Zeinal Bava: o estratega na liderança da Portugal Telecom

22-11-2014
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Zeinal Bava: o estratega na liderança da Portugal Telecom

Cátia Simões

29 Jul 2011

O presidente executivo da Portugal Telecom ficou em quinto lugar nos prémios ‘CEO em Destaque’.

Conhece os colaboradores pelo nome, envia SMS no aniversário dos funcionários e - apesar de se rodear dos seus homens de confiança - tem uma relação operacional próxima com as quartas e quintas linhas da Portugal Telecom (PT). Assim é hoje descrito o presidente executivo da PT, Zeinal Bava.

O gestor estava a dar os primeiros passos na banca londrina quando se interessou pelo ‘dossier' da privatização da PT. Hoje, aos 45 anos, lidera os destinos da maior operadora do País. "Uma liderança forte e de grande cultura de exigência mas, ao mesmo tempo, de informalidade", diz quem trabalha de perto com o gestor nascido em Moçambique.

Determinação, persistência e pragmatismo são as características mais destacadas pelas fontes contactadas pelo Diário Económico. E que se revelaram cedo: Zeinal Bava foi, com 14 anos, estudar para Londres, num colégio interno.

O contacto com a cultura anglo-saxónica marcaria o seu estilo de liderança. "Zeinal estuda os temas, promove a discussão, delega mas também controla, verificando a continuidade dos projectos. Prepara-se muito bem e exige que os colaboradores façam o mesmo", revela um colaborador próximo. Não é raro vê-lo sair da empresa com trabalho de casa na mochila - que prefere à pasta de executivo. Muda constantemente o discurso de português para inglês. Aliás, pensa em inglês, fruto de muitos anos em Londres, embora tenha nascido em Maputo a 18 de Novembro de 1965, numa família de comerciantes de origem muçulmana sunita.

Apesar de formado em engenharia, apaixonou-se pela banca com a entrada no Efisa. Passou pelo Warburg Dillon Read, Deutsche Morgan Grenfell e Merril Lynch, ao longo da década de 90.

Quando regressa a Portugal, em 1999, como administrador financeiro da então PT Multimédia, "fala a língua dos mercados, quer a financeira quer o inglês, e isso facilitou o trabalho junto dos investidores", avança outra fonte.

O contacto com os mercados seria crucial na defesa à oferta pública de aquisição (OPA) da Sonaecom, em 2006, considerada hostil pela PT. Zeinal Bava reuniu com investidores, preparou a estratégia de defesa e o atractivo pacote de remuneração accionista. "Na altura, fez o trabalho de formiguinha", lembra outra fonte. "Tem uma inteligência e um espírito de estratega acima da média. E é um vendedor nato."

O seu percurso confirma: vendeu biscoitos em Londres, roupa na Benetton da Avenida de Roma e televisão paga de porta a porta quando já era presidente da PT Multimédia. E, quando fala no Meo, o actual serviço televisão paga da PT, lembra sempre as suas vantagens.

A OPA foi chumbada, em Março de 2007, mas funcionou como um ‘wake up call' (chama de alerta), como diria Zeinal Bava, para a PT. O gestor assumiria, em 2008, a presidência executiva, ao suceder a Henrique Granadeiro.

A proposta de compra da Telefónica pela participação na brasileita Vivo, a jóia da coroa das operações internacionais da PT, foi a prova de fogo à gestão. Após um primeiro chumbo pela ‘golden share' do Estado, que amanhã será extinta em assembleia geral de accionistas, a operação avançou.

No mesmo dia, Bava anunciava a entrada na também brasileira Oi, através da compra de 26,5% do capital. E sem necessidade de recorrer aos mercados até 2013.

Discreto, raramente aparece em eventos e preserva a sua vida familiar. Muçulmano, frequenta a mesquita, e é um benfiquista. Mas os seus filhos - três rapazes de dez, 13 e 15 anos - são do Sporting. Divergências clubísticas à parte, foi com eles que Zeinal Bava começou a praticar surf. O gestor, aliás, recolhe a simpatia dos mais jovens, sobretudo com as intervenções em faculdades, onde muitas vezes identifica estagiários que recruta para a operadora.

Reconhecimento que também chega das agências internacioanis: em Junho foi eleito pela Thomson Reuters como sexto melhor CEO da Europa e segundo melhor no sector das telecomunicações. E ultrapassou César Alierta, o presidente da Telefónica, agora rival no Brasil.

Momentos marcantes do percurso de Bava como gestor

1989

Aos 24 anos chega ao banco britânico Warbund Dillon Read, como director executivo para Península Ibérica. É nesta altura que se aproxima da PT, com o ‘dossier' da privatização. Em 1996 passa para o Deutsche Morgan Grenfell e, em 1998, é recrutado para o Merrill Lynch.

1999

Chega à PT como administrador financeiro do negócio de televisão paga, na PT Multimédia. Entre 2000 e 2006 foi administrador financeiro, vencendo três vezes o prémio de melhor CFO do sector. Foi vice-presidente da PTM até ao ‘spin off' e presidente executivo da TMN.

2006

Com a oferta pública de aquisição (OPA) hostil da Sonaecom, Zeinal Bava tomou as rédeas do contacto com os investidores e delineou a estratégia que acabaria por levar ao chumbo da operação, pouco mais de um ano depois, a 2 de Março de 2007.

2008

A 28 de Março, Zeinal Bava assume a presidência executiva da PT, substituindo Henrique Granadeiro. 100 mil clientes, dois terços da facturação no exterior, objectivo de liderança na televisão paga e um pacote de remuneração accionista atractivo integram a estratégia do grupo.

2010

A venda da brasileira Vivo à Telefónica, com quem as relações azedaram na OPA da Sonaecom, marcam um novo ciclo na PT. A operadora vendeu a Vivo por 7,5 mil milhões de euros e avançou para a compra de uma participação de 25,6%

na brasileira Oi.

Zeinal Bava: o estratega na liderança da Portugal Telecom

Cátia Simões

29 Jul 2011

O presidente executivo da Portugal Telecom ficou em quinto lugar nos prémios ‘CEO em Destaque’.

Conhece os colaboradores pelo nome, envia SMS no aniversário dos funcionários e - apesar de se rodear dos seus homens de confiança - tem uma relação operacional próxima com as quartas e quintas linhas da Portugal Telecom (PT). Assim é hoje descrito o presidente executivo da PT, Zeinal Bava.

O gestor estava a dar os primeiros passos na banca londrina quando se interessou pelo ‘dossier' da privatização da PT. Hoje, aos 45 anos, lidera os destinos da maior operadora do País. "Uma liderança forte e de grande cultura de exigência mas, ao mesmo tempo, de informalidade", diz quem trabalha de perto com o gestor nascido em Moçambique.

Determinação, persistência e pragmatismo são as características mais destacadas pelas fontes contactadas pelo Diário Económico. E que se revelaram cedo: Zeinal Bava foi, com 14 anos, estudar para Londres, num colégio interno.

O contacto com a cultura anglo-saxónica marcaria o seu estilo de liderança. "Zeinal estuda os temas, promove a discussão, delega mas também controla, verificando a continuidade dos projectos. Prepara-se muito bem e exige que os colaboradores façam o mesmo", revela um colaborador próximo. Não é raro vê-lo sair da empresa com trabalho de casa na mochila - que prefere à pasta de executivo. Muda constantemente o discurso de português para inglês. Aliás, pensa em inglês, fruto de muitos anos em Londres, embora tenha nascido em Maputo a 18 de Novembro de 1965, numa família de comerciantes de origem muçulmana sunita.

Apesar de formado em engenharia, apaixonou-se pela banca com a entrada no Efisa. Passou pelo Warburg Dillon Read, Deutsche Morgan Grenfell e Merril Lynch, ao longo da década de 90.

Quando regressa a Portugal, em 1999, como administrador financeiro da então PT Multimédia, "fala a língua dos mercados, quer a financeira quer o inglês, e isso facilitou o trabalho junto dos investidores", avança outra fonte.

O contacto com os mercados seria crucial na defesa à oferta pública de aquisição (OPA) da Sonaecom, em 2006, considerada hostil pela PT. Zeinal Bava reuniu com investidores, preparou a estratégia de defesa e o atractivo pacote de remuneração accionista. "Na altura, fez o trabalho de formiguinha", lembra outra fonte. "Tem uma inteligência e um espírito de estratega acima da média. E é um vendedor nato."

O seu percurso confirma: vendeu biscoitos em Londres, roupa na Benetton da Avenida de Roma e televisão paga de porta a porta quando já era presidente da PT Multimédia. E, quando fala no Meo, o actual serviço televisão paga da PT, lembra sempre as suas vantagens.

A OPA foi chumbada, em Março de 2007, mas funcionou como um ‘wake up call' (chama de alerta), como diria Zeinal Bava, para a PT. O gestor assumiria, em 2008, a presidência executiva, ao suceder a Henrique Granadeiro.

A proposta de compra da Telefónica pela participação na brasileita Vivo, a jóia da coroa das operações internacionais da PT, foi a prova de fogo à gestão. Após um primeiro chumbo pela ‘golden share' do Estado, que amanhã será extinta em assembleia geral de accionistas, a operação avançou.

No mesmo dia, Bava anunciava a entrada na também brasileira Oi, através da compra de 26,5% do capital. E sem necessidade de recorrer aos mercados até 2013.

Discreto, raramente aparece em eventos e preserva a sua vida familiar. Muçulmano, frequenta a mesquita, e é um benfiquista. Mas os seus filhos - três rapazes de dez, 13 e 15 anos - são do Sporting. Divergências clubísticas à parte, foi com eles que Zeinal Bava começou a praticar surf. O gestor, aliás, recolhe a simpatia dos mais jovens, sobretudo com as intervenções em faculdades, onde muitas vezes identifica estagiários que recruta para a operadora.

Reconhecimento que também chega das agências internacioanis: em Junho foi eleito pela Thomson Reuters como sexto melhor CEO da Europa e segundo melhor no sector das telecomunicações. E ultrapassou César Alierta, o presidente da Telefónica, agora rival no Brasil.

Momentos marcantes do percurso de Bava como gestor

1989

Aos 24 anos chega ao banco britânico Warbund Dillon Read, como director executivo para Península Ibérica. É nesta altura que se aproxima da PT, com o ‘dossier' da privatização. Em 1996 passa para o Deutsche Morgan Grenfell e, em 1998, é recrutado para o Merrill Lynch.

1999

Chega à PT como administrador financeiro do negócio de televisão paga, na PT Multimédia. Entre 2000 e 2006 foi administrador financeiro, vencendo três vezes o prémio de melhor CFO do sector. Foi vice-presidente da PTM até ao ‘spin off' e presidente executivo da TMN.

2006

Com a oferta pública de aquisição (OPA) hostil da Sonaecom, Zeinal Bava tomou as rédeas do contacto com os investidores e delineou a estratégia que acabaria por levar ao chumbo da operação, pouco mais de um ano depois, a 2 de Março de 2007.

2008

A 28 de Março, Zeinal Bava assume a presidência executiva da PT, substituindo Henrique Granadeiro. 100 mil clientes, dois terços da facturação no exterior, objectivo de liderança na televisão paga e um pacote de remuneração accionista atractivo integram a estratégia do grupo.

2010

A venda da brasileira Vivo à Telefónica, com quem as relações azedaram na OPA da Sonaecom, marcam um novo ciclo na PT. A operadora vendeu a Vivo por 7,5 mil milhões de euros e avançou para a compra de uma participação de 25,6%

na brasileira Oi.

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