Dúvida Metódica: Strange fruit: o racismo não é estranho, é imoral

20-01-2012
marcar artigo


A fotografia retrata o linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith, dois cidadãos americanos negros, em 1930. Este tipo de acções ocorriam especialmente no sul do Estados Unidos, mas também noutras regiões do país. Abel Meeropol (cujo pseudónimo é Lewis Allen) foi um professor de Inglês judeu e ensinou numa escola de Nova Iorque. Depois de ver a fotografia, que se encontra neste post, escreveu um poema chamado “Strange Fruit”, onde exprime a injustiça e a brutalidade a que os americanos de origem africana estavam sujeitos. Em 1939, Billie Holiday cantou pela primeira vez, num clube nocturno, o poema. Esta canção transformou-se num símbolo da rejeição do racismo. A fotografia, o poema e a canção permitem-nos perceber melhor as razões que levaram Luther King (1929-1968) a defender, ainda que o seu país fosse uma democracia, a necessidade de utilizar a desobediência civil (que por definição é um mecanismo ilegal) para combater a discriminação contra os cidadãos negros, legalmente instituída nos Estados Unidos. A ideia subjacente à desobediência civil é que, quando determinadas  leis são imorais, é legítimo desobedecer-lhes de forma pacífica. E de facto há muitas razões para considerar que o racismo é moralmente errado.   Strange Fruit (escrito por Lewis Allen e Sonny White ) Southern trees bear strange fruit, Blood on the leaves and blood at the root, Black bodies swinging in the southern breeze, Strange fruit hanging from the poplar trees. Pastoral scene of the gallant south, The bulging eyes and the twisted mouth, Scent of magnolias, sweet and fresh, Then the sudden smell of burning flesh. Here is fruit for the crows to pluck, For the rain to gather, for the wind to suck, For the sun to rot, for the trees to drop, Here is a strange and bitter crop.


A fotografia retrata o linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith, dois cidadãos americanos negros, em 1930. Este tipo de acções ocorriam especialmente no sul do Estados Unidos, mas também noutras regiões do país. Abel Meeropol (cujo pseudónimo é Lewis Allen) foi um professor de Inglês judeu e ensinou numa escola de Nova Iorque. Depois de ver a fotografia, que se encontra neste post, escreveu um poema chamado “Strange Fruit”, onde exprime a injustiça e a brutalidade a que os americanos de origem africana estavam sujeitos. Em 1939, Billie Holiday cantou pela primeira vez, num clube nocturno, o poema. Esta canção transformou-se num símbolo da rejeição do racismo. A fotografia, o poema e a canção permitem-nos perceber melhor as razões que levaram Luther King (1929-1968) a defender, ainda que o seu país fosse uma democracia, a necessidade de utilizar a desobediência civil (que por definição é um mecanismo ilegal) para combater a discriminação contra os cidadãos negros, legalmente instituída nos Estados Unidos. A ideia subjacente à desobediência civil é que, quando determinadas  leis são imorais, é legítimo desobedecer-lhes de forma pacífica. E de facto há muitas razões para considerar que o racismo é moralmente errado.   Strange Fruit (escrito por Lewis Allen e Sonny White ) Southern trees bear strange fruit, Blood on the leaves and blood at the root, Black bodies swinging in the southern breeze, Strange fruit hanging from the poplar trees. Pastoral scene of the gallant south, The bulging eyes and the twisted mouth, Scent of magnolias, sweet and fresh, Then the sudden smell of burning flesh. Here is fruit for the crows to pluck, For the rain to gather, for the wind to suck, For the sun to rot, for the trees to drop, Here is a strange and bitter crop.

marcar artigo