Por estes dias, na blogoesfera e nos editoriais da imprensa, Manuela Ferreira Leite é de tudo um pouco. As opiniões unem-se, no entanto, no reconhecimento de uma faceta pouco dada a mediatismos políticos da nova líder do PSD. Cria-se, aparentemente e em seu torno, uma imagem de seriedade e rigor como se MFL não se prestasse aos jogos demagógicos de somenos importância da política portuguesa. Como se voasse sobre os caminhos por onde outros se arrastam e desdenhasse toda essa "pequena política" das "não questões" e dos "temas fracturantes que nada dizem às reais necessidades da sociedade portuguesa".Na verdade, os novos "yes boys" com empregos bem pagos no marketing político português saberão, certamente, a força que tem na matriz política portuguesa a figura paternal da sobriedade, rigor e ausência de palavras. Na raiz identitária e cultural da nossa paroquial política existe sempre um quantum implícito de saudosismo salazarista, que se dá e vive bem com a não expressão de qualquer ideia política digna de seu nome, com a altivez intelectual em jeito de seriedade alheia a qualquer preocupação "menor" e com um certo distanciamento das regras aborrecidas e pantanosas do aparelho democrático.Os políticos portugueses sabem disto e, na sua incompetência intelectual, vivem usualmente o dilema de, por um lado, assumirem sem pudores e de forma clara e inequivoca esse nicho de mercado que é a "sobriedade, o distanciamento e a seriedade" ou, por outro lado, explorarem ad nauseam o populismo primitivo que tanta gente anima.E nem mesmo Manuela Ferreira Leite pôde evitar cair, de certa forma, nesse dilema: tão depressa se afirma séria, distante e altiva, de discursos tecnocráticos e socialmente insensíveis de "redução das despesas do Estado" como, logo de seguida e sem que qualquer assombro de consciência de paradoxo lhe invada, escorre sobre "questões que afligem os portugueses", que "são hoje de natureza social - o seu nível de vida piorar, dos desempregados e de quem vive de pequenas pensões ou das suas magras economias", apelando à rápida intervenção do Estado por via de políticas (inevitavelmente) despesistas que seriam, aos olhos de muitos dos seus compagnons de partido, "economicamente ineficientes".
Categorias
Entidades
Por estes dias, na blogoesfera e nos editoriais da imprensa, Manuela Ferreira Leite é de tudo um pouco. As opiniões unem-se, no entanto, no reconhecimento de uma faceta pouco dada a mediatismos políticos da nova líder do PSD. Cria-se, aparentemente e em seu torno, uma imagem de seriedade e rigor como se MFL não se prestasse aos jogos demagógicos de somenos importância da política portuguesa. Como se voasse sobre os caminhos por onde outros se arrastam e desdenhasse toda essa "pequena política" das "não questões" e dos "temas fracturantes que nada dizem às reais necessidades da sociedade portuguesa".Na verdade, os novos "yes boys" com empregos bem pagos no marketing político português saberão, certamente, a força que tem na matriz política portuguesa a figura paternal da sobriedade, rigor e ausência de palavras. Na raiz identitária e cultural da nossa paroquial política existe sempre um quantum implícito de saudosismo salazarista, que se dá e vive bem com a não expressão de qualquer ideia política digna de seu nome, com a altivez intelectual em jeito de seriedade alheia a qualquer preocupação "menor" e com um certo distanciamento das regras aborrecidas e pantanosas do aparelho democrático.Os políticos portugueses sabem disto e, na sua incompetência intelectual, vivem usualmente o dilema de, por um lado, assumirem sem pudores e de forma clara e inequivoca esse nicho de mercado que é a "sobriedade, o distanciamento e a seriedade" ou, por outro lado, explorarem ad nauseam o populismo primitivo que tanta gente anima.E nem mesmo Manuela Ferreira Leite pôde evitar cair, de certa forma, nesse dilema: tão depressa se afirma séria, distante e altiva, de discursos tecnocráticos e socialmente insensíveis de "redução das despesas do Estado" como, logo de seguida e sem que qualquer assombro de consciência de paradoxo lhe invada, escorre sobre "questões que afligem os portugueses", que "são hoje de natureza social - o seu nível de vida piorar, dos desempregados e de quem vive de pequenas pensões ou das suas magras economias", apelando à rápida intervenção do Estado por via de políticas (inevitavelmente) despesistas que seriam, aos olhos de muitos dos seus compagnons de partido, "economicamente ineficientes".