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Já imaginou quando está a tentar pendurar um quadro na parede e precisa de mais uma mão? Ou então naquelas alturas em que está a montar uma estante do Ikea e precisa de alguém que segure nas prateleiras? E se em vez a ajuda de alguém tivesse como ajudante um robô completamente autónomo e ajustado às suas necessidades? Pode parecer um cenário futurista, tipo Guerra das Estrelas, mas já estivemos mais longe disso. Pedro Lima, professor de Robótica do Instituto Superior Técnico, doutorado em Engenharia Eletrotécnica nos Estados Unidos, tem o desejo de ver o mundo dos robôs massificado e de acesso fácil a toda a gente tal como o computador. Não é um caminho fácil, mas acredita que pelo menos existe essa vontade.
“O que queremos todos fazer são robôs o mais autónomos possíveis, mas estamos muito longe do R2D2, o robô da Guerra das Estrelas, ao contrário do que as pessoas pensam, mas o objetivo é fazer uma coisa dessas. Esse é um bocado o imaginário”, explica este doutorado em robótica em conserva com o Observador.
Embora num passado recente os computadores tenham saído dos laboratórios e universidades para as massas e hoje ninguém passe sem eles, com os robôs o caminho ainda é longo. “A dificuldade é que os robôs não são como os computadores, porque precisam muito mais de interação física com as pessoas. Isso é que é o difícil nos robôs. Quanto mais autónomos eles são mais são interativos, a tal questão da inteligência artificial”.
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Autonomia e interação são os grandes desafios da robótica atualmente, segundo Pedro Lima, professor que tem nas mãos dois projetos europeus. Por isso, o caminho tem sido levá-los a cooperar com as pessoas. E como se faz isso? O especialista em robótica fala da investigação da colega Manuela Veloso para trazer à conversa o conceito de “autonomia simbiótica”. Por exemplo, sublinha o investigador, “abrir portas para os robôs é complicadíssimo, mas para os humanos não. O que ele faz é pedir que lhe abram a porta. É aí que temos os humanos em autonomia ajustável aos robôs.”
Dos robôs de laboratório para o mundo real. Na indústria por todo o mundo e em Portugal existe milhares e milhares de robôs que ajudam a executar tarefas de uma forma ainda pouco autónoma “muito automático-repetitivos”. Mas já se começa a inovar, como por exemplo na indústria do calçado. “Há uma câmara, aquilo não é tão constrangido, fica onde ficar, o robô vê o sapato, vai lá, agarra-o. Isso já é um passo no caminho da autonomia. No entanto, comparado com estas coisas dos robôs em casa não seja tão ambicioso, mas é um avanço em relação ao que havia nas fábricas antigamente”, exemplifica.
Veículos autónomos, robôs empresariais e hospitalares e depois em casa
Será que daqui a dez anos os robôs mais autónomos e interativos vão ser uma realidade? Pedro Lima acredita que a realidade dos “carros autónomos” vai acontecer “mais depressa do que nós imaginávamos”. Marcas como a Mercedes, a Volvo ou a Google já estão a fabricar carros destes. Depois há outras coisas, acrescenta o especialista em robótica, que “são camiões para transporte de mercadorias autónomos para andarem em pelotão – isso até é capaz de chegar mais depressa se calhar que os veículos autónomos”.
Num exercício de futurologia, Pedro Lima arrisca que talvez “possamos ter robôs em hospitais e em grandes empresas” vai acontecer “mais depressa do que ter robôs em casa”. Aliás, ressalva, “já temos exemplos há muitos anos de robôs em hospitais para transportar os tabuleiros. Não tanto esta visão mais futurista que a gente tem da interação com as pessoas mas mais transportar comida, medicamentos. Eu diria que esse tipo de coisas viria sempre depois dos automóveis autónomos, mas antes dos robôs em casa”.
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Já imaginou quando está a tentar pendurar um quadro na parede e precisa de mais uma mão? Ou então naquelas alturas em que está a montar uma estante do Ikea e precisa de alguém que segure nas prateleiras? E se em vez a ajuda de alguém tivesse como ajudante um robô completamente autónomo e ajustado às suas necessidades? Pode parecer um cenário futurista, tipo Guerra das Estrelas, mas já estivemos mais longe disso. Pedro Lima, professor de Robótica do Instituto Superior Técnico, doutorado em Engenharia Eletrotécnica nos Estados Unidos, tem o desejo de ver o mundo dos robôs massificado e de acesso fácil a toda a gente tal como o computador. Não é um caminho fácil, mas acredita que pelo menos existe essa vontade.
“O que queremos todos fazer são robôs o mais autónomos possíveis, mas estamos muito longe do R2D2, o robô da Guerra das Estrelas, ao contrário do que as pessoas pensam, mas o objetivo é fazer uma coisa dessas. Esse é um bocado o imaginário”, explica este doutorado em robótica em conserva com o Observador.
Embora num passado recente os computadores tenham saído dos laboratórios e universidades para as massas e hoje ninguém passe sem eles, com os robôs o caminho ainda é longo. “A dificuldade é que os robôs não são como os computadores, porque precisam muito mais de interação física com as pessoas. Isso é que é o difícil nos robôs. Quanto mais autónomos eles são mais são interativos, a tal questão da inteligência artificial”.
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Autonomia e interação são os grandes desafios da robótica atualmente, segundo Pedro Lima, professor que tem nas mãos dois projetos europeus. Por isso, o caminho tem sido levá-los a cooperar com as pessoas. E como se faz isso? O especialista em robótica fala da investigação da colega Manuela Veloso para trazer à conversa o conceito de “autonomia simbiótica”. Por exemplo, sublinha o investigador, “abrir portas para os robôs é complicadíssimo, mas para os humanos não. O que ele faz é pedir que lhe abram a porta. É aí que temos os humanos em autonomia ajustável aos robôs.”
Dos robôs de laboratório para o mundo real. Na indústria por todo o mundo e em Portugal existe milhares e milhares de robôs que ajudam a executar tarefas de uma forma ainda pouco autónoma “muito automático-repetitivos”. Mas já se começa a inovar, como por exemplo na indústria do calçado. “Há uma câmara, aquilo não é tão constrangido, fica onde ficar, o robô vê o sapato, vai lá, agarra-o. Isso já é um passo no caminho da autonomia. No entanto, comparado com estas coisas dos robôs em casa não seja tão ambicioso, mas é um avanço em relação ao que havia nas fábricas antigamente”, exemplifica.
Veículos autónomos, robôs empresariais e hospitalares e depois em casa
Será que daqui a dez anos os robôs mais autónomos e interativos vão ser uma realidade? Pedro Lima acredita que a realidade dos “carros autónomos” vai acontecer “mais depressa do que nós imaginávamos”. Marcas como a Mercedes, a Volvo ou a Google já estão a fabricar carros destes. Depois há outras coisas, acrescenta o especialista em robótica, que “são camiões para transporte de mercadorias autónomos para andarem em pelotão – isso até é capaz de chegar mais depressa se calhar que os veículos autónomos”.
Num exercício de futurologia, Pedro Lima arrisca que talvez “possamos ter robôs em hospitais e em grandes empresas” vai acontecer “mais depressa do que ter robôs em casa”. Aliás, ressalva, “já temos exemplos há muitos anos de robôs em hospitais para transportar os tabuleiros. Não tanto esta visão mais futurista que a gente tem da interação com as pessoas mas mais transportar comida, medicamentos. Eu diria que esse tipo de coisas viria sempre depois dos automóveis autónomos, mas antes dos robôs em casa”.