma vez se referiu ao LRA como “uma afronta à dignidade humana”, adiantou que as tropas só se envolverão em combates em casos de auto-defesa.
Os rebeldes operam no Norte do Uganda desde 1988, com os seus combatentes a espalharem-se pelos países vizinhos. O LRA, que diz ser de inspiração religiosa, é acusado do massacre de civis, mutilações e raptos de crianças (de rapazes para combater, e de raparigas para serem usadas como escravas sexuais). Em 20 anos, os combates com a guerrilha fizeram várias dezenas de milhares de mortos e 1,8 milhões de deslocados.
Os confrontos cessaram em 2006, quando foi lançado um processo de negociações, mas o diálogo falhou dois anos depois, quando Kony se recusou a assinar um acordo para acabar com as atrocidades; o LRA continua activo e a dificultar os esforços da ONU para estabilizar a região. As autoridades ugandesas e congolesas afirmaram no início do ano que o líder terá entretanto regressado ao Leste da RDC.
"Missão limitada"
O contingente americano, que pertence sobretudo às “forças especiais, comandos de elite utilizados nas operações anti-guerrilha”, irá para o terreno “nos sectores ameaçados pelo LRA”, afirmou um alto responsável da defesa à AFP.
Um membro da Administração adiantou à Reuters que a missão é limitada e durará apenas alguns meses. Por seu lado, um porta-voz militar disse à BBC que “as forças [americanas] estão preparadas para ficar o tempo necessário para permitir às forças de segurança regionais continuar de forma independente”.
Mas mesmo que os americanos não participem em combates, irão lançar-se numa operação “incrivelmente difícil e complicada”, estima à agência francesa Richard Downie, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington. Os rebeldes rondarão os 200 ou 300, “mas são combatentes aguerridos, repartidos em pequenos grupos num território extremamente vasto e deixado à anarquia”.
Neste contexto, a operação “deve ser muito seriamente planeada”, continua o analista, recordando que os EUA já enviaram algumas dezenas de conselheiros militares para a região em finais de 2008 para ajudar o Exército ugandês. “A operação foi um falhanço total. Os chefes do LRA escaparam e mataram milhares de civis na RDC como vingança. Desta vez, os EUA deverão meter a mão na massa”.
O Departamento de Estado afirmou que a operação tem “o consentimento” do Governo ugandês, chefiado pelo Presidente Yoweri Museveni, que tem sido acusado de usar a luta contra os rebeldes como uma desculpa para calar a oposição política, refere a Reuters. “Não solicitámos este apoio, mas agora que ele veio saudamo-lo”, comentou Felix Kulaigye, porta-voz do Exército do Uganda. “Kony é uma ameaça à segurança regional e quanto mais cedo acabarmos com ela melhor”.
A missão também traz algumas reservas em Washington. O rival de Obama nas presidenciais, o senador John McCain, avisou que há o risco de “tragédias que ninguém deseja nem prevê”, numa alusão à intervenção na Somália que acabou com a humilhação das forças americanas. Num comunicado, lamentou que o Congresso não tenha sido auscultado nesta matéria.Notícia corrigida às 17h59
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Numa carta dirigida ao Congresso, o Presidente Barack Obama anunciou na sexta-feira ter “autorizado um pequeno número de soldados americanos equipados para irem para a África Central ajudar as forças da região que trabalham para obrigar Joseph Kony a abandonar o campo de batalha”. O LRA tem fama de ser uma das guerrilhas mais violentas do mundo e Kony é procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade.
O primeiro grupo de soldados americanos já chegou na quarta-feira ao Uganda e durante este mês outros seguirão para os países vizinhos, que autorizaram a presença americana: República Democrática do Congo (RDC), República Centro-Africana e Sudão do Sul, explicou o Presidente. Trata-se da mobilização mais importante de tropas em África anunciada por Washington desde o sangrento fiasco da intervenção na Somália, em 1993, durante a Administração Bill Clinton.
O Governo americano precisou que os soldados não irão combater directamente os rebeldes. “As nossas forças darão informação, conselhos e uma ajuda” aos parceiros, garantiu Obama. O Presidente, que uma vez se referiu ao LRA como “uma afronta à dignidade humana”, adiantou que as tropas só se envolverão em combates em casos de auto-defesa.
Os rebeldes operam no Norte do Uganda desde 1988, com os seus combatentes a espalharem-se pelos países vizinhos. O LRA, que diz ser de inspiração religiosa, é acusado do massacre de civis, mutilações e raptos de crianças (de rapazes para combater, e de raparigas para serem usadas como escravas sexuais). Em 20 anos, os combates com a guerrilha fizeram várias dezenas de milhares de mortos e 1,8 milhões de deslocados.
Os confrontos cessaram em 2006, quando foi lançado um processo de negociações, mas o diálogo falhou dois anos depois, quando Kony se recusou a assinar um acordo para acabar com as atrocidades; o LRA continua activo e a dificultar os esforços da ONU para estabilizar a região. As autoridades ugandesas e congolesas afirmaram no início do ano que o líder terá entretanto regressado ao Leste da RDC.
"Missão limitada"
O contingente americano, que pertence sobretudo às “forças especiais, comandos de elite utilizados nas operações anti-guerrilha”, irá para o terreno “nos sectores ameaçados pelo LRA”, afirmou um alto responsável da defesa à AFP.
Um membro da Administração adiantou à Reuters que a missão é limitada e durará apenas alguns meses. Por seu lado, um porta-voz militar disse à BBC que “as forças [americanas] estão preparadas para ficar o tempo necessário para permitir às forças de segurança regionais continuar de forma independente”.
Mas mesmo que os americanos não participem em combates, irão lançar-se numa operação “incrivelmente difícil e complicada”, estima à agência francesa Richard Downie, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington. Os rebeldes rondarão os 200 ou 300, “mas são combatentes aguerridos, repartidos em pequenos grupos num território extremamente vasto e deixado à anarquia”.
Neste contexto, a operação “deve ser muito seriamente planeada”, continua o analista, recordando que os EUA já enviaram algumas dezenas de conselheiros militares para a região em finais de 2008 para ajudar o Exército ugandês. “A operação foi um falhanço total. Os chefes do LRA escaparam e mataram milhares de civis na RDC como vingança. Desta vez, os EUA deverão meter a mão na massa”.
O Departamento de Estado afirmou que a operação tem “o consentimento” do Governo ugandês, chefiado pelo Presidente Yoweri Museveni, que tem sido acusado de usar a luta contra os rebeldes como uma desculpa para calar a oposição política, refere a Reuters. “Não solicitámos este apoio, mas agora que ele veio saudamo-lo”, comentou Felix Kulaigye, porta-voz do Exército do Uganda. “Kony é uma ameaça à segurança regional e quanto mais cedo acabarmos com ela melhor”.
A missão também traz algumas reservas em Washington. O rival de Obama nas presidenciais, o senador John McCain, avisou que há o risco de “tragédias que ninguém deseja nem prevê”, numa alusão à intervenção na Somália que acabou com a humilhação das forças americanas. Num comunicado, lamentou que o Congresso não tenha sido auscultado nesta matéria.Notícia corrigida às 17h59