A pretensa imunidade política da esquerda
Se andava cada vez mais convencido de que os partidos de esquerda se arrogavam uma pretensa superioridade moral e intelectual, esta semana concluí que gozam, também, de uma espécie de imunidade política à responsabilização. Ou, pelo menos, acham que sim, o que já é sintomático.
Li, aqui ao lado, num artigo de Isabel Moreira (hoje Deputada do PS e ex-assessora de Paulo Campos no Governo Sócrates), algo que comprova precisamente isto: o PS ainda não percebeu o mal que fez ao país e vê em António Costa, e na fragilidade que a coligação revela nas sondagens, uma oportunidade para o branqueamento da "tralha Socrática" (como lhe chamou Marques Mendes.
Ou seja, António Costa simboliza a oportunidade que o PS quer ter para, aproveitando o desgaste de um Governo que teve de corrigir as "manhosices" deixadas por Sócrates, voltar a exercer o poder e aproveitar a fase da bonança que o Pós-Troika cada vez mais revela. Neste percurso, António Costa, o tal que adora ignorar os estatutos do partido porque não dão jeito, vem também à boleia de um Tribunal Constitucional que atua como uma espécie de "freio-bridão" da recuperação de Portugal. Qual Dona Inércia, que pulula para lá de qualquer reparo.
3ª Via de Costa é a Via Sócrates
Mas, na verdade, o problema está no PS e não em Seguro ou Costa. Pelo que percebemos do discurso do Presidente da Câmara de Lisboa a sua "3ª Via" é, afinal, a "1ª via" de Seguro, também conhecida como a "Via Sócrates". Isto é, muda o protagonista mas as banalidades persistem (por mais que Miguel Sousa Tavares o tente disfarçar). Reconheçamos que o laço tem menos vincos e o papel de embrulho mais gramagem e qualidade: o mensageiro tem mais estilo e passa melhor na televisão.
O regresso dos que "ajoelharam" Portugal
No fundo, Seguro apresenta a receita de Costa e Sócrates, com protagonistas com "cadastro" político mais limpo. Costa disfarça ainda menos e repete a receita e os obreiros do socratismo - os tais que ajoelharam Portugal perante a Troika, negociaram e assinaram o "maldito" Memorando, lançaram as famosas PPPs com o inefável Paulo Campos sorridente na liderança, fizeram a "Festa na Parque Escolar", aumentaram pensões na véspera de eleições e decretaram o seu congelamento depois de as terem ganho.
P.S. 1 - Insultos e ameaças. Dos jornais ao Facebook, das televisões às rádios, a crise no PS trouxe ao de cima o pior dos partidos. Como sempre na vida, embora nem sempre de forma proporcional, em tudo de mal há sempre algo de bom. Pela amostra perante o espetáculo, triste, apetece perguntar: Será este PS que queremos a governar?
P.S. 2 - Ao contrário do ex-Dono-Disto-Tudo (leia-se Ricardo Salgado), Oliveira e Costa vestia mal, vinha do povo, era humilde e vinha da política. Sabemos que isso conta mas o resto não é muito diferente, mas não explica tudo.
Vitor Constâncio já não lidera o Banco de Portugal; Sócrates já não é primeiro-ministro. Caso contrário, sabíamos como tudo terminaria. O BES seria nacionalizado daqui a uns 5 anos (até lá o Banco de Portugal não teria notado nada de anormal ...). Chegada "a surpresa", com lhe chamariam Constâncio e Sócrates, a CGD investiria o dinheiro nos nossos impostos a proteger o sistema financeiro de um risco sistémico e acabaria a nacionalizar o GES sem tocar nos anéis do Espírito Santo. Felizmente Portugal aprende com os erros do passado e, em boa hora, exportou para a Europa a sua D. Inércia da finança, Vitor Constâncio. Obrigado Dr. Carlos Costa. Estivemos mal habituados mas sabemos bem como se constrói um futuro mais sólido.
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A pretensa imunidade política da esquerda
Se andava cada vez mais convencido de que os partidos de esquerda se arrogavam uma pretensa superioridade moral e intelectual, esta semana concluí que gozam, também, de uma espécie de imunidade política à responsabilização. Ou, pelo menos, acham que sim, o que já é sintomático.
Li, aqui ao lado, num artigo de Isabel Moreira (hoje Deputada do PS e ex-assessora de Paulo Campos no Governo Sócrates), algo que comprova precisamente isto: o PS ainda não percebeu o mal que fez ao país e vê em António Costa, e na fragilidade que a coligação revela nas sondagens, uma oportunidade para o branqueamento da "tralha Socrática" (como lhe chamou Marques Mendes.
Ou seja, António Costa simboliza a oportunidade que o PS quer ter para, aproveitando o desgaste de um Governo que teve de corrigir as "manhosices" deixadas por Sócrates, voltar a exercer o poder e aproveitar a fase da bonança que o Pós-Troika cada vez mais revela. Neste percurso, António Costa, o tal que adora ignorar os estatutos do partido porque não dão jeito, vem também à boleia de um Tribunal Constitucional que atua como uma espécie de "freio-bridão" da recuperação de Portugal. Qual Dona Inércia, que pulula para lá de qualquer reparo.
3ª Via de Costa é a Via Sócrates
Mas, na verdade, o problema está no PS e não em Seguro ou Costa. Pelo que percebemos do discurso do Presidente da Câmara de Lisboa a sua "3ª Via" é, afinal, a "1ª via" de Seguro, também conhecida como a "Via Sócrates". Isto é, muda o protagonista mas as banalidades persistem (por mais que Miguel Sousa Tavares o tente disfarçar). Reconheçamos que o laço tem menos vincos e o papel de embrulho mais gramagem e qualidade: o mensageiro tem mais estilo e passa melhor na televisão.
O regresso dos que "ajoelharam" Portugal
No fundo, Seguro apresenta a receita de Costa e Sócrates, com protagonistas com "cadastro" político mais limpo. Costa disfarça ainda menos e repete a receita e os obreiros do socratismo - os tais que ajoelharam Portugal perante a Troika, negociaram e assinaram o "maldito" Memorando, lançaram as famosas PPPs com o inefável Paulo Campos sorridente na liderança, fizeram a "Festa na Parque Escolar", aumentaram pensões na véspera de eleições e decretaram o seu congelamento depois de as terem ganho.
P.S. 1 - Insultos e ameaças. Dos jornais ao Facebook, das televisões às rádios, a crise no PS trouxe ao de cima o pior dos partidos. Como sempre na vida, embora nem sempre de forma proporcional, em tudo de mal há sempre algo de bom. Pela amostra perante o espetáculo, triste, apetece perguntar: Será este PS que queremos a governar?
P.S. 2 - Ao contrário do ex-Dono-Disto-Tudo (leia-se Ricardo Salgado), Oliveira e Costa vestia mal, vinha do povo, era humilde e vinha da política. Sabemos que isso conta mas o resto não é muito diferente, mas não explica tudo.
Vitor Constâncio já não lidera o Banco de Portugal; Sócrates já não é primeiro-ministro. Caso contrário, sabíamos como tudo terminaria. O BES seria nacionalizado daqui a uns 5 anos (até lá o Banco de Portugal não teria notado nada de anormal ...). Chegada "a surpresa", com lhe chamariam Constâncio e Sócrates, a CGD investiria o dinheiro nos nossos impostos a proteger o sistema financeiro de um risco sistémico e acabaria a nacionalizar o GES sem tocar nos anéis do Espírito Santo. Felizmente Portugal aprende com os erros do passado e, em boa hora, exportou para a Europa a sua D. Inércia da finança, Vitor Constâncio. Obrigado Dr. Carlos Costa. Estivemos mal habituados mas sabemos bem como se constrói um futuro mais sólido.