Normalmente, numa situação normal, o crime não compensa. E Judite sentiu na pele que o enorme frete que fez a Soares na entrevista a Alegre não a compensou. Antes pelo contrário. Soares, como é hábito, foi implacável e marcou a entrevista na RTP ao seu velho estilo do quero, posso e mando. Mandou-a calar quando a jornalista tentou entrar na polémica Alegre/Soares, disse-lhe que tinha sempre Cavaco na cabeça e que o melhor seria perguntar ao ex-primeiro-ministro se pensava todos os dias em Soares, repreendeu-a por não ter estudado bem a lição a propósito da globalização e das suas posições sobre o assunto e acabou por dizer, em resposta a uma pequena diatribe de Judite sobre processos de intenção, que a entrevista até tinha sido interessante porque ele, Soares, a tinha conduzido. Enfim, não havia necessidade de Judite sair tão humilhada de uma entrevista. Mas quem não se dá ao respeito não merece ser respeitado e o mais natural é que Jerónimo, Louçã e Cavaco apanhem a deixa e imponham as suas regras a Judite. Isto é, comandem a entrevista que, por definição, deve ser orientada do princípio ao fim pelo jornalista. Isto para não falar dos seus silêncios quando Soares afirmava, orgulhoso, que muitos países já negociavam com terroristas depois de ele, o sumo sacerdote mundial, ter defendido o diálogo com Ben Laden e a Al-Qaeda para acabar com a barbárie e o assassínio de milhares de inocentes. Uma tristeza. Uma profunda tristeza por ver uma jornalista e uma RTP prestarem um péssimo serviço público.
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Normalmente, numa situação normal, o crime não compensa. E Judite sentiu na pele que o enorme frete que fez a Soares na entrevista a Alegre não a compensou. Antes pelo contrário. Soares, como é hábito, foi implacável e marcou a entrevista na RTP ao seu velho estilo do quero, posso e mando. Mandou-a calar quando a jornalista tentou entrar na polémica Alegre/Soares, disse-lhe que tinha sempre Cavaco na cabeça e que o melhor seria perguntar ao ex-primeiro-ministro se pensava todos os dias em Soares, repreendeu-a por não ter estudado bem a lição a propósito da globalização e das suas posições sobre o assunto e acabou por dizer, em resposta a uma pequena diatribe de Judite sobre processos de intenção, que a entrevista até tinha sido interessante porque ele, Soares, a tinha conduzido. Enfim, não havia necessidade de Judite sair tão humilhada de uma entrevista. Mas quem não se dá ao respeito não merece ser respeitado e o mais natural é que Jerónimo, Louçã e Cavaco apanhem a deixa e imponham as suas regras a Judite. Isto é, comandem a entrevista que, por definição, deve ser orientada do princípio ao fim pelo jornalista. Isto para não falar dos seus silêncios quando Soares afirmava, orgulhoso, que muitos países já negociavam com terroristas depois de ele, o sumo sacerdote mundial, ter defendido o diálogo com Ben Laden e a Al-Qaeda para acabar com a barbárie e o assassínio de milhares de inocentes. Uma tristeza. Uma profunda tristeza por ver uma jornalista e uma RTP prestarem um péssimo serviço público.