Sociedade Martins Sarmento

06-09-2014
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maio 31, 2006

Agora, na Pedra Formosa

No quadro da renovação da sua identidade gráfica, a Sociedade Martins Sarmento criou um novo blogue informativo, adoptando como designação o ex-libris desta Instituição, a Pedra Formosa. Esta é uma nova forma de comunicação que, complementando o Boletim e a Revista de Guimarães, contribuirá para a aproximação da Sociedade aos seus sócios e ao público em geral.

No blogue Pedra Formosa estarão disponíveis e em permanente actualização notícias sobre as actividades da SMS.

Ao mesmo tempo, o novo blogue continuará a ser uma montra para o nosso património e para a História de Guimarães.

A informação da Sociedade Martins Sarmento passou estar disponível no endereço: http://pedraformosa.blogspot.com/

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fevereiro 05, 2006

Francisco Martins Sarmento, sobre Jean Meslier

Jean Meslier (1664-1729)

Depois de ler Meslier

Maldito sejas tu, padre descrido,

Que às portas do sepulcro ainda blasfemas.

E no Deus, que juraste amar com culto,

Cuspiste sem piedade.

Maldito sejas tu, que me levaste

Às bordas dum abismo tenebroso,

E, com frases de hipócritas remorsos,

Lá me arrojaste então.

Maldito sejas tu, que me turvaste

As crenças cardeais de toda a vida;

Que, apontando o altar, disseste: "nada"

"Nada" apontando a campa.

O bronze meia-noite geme ao longe;

O mocho nas ruínas pia, e eu tremo;

Maldito sejas tu, padre descrido,

Que me fazes tremer.

Maldito sejas tu, que me apavoras,

E horrorosas visões me dás à mente;

Maldito sejas tu, que escarneceste

O Deus que eu tanto amava.

Se esta crença morrer, quem, oh! maldito.

Me dará outra igual? Sem esta crença,

Quem, se o egoísmo do homem me repele.

Me afagará na dor?

Errarei sobre a terra, abandonado,

Em busca duma cova, onde me esconda,

E ainda ali, oh! maldito, eu, que fui homem.

Cinza só ficarei!!...

Maldito sejas tu, se foi a ciência,

Que te abriu os arcanos tenebrosos

De verdades cruéis... cruéis. Se mentes,

Maldito sejas tu.

(In: Poesias por F. Martins, Porto, 1855)

Informações sempre actualizadas em: http://pedraformosa.blogspot.com/

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A propósito do casamento de Francisco Martins Sarmento

Le bon sens du Curé Jean Meslier suivi de son testament, Paris, 1830. Exemplar que pertenceu a Francisco Martins Sarmento.

As circunstâncias invulgares que rodearam o casamento de Francisco Martins Sarmento, no dia 5 de Fevereiro de 1876 (ver notícia abaixo), têm gerado diversas especulações. É certo que o arqueólogo, de natureza reservada, era pouco dado a participar em cerimónias públicas que o envolvessem directamente. Todavia, a verdade é que o seu casamento por procuração não chegou a ser um acto público, uma vez que decorreu à porta fechada.

Há, na biografia de Sarmento, alguns aspectos ainda pouco conhecidos, nomeadamente os que se relacionam com a sua religiosidade: apesar da sua educação tradicional, praticou um visível distanciamento em relação às coisas da religião. Esta atitude aprofundou-se com as suas leituras de filosofia, que o levaram a interrogar-se sobre os fundamentos da explicação do Universo, da vida e da morte com base em preceitos de fé.

Entre as leituras que o marcaram contam-se as memórias do padre de Étrépigny, Jean Meslier. Ao morrer, em 1729, depois de uma vida pacata de padre de aldeia, este sacerdote francês deixou como testamento as suas surpreendentes Mémoire dés pensées et dés sentiments, onde dava conta de uma inabalável descrença em relação à existência de Deus e à vida depois da morte:

"De onde tiramos que um Deus que seria essencialmente imutável e imóvel por natureza poderia no entanto mover algum corpo? De onde tiramos que um ser que não teria nenhuma extensão nem parte alguma seria no entanto imenso, e mesmo infinitamente esparso por toda a parte? De onde tiramos que um ser que não teria cabeça nem cérebro seria no entanto infinitamente sábio e esclarecido? De onde tiramos que um ser que não teria nenhuma qualidade nem nenhuma perfeição sensíveis seria no entanto infinitamente bom, infinitamente amável e infinitamente perfeito? De onde tiramos que um ser que não teria nem braços nem pernas e que nem sequer seria capaz de mover-se seria no entanto todo-poderoso e faria verdadeiramente todas as coisas? Quem teve a experiência disto?"

"Depois disso, que pensem, que julguem, que digam e que façam tudo o que quiserem no mundo, pouco me preocupa; que os homens se arranjem e governem como quiserem, que sejam sensatos ou sejam loucos, que sejam bons ou que sejam maus, que digam ou que até façam o que quiserem depois de minha morte; não me preocupa; eu já quase não faço parte do que se faz no mundo; os mortos com os quais estou prestes a juntar-me não se incomodam mais com nada, não se intrometem mais em nada, e não se preocupam mais com nada. Terminarei então isto pelo nada, também sou pouco mais que nada, e em breve não serei nada."

O abalo que a leitura desta obra provocou no jovem Sarmento transparece do poema Depois de ler Meslier, que faz parte do volume Poesias, que publicou em 1855, aos 22 anos.

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Efemérides: 6 de Fevereiro

O Teatro D. Afonso Henriques em 1912.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1273 — Sentença apostólica, dada em Braga pelo Mestre Estêvão, Arcebispo de Braga, como subdelegado do Arcebispo de Compostela delegado do Papa Clemente IV, declarando que o Priorado de Guimarães com cura de almas pertencia a El-rei. - Documento trasladado do Tombo dos Padroados fl. 204 vº.

1597 — Confirmação régia, em Madrid, dos Estatutos que transmutaram a confraria de Nª Sª da Consolação, que era privativa de estudantes, em Irmandade para todas as pessoas.

1826 — Na madrugada, apareceu morta na cama e com uma corda atada ao pescoço, uma mulher da Rua de Val-de-Donas. Esta morte atribuiu-se aos ladrões porque tendo ela escondido 30 peças de 7$500 e alguns cordões, que apareceram depois, este fosse o motivo porque a mataram, por ela não dizer onde estava o dinheiro. Foi sepultada na igreja de S. Domingos. P. L.

1870 — Domingo. Às 2 horas da tarde, no salão do teatro D. Afonso Henriques foi a inauguração solene da Associação Artística Vimaranense. Numerosos artistas no salão, ao fundo sentados em cadeiras as comissões definitiva e instaladora, recitaram-se alguns discursos ad hoc, sendo todos calorosamente aplaudidos. A fachada do teatro elegantemente adornada; durante a inauguração tocaram à porta alternadamente as duas músicas da cidade, que depois percorreram as ruas, como já haviam feito de madrugada e ao meio-dia. - Neste dia, às 10 horas da noite, um desabrido furacão arrombou janelas e quebrou vidros; no meio do vento, chuva torrencial e trovões.

1878 — Decreto nomeando Governador Civil do Porto o Conde de Margaride.

1881 — Inaugura-se, com um baile de máscaras, de tarde e uma récita dramática, à noite, o Teatro de Recreios Dramáticos, numa casa do Largo do Retiro, de que era empresário Eduardo Branco.

1935 — Às 3 horas da tarde visitaram esta cidade os 2 aviadores, tenente Humberto da Cruz e o sargento mecânico Lobato. Foram recebidos festivamente.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (7) Itinerário da Terra Santa, de Frei pantaleão de Aveiro (1593)

Itinerario da Terra Sancta e svas particvlaridades/ composto por frey Pantaliam Daveiro .- Em Lisboa: em casa de Simão Lopez, 1593.

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Um casamento singular

Há precisamente 130 anos, no dia 5 de Fevereiro de 1876, Francisco Martins Sarmento contraiu matrimónio com Maria de Freitas de Aguiar. A cerimónia, que decorreu à porta fechada na Colegiada da Oliveira e à qual não compareceram os noivos, foi bastante sui generis, conforme o revela o relato de uma das testemunhas, João Lopes de Faria:

"Às 8 horas da noite, na igreja Colegiada, contraem o sacramento do matrimónio o Dr. Francisco Martins de Gouveia Morais Sarmento e D. Maria da Madre de Deus Freitas Aguiar, por seus representantes, do noivo, seu primo José Ribeiro Martins da Costa, e da noiva o Dr. Rodrigo de Freitas Araújo Portugal, sendo ministro do acto o cónego-cura José António Rodrigues Cardoso e testemunhas os únicos dois assistentes (por ser à porta fechada) António Lopes de Faria e seu filho João Lopes de Faria, empregados da Colegiada, aos quais os pré-noivos deram boas gratificações."

(in Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria)

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fevereiro 04, 2006

Efemérides: 5 de Fevereiro

Cofre-relicário da Colegiada da Oliveira (1419). Da colecção do Museu de Alberto Sampaio (foto: MAS).

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1664 — O D. Prior, D. Diogo Lobo da Silveira, na presença do cónego fabricante, António de Sousa de Mesquita, do cónego cura, João de Figueiredo Barbosa, do padre sacristão-mor, Tomé ribeiro e do padre António Pereira, cura da igreja de S. Paio, fez abertura do cofrezinho de prata que tem uma grande inscrição gótica, que ainda se conserva no tesouro ou museu da Colegiada, e examina as relíquias que dentro do mesmo cofre estavam; também faz abertura de outros cofres que com relíquias havia, fazendo exame às mesmas, os quais cofres, à excepção daquele, há muitíssimos anos que não existem.

1799 — O cónego fabriqueiro da Colegiada mandou vender os seguintes objectos: umas contas, 2 laços, 3 corações e uns botões desaparelhados, de ouro, e duas veneras e uns botões desaparelhados, de prata, que eram da imagem de Nª Sª da Oliveira, de prata, que o ourives Francisco Teixeira comprou a peso por 4$290 réis, cuja quantia foi para ajudar a dourar e esmaltar a mesma imagem.

1827 — Entra aqui a guarda dos voluntários do Sr. D. Pedro IV, e as milícias que se haviam retirado par Penafiel por causa da aproximação a esta vila da divisão do Marquês de Chaves; à entrada houve foguetes e repiques. Neste dia fizeram os voluntários alguns distúrbios. P. L.

1850 — João da Silva Ribeiro, da cidade do Porto, envia às Capuchinhas, por intermédio do vimaranense Francisco José Gonçalves de Oliveira, 101$140 réis, 2 arráteis de chá, uma arroba de polvo, uma dita de arroz, idem de farinha de pau, idem de figos, 3 ditas de bacalhau, sendo a 4ª remessa da subscrição que promovia para elas, as quais lhe agradeceram (sem data.)

1908 — Hoje e nos 3 dias seguintes foi desfeito o tanque que estava defronte da capela de Sta. Luzia, abaixo do solo, e foi atulhado e nivelado o sítio em que ele existiu.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (6) Torre das Caldas da Rainha, de Columbano

Columbano Bordalo Pinheiro, Torre das Caldas da Rainha, óleo sobre madeira, 1886.

Da colecção da Sociedade Martins Sarmento.

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fevereiro 03, 2006

Efemérides: 4 de Fevereiro

D. João IV. Gravura do século XVII, da colecção da SMS.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1513 — Alvará de D. Manuel I nomeando Mestre da Balança da Casa da Moeda o vimaranense Gil Vicente, ourives; cargo que largou em 1517 passando-o.

1588 — Carta de Pero Guedes, governador do Porto, ao juiz e vereadores, avisando-os da aproximação da armada do corso inglesa, a fim de que esteja prestes a gente para acudir aonde seja preciso.

1602 — Alvará concedendo ao provedor e irmãos da Misericórdia de Guimarães o uso de todas as mercês, privilégios e liberdades da misericórdia de Lisboa, isto naquelas coisas em que se lhe puderem aplicar.

1641 — Carta de El-rei D. João IV agradecendo à Câmara o amor e fidelidade com que os vimaranenses acudiam ao seu real serviço, conforme tinha sido informado por D. Gastão Coutinho, capitão geral desta província.

1661 — Carta régia, dirigida à Câmara, participando a criação do papel selado para acudir às despesas da guerra.

1841 — O deputado F. J. Maia mandou para a mesa da Câmara dos Deputados, na sessão deste dia, uma representação da Câmara de Guimarães, em que pedia o Convento e quintal de S. Domingos para nele se construir o Paço do Concelho e mais oficinas necessárias à municipalidade.

1880 — Foram plantadas as primeiras árvores no terreiro de S. Francisco e apareceram todas cortadas no dia 15 e em 23 do mesmo mês e ano foram plantadas outras árvores à custa dos negociantes do mesmo terreiro, voluntariamente, por se dizer que eles as mandaram cortar.

1888 — A Câmara representa a El-rei pedindo prolongamento da linha-férrea até Chaves.

1912 — Domingo - Principiou o relógio da torre de Nª Sª da Oliveira a dar 24 horas.

1924 — Às 11 horas da noite, junto à capela de Sta. Luzia, assassinaram com 7 facadas António Vieira de Castro Basto Brandão, empregado dos impostos.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Jornal de Guimarães (1876)

Começou a publicar-se, há exactamente 130 anos, o Jornal de Guimarães, que se apresentava como folha política, comercial e noticiosa. Saiu às segundas e quintas-feiras entre 3 de Fevereiro de 1876 e 11 de Setembro do mesmo ano.

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Tesouros sarmentinos: (5) Estátua de guerreiro

Estátua representando uma figura de guerreiro calaico-lusitano, em posição hierática, da época proto-histórica. Encontrada perto do monte de Santo Ovídio (Fafe), foi adquirida, em 1878, por Martins Sarmento. Pertence ao Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento.

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fevereiro 02, 2006

Festas de Guimarães: São Brás (3 de Fevereiro)

São Brás. Gravura iluminada com aguada colorida, de Nicolau José Baptista Cordeiro (séc. XVIII).

Dia 3 de Fevereiro é dia de São Brás, o santo protector da garganta e da voz. No próximo Domingo terá festa em Figueiredo, Pevidém e São Lourenço de Sande.

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Descoberta colecção de folhetos sobre terramotos na Biblioteca da SMS

Entre os livros da rica biblioteca que Francisco Martins Sarmento legou à Sociedade que tem o seu nome, encontra-se um volume em cuja lombada está gravado o título Obras ao Terremoto. Tem encadernação do século XIX e reúne diversos folhetos curiosos e raros, editados entre 1742 e 1757 (ao todo, o volume inclui 42 folhetos, havendo alguns que estão em duplicado). Quase todos tratam dos mesmos assuntos: descrições de terramotos e das suas consequências e especulações acerca das causas deste género de desastres. A única excepção é o folheto que aparece em último lugar no volume, onde se dá notícia das exéquias que a Inquisição de Goa dedicou ao Cardeal Nuno da Cunha de Ataíde.

Este volume foi, recentemente, objecto de uma exposição promovida pela Casa de Sarmento – Centro de Estudo do Património e pelos Serviços de Documentação da Universidade do Minho, com o título Voz do Céu, retumbando na Terra com os formidáveis ecos do horroroso terramoto, que se ouviu no 1 de Novembro de 1755. Quando a exposição já estava patente, foi encontrado na Biblioteca da SMS um outro volume com folhas volantes sobre a mesma temática, sob o título Colec. das obras ao terremoto do anno de 1755. Este volume inclui 36 folhetos, dos quais 14 não constam no volume que já era conhecido. Um dos títulos presentes nesta segunda colecção é uma cópia manuscrita de um folheto impresso em 1732.

Está disponível documento em que se apresentam os folhetos sobre o terramoto de 1755 e as suas consequências, bem assim como diversas notícias sobre os terramotos que antecederam a catástrofe de Lisboa. Ao todo, integram estas duas colectâneas 78 folhas volantes, correspondentes a 51 títulos e a aproximadamente 2000 páginas.

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Efemérides: 3 de Fevereiro

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Revolução no Porto, 3 de Janeiro de 1927. Emídio Guerreiro é o militar em primeiro plano, de pé.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1408 — Carta de El-rei D. João I, em Estremoz, restituindo ao concelho de Guimarães as terras e jurisdição delas que ele havia dado a D. frei Álvaro Gonçalves Camelo até que ele obtivesse o priorado do Hospital, terras que tinham sido de Gonçalo Vasques de Melo, a terra das Caldas, préstamo de Restelo e de Sá, terra de Arões, terra de Travassós, terra da Adeganha, terra de Vila Nova de Freitas e de S. Gião, terra de Sobradelo, terra de Quilhas (ou Lulhas), préstamo do Castelo, préstamo dos juízes. E ficaram do termo com antes eram. - Chanc. De D. João I, lº 3º, fl. 83.

1684 — Cai extraordinária quantidade de neve, que atingiu grande altura, levantando-se também furiosa ventania que causou enormes estragos, destruiu e lançou por terra corpulentas árvores.

1715 — O Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles crisma na igreja da Misericórdia.

1832 — Chegou um frade Jerónimo do Convento de Belém, o qual vinha em uma liteira e escoltado por soldados de polícia, vindo também um escrivão e um meirinho; foi neste mesmo dia para o convento da Costa para nele ser encarcerado por tempo de um ano; era preso político. P. L.

1837 — A freguesia de S. Cristóvão de Abação, que após 1834 fora anexada no civil e eclesiástico a Santa Maria dos Gémeos, foi desanexada neste dia por carta de provisão do vigário capitular e nomeado pároco encomendado o padre Francisco Joaquim Alves, requerendo então os moradores à Câmara a desanexação civil e por despacho em vereação de 25 deste mês e ano foi desanexada e mandada proceder à eleição da Junta e comissário de paróquia.

1876 — Publicou-se o nº 1 do "Jornal de Guimarães ", bissemanário à 2ª e 5ª feira, folha política, comercial e noticiosa.

1927 — Revolução no Porto. Pelas 4 horas da tarde, forças do 8, fiéis ao Governo, vieram tomar conta do correio e do quartel de Guimarães, abandonando os revoltosos os seus postos. Em Guimarães, o batalhão nº 2 de metralhadoras, diz o major: "neste batalhão apenas aderiu ao movimento um grupo de oficiais, incluindo o oficial de serviço à unidade, os quais na madrugada deste dia 3 se apoderaram do quartel mantendo-o na sua posse durante algumas horas." A revolução foi promovida por alguns regimentos contra o governo. Este foi o vencedor. Principiou na madrugada deste dia 3 e, na tarde do dia 9, deu-se a rendição de revoltosos.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (4) Arrecadas da Citânia de Briteiros

Par de arrecadas em ouro (séculos III a.C. - I a.C). Encontradas na Citânia de Briteiros, em 1937. Pertencem ao Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento.

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fevereiro 01, 2006

Efemérides: 2 de Fevereiro

Santo António dos Capuchos.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1663 — Foi solenemente lançada a 1ª pedra do Convento dos Capuchos. - Vide "Guimarães e Santo António".

1850 — Nesta noite e na seguinte representou-se no teatro a Moura e o Judeu, sendo muito grande a concorrência; assistiram o Conde de Vila Pouca e o Visconde da Azenha.

1884 — Instalação definitiva da Irmandade de Nossa Senhora da Luz, na capela da sua invocação, em Creixomil.

1888 — Às 7 horas da noite, Manuel José de Oliveira "O Gato", latoeiro, de 15 anos de idade, de maus precedentes, filho da meretriz Maria "Gata", que há tempos desafiava o sapateiro Domingos Ribeiro Marinho, de 17 anos, seguindo-o e insultando-o, indo este no seu caminho ao qual este, na Rua de Trás do Muro, em que ambos trabalhavam, respondeu dando-lhe um leve bofetão; aquele arranja imediatamente uma navalha e segue o seu inimigo dando-lhe um profundo golpe no pescoço que lhe cortou as carótidas deixando-o instantaneamente morto. O assassino foi logo em continente preso. O cadáver exposto na loja do seu mestre Silva Guimarães "O Pimpona", próxima do local do crime, onde foi visitado por muito povo até que a justiça o levantou.

1891 — Faleceu em Donim o abastado capitalista João Antunes Guimarães, fundador do Asilo de Inválidos em Donim.

1900 — Com assistência do Presidente da Câmara e de alguns membros da mesma, foi aberto ao público e começou a funcionar o novo matadouro, aos Pombais, acabando o velho sistema de matar o gado a malho.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (3) Os Argonautas, de Apolónio de Rodes

Apollonii Rhodii: Argonauticon libri IIII; cvm annotationibvs Henrici Stephani ex quibus quantam in hanc editionem contulerit diligentiam cognosci poteri .- [Paris]: Excudebat Henricus Stephanus, anno 1574.

Os Argonautas são um poema épico em quatro cantos, de Apolónio de Rodes, poeta grego que viveu em Alexandria e em Rodes. A sua poesia é influenciada por Homero. O quarto livro descreve o regresso venturoso dos Argonautas, pelo mar Negro. Esta obra foi traduzida para latim por Varrão (116 - 27 a.C.) e inspirou Virgílio (70 - 19 a.C.) especialmente no IV livro da Eneida. O exemplar da edição de 1574 da Biblioteca da SMS pertenceu a Francisco Martins Sarmento, que em 1887 publicou um estudo em que interpreta a lenda dos Argonautas.

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janeiro 31, 2006

Efemérides: 1 de Fevereiro

O príncipe Augusto de Leuchtenberg, primeiro marido de D. Maria II. Gravura recortada, colada em papel com um ramo de flores bordado à mão. Da colecção de gravuras da SMS.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1662 — O D. Prior, D. Diogo Lobo da Silveira, aprovou os Estatutos que o Cabido concluíra em 9 de Janeiro de 1662, os quais vigoraram até à reorganização da Colegiada, 1891, no todo, ficando depois a vigorar, só em parte, até à supressão da mesma.

1835 — Chega a notícia oficial de ter chegado a Lisboa o príncipe Augusto marido da rainha Sr.ª D. Maria II; tocaram logo a repiques e deram-se bastantes foguetes do ar. À tarde saiu da Câmara um luzido bando (enquanto andou fora tocaram muitos repiques e deram muitos foguetes do ar) mandando pôr luminárias nestas 3 noites. À noite houve iluminação na igreja e casa da misericórdia e andou pelas ruas uma música a tocar o hino. P. L.

1863 — Domingo da septuagésima. - Houve animada soirée mascarada na Sociedade Recreativa, dançou-se até às 3 da madrugada; distinguiu-se uma mascarada representando as deformidades e imensas variantes da política e dos homens dela.

1873 — Principia a funcionar o Banco de Guimarães.

1886 — Abertura da aula de aritmética, geometria e escrituração industrial da escola industrial Francisco de Holanda, no palacete dos Laranjais. Assistiram o Inspector das Escolas Industriais do Norte, o Secretário do Instituto Industrial do Porto, a direcção da Sociedade Martins Sarmento e muitos cavalheiros; os alunos matriculados foram 29, todos do sexo masculino.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (2) Paisagem (Dórdio Gomes)

Dórdio Gomes, Paisagem, óleo sobre tela, 1932.

Da colecção da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 30, 2006

Efemérides: 31 de Janeiro

O Castelo de Guimarães numa gravura do séc. XIX.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1385 — D. João I, por carta dada em Montemor-o-Novo, toma debaixo da sua protecção a sua igreja de Santa Maria de Guimarães, as dignidades, cónegos e beneficiados dela por seus capelães, ordenando que lhe seja, defesas guardados e cumpridos todos os privilégios, honras e graças que eles e à dita igreja eram outorgados.

1807 — Principia por ordem da Câmara, a adoptar-se o sistema de numerar as casas e indicar nas esquinas os nomes das ruas.

1836 — Um dos sócios da Sociedade Patriótica Vimaranense propõe a demolição do Castelo por haver servido de prisão política no tempo de D. Miguel. P. L.

1881 — Na noite deste dia, pelas 8 horas da noite, devido ao peso das chuvas, desabou parte da cerca das freiras de Santa Clara, que confrontava a sul com o quintal do D. Priorado da Colegiada. O muro abatido foi talvez na extensão de 8 metros, e muito ainda o que ficou abalado.

1917 — Na noite de hoje 31 para a manhã de 1, furtaram na igreja de S. Tiago de Lordelo, por meio de chaves falsas, 1 vaso dourado, do sacrário, 1 cálice dourado, uma lâmpada de prata, 3 resplendores de prata, duas varas e um vaso pequeno de metal, deixando ficar o pé. Em 9 de Fevereiro, objectos e gatunos estavam na esquadra policial desta cidade.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (1) A Pedra Formosa

A Pedra Formosa é o ex-libris da Sociedade Martins Sarmento. É um monumento singular, baptizado pelo povo de Briteiros por causa da beleza da sua ornamentação. Ao longo de muitas décadas, o mistério que a envolvia alimentou aceso debate entre os especialistas acerca da sua natureza e função.

É um monólito de granito lavrado há uns três mil anos, com quase três metros de largura e mais de dois de altura. Apesar das suas dimensões e peso, calculado em mais de cinco toneladas, já foi objecto de várias trasladações. Segundo a tradição, a primeira ocorreu quando foi levada à cabeça, desde o alto da Citânia até ao adro da Igreja de Santo Estêvão de Briteiros, por uma moura fiandeira.

Sabe-se agora que a Pedra Formosa fazia parte da estrutura de um balneário composto por três espaços distintos: átrio com um tanque onde caía a água corrente, destinado a banhos frios, antecâmara de transição e câmara para banhos de vapor, tipo sauna. O vapor era produzido lançando água sobre seixos previamente sobreaquecidos num forno adjacente a esta última câmara. A Pedra Formosa erguia-se entre a antecâmara e o espaço da sauna, permitindo o acesso através da pequena abertura semicircular situada na sua base, concebida de modo a evitar a fuga de calor, mas suficiente para permitir a passagem de uma pessoa.

As “pedras formosas” são, pela sua importância material e simbólica, os achados mais valiosos que os arqueólogos podem encontrar nas ruínas dos velhos castros. Já se conhecem umas quantas. Mas a que hoje se pode ser admirada no Museu da Cultura Castreja, em S. Salvador de Briteiros continua a ser ‘a’ Pedra Formosa: a maior, a mais bela, a que precedeu e deu o nome a todas as outras.

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janeiro 29, 2006

Efemérides: 30 de Janeiro

João de Meira. Óleo de Abel Cardoso.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1458 — O Duque, senhor de Guimarães, o juiz, ouvidor, vereação e a maior parte dos homens bons e povo da vila e arrabaldes dela, não obstante o privilégio que o concelho desta vila tinha " que nenhum fidalgo nem infanção não houvesse casa de morada na dita vila contra vontade dos moradores dela", concedem ao fidalgo da casa do duque, Fernão de Sousa, licença para vir morar nesta vila (por esta causa correra demanda que ora cessava) impondo-lhe diversas condições com penalidades. Perg. nº 60 da C. M.

1591 — É feita transacção entre as freiras de Santa Clara de Guimarães e Francisco Leão, abade de Santa. Cristina de Arões, dando-se por terminado o pleito que se havia levantado sobre a anexação da dita igreja ao referido convento, ficando ela de pagar às religiosas metade dos seus frutos e rendimentos.

1766 — O Cabido, em observância às ordens que tinha recebido do D. Prior, celebra uma festa em acção de graças pelas melhoras do Conde de Oeiras (depois marquês de Pombal), irmão dele D. Prior, em cuja festividade foi orador frei Cristóvão (?), recebendo pelo sermão 19$200 reis; houve fogo, iluminação, etc., sendo toda a despesa 32$240 reis, paga pelas mesas capitular e prelacial.

1826 — Provisão confirmando o estabelecimento da fábrica de curtume de couro de casca e sumagre de José Gomes e filho João Gomes Guimarães, no lugar da Corredoura, freguesia e couto de S. Torquato, concedendo-lhe os respectivos privilégios.

1860 — A Câmara pede ao seu presidente, Visconde de Pindela, que era deputado da nação, para lhe alcançar o convento do Carmo.

1865 — A Câmara dirige duas representações a El-rei, pedindo: - que nos estudos a que se estava procedendo para o caminho-de-ferro do Porto a Braga se considere como ponto obrigado a cidade de Guimarães; - mande estudar e construir a directriz do caminho-de-ferro do Porto ao Peso da Régua pela margem do Sousa.

1882 — Em sessão de direcção da Sociedade Martins Sarmento é apresentada uma proposta do vogal Dr. Avelino da Silva Guimarães, para compra da livraria do jurisconsulto Bento António de Oliveira Cardoso, para a Sociedade estabelecer biblioteca e para representar à Câmara, mostrando-lhe a necessidade e conveniência de a criar. A proposta foi aprovada com um aditamento em sessão da mesma direcção a 1 de Fevereiro seguinte.

1886 — Parte para Lisboa uma numerosa comissão da colónia vimaranense no Porto, presidida pelo Dr. João Vasco Leão, juiz de uma das varas cíveis do Porto, para apresentar na Câmara dos Deputados a representação da mesma colónia, aprovada na reunião que houve ali, pedindo a aprovação do projecto de lei de Franco Castelo Branco para a anexação deste concelho ao distrito do Porto.

1907 — Na escola médico-cirúrgica do Porto defendeu tese, e obteve 20 valores, classificação máxima, o Dr. João Monteiro de Meira, um dos mais talentosos e laureados académicos das modernas (então) gerações escolásticas.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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A neve também cai em Guimarães

1971. Vista de Guimarães, com a Amorosa em primeiro plano. (fot. de Belmiro P. Oliveira)

Hoje a neve apareceu nos sítios mais insólitos de Portugal. Em Guimarães, está um dia de sol radioso. Mas, de vez em quando, a folheca também cai por cá. Até em Agosto.

No extraordinário diário vimaranense que o paleógrafo João Lopes de Faria nos legou, encontram-se diversas notícias de nevões em terras de Guimarães. Por exemplo:

03 de Fevereiro 1684: Cai extraordinária quantidade de neve, que atingiu grande altura, levantando-se também furiosa ventania que causou enormes estragos, destruiu e lançou por terra corpulentas árvores.

11 de Fevereiro 1695: Na capa de pergaminho de uma nota do tabelião Nicolau de Abreu, pela parte de dentro, está escrito o seguinte: "A 11 de Fevereiro de 1695 foi o ano (deveria dizer o dia?) da maior neve que houve há muitos anos e assim o afirmam homens de muita idade e entanto que desceram muitos lobos cá para baixo e um chegou à Madrôa e viu muita gente e foi pelo campo da Honra às Lameiras do Palhares e aí o viu Francisco Borges Peixoto da quinta de Laços.”

14 de Janeiro 1830: "Apareceu, logo de manhã, tudo coberto de folheca." P. L.

26 de Dezembro 1836 "Ao amanhecer apareceu tudo coberto de neve, de maneira que estavam os telhados das casas, as ruas, terreiros e montes todos brancos. Não havia exemplo de uma camada de neve tão grande desde Janeiro de 1829 em que houve uma igual, e da qual se supôs a quase extinção da ferrugem (bicho) das oliveiras, tendo desde então dado as oliveiras bastante azeite, o que há muitos anos não tinha acontecido, muito principalmente nesta província do Minho, onde muitos lavradores tinham cortado os seus olivais por lhe não darem azeite". P. L.

11 de Abril 1837: Caiu por espaço de algumas horas uma tão grande quantidade de neve, a que chamam folheca, que cobriu todos os montes e se não fosse a chuva que se lhe seguiu custaria muito a derreter, fazendo um frio intensíssimo. As pessoas que tinham sido atacadas de gripe continuavam a passar incomodadas por causa do frio, o qual tinha sido tão continuado, que só apenas no fim de Março é que tinham havido alguns dias em que o tempo esteve mais macio. Por este tempo ainda estavam, uma parte das vides por arrebentar e as que tinham arrebentado ou eram de casta ou eram das que estavam abrigadas. Os poucos gomos de vide que haviam estavam amarelos. Os poucos centeios que tinham espigado, tinham sido queimados pela neve e, em geral, havia poucas ervas porque o Inverno tinha sido muito seco e tinha havido muitas neves. PL

3 de Abril 1847: De manhã apareceu tudo coberto de neve, levando bastante tempo a derreter e havendo um intensíssimo frio. Toda a gente se admirou de haver tanta neve e tão tarde. Em algumas partes a neve subiu acima de 2 palmos de altura.

24 de Agosto 1850: Neste dia caiu neve em Guimarães e nos dias seguintes houve calor.

13 de Fevereiro 1853: Neste dia e nos dois seguintes caiu no concelho grande quantidade de neve, que atingiu altura de 2 palmos.

17 de Fevereiro 1853: Lê-se no Braz Tisana - Guimarães, 17 de Fevereiro. Hoje está um dia muito lindo; mas a neve por enquanto vai resistindo ao sol. Os males que a neve tem causado são muito graves. Em Basto está o povo fechado nas casas, pois consta que a neve ali tem a altura de homem: é certo que nem o correio tem vindo. Para os sítios de Barroso parece que morreram três almocreves, bem como as cavalgaduras, todos gelados. Para os lados de Fafe foi a neve tanta que três dias se não pôde sair para fora das casas, muitas das quais se alagaram e caíram, bem como oliveiras, laranjeiras e outras árvores que não puderam com o peso da neve. Em Pentieiros (Guimarães) consta que morreu um almocreve com as cavalgaduras enterradas na neve. Para os sítios da Serra de Santa Catarina os vizinhos tiveram de fazer buracos nas casas para puderem passar o comer uns dos outros e o mesmo aconteceu para os lados de Abação. Do Marão ainda nada se sabe, só sim dos lobos virem de lá fugindo. Enfim, não obstante o dia lindo de hoje, os montes, os campos e os telhados estão cobertos de neve. Teme-se muito que morra o gado com fome por não poder pastar. - Há já bastantes acções de 1.000$000 réis cada uma para a construção do novo teatro.

25 de Janeiro 1880: Desde o meio-dia à meia hora da tarde caiu folheca abundantemente. A Penha ficou toda branca de neve, o termómetro marcava dentro, em casa, 10 graus centígrados.

8 de Janeiro 1889: Das 3 às 4 e meia da tarde caiu tanta folheca que chegou nas ruas a ter 4 dedos de altura, e depois choveu muito que a derreteu toda.

7 de Janeiro 1895: Caiu muita folheca: a Penha ficou toda branca.

8 de Fevereiro 1898: Às 8 horas da manhã caiu tanta folheca que cobriu o monte da Penha até S. Roque.

2 de Fevereiro 1902: Domingo. - De manhã houve grande nevada que caindo em pequenos flocos e com a atmosfera seca, deu causa a um fenómeno deslumbrante. Às 11 horas da manhã o regimento nº 20 de infantaria, com mais de 200 homens, saía da missa na igreja de S. Francisco e seguia para o quartel pelo Toural, produziu-se um destes quadros que poucas e raras vezes se presenciam, marchando o regimento sobre uma chuva de flores brancas que em grande quantidade atapetava o chão e se penduravam dos bonés, ombros e fardas dos militares produzindo um efeito fantástico. Na 2ª feira de manhã e durante a noite novas quedas de neve se produziram em tamanha abundância que os telhados pareciam todos enormes, cobrindo por completo as casas; a Penha esteve encantadora. Alguns carros das carreiras de Braga e Basto não saíram e os que de lá vieram chegaram muito mais tarde e os cavalos cansadíssimos. Tiraram-se algumas vistas fotográficas da cidade. Dizia-se que desde 1854 não houvera igual. Em algumas ruas atingiu 5 centímetros.

11 de Fevereiro 1906: A Penha esteve coberta de neve.

1 de Março 1908: Neste dia, de manhã, e também no dia seguinte de manhã, apareceu a Penha coberta de neve, desde o Senhor dos Serôdios até à Fonte Santa.

27 de Janeiro 1915: Desde as 6 até às 7 da manhã caiu neve em abundância que atingiu 5 centímetros de altura; era uma delícia ver os montes, nos quais se conservou 8 dias, árvores e telhados tudo coberto de neve. As serras do Gerês, Marão, Lameira cobertas com grande altura.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 28, 2006

Efemérides: 29 de Janeiro

Avelino da Silva Guimarães (óleo de Abel Cardoso)

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1781 — A Câmara mandou lançar Bando pelas ruas, para que todas as pessoas se vestissem de luto em demonstração de sentimento pela morte da rainha mãe, D. Mariana Vitória, 3 meses rigoroso e outros 3 aliviado, e os pobres que não pudessem comprar luto trariam os sinais dele, que estavam estabelecidos por estilo, sob pena de castigo, conforme parecesse justo ao Senado e de ser dada conta a S. Majestade de tal desobediência. O Bando foi votado pelo pregoeiro da Câmara, vestido de capa e volta e um fumo grande no chapéu pelas costas abaixo, e duas caixas de guerra destemperadas e cobertas de baeta preta, tocando por todas as ruas.

1842 — Ao meio-dia foi aclamada nesta vila a Carta Constitucional de 1826 e a rainha pela Câmara e autoridades, tomando pouca parte nesta aclamação os habitantes da vila. Logo depois da aclamação saiu um bando da Câmara a convidar os habitantes da vila a porem luminárias tanto na noite deste dia, como na noite dos dias seguintes. Por este acontecimento não houve outro sinal de regozijo público senão alguns foguetes do ar e repiques de sino. A aclamação foi feita por ordem do administrador geral de Braga. P. L.

1882 — No palacete do Toural, é eleita em assembleia-geral, presidida pelo bacharel Rodrigo Teixeira de Meneses, uma direcção provisória para tratar dos primeiros elementos da organização definitiva, até 9 de Março, da Sociedade Martins Sarmento e foi proclamado sócio honorário o Dr. Francisco Sarmento.

1883 — A Sociedade Martins Sarmento realizou à noite na sua sala a 1.ª conferência. Foi conferente o Dr. Avelino da Silva Guimarães, sobre o estado das indústrias neste concelho e meio de as melhorar.

1888 — Mr. Felix Barreau fez a sua 3.ª ascensão nesta cidade no balão "La Sirenne" subindo a altura de cerca de 600 metros e correndo na direcção, impelindo pelo vento com bastante velocidade, caiu em um pinhal na freguesia de S. Tiago de Candoso.

1919 — Às 8 e meia da noite, manifestação acompanhada por duas bandas de música saiu do Largo de D. Afonso Henriques tocando o hino da Carta, foi ao quartel militar, Câmara, Administração e comando militar, de regozijo; houve entusiásticos discursos e aclamações à monarquia, rei, Paiva Couceiro e outros, promovida por um grupo de jovens monárquicos.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Humor vimaranense: do Azemel à blogosfera

O Padre Faria, numa caricatura de José de Meira (1905)

Nos tempos que correm, assiste-se ao aparecimento de novas formas de escrita de humor em Guimarães, que se difundem através da blogosfera. Escritos em Guimarães, têm-se destacado dois projectos, de naturezas completamente diferentes: o 4800Guimarães, dedicado à condição vimaranense, e o Sou Burro, escatológico e imprevisível. Ambos retomam uma velha (e rica) tradição local.

A imprensa periódica vimaranense tem uma longa história. Todavia, há uma vertente que se foi perdendo, em especial a partir dos tempos de chumbo iniciados em 1926 (como alguém disse, o cinzento acinzenta) e nunca mais foi retomada com a força que tinha antes: a tradição satírica, burlesca, humorística e crítica, iniciada logo em 1822 com o Azemel Vimaranense, em cujo cabeçalho se lia:

Aqui vão troando

Os ecos das bombas,

Que estouram nas trombas

dos Rinocerontes

No inventário da colecção da imprensa vimaranense existente na Sociedade Martins Sarmento, encontram-se os seguintes títulos com carácter humorístico: O Formigueiro (1879-1881), O Zirro (1887-1888), O Grulha (1898), O Malho (1914), O Melro (1914), Aurora Académica (1915), O Espião (1915), O Bando (1915), O Melro (1915), O Pardal (1916), A Sentinela (1916-1917), Gil Vicente (1918-1924), O Taralhão (1924), A Ortiga (1925-26) e O Zezista (1930). Dentro de algum tempo, estes jornais estarão disponíveis na Internet através do sítio da Casa de Sarmento.

Um dos mais geniais escritores vimaranenses foi João de Meira, a quem a morte prematura impediu que nos tivesse legado a obra que prometeu. Tinha um refinado sentido de humor, que se espelha nos seus dons de falsário (que usava por puro divertimento, imitando os estilos de diferentes autores de renome). Com o seu irmão José de Meira, compôs um curioso Álbum de Glórias, com uma inscrição em alemão gravada na capa: Was murret ihr? (O que estais a resmungar?), que a Sociedade Martins Sarmento guarda no seu arquivo. Integra duas séries de caricaturas traçadas pela pena do irmão José, entre 1905 e 1907, onde se retrata mais de meia centena de figuras da sociedade vimaranense daquele tempo. João de Meira legendou as caricaturas, descrevendo em versos satíricos as figuras retratadas. A figura que aparece ao cimo desta nota representa o Padre Faria, a quem João de Meira se refere como a seguir se lê:

Ao depois que morreu o Mastodonte

O Mamute e outros bichos colossais,

Deus pondo a imensa mão na imensa fronte

Disse: — É preciso fazer outros que tais!

E tomando da argila, enfastiado,

Com imenso trabalho e agonia,

Talhou um Mastodonte tonsurado,

Fez o novo Mamute, padre Faria!

Aí o vedes, tal qual ele é;

Negra a batina e negra a alma dura...

A meia rota a deixar ver o pé

Que ainda sonha com a ferradura!...

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"Voz do Céu retumbando na Terra", exposição até 31 de Janeiro

A exposição Voz do Céu, retumbando na Terra com os formidáveis ecos do horroroso terramoto, que se ouviu no 1 de Novembro de 1755, onde se mostra a notável colecção de folhas volantes sobre terramotos que Francisco Martins Sarmento doou à Biblioteca da SMS poderá ser visitada até ao próximo dia 31 (terça-feira).

Para assinalar esta exposição, a SMS editou o folheto de onde foi retirado o título da exposição, no qual José de Almeida Castelo-Branco Bezerra glosa o seguinte soneto, atribuído a um anónimo:

Treme a terra insensível elemento,

Dorme a terra no homem animada,

Uma terra com culpa sossegada,

Outra terra sem culpa, e em tormento.

A que nunca pecou por pensamento,

Dos castigos do Céu tão assustada,

A que deve temer ser castigada,

Sem temor, no pecado está de assento.

Tempo é, terra vital, de recordar,

Se não queres, ó homem, perecer,

Trata, ó terra vital, de ressurgir;

Pois a terra te vem a despertar,

Que te faça temor, o seu tremer,

Já que a fez tremer tanto o teu dormir.

A edição, de 200 exemplares numerados e marcados com o selo branco da SMS, pode ser adquirida na SMS pelo valor de 2 euros cada exemplar (mais 50 cêntimos para despesas de envio, no caso de pedidos de entrega através do correio).

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janeiro 27, 2006

Efemérides: 28 de Janeiro

Mosteiro de S. Torcato

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1688 — Alvará por resolução de 3 de Abril de 1687, concedendo, a requerimento da Câmara, que houvesse feira ou mercado na vila de 15 em 15 dias, que noutro tempo fora concedida de mês em mês quando a população era menor. Actualmente fazia-se mercado todas as semanas mas só se pediu como fica dito.

1727 — Provisão de El-rei D. João V pela qual, a pedido do Cabido de Guimarães, manda copiar da Torre do Tombo uma provisão de El-rei D. Afonso V que confirma os privilégios e mercês do mosteiro de S. Torcato, anexo à Colegiada.

1811 — Aviso régio louvando o D. Prior pelo zelo e prontidão com que satisfez à comissão que lhe foi encarregada da cobrança das duas contribuições extraordinárias de defesa, relativas à Colegiada, dando neste objecto mais uma evidente prova de quanto se interessava e contribuía para a causa pública.

1836 — "Na noite deste dia foram espancados nesta vila alguns Realistas, ficando alguns bem mal tratados, pelos Constitucionais, por aqueles terem encontrada alguma exaltação, e por terem escrito uma carta ao redactor do Artilheiro, escrivão Bandeira, atacando-o a ele, à rainha, ao seu defunto pai, etc., e tendo posto pasquins" P. L.

1842 — Marcha para o Porto o batalhão de infantaria nº 14, para se reunir à guarnição daquela cidade em defesa da rainha e da Carta Constitucional. P. L.

1870 — Saiu o 1º número do jornal "Fraternidade", político e noticioso. Administrador António Vieira Correia da Cunha.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 26, 2006

Efemérides: 27 de Janeiro

Guimarães em dia de nevão

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1280 — Falece no convento de S. Domingos de Guimarães o Beato Frei Lourenço Mendes, notável em todas as virtudes cristãs. As suas relíquias estão actualmente sob guarda da Ordem Terceira. - Vid. Diccion. "Portugal" 4, 1012.

1657 — A Câmara determina que a ponte de Sta. Luzia que andava a fazer-se de 16 palmos de largo, se lhe acrescentasse mais um palmo.

1840 — Às Trindades, deram duas facadas em um procurador de demandas, chamado Manuel Basto, ao pé da sua casa, morava na rua de Val-de-Donas. Passados 2 dias foi preso um sapateiro, filho de um Vieira da rua de Couros, por o ofendido se queixar de ser ele que lhas tinha dado. As facadas foram dadas, segundo se dizia, por ele Basto ser procurador de uma demanda contra o sapateiro. P. L.

1858 — A Câmara faz a 1ª tabela com o número de badaladas para os sinais de incêndio, dividindo para isto a cidade em 7 estações, sendo 10 o número de badaladas para a 1º estação e 22 da última, as quais eram dadas depois de dar o toque a rebate.

1858 — A Câmara representa a El-rei pedindo-lhe que a Câmara de Braga lhe entregue um exemplar de cada obra que na biblioteca dessa cidade existisse em duplicado, para nesta estabelecer bilblioteca.

1884 — Sobe pela primeira vez à cena, no teatro de D. Afonso Henriques, o drama inédito de costumes popular "A Cruz do Outeiro" devido à pena do nosso cónego doutor António Joaquim de Oliveira Cardoso.

1886 — A Sociedade Martins Sarmento reúne-se em assembleia geral, com forma de comício, no teatro de D. Afonso Henriques, para novamente representar ao parlamento a favor do projecto da desanexação deste concelho do distrito de Braga apresentado pelo nosso deputado João Franco Ferreira Pinto Castelo Branco.

1886 — O povo de Braga recebe com entusiasmo a comissão que no dia 20 partiu para a capital para tratar sobre o conflito bracaro-vimaranense. Houve discursos, não faltando os do visconde de Pindela!!! Malandro, falso filho de Guimarães!!!

1901 — Fez estreia a companhia equestre, ginástica e mímica, composta de 15 pessoas de ambos os sexos e 11 cavalos de várias raças amestrados em liberdade e saltadores, dirigida pelo professor de equitação M. Luigi Cardinali, condecorado na cidade do Porto com a medalha de ouro e o diploma de honra.

1915 — Desde as 6 até às 7 da manhã caiu neve em abundância que atingiu 5 centímetros de altura; era uma delícia ver os montes, nos quais se conservou 8 dias, árvores e telhados tudo coberto de neve. As serras do Gerês, Marão, Lameira cobertas com grande altura.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 25, 2006

Efemérides: 26 de Janeiro

O Testamento de Mumadona

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

959 — É desta data o solene testamento ou doação que fez "Mumadona" ou "Dona Muma" dotando com grandes bens e móveis o seu mosteiro duplex que havia fundado em Guimarães à honra do Salvador do mundo e de Sta. Maria, sendo já o 4º abade Ordónio. Ela era tia e colaça de D. Ramiro II rei de Leão e viúva de Hermenegildo Gonçalves.

1488 — O cónego Gonçalo Martins, como procurador do Cabido, na forma ou em virtude de uma sentença eclesiástica de Braga, toma posse da capela de Santa Luzia que era de uma gafaria administrada pela Câmara, ficando desde então o seu rendimento anexo à mesa capitular, até à supressão da Real Colegiada.

1818 — Nasce em Vizela o bacharel em matemática, filosofia e medicina José Joaquim da Silva Pereira Caldas, cuja bibliografia se encontra no dicionário Bibliográfico Português.

1840 — Veio em procissão para a capela dos Terceiros Franciscanos a imagem do Senhor da Pedra, a de S. Roque, para que Deus permitisse que não continuassem as chuvas, que havia mais de 4 meses não cessavam de cair, sendo causa de que a maior parte das colheitas estavam por fazer. Acompanhavam-na a Ordem Terceira de S. Francisco, algumas irmandades e muitíssimo povo. P. L.

1852 — O "Periódico dos Pobres no Porto" deste dia, noticiando o enterro do pintor Roquemont, que viveu alguns anos em Guimarães, no Porto, diz, deixou ao seu amigo Nicolau Arrochela, a quem nomeou 2º testamenteiro, o seu retrato, uma luneta que fora do mano do mesmo Arrochela e 4 volumes da História dos Monumentos antigos e modernos; ao filho do Arrochela 15$000 réis para comprar um cavalo para se divertir; e ao filho do visconde Azenha 250$000 réis para comprar um cavalo para passear.

1868 — No teatro D. Afonso Henriques, o vimaranense Sebastião Augusto de Magalhães Brandão dá um espectáculo de jogos de física recreativa, em benefício da construção da torre, lado sul, da igreja de Nª Sª da Consolação e Santos Passos, sendo a 3ª parte do espectáculo a decapitação do muito conhecido Lourenço Aveiro.

1879 — Os ourives desta cidade e alguns da freguesia de s. Martinho de Travassos reúnem na casa da Associação comercial e resolvem representar para que no caso de ser reformado o serviço de contrastaria, não se centralize todo na cidade do Porto, como dali pretendiam, mas se crie também um contraste nesta cidade de Guimarães

1913 — Realizou-se no Internato Municipal anexo ao Liceu o acto solene da inauguração da Caixa Filantrópica de Socorros a Estudantes Pobres.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 24, 2006

Nos 200 anos do nascimento de Bento Cardoso

No dia 25 de Janeiro de 2006 completam-se 200 anos sobre o nascimento de Bento António de Oliveira Cardoso. Filho de Francisco José Gonçalves de Oliveira e de Maria Teresa da Encarnação, foi um advogado de grande fama, a quem Camilo Castelo Branco se referiu no capítulo IV de A Brasileira de Prazins (“O Dr. Adolfo absteve-se de entusiasmos, e pôs-se a estudar a questão, em conferências com o Bento Cardoso, de Guimarães, e o Torres e Almeida, o Rasqueja de Braga, dois chavões”). Escreveu sobre assuntos de jurisprudência.

Cidadão activo e participante, esteve envolvido, na década de em 1830, na Sociedade Patriótica Vimaranense. Fez parte da comissão da subscrição para socorro dos pobres de Lisboa vítimas da epidemia da cólera morbus, que recebeu, em Fevereiro de 1858, um agradecimento publicado em Portaria do Ministério do Reino. Em 1869, integrou, com, entre outros, Martins Sarmento, José Sampaio e Alberto Sampaio, a comissão da filial em Guimarães da Associação Arqueológica de Lisboa, de que acabaria por pedir escusa, alegando achaques e a sua vida laboriosa.

Uma das suas facetas mais destacadas foi a de bibliófilo. A sua biblioteca era famosa pelas preciosidades que guardava, despertando grande interesse entre os coleccionadores. Numa das primeiras reuniões após a criação da Sociedade Martins Sarmento, em Janeiro de 1882, o Dr. Avelino da Silva Guimarães propôs a compra da livraria de Bento Cardoso, para com ela dar início à instalação de uma biblioteca da Sociedade, sugerindo que se mostrasse à Câmara de Guimarães a necessidade e a conveniência da sua criação. Apesar de ter sido aprovada, a compra dos livros não se concretizaria então. Apenas teria lugar após a morte de Bento Cardoso, em 12 de Abril de 1886. Nessa altura, a direcção da SMS fez um esforço financeiro considerável para se antecipar à hasta pública que já estava anunciada. Em boa hora o fez.

Em grande parte composta por obras de Legislação e Direito, a biblioteca de Bento Cardoso guardava diversas preciosidades, entre as quais se destacam umas Ordenações de 1565, os Estatutos da Universidade de Coimbra, de 1591, e um exemplar da edição princeps de Os Lusíadas, de 1572, cujo fac-símile foi recentemente editado pela Universidade do Minho.

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Efemérides: 25 de Janeiro

Balança e pesos de pedra para pesagem de linho (da colecção da SMS)

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1613 — Em vereação foi taxado com os da governança que o linho de Coimbra fosse a 500 réis a pedra, e a linhaça a 200 réis a rasa; e ninguém levasse linho ou linhaça para fora do termo sob pena de 30 cruzados e 30 dias de cadeia.

1742 — Provisão mandando demarcar no monte da Falperra, limites de Guimarães e Braga, com assistências dos procuradores das duas Comarcas, terreno para casas de capelão, ermitão, guarda de paramentos, horta, e entregar à irmandade de Sta. Maria Madalena, que há pouco tinha edificado o templo, para ela tapar e fazer as edificações.

1806 — Nasce Bento António de Oliveira Cardoso, cavaleiro de S. Tiago da Espada, bacharel em Cânones e jurisconsulto muito notável e considerado.

1822 — Luminárias por ser o 1º aniversário da instalação das cortes em Lisboa. Nesta noite deu o Vago-Mestre, botequineiro (era João Manuel da Costa) um copo de água aos seus fregueses, aonde se cantou o hino constitucional. P. L.

1835 — Nesta noite vai a polícia desta vila a Ronfe e Brito para fazer prender vários realistas. Só traz preso o "Vila Verde". P. L. NB: Este Vila Verde era Francisco Joaquim de Abreu Vale, desta vila, residente em S. Vicente de Oleiros, tinha 50 anos, casado, ex-escrivão dos almotacés; foi para a Relação em 12 de Março deste ano.

1870 — A Câmara oficia ao Cabido consultando-o se está de acordo em que seja removido o polígono que se achava derrubado, e a oliveira que estavam fronteiros ao Padrão, para o vazio entre o Passo do Postigo da Guia e a parede do claustro (encostada à Capela de S. Brás) ou se para tal fim preferia outro local.

1880 — Desde o meio-dia à meia hora da tarde caiu folheca abundantemente. A Penha ficou toda branca de neve, o termómetro marcava dentro, em casa, 10 graus centígrados.

1884 — Colocou-se a última pedra que remata o frontão da basílica de S. Pedro, no Toural.

1885 — Da igreja de S. Domingos sai em procissão de penitência, a imagem de Nª Sª dos Terramotos em andor, acompanhada por mais de 6000 pessoas, por causa dos terramotos ocorridos em Andaluzia, Espanha. Nos dias anteriores houve preces e sermão, e também o houve antes de sair a procissão, sendo de todos orador o prior de freguesia do Salvador de Souto, Luís Dias da Silva.

1891 — É inaugurada no edifício da Sociedade Martins Sarmento a escola de ginástica e instrução militar com 22 alunos, criada pela mesma Sociedade.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento

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janeiro 23, 2006

Uma bernarda... minhota

A propósito das notícias acerca do conflito entre Guimarães e Braga, ocorrido há 120 anos, que por estes dias têm sido referidas nas nossas “Efemérides”, o jornal humorístico Maria Rita publicou por aquela altura, sob o título Uma bernarda... minhota, a gravura que se reproduz acima, com a seguinte legenda:

"Braga, a Fiel, na pessoa dos snr. Valada, agrediu Guimarães, o glorioso Berço da Monarquia, na pessoa do snr. de Margaride. A batalha travou-se renhida e violenta, e as duas cidades batem-se furiosas. Braga armada dos pés à cabeça, ergue os seus tamancos; Guimarães armada até aos dentes... dos seus garfos, resiste corajosa ao ataque, esperando que o snr. Valada volte costas! E o Porto, de braços cruzados, jura aos seus deuses que não entra na questão, porque lá diz o ditado: "Entre pais e irmãos, não metas as mãos". Quer dizer, o Porto tem os olhos na Travessa... da Espera."

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Efemérides: 24 de Janeiro

Vista do Campo da Feira. Ao fundo, a igreja do Senhor dos Passos.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1561 — Doação da capela de Jesus na igreja Colegiada ao lado direito da capela-mor, feita por D. Duarte, duque de Guimarães e padroeiro da dita igreja, a Francisco de Mesquita, ascendente dos da casa de Vila Pouca, para seu jazigo e de seus descendentes, na qual com o consentimento do d. Prior já estavam sepultados seus pais, por terem feito benfeitorias nela, com obrigação de a fabricarem com tudo o necessário e que lhes fosse mandado pelos prelados em visitação.

1805 — Francisco Joaquim Moreira de Sá obtém alvará régio para a fábrica do papel de vegetais, como invenção sua.

1833 — Pelas duas horas da tarde principia a ouvir-se nesta vila muitíssimo fogo de artilharia para as partes do Porto, o qual durou até às 9 horas da noite, causando bastante admiração aos habitantes da mesma, pois que não havia parte alguma onde se não ouvisse. Este fogo foi em consequência de alguns navios que estavam fora da barra para entrar, trazendo gente e víveres, vindo para proteger o desembarque à esquadra do Sr. D. Pedro, que tinha estado em Vigo, sendo a maior parte do fogo que s e ouviu da supradita esquadra. Também as tropas do Sr. D. Pedro (combateram) as do Sr. D. Miguel para as partes de Matosinhos, morrendo muita gente de parte a parte. Entrou tudo o que vinha nos navios. P. L.

1851 — Portaria régia concedendo à Ordem 3ª de S. Domingos a igreja e sacristia do extinto convento de S. Domingos.

1856 — 5ª-feira. Na noite deste dia para o seguinte o povo da rua de Couros esteve em número crescido com paus e outras armas em volta da igreja do Senhor dos Passos para impedir que o órgão dali fosse para o teatro, para a representação do Frei Luís de Sousa. Levaram depois o da capela de S. Domingos. - Notícia no "Domingo" de Lisboa.

1864 — Visitaram esta cidade e retiraram para o Porto a 26 deste, à noite, o conde de Terena a seu genro Marquês de Monfalim.

1881 — Na noite de 24 para 25 choveu aqui um vendaval desfeito, quebrando nos campos algumas árvores e abatendo uma casa nas Oliveiras do Campo da Feira, moinho e telhado sobre a cama onde dormia uma mulher, que foi necessário tirar dos entulhos.

1886 — Grande comício, promovido pela comissão de vigilância, no salão da Associação Artística Vimaranense em que foram apresentadas mensagens de diversas corporações aderindo às resoluções tomadas pela comissão de vigilância sobre "A União ao Porto".

1898 — Deu entrada nesta cidade, puxada a 23 juntas de bois, uma enorme caldeira destinada à fábrica de tecidos de linho e algodão que se andava construindo na Avenida da Indústria, da qual eram proprietários o Visconde de Sendelo, Pedro Pereira da silva Guimarães & Companhia.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 22, 2006

Efemérides: 23 de Janeiro

O Toural em 1932

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1400 — Foi sagrada a capela-mor (anterior à actual) da igreja da Colegiada, mandada edificar por El-rei D. João I. Foi sagrante o bispo de Coimbra, D. João de Azambuja com licença do arcebispo de Braga, D. Martinho de Miranda, que teve por assistentes o arcebispo de S. Tiago da Galiza, D. João Manrique, e o bispo de Cidade Rodrigo, D. Rodrigo. Estiveram presentes El-rei D. João I e sua esposa D. Filipa, e o filho bastardo de El-rei, D. Afonso, conde de Barcelos e mais tarde duque de Bragança.

1401 — Carta de El-rei D. João I, dada em Guimarães, mandando aos juízes da cidade do Porto e guardar os privilégios concedidos à Colegiada, para que os caseiros dela não paguem as peitas, fintas nem talhas e outras; também isenta os mesmos de trabalhar na adua (muralha), obra que se estava fazendo na cidade do Porto, e a que as justiças os queriam obrigar. Foi dirigida aos juízes da cidade do Porto.

1531 — Em vereação "acordaram que por o impedimento de Galiza da peste, de que Deus nos guarde, nenhum almocreve não vá à Galiza buscar peixe nem sardinha sob pena de dois mil réis de cada vez, além da pena do mandado de El-rei nosso senhor e os que lá forem não entrem sob a dita pena sem licença dos guarda-mores, e isto por haverem por informação que morrem agora em muitos lugares de Galiza, e foi apregoado" NB: Este termo está depois daquele de 23 e de um de 27.

1641 — Em vereação foi acordado que não mais se pagasse o real de água da carne e vinho imposto pelo rei de Castela.

1825 — É conduzida processionalmente com acompanhamento do Cabido, comunidades religiosas e todo as irmandades de Guimarães a imagem do Senhor crucificado, da capela de Vila Pouca da igreja da Colegiada para a nova capela do Campo Santo. P. L.

1832 — Vindos das prisões de Viana e Valença, chegam setenta e tantos presos por opiniões políticas, entre os quais o Domingos Ferraz de Sta. Luzia desta vila, vinham sem algemas. Partem no dia seguinte para Alijó, sendo presos por cordas, por assim o exigir o governador militar desta vila que era Fortunato Cardoso, ainda que nisso tivesse bastante repugnância o comandante que os trazia e a quem eles tinham sido entregues. P. L.

1876 — A assembleia geral da irmandade de N.ª Sr.ª da Consolação e Santos Passos aprova a criação de um asilo de mendicidade que havia sido deliberado em sessão de mesa de 17 de Dezembro de 1875, e aceita o donativo de 50$000 réis do padre António José Rodrigues Cândido, abade de S. Tomé de Abação, 1º benfeitor do mesmo asilo.

1880 — Hoje arborizou-se o largo de S. Francisco, plantando-se ali 30 oliveiras da Austrália - Acácia Melanoxilon. Os habitantes do largo requereram logo à Câmara contra tal plantação, alegando que aquelas árvores os assombravam no Inverno, e pedindo antes a preferência de outras de folhas caducas. Dias antes cortaram-se as antigas e grandes carvalhas de S. Francisco, fronteiras ao lado norte da igreja, e que tinham dado o nome ao sítio; ficou apenas uma, e havia tenção de arborizar o mesmo local com árvores mais próprias, que ainda até hoje 29 de Janeiro de 1932 se não realizou.

1883 — Na noite deste dia para o seguinte, os ladrões arrombaram a porta lateral-norte da capela de Sta. Luzia e, entrando, roubaram da imagem da Santa um cordão de ouro, coroa de prata, anel e uns olhinhos de ouro, tirando a cabeleira e quebrando um braço à imagem mais pequena. Também levaram dali uma caixa de esmolas, que arrombaram e deixaram ficar na ponte de Sta. Luzia.

1884 — A Associação Artística Vimaranense representa ao Governo, secundando a da Sociedade Martins Sarmento, pedindo a criação nesta cidade duma escola industrial.

1886 — O nosso deputado João Franco Castelo Branco discursa na Câmara dos Deputados sobre o conflito brácaro-vimaranense.

1928 — Principiou a fazer-se de mosaico o pavimento, ruas, do jardim do Toural.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 21, 2006

Efemérides: 22 de Janeiro

A antiga igreja de S. Paio, vista a partir do Toural

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1588 — Sentença do ouvidor de Braga, Sebastião Gil, sede vacante, concedendo que o cano da água vá pelo adro da igreja de S. Paio, o que já autorizara o Cabido da Colegiada padroeiro. A Câmara alcançara provisão régia para trazer água para a vila, e já ali estava, e agora para passar pelo adro para o novo chafariz do Toural pretendia licença.

1644 — O cónego arcipreste de Guimarães, Baltazar de Meira, perfilhou, na nota do tabelião Francisco Veloso, a Francisco Meira, que o houve de Bárbara de São Francisco.

1744 — A Câmara, nobreza e povo, informam a S. M. que era justo dar-se de esmola 400$000 réis das sobras dos bens de raiz aos frades de S. Francisco para reedificação da capela-mor, onde haveriam de colocar o corpo da venerável senhora D. Constança de Noronha, e da tribuna.

1787 — O Cabido, em sessão plenária, delibera demolir a torre de N.ª Sr.ª da Guia que estava a alagar-se, para o que desde 18 de Fevereiro de 1778 tinha provisão régia que lhe concedia a pedra da dita torre para a construção da sua nova casa capitular, e que, pela demora havida em a demolir, a Câmara pedira a S. M. lha concedesse para as ruas da vila.

1838 — O Barão de Almargem, general da província, estabelece aqui seu quartel general, que desde muitos anos era em Braga. P. L.

1875 — Esteve aberta nesta cidade, em Braga e no Porto, a subscrição para o novo Banco Comercial de Guimarães, a qual excedeu muito a quantia pedida, que era de 500 contos em 1000 acções de 50$000 réis, havendo por isso rateio talvez superior a 80 por cento.

1879 — Principiou-se a fazer a parede para fechar o terreno de N.ª Sr.ª da Penha. A 29 e 30 deste mês fizeram-se ali as primeiras plantações de árvores. A cerca ficou completamente fechada no mês de Fevereiro, fazendo-se a segunda plantação a 9 de Março deste ano. - Vide este dia 9.

1893 — Falece em S. Clemente de Sande, onde era vigário colado, o padre Torquato José Rodrigues. Lia exorcismos, tinha boa fortuna; deixou um papagaio às freiras Capuchas, mas não lhes deixou com que o manter e para o trabalho que lhes veio dar.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Exposição: "Estação Arqueológica", de Isabel Carvalho

Prosseguindo o ciclo de arte contemporânea em curso na Galeria de Arte da Sociedade Martins Sarmento, está patente, até ao próximo dia 20 de Fevereiro de 2006, a exposição Estação Arqueológica, de Isabel Carvalho.

Isabel Carvalho, nasceu no Porto em 1977. Tem desenvolvido actividades como Artista Plástica, autora de BD. É professora extensão de Guimarães da ESAP. Licenciada em pintura pela Faculdade de Belas Artes do Porto, fez mestrado no Camberwell College of Arts (London Institute). Integra o colectivo “Alíngua”, que edita a revista Satélite Internacional, ao grupo artístico Ateliers Mentol, ao ZOINA, grupo feminista de intervenção artística. Participou , entre outras, nas exposições “Arte-Público”, 2002, Museu de Serralves, Porto e Culturgest, Lisboa; “WAW-women against women”, 2002, Galeria Marta Vidal, Porto; “National Museum”, 2004; “16 salas, 1 espaço” , 2005, no Laboratório das Artes em Guimarães; “Tale about Urban Piracy”, 2005, no Centro de Artes Visuais de Coimbra; projecto “Terminal”, no Hangar k7 na fundição de Oeiras.

Isabel Carvalho integrou o grupo de artistas que participaram no projecto de Carla Cruz, “All My Independent Women”, que esteve patente da Galeria de Arte da SMS em Setembro e Outubro de 2005.

Nesta Estação Arqueológica, como escreve Mário Moura no texto de apresentação que escreveu, existe “uma forma de arqueologia, de recolha e de classificação. Livros para criança ilustrados, dicionários de rimas, posters educativos ou propagandísticos, estatuetas Disney em plástico corroído, cadernos escolares semi-preenchidos, são recuperados em farrapeiros e alfarrabistas, para serem depois reproduzidos com afinco, a sua caligrafia e os desenhos ampliados com paciência, em grandes composições ou séries temáticas, documentando aquilo que é suposto ser, de acordo com o senso comum da nossa sociedade, uma adolescência no feminino”.

O booklet da exposição está disponível para download.

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janeiro 20, 2006

Efemérides: 21 de Janeiro

Capela-mor da Igreja da Colegiada da Oliveira

Alguns acontecimentos do dia 21 de Janeiro, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1712 — O escultor Pedro Coelho, morador na freguesia de S. João de Gondar, obriga-se ao Cabido, na nota do tabelião Manuel da Silva, a construir-lhe por 170$000 réis, os caixilhos e mais obra da capela-mor da Colegiada, os quais correriam até ao retábulo, guarnecendo com eles os painéis e frestas, e os claros entre umas e outras, repartindo-os em três painéis com os mesmos caixilhos, e ao pé dos santos correrem outros caixilhos enxambrados uns com os outros semelhantes aos redondos com meias canas que estavam nas naves da igreja, para cuja planta lhe assistiria o escultor António de Andrade, morador nesta vila, e outras mais condições relativas à escultura, que constam deste contrato.

1797 — De madrugada, faleceu no convento dos Capuchos, com opinião de santidade, Frei Luís do Porto ou das Chagas, obrando o milagre de dar vista à mulher do cirurgião, que o curava, imediatamente à sua morte antes que no convento dessem fé do falecimento, pois ela já estava com vista recuperada quando lá os sinos deram principio ao sinal fúnebre. Ele tocava muito bem viola, o que fazia quando lhe estavam curando as feridas. O seu retrato, ainda eu o vi acantonado com outros painéis na sacristia do convento; desapareceu próximo ao ano de 1880.

1849 — Por iniciativa de Rodrigo (Reilha) Martins da Costa, Domingos (da Custodinha) António de Freitas e Jerónimo de São Carlos Fernandes da Silva Ribeiro, planeou-se neste dia a fundação de um teatro, por meio de acções de 1$000 réis, no grande salão do extinto convento de S. Francisco, na parte que fazia esquina para a rua do Quintal. Foi inaugurado em 6 de Maio do mesmo ano com o drama, em 5 actos, "O Cigano" e com a comédia "Um duelo no terceiro andar".

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janeiro 19, 2006

Efemérides: 20 de Janeiro

A antiga Avenida do Comércio (actual D. Afonso Henriques)

Alguns acontecimentos do dia 20 de Janeiro, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1529 — El-rei D. João III, em Lisboa, confirma a carta dada por El-rei D. Fernando em Leiria a 30 de Novembro de 1376 em que determina "que os fidalgos possam estar em a vila de Guimarães oito dias quando aí vierem e nos ditos oito dias lhe poderão ser dadas sem dinheiro, e o mais que por seus dinheiros e se aí estiverem mais tempo pagarão as ditas casas e camas, e o mais que houverem mister" - Perg.º nº 75 da C. M.

1609 — O arcebispo D. Agostinho de Jesus deu a cabeça de uma das onze mil virgens a Gonçalo Faria de Andrade, e este deu-a ao convento de Sta. Clara.

1766 — Decreto do arcebispo, ordenando à abadessa de Sta. Clara não conceda locutório, nem dê licença, a religiosa alguma para ir falar à portaria, nas rodas ou crivos, sem examinar primeiro com toda a vigilância a qualidade das pessoas que procuram falar às religiosas, e que depois de conceder as ditas licenças, por julgar necessárias, vá pessoalmente aos locutórios e examine, se as pessoas são as mesmas para quem as concedeu, e se nelas há perturbação, ou divertimentos impróprios do estado religioso.

1869 — Inauguração da Real Fábrica de Tecidos de Algodão, Linho e Lã, no lugar de Caneiros, freguesia de Fermentões, fabrico manual, sob a firma comercial de Guimarães, Filho e Sobrinho. O título de real foi-lhe em portaria de El-rei D. Luís e o infante D. Augusto.

1875 — Instalação do Banco Comercial de Guimarães, na casa no nº 19 do Campo da Misericórdia. Principiou a funcionar em 1 de Maio de 1875.

1880 — À noite, recebeu-se a notícia de que pelo ministério das Obras Públicas haviam sido expedidas ordens para se proceder imediatamente aos estudos da avenida de ligação entre esta cidade e a estação do caminho-de-ferro, em Vila Flor. Às 8 e meia uma banda de música, seguida de um numerosíssimo grupo de populares, com archotes acesos, percorreram as principais ruas dando vivas.

1886 — A Câmara de Guimarães representa à dos Deputados pedindo-lhe a aprovação do projecto que desanexa o concelho de Guimarães do distrito de Braga e o anexa ao do Porto.

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janeiro 18, 2006

Efemérides: 19 de Janeiro

O Toural numa gravura antiga, com a igreja de S. Sebastião (demolida) e o chafariz que foi trasladado para o Largo Martins Sarmento

Alguns acontecimentos do dia 19 de Janeiro, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1587 — Tendo os fregueses de S. Sebastião de Guimarães requerido ao Arcebispo, alegando-lhe que a sua igreja já era antes ermida, por a freguesia de S. Paio ser muito grande e não caberem na igreja dela os fregueses todos e, por outros motivos, o arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires por visitação a fez paróquia e dividiu as freguesias e número de fregueses que a cada uma devia.

1786 — Registrou, na Câmara, a sua marca de ourives de prata Francisco José da Silva.

1809 — Abriu-se a aula de retórica e poética no convento de S. Domingos, regida por frei António Pacheco.

1853 — A rainha D. Maria II, "atendendo à distinta ascendência de Nicolau de Arrochela Vieira de Almeida, fidalgo da sua real casa, par do reino; e querendo perpetuar a memória da honra que lhe fez de a hospedar em sua casa (de Guimarães) por ocasião da sua visita às províncias do Norte" faz-lhe mercê de o elevar à grandeza destes reinos com o título de Conde da Arrochela em sua vida.

1886 — Partiu no comboio do correio da cidade de Braga para Lisboa, a comissão de 9 bracarenses eleita no meeting que na dita cidade teve lugar no dia 17 para apresentar a representação que nele foi aprovada contra a desanexação do concelho de Guimarães do distrito de Braga. Saíram do edifício da associação comercial a Câmara com a bandeira, corporações civis, colégios, bombeiros e duas bandas de música até à estação onde à saída do comboio houve os vivas do estilo.

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Efemérides: 18 de Janeiro

O antigo tanque do Carmo, junto no local onde hoje se situa o Lar de Santa Estefânia

Alguns acontecimentos do dia 18 de Janeiro, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1841 — Na noite de hoje para amanhã foi incendiado o teatro desta vila por acinte, em consequência do Barão de Vila Pouca (senhor do teatro) o ter negado a uns curiosos que queriam repetir nele uma peça que poucos dias antes tinham apresentado em cena. Ao incêndio só acudiram os empregados da Bomba, pois os imensos habitantes da vila que se dirigiram para o sítio donde se dizia que era o fogo, logo que viram que era no teatro se conservaram meros espectadores, fazendo pouco caso de que o teatro ardesse, não porque eles em outros casos semelhantes não mostrassem energia em fazer cessar os estragos que sempre costuma fazer este devorador elemento quando se assenhora de qualquer edifício, mas pelas poucas simpatias que nesta vila tinha o Barão de vila Pouca, senhor do teatro, que foi vítima das chamas. Tudo que era combustível da casa do teatro ardeu, e só ao que se acudiu foi a que não ardessem as casas dos vizinhos que ficavam contíguas à mesma casa do teatro. De madrugada apareceu a igreja de S. Sebastião cercada por polícia para prender mancebos para o recrutamento que estavam na novena. Não prenderam senão um. P. L.

1849 — A administração geral dos correios anuncia achar-se estabelecida uma nova expedição de correspondência para Guimarães, além das duas que já existiam cada semana, saindo as malas de Lisboa nas 2ªs, 4ªs e sábados de tarde, e chegando a Lisboa nas 2ªs, 4ªs e 6ªs de manhã.

1872 — Foi sepultado na igreja de S. José do Carmo o benemérito cidadão e professor primário Francisco António de Almeida (foi o meu professor), iniciador e instituidor do asilo de crianças, de ambos os sexos. Denominado "Asilo da infância desvalida de Santa Estefânia, amor de Deus e do Próximo". Era natural de Lisboa, aí foi sargento de infantaria, e residiu muitos anos nesta cidade de Guimarães.

1917 — A igreja de Sta. M.ª de Silvares foi roubada por meio de chave falsa: roubaram 2 vasos de prata, 2 cálices e suas patenas, violam o Sacrário e espalharam sobre o altar-mor as sagradas partículas.

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janeiro 16, 2006

Efemérides: 17 de Janeiro

O Abade de Tagilde, segundo José de Meyra.

Alguns acontecimentos do dia 17 de Janeiro, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1770 — Falece em Lisboa D. Paulo de Carvalho e Mendonça, D. Prior (56º) de Guimarães, irmão do Marquês de Pombal, chegando depois da sua morte a sua nomeação de Cardeal feita por Clemente XIV a 29 de Janeiro de 1770.

1803 — Provisão concedendo a António José Pereira, da rua de Alcobaça, licença para estabelecer uma casa de pasto à imitação das de Lisboa e mais cidades, podendo aí vender atabernado vinho do Douro e de Basto, ficando sujeito às posturas da Câmara. Foi ouvida a Câmara antes de ser concedida, etc. Ele era inteligente na arte de cozinha. Esta estalagem passou depois ao Dionísio, ao Manuel José Pereira e ao Francisco António Alves " o Malcriado".

1830 — Deram uma grande maçada a um ourives, oficial do Molarinho, que o puseram em estado de ser logo sacramentado e ungido, e logo foi para o hospital da Ordem 3ª de S. Francisco até que lá morreu no dia 22 de Maio do corrente ano; supõe-se que apanhou por ser constitucional, a maçada foi-lhe dada ao Arco dos Capuchos. Neste dia e noite houve mais porradas não só na vila mas também em Sto. Amaro de onde veio preso o filho do Serafim, José Nogueira. P. L. - Adição e correcção: Do registo hospitalar de S. Francisco consta: Domingos José da Silva, viúvo, ourives, da rua da Tulha, entrou a 17 de Janeiro, saiu a 6 de Março, tornou a entrar a 4 de Maio e morreu a 23 de Maio de 1830. Foi sepultado na capela dos 3ºs de S. Francisco.

1836 — Às 7 horas da noite houve sessão da Sociedade Patriótica Vimaranense. Lida a acta, foi aprovada com uma emenda. Leite de Castro leu uma carta de Ferreira de Castro participando à Assembleia ter entregue a congratulação (vide dia 3 deste mês e ano). Souto leu uma proposta para se formar um teatro nacional nesta vila, a qual foi combatida por Pinto Teixeira e Abreu Ferreira e sustentada por Bandeira, Costa, Abreu, Leite de Castro e Lima; e posta à votação foi aprovada. Pinto Teixeira, como relator da comissão de Instrução Pública, leu um projecto que ficou sobre a mesa. Passou-se à ordem da noite que era a continuação da discussão dos artigos adicionais e aditamentos, e foi levantada a sessão às 10 horas.

1856 — De hoje para amanhã esteve o povo da rua de Couros em número crescido com paus e outras armas em volta da igreja de N.ª Sr.ª da Consolação, para impedir que o pequeno e fraco órgão dali fosse para o teatro para a representação do "Frei Luís de Sousa". Foi levado para isso o da capela dos 3ºs de S. Domingos.

1868 — 6ª feira - À noite, por iniciativa do Visconde de Sta. Luzia, à imitação do que já havia sido feito em Freixo de Espada à Cinta, percorreu a cidade um cortejo fúnebre, formado por homens cobertos de palhoças (coroças) e que, de archote na mão, prestaram as últimas honras ao cadáver do ministério demissionário Fontes Ferrão, que traziam em uma tumba e que iam enterrar, como enterraram, precipitando-o, entre selvagem gritaria, de cima do muro da praça de mercado em construção. Entre a vozearia que fazia o coro fúnebre do cortejo, e o badalar compassado de uma campainha, ouviam-se obscenidades de selvajaria contra os ministros demitidos. Ficou conhecido isto por "Enterro do Fontes".

1872 — Quarta-feira- De madrugada apareceu separada do tronco, serrada à altura de um pouco mais de um metro, a oliveira da praça de N.ª Sr.ª da Oliveira.

1886 — Domingo. À 1 hora da tarde reuniu-se o povo de Braga em comício no teatro de S. Geraldo para protestar contra o projecto de desanexação do concelho de Guimarães do distrito de Braga e anexação ao distrito do Porto, apresentado ao parlamento pelo deputado por Guimarães, João Franco Pinto Ferreira Castelo Branco, motivado pelo conflito brácaro-vimaranense. Falaram diversos cidadãos, entre os quais o vimaranense Visconde de Pindela (infiel à sua pátria natal, onde em tempo tantos louros colheu). Assistiu a Câmara com a bandeira municipal e diversas corporações, etc. foi eleita uma comissão de 7 membros para levar ao parlamento, a Lisboa, uma representação contra a desanexação.

1887 — Foi assinado o despacho do padre João Gomes de Oliveira Guimarães, reitor de Mascotelos, para abade de Tagilde.

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Exposição: Voz do Céu retumbando na Terra

A exposição Voz do Céu, retumbando na Terra com os formidáveis ecos do horroroso terramoto, que se ouviu no 1 de Novembro de 1755 prossegue com a colaboração dos Serviços de Documentação da Universidade do Minho e da Casa de Sarmento – Centro de Estudos do Património, que tem permitido mostrar algum do valioso património cultural que a Sociedade Martins Sarmento tem à sua guarda.

Os ecos do Terramoto de 1 de Novembro de 1755 em Lisboa nos sentimentos e na consciência dos portugueses e europeus da época foram múltiplos e profundos, como se pode apreciar pelas publicações e referências ao terramoto que se multiplicaram nos anos seguintes. A exposição das reproduções de folhas volantes do século XVIII sobre terramotos, em especial sobre o terramoto de 1755, pertencentes à Sociedade Martins Sarmento, que se encontra patente no átrio da Biblioteca Geral da Universidade do Minho em Braga, na B-in e na Sociedade Martins Sarmento em Guimarães, pretende ilustrar o sobressalto que o terramoto provocou também na consciência dos homens que lhe sobreviveram, bem como as interpretações e explicações que desde logo se avançaram para a tragédia de Lisboa.

Estão expostas cópias de 35 folhetos publicados entre 1742 e 1757, incluídos numa colecção que pertenceu à biblioteca do arqueólogo Francisco Martins Sarmento, que integra exemplares raros ou únicos.

É também possível apreciar nesta exposição algumas gravuras da época dedicadas à mesma temática; o poema de Voltaire, de 1756, sobre o desastre de Lisboa e alguma bibliografia existente sobre a matéria em questão.

Para assinalar esta exposição, a Sociedade Martins Sarmento fez uma edição fac-similada do folheto Voz do Ceo retumbando na terra com os Formidaveis eccos do horrozo terremoto que se ouvio no 1 de Novembro de 1755. Esta publicação, de que se tiraram duzentos exemplares numerados e marcados com o selo branco da SMS, está disponível para venda nos locais onde a exposição está patente.

A exposição poderá ser visitada de 16 a 31 de Janeiro, de segunda a sexta, das 9 às 20 horas da Biblioteca Geral da Universidade do Minho e na B-in, e na Sociedade Martins Sarmento, de terça-feira a Domingo, no horário de abertura do Museu.

O catálogo da exposição está disponível para download.

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janeiro 15, 2006

Efemérides: 16 de Janeiro

Alguns acontecimentos do dia de hoje, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1489 — Bula do Papa Inocêncio VIII autorizando a supressão de 3 conesias e delas criar 6 meias conesias, da Colegiada.

1613 — A Câmara deliberou que o sino de correr se trouxesse para a casa das audiências (que estava junto desta Câmara), conforme a determinação de 21 de Dezembro de 1606, mandando-se fazer um campanário (pondo-se a pregão), e segurar as paredes da casa 8 porquanto havia quem o tangesse por menos que no castelo.)

1832 — Entra uma leva de quarenta e tantos presos políticos que estavam nas cadeias de Braga. Na sua entrada, desde a Conceição até à cadeia, onde pernoitaram, foram acompanhados por muitos recrutas de caçadores do Minho e algum povo, que lhes vinham a dar muitas pupadas e assobios, chamando-lhes muitos nomes injuriosos. A maior parte dos presos vinham algemados. Na noite seguinte foram pernoitar em Margaride e daí foram para a província da Beira, para Almeida. P. L.

1875 — Tem esta data uma representação assinada em S. Miguel de Vizela por 115 indivíduos das freguesias de S. Miguel das Caldas, Tagilde, S. Faustino e S. Paio de Vizela, Ínfias, Polvoreira, Nespereira, Mascotelos, Gandarela, Conde, Guardizela, Lordelo e Moreira de Cónegos, pedindo à Câmara dos Deputados não aprove o contracto que a Câmara Municipal fez provisoriamente com uma sociedade anónima, estabelecida na cidade de Guimarães, denominada "Companhia dos Banhos de Vizela", principalmente na parte em que segundo as plantas do já então falecido engenheiro Dejant a construção havia de ser na bouça das Pedras (parece ser onde está) que além da ficar distante 456 metros das nascentes das águas, era preciso, por causa das grandes inundações, elevar a dita Bouça à altura da estrada nova. - Diário do Governo nº 32 a fl. 220 de 12 de Fevereiro de 1875.

1907 — À 1 hora da noite houve incêndio no Asilo de Santa Estefânia.

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Efemérides: 15 de Janeiro

Alguns acontecimentos do dia de hoje, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1664 — Recebe uma honrosíssima patente de mestre de campo "ad honorem" o bravo militar João Rebelo Leite, por antonomásia "lidador vimaranense" - Vide Apontamentos para a História de Guimarães, 1º vol. Pág. 129 e o jornal Vimaranense "Espectador" nº 49.

1743 — O arcebispo de Braga, D. José de Bragança, ordena, sob pena de suspensão, à abadessa de Santa Clara que no seu convento se dê execução às disposições por decretos capitulares de visita dos seus antecessores, que não estejam revogados, e nele não haja música a canto de órgão, "assim para se evitar a comunicação com as criaturas do século, que de outra sorte fica sendo necessária para se ensinarem a tocar alguns instrumentos e cantar muitos papéis com outros mais inconvenientes", mas sim se cantem os ofícios e se solenizem as festas a cantochão, usando de missal e antifonário que havia o dito canto. Isto por não ter tido bom resultado a concessão que lhe fizera em 17 de Dezembro de 1736.

1858 — Às 6 horas da tarde houve explosão em casa dum fogueteiro, na rua de Gatos. A casa da pólvora era situada no fim do quintal e a explosão foi quando ele estava ceando com a família, ignorando-se o motivo porque a pólvora se incendiou. O telhado da casa foi a grande distância e as casas da rua e das contíguas tremeram.

1883 — Falece, de tarde, vítima duma congestão cerebral, tendo 71 anos, o comendador Cristóvão José Fernandes da Silva " O Cidade", solteiro, grande benfeitor da Ordem 3ª de S. Francisco, foi o concluidor do seu hospital, além de outras importantes obras, com que a dotou, tais como: os guarda-ventos da igreja e da capela, o douramento desta e do altar dos Santos Marrocos, o carro fúnebre, etc. Foi importantíssimo capitalista, proprietário, industrial e negociante de curtumes, deixando avultada fortuna e não tendo herdeiros forçados; não fez testamento, mas por tempo, apareceram alguns falsos. Foi voz corrente que ele era já falecido há 2 ou 3 dias e só neste dia por causa de arranjos é que os 2 primos e os domésticos anunciaram o óbito.

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janeiro 13, 2006

Novos regulamentos dos Museus e da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento

Os Museus da Sociedade Martins Sarmento (Museu Arqueológico, em Guimarães, e Museu da Cultura Castreja, em S. Salvador de Briteiros) e a Biblioteca Pública da Sociedade Martins Sarmento têm novos regulamentos de funcionamento, que foram aprovados na última Assembleia Geral da Sociedade.

Os Regulamentos agora em vigor adequam as regras de conservação, tratamento e disponibilização para acesso público das vastas colecções museológicas da Sociedade Martins Sarmento.

Estes documentos estão disponíveis para consulta e download:

Regulamento dos Museus da Sociedade Martins Sarmento

Regulamento da Biblioteca Pública da Sociedade Martins Sarmento

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Serviço Educativo da SMS inicia projecto inovador

A Sociedade Martins Sarmento, iniciou o projecto “O Museu vai à Escola”, que conta com o apoio da Casa de Sarmento e da Câmara Municipal de Guimarães.

Esta iniciativa, desenvolvida por técnicos da Sociedade Martins Sarmento que intervêm no espaço da sala de aula, aposta na conjugação das vertentes lúdica e educativa, visando dar a conhecer ao público mais jovem algumas das peças mais significativas dos acervos museológicos e patrimoniais da Sociedade Martins Sarmento. Pretende-se, simultaneamente, mostrar e explicar alguns dos momentos fundamentais que estão na base da evolução da humanidade, as conquistas e os progressos conseguidos, dando ainda particular relevo a alguns dos acontecimentos que marcaram a História de Portugal até à Batalha de Aljubarrota.

Procura-se mostrar às crianças que é possível aceder ao passado, para o conhecer e compreender, através do legado que nos foi deixado pelos antigos e que hoje se pode observar e admirar nos museus.

Também a cidade de Guimarães merece uma atenção especial no âmbito do projecto em curso, apostando-se na divulgação da sua riqueza histórica, monumental, cultural e artística.

Trata-se de uma iniciativa inovadora, que leva o Museu à Escola, com o objectivo de criar e desenvolver junto das crianças o gosto pela história, pela arqueologia e pelos museus.

Publicado por Sociedade Martins Sarmento às 07:56 PM | Comentários (0)

janeiro 01, 2006

Em 2006 a SMS comemora o seu 125.º aniversário

No próximo dia 20 de Novembro comemora-se o 125.º aniversário da instalação da Sociedade Martins Sarmento, numa reunião que teve lugar numa das salas da Assembleia Vimaranense, convocada por Avelino Germano da Costa Freitas, Avelino da Silva Guimarães, José da Cunha Sampaio, Domingos Leite de Castro e Domingos José Ferreira Júnior.

O objectivo era homenagear Martins Sarmento, não com uma festa ruidosa, nem com um monumento de granito ou mármore, mas com uma instituição duradoura cuja obra perpetuasse o nome do arqueólogo vimaranense. Na acta daquela reunião, que aprovou os primeiros estatutos da Sociedade Martins Sarmento, transcreve-se um documento que explica a intenção do grupo de iniciadores, onde se lê:

Pensamos que é esta a manifestação mais condigna. Poderia erigir-se um monumento em granito ou mármore, abrindo-lhe na base inscrições comemorativas; mas não será um anacronismo que neste século de actividade intelectual prefiramos a inscrição à associação, o mármore a um pensamento em actividade constante, a inércia de uma coluna ao vivido movimento de uma instituição, que deve prosperar se nunca lhe falecer a vossa protecção e a dos nossos conterrâneos?

O monumento pode esboroar-se e desaparecer no fragor das tempestades, ou no vandalismo das guerras: a instituição, se cria raízes, se preenche uma necessidade real, se representa um progresso na educação social, vive além das convulsões, adquire condições de perpetuidade, permanece enquanto não está satisfeito o seu fim, enquanto se não torna inútil por novos progressos, vivendo ainda assim na memória dos que lerem as páginas da sua história.

Assim nasceu a Sociedade Martins Sarmento, que foi inaugurada no dia 9 de Março seguinte (data do aniversário do nascimento do seu patrono).

A Instituição, que foi criada como Promotora da Instrução Popular, ganhou raízes, dando um grande impulso ao desenvolvimento do ensino em Guimarães. Ao mesmo tempo, criou um Museu, uma Biblioteca Pública, começou a publicar a Revista de Guimarães, tornando-se numa das mais respeitadas instituições culturais e científicas de Portugal. Chegou aos nossos dias sabendo adaptar-se à mudança dos tempos, mas respeitando sempre o seu passado.

Para assinalar esta data, a Direcção da Sociedade está a preparar um programa de comemorações, cujos actos principais ocorrerão entre 20 de Novembro de 2006 e 9 de Março de 2007.

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dezembro 31, 2005

Efemérides vimaranenses para 2006

O Padre Gaspar Roriz, um dos iniciadores das Festas Gualterianas, com Albano Belino (à Direita)

Quando termina 2005, fazem-se projectos para o novo ano que aí vem, onde haverá lugar para assinalar os números redondos em que se celebram as efemérides. Aqui ficam algumas, relacionadas com Guimarães:

Em 25 de Janeiro decorrem 200 anos sobre o nascimento do advogado, Bento António de Oliveira Cardoso. Escritor de assuntos de jurisprudência, foi um dos mais reputados juristas do seu tempo. Possuía uma preciosa biblioteca, em grande parte composta por obras de Legislação e Direito, que viria a ser adquirida pela Sociedade Martins Sarmento após a sua morte. Entre os livros que Bento Cardoso coleccionou ao longo da sua vida, destaca-se a famosa primeira edição de Os Lusíadas que hoje pertence à Biblioteca da Sociedade. Faleceu em 12 de Abril de 1886.

Em 24 de Fevereiro, passa o primeiro centenário sobre o nascimento do Padre Arlindo Ribeiro da Cunha, filósofo, historiador e literato. Nasceu na freguesia de S. Torcato.

No dia 21 de Maio completam-se os primeiros 100 anos sobre a data da publicação no Diário do Governo da constituição do governo presidido pelo conselheiro João Franco Ferreira Pinto Castelo Branco, várias vezes eleito deputado por Guimarães. A notícia foi recebida nesta cidade com grandes manifestações de regozijo, nas quais tomaram parte quatro bandas de música e alguns milhares de pessoas, que aclamaram João Franco.

Em Agosto de 2006 celebram-se os primeiros 100 anos das Festas Gualterianas, criadas em 1906 pela Associação Comercial e Industrial de Guimarães, com o objectivo de revitalizar as velhas Feiras de São Gualter.

Em 19 de Agosto, passa o primeiro centenário da morte do escritor Valentim Brandão Moreira de Sá Júnior, que pertencia à ilustre família vimaranense dos Moreiras de Sá. Esteve no Brasil, onde se dedicou ao jornalismo e ganhou fama de polemista feroz. Faleceu em Guimarães. Na Biblioteca da Sociedade existem as seguintes obras de sua autoria: Sombras e luz (teatro), de 1863, A Virgem do Campo (teatro), de 1868, R. S. Tiberio Gracho (no Mundo maçónico), Vieira de Castro (no Mundo profano), de1870, e Collegio Americano (XVII anno de sua fundação), de 1897.

Em 14 de Setembro passa um século sobre a morte de José Martins de Queirós Minotes, autor da obra Estudos sobre o Turf, que foi publicada na Revista de Guimarães entre 1886 e 1895.

Em 29 de Setembro passam 200 anos sobre o nascimento de Bernardo de Morais Correia de Castro, que viria a ser o 1.º conde da Azenha, senhor do morgado da Parada de Infanções, capitão de cavalaria, comendador da Ordem de Cristo e da de S. Bento de Avis.

Em 2 de Setembro celebram-se 150 anos sobre a data em que veio a público, pela primeira vez, o jornal A Tesoura de Guimarães. Editando-se duas vezes por semana, durou até Janeiro de 1859. É este o mais antigo periódico de Guimarães, depois do Azemel Vimaranen

maio 31, 2006

Agora, na Pedra Formosa

No quadro da renovação da sua identidade gráfica, a Sociedade Martins Sarmento criou um novo blogue informativo, adoptando como designação o ex-libris desta Instituição, a Pedra Formosa. Esta é uma nova forma de comunicação que, complementando o Boletim e a Revista de Guimarães, contribuirá para a aproximação da Sociedade aos seus sócios e ao público em geral.

No blogue Pedra Formosa estarão disponíveis e em permanente actualização notícias sobre as actividades da SMS.

Ao mesmo tempo, o novo blogue continuará a ser uma montra para o nosso património e para a História de Guimarães.

A informação da Sociedade Martins Sarmento passou estar disponível no endereço: http://pedraformosa.blogspot.com/

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fevereiro 05, 2006

Francisco Martins Sarmento, sobre Jean Meslier

Jean Meslier (1664-1729)

Depois de ler Meslier

Maldito sejas tu, padre descrido,

Que às portas do sepulcro ainda blasfemas.

E no Deus, que juraste amar com culto,

Cuspiste sem piedade.

Maldito sejas tu, que me levaste

Às bordas dum abismo tenebroso,

E, com frases de hipócritas remorsos,

Lá me arrojaste então.

Maldito sejas tu, que me turvaste

As crenças cardeais de toda a vida;

Que, apontando o altar, disseste: "nada"

"Nada" apontando a campa.

O bronze meia-noite geme ao longe;

O mocho nas ruínas pia, e eu tremo;

Maldito sejas tu, padre descrido,

Que me fazes tremer.

Maldito sejas tu, que me apavoras,

E horrorosas visões me dás à mente;

Maldito sejas tu, que escarneceste

O Deus que eu tanto amava.

Se esta crença morrer, quem, oh! maldito.

Me dará outra igual? Sem esta crença,

Quem, se o egoísmo do homem me repele.

Me afagará na dor?

Errarei sobre a terra, abandonado,

Em busca duma cova, onde me esconda,

E ainda ali, oh! maldito, eu, que fui homem.

Cinza só ficarei!!...

Maldito sejas tu, se foi a ciência,

Que te abriu os arcanos tenebrosos

De verdades cruéis... cruéis. Se mentes,

Maldito sejas tu.

(In: Poesias por F. Martins, Porto, 1855)

Informações sempre actualizadas em: http://pedraformosa.blogspot.com/

Publicado por Sociedade Martins Sarmento às 05:23 PM | Comentários (0)

A propósito do casamento de Francisco Martins Sarmento

Le bon sens du Curé Jean Meslier suivi de son testament, Paris, 1830. Exemplar que pertenceu a Francisco Martins Sarmento.

As circunstâncias invulgares que rodearam o casamento de Francisco Martins Sarmento, no dia 5 de Fevereiro de 1876 (ver notícia abaixo), têm gerado diversas especulações. É certo que o arqueólogo, de natureza reservada, era pouco dado a participar em cerimónias públicas que o envolvessem directamente. Todavia, a verdade é que o seu casamento por procuração não chegou a ser um acto público, uma vez que decorreu à porta fechada.

Há, na biografia de Sarmento, alguns aspectos ainda pouco conhecidos, nomeadamente os que se relacionam com a sua religiosidade: apesar da sua educação tradicional, praticou um visível distanciamento em relação às coisas da religião. Esta atitude aprofundou-se com as suas leituras de filosofia, que o levaram a interrogar-se sobre os fundamentos da explicação do Universo, da vida e da morte com base em preceitos de fé.

Entre as leituras que o marcaram contam-se as memórias do padre de Étrépigny, Jean Meslier. Ao morrer, em 1729, depois de uma vida pacata de padre de aldeia, este sacerdote francês deixou como testamento as suas surpreendentes Mémoire dés pensées et dés sentiments, onde dava conta de uma inabalável descrença em relação à existência de Deus e à vida depois da morte:

"De onde tiramos que um Deus que seria essencialmente imutável e imóvel por natureza poderia no entanto mover algum corpo? De onde tiramos que um ser que não teria nenhuma extensão nem parte alguma seria no entanto imenso, e mesmo infinitamente esparso por toda a parte? De onde tiramos que um ser que não teria cabeça nem cérebro seria no entanto infinitamente sábio e esclarecido? De onde tiramos que um ser que não teria nenhuma qualidade nem nenhuma perfeição sensíveis seria no entanto infinitamente bom, infinitamente amável e infinitamente perfeito? De onde tiramos que um ser que não teria nem braços nem pernas e que nem sequer seria capaz de mover-se seria no entanto todo-poderoso e faria verdadeiramente todas as coisas? Quem teve a experiência disto?"

"Depois disso, que pensem, que julguem, que digam e que façam tudo o que quiserem no mundo, pouco me preocupa; que os homens se arranjem e governem como quiserem, que sejam sensatos ou sejam loucos, que sejam bons ou que sejam maus, que digam ou que até façam o que quiserem depois de minha morte; não me preocupa; eu já quase não faço parte do que se faz no mundo; os mortos com os quais estou prestes a juntar-me não se incomodam mais com nada, não se intrometem mais em nada, e não se preocupam mais com nada. Terminarei então isto pelo nada, também sou pouco mais que nada, e em breve não serei nada."

O abalo que a leitura desta obra provocou no jovem Sarmento transparece do poema Depois de ler Meslier, que faz parte do volume Poesias, que publicou em 1855, aos 22 anos.

Informações sempre actualizadas em: http://pedraformosa.blogspot.com/

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Efemérides: 6 de Fevereiro

O Teatro D. Afonso Henriques em 1912.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1273 — Sentença apostólica, dada em Braga pelo Mestre Estêvão, Arcebispo de Braga, como subdelegado do Arcebispo de Compostela delegado do Papa Clemente IV, declarando que o Priorado de Guimarães com cura de almas pertencia a El-rei. - Documento trasladado do Tombo dos Padroados fl. 204 vº.

1597 — Confirmação régia, em Madrid, dos Estatutos que transmutaram a confraria de Nª Sª da Consolação, que era privativa de estudantes, em Irmandade para todas as pessoas.

1826 — Na madrugada, apareceu morta na cama e com uma corda atada ao pescoço, uma mulher da Rua de Val-de-Donas. Esta morte atribuiu-se aos ladrões porque tendo ela escondido 30 peças de 7$500 e alguns cordões, que apareceram depois, este fosse o motivo porque a mataram, por ela não dizer onde estava o dinheiro. Foi sepultada na igreja de S. Domingos. P. L.

1870 — Domingo. Às 2 horas da tarde, no salão do teatro D. Afonso Henriques foi a inauguração solene da Associação Artística Vimaranense. Numerosos artistas no salão, ao fundo sentados em cadeiras as comissões definitiva e instaladora, recitaram-se alguns discursos ad hoc, sendo todos calorosamente aplaudidos. A fachada do teatro elegantemente adornada; durante a inauguração tocaram à porta alternadamente as duas músicas da cidade, que depois percorreram as ruas, como já haviam feito de madrugada e ao meio-dia. - Neste dia, às 10 horas da noite, um desabrido furacão arrombou janelas e quebrou vidros; no meio do vento, chuva torrencial e trovões.

1878 — Decreto nomeando Governador Civil do Porto o Conde de Margaride.

1881 — Inaugura-se, com um baile de máscaras, de tarde e uma récita dramática, à noite, o Teatro de Recreios Dramáticos, numa casa do Largo do Retiro, de que era empresário Eduardo Branco.

1935 — Às 3 horas da tarde visitaram esta cidade os 2 aviadores, tenente Humberto da Cruz e o sargento mecânico Lobato. Foram recebidos festivamente.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (7) Itinerário da Terra Santa, de Frei pantaleão de Aveiro (1593)

Itinerario da Terra Sancta e svas particvlaridades/ composto por frey Pantaliam Daveiro .- Em Lisboa: em casa de Simão Lopez, 1593.

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Um casamento singular

Há precisamente 130 anos, no dia 5 de Fevereiro de 1876, Francisco Martins Sarmento contraiu matrimónio com Maria de Freitas de Aguiar. A cerimónia, que decorreu à porta fechada na Colegiada da Oliveira e à qual não compareceram os noivos, foi bastante sui generis, conforme o revela o relato de uma das testemunhas, João Lopes de Faria:

"Às 8 horas da noite, na igreja Colegiada, contraem o sacramento do matrimónio o Dr. Francisco Martins de Gouveia Morais Sarmento e D. Maria da Madre de Deus Freitas Aguiar, por seus representantes, do noivo, seu primo José Ribeiro Martins da Costa, e da noiva o Dr. Rodrigo de Freitas Araújo Portugal, sendo ministro do acto o cónego-cura José António Rodrigues Cardoso e testemunhas os únicos dois assistentes (por ser à porta fechada) António Lopes de Faria e seu filho João Lopes de Faria, empregados da Colegiada, aos quais os pré-noivos deram boas gratificações."

(in Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria)

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fevereiro 04, 2006

Efemérides: 5 de Fevereiro

Cofre-relicário da Colegiada da Oliveira (1419). Da colecção do Museu de Alberto Sampaio (foto: MAS).

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1664 — O D. Prior, D. Diogo Lobo da Silveira, na presença do cónego fabricante, António de Sousa de Mesquita, do cónego cura, João de Figueiredo Barbosa, do padre sacristão-mor, Tomé ribeiro e do padre António Pereira, cura da igreja de S. Paio, fez abertura do cofrezinho de prata que tem uma grande inscrição gótica, que ainda se conserva no tesouro ou museu da Colegiada, e examina as relíquias que dentro do mesmo cofre estavam; também faz abertura de outros cofres que com relíquias havia, fazendo exame às mesmas, os quais cofres, à excepção daquele, há muitíssimos anos que não existem.

1799 — O cónego fabriqueiro da Colegiada mandou vender os seguintes objectos: umas contas, 2 laços, 3 corações e uns botões desaparelhados, de ouro, e duas veneras e uns botões desaparelhados, de prata, que eram da imagem de Nª Sª da Oliveira, de prata, que o ourives Francisco Teixeira comprou a peso por 4$290 réis, cuja quantia foi para ajudar a dourar e esmaltar a mesma imagem.

1827 — Entra aqui a guarda dos voluntários do Sr. D. Pedro IV, e as milícias que se haviam retirado par Penafiel por causa da aproximação a esta vila da divisão do Marquês de Chaves; à entrada houve foguetes e repiques. Neste dia fizeram os voluntários alguns distúrbios. P. L.

1850 — João da Silva Ribeiro, da cidade do Porto, envia às Capuchinhas, por intermédio do vimaranense Francisco José Gonçalves de Oliveira, 101$140 réis, 2 arráteis de chá, uma arroba de polvo, uma dita de arroz, idem de farinha de pau, idem de figos, 3 ditas de bacalhau, sendo a 4ª remessa da subscrição que promovia para elas, as quais lhe agradeceram (sem data.)

1908 — Hoje e nos 3 dias seguintes foi desfeito o tanque que estava defronte da capela de Sta. Luzia, abaixo do solo, e foi atulhado e nivelado o sítio em que ele existiu.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (6) Torre das Caldas da Rainha, de Columbano

Columbano Bordalo Pinheiro, Torre das Caldas da Rainha, óleo sobre madeira, 1886.

Da colecção da Sociedade Martins Sarmento.

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fevereiro 03, 2006

Efemérides: 4 de Fevereiro

D. João IV. Gravura do século XVII, da colecção da SMS.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1513 — Alvará de D. Manuel I nomeando Mestre da Balança da Casa da Moeda o vimaranense Gil Vicente, ourives; cargo que largou em 1517 passando-o.

1588 — Carta de Pero Guedes, governador do Porto, ao juiz e vereadores, avisando-os da aproximação da armada do corso inglesa, a fim de que esteja prestes a gente para acudir aonde seja preciso.

1602 — Alvará concedendo ao provedor e irmãos da Misericórdia de Guimarães o uso de todas as mercês, privilégios e liberdades da misericórdia de Lisboa, isto naquelas coisas em que se lhe puderem aplicar.

1641 — Carta de El-rei D. João IV agradecendo à Câmara o amor e fidelidade com que os vimaranenses acudiam ao seu real serviço, conforme tinha sido informado por D. Gastão Coutinho, capitão geral desta província.

1661 — Carta régia, dirigida à Câmara, participando a criação do papel selado para acudir às despesas da guerra.

1841 — O deputado F. J. Maia mandou para a mesa da Câmara dos Deputados, na sessão deste dia, uma representação da Câmara de Guimarães, em que pedia o Convento e quintal de S. Domingos para nele se construir o Paço do Concelho e mais oficinas necessárias à municipalidade.

1880 — Foram plantadas as primeiras árvores no terreiro de S. Francisco e apareceram todas cortadas no dia 15 e em 23 do mesmo mês e ano foram plantadas outras árvores à custa dos negociantes do mesmo terreiro, voluntariamente, por se dizer que eles as mandaram cortar.

1888 — A Câmara representa a El-rei pedindo prolongamento da linha-férrea até Chaves.

1912 — Domingo - Principiou o relógio da torre de Nª Sª da Oliveira a dar 24 horas.

1924 — Às 11 horas da noite, junto à capela de Sta. Luzia, assassinaram com 7 facadas António Vieira de Castro Basto Brandão, empregado dos impostos.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Jornal de Guimarães (1876)

Começou a publicar-se, há exactamente 130 anos, o Jornal de Guimarães, que se apresentava como folha política, comercial e noticiosa. Saiu às segundas e quintas-feiras entre 3 de Fevereiro de 1876 e 11 de Setembro do mesmo ano.

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Tesouros sarmentinos: (5) Estátua de guerreiro

Estátua representando uma figura de guerreiro calaico-lusitano, em posição hierática, da época proto-histórica. Encontrada perto do monte de Santo Ovídio (Fafe), foi adquirida, em 1878, por Martins Sarmento. Pertence ao Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento.

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fevereiro 02, 2006

Festas de Guimarães: São Brás (3 de Fevereiro)

São Brás. Gravura iluminada com aguada colorida, de Nicolau José Baptista Cordeiro (séc. XVIII).

Dia 3 de Fevereiro é dia de São Brás, o santo protector da garganta e da voz. No próximo Domingo terá festa em Figueiredo, Pevidém e São Lourenço de Sande.

Informações sempre actualizadas em: http://pedraformosa.blogspot.com/

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Descoberta colecção de folhetos sobre terramotos na Biblioteca da SMS

Entre os livros da rica biblioteca que Francisco Martins Sarmento legou à Sociedade que tem o seu nome, encontra-se um volume em cuja lombada está gravado o título Obras ao Terremoto. Tem encadernação do século XIX e reúne diversos folhetos curiosos e raros, editados entre 1742 e 1757 (ao todo, o volume inclui 42 folhetos, havendo alguns que estão em duplicado). Quase todos tratam dos mesmos assuntos: descrições de terramotos e das suas consequências e especulações acerca das causas deste género de desastres. A única excepção é o folheto que aparece em último lugar no volume, onde se dá notícia das exéquias que a Inquisição de Goa dedicou ao Cardeal Nuno da Cunha de Ataíde.

Este volume foi, recentemente, objecto de uma exposição promovida pela Casa de Sarmento – Centro de Estudo do Património e pelos Serviços de Documentação da Universidade do Minho, com o título Voz do Céu, retumbando na Terra com os formidáveis ecos do horroroso terramoto, que se ouviu no 1 de Novembro de 1755. Quando a exposição já estava patente, foi encontrado na Biblioteca da SMS um outro volume com folhas volantes sobre a mesma temática, sob o título Colec. das obras ao terremoto do anno de 1755. Este volume inclui 36 folhetos, dos quais 14 não constam no volume que já era conhecido. Um dos títulos presentes nesta segunda colecção é uma cópia manuscrita de um folheto impresso em 1732.

Está disponível documento em que se apresentam os folhetos sobre o terramoto de 1755 e as suas consequências, bem assim como diversas notícias sobre os terramotos que antecederam a catástrofe de Lisboa. Ao todo, integram estas duas colectâneas 78 folhas volantes, correspondentes a 51 títulos e a aproximadamente 2000 páginas.

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Efemérides: 3 de Fevereiro

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Revolução no Porto, 3 de Janeiro de 1927. Emídio Guerreiro é o militar em primeiro plano, de pé.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1408 — Carta de El-rei D. João I, em Estremoz, restituindo ao concelho de Guimarães as terras e jurisdição delas que ele havia dado a D. frei Álvaro Gonçalves Camelo até que ele obtivesse o priorado do Hospital, terras que tinham sido de Gonçalo Vasques de Melo, a terra das Caldas, préstamo de Restelo e de Sá, terra de Arões, terra de Travassós, terra da Adeganha, terra de Vila Nova de Freitas e de S. Gião, terra de Sobradelo, terra de Quilhas (ou Lulhas), préstamo do Castelo, préstamo dos juízes. E ficaram do termo com antes eram. - Chanc. De D. João I, lº 3º, fl. 83.

1684 — Cai extraordinária quantidade de neve, que atingiu grande altura, levantando-se também furiosa ventania que causou enormes estragos, destruiu e lançou por terra corpulentas árvores.

1715 — O Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles crisma na igreja da Misericórdia.

1832 — Chegou um frade Jerónimo do Convento de Belém, o qual vinha em uma liteira e escoltado por soldados de polícia, vindo também um escrivão e um meirinho; foi neste mesmo dia para o convento da Costa para nele ser encarcerado por tempo de um ano; era preso político. P. L.

1837 — A freguesia de S. Cristóvão de Abação, que após 1834 fora anexada no civil e eclesiástico a Santa Maria dos Gémeos, foi desanexada neste dia por carta de provisão do vigário capitular e nomeado pároco encomendado o padre Francisco Joaquim Alves, requerendo então os moradores à Câmara a desanexação civil e por despacho em vereação de 25 deste mês e ano foi desanexada e mandada proceder à eleição da Junta e comissário de paróquia.

1876 — Publicou-se o nº 1 do "Jornal de Guimarães ", bissemanário à 2ª e 5ª feira, folha política, comercial e noticiosa.

1927 — Revolução no Porto. Pelas 4 horas da tarde, forças do 8, fiéis ao Governo, vieram tomar conta do correio e do quartel de Guimarães, abandonando os revoltosos os seus postos. Em Guimarães, o batalhão nº 2 de metralhadoras, diz o major: "neste batalhão apenas aderiu ao movimento um grupo de oficiais, incluindo o oficial de serviço à unidade, os quais na madrugada deste dia 3 se apoderaram do quartel mantendo-o na sua posse durante algumas horas." A revolução foi promovida por alguns regimentos contra o governo. Este foi o vencedor. Principiou na madrugada deste dia 3 e, na tarde do dia 9, deu-se a rendição de revoltosos.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (4) Arrecadas da Citânia de Briteiros

Par de arrecadas em ouro (séculos III a.C. - I a.C). Encontradas na Citânia de Briteiros, em 1937. Pertencem ao Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento.

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fevereiro 01, 2006

Efemérides: 2 de Fevereiro

Santo António dos Capuchos.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1663 — Foi solenemente lançada a 1ª pedra do Convento dos Capuchos. - Vide "Guimarães e Santo António".

1850 — Nesta noite e na seguinte representou-se no teatro a Moura e o Judeu, sendo muito grande a concorrência; assistiram o Conde de Vila Pouca e o Visconde da Azenha.

1884 — Instalação definitiva da Irmandade de Nossa Senhora da Luz, na capela da sua invocação, em Creixomil.

1888 — Às 7 horas da noite, Manuel José de Oliveira "O Gato", latoeiro, de 15 anos de idade, de maus precedentes, filho da meretriz Maria "Gata", que há tempos desafiava o sapateiro Domingos Ribeiro Marinho, de 17 anos, seguindo-o e insultando-o, indo este no seu caminho ao qual este, na Rua de Trás do Muro, em que ambos trabalhavam, respondeu dando-lhe um leve bofetão; aquele arranja imediatamente uma navalha e segue o seu inimigo dando-lhe um profundo golpe no pescoço que lhe cortou as carótidas deixando-o instantaneamente morto. O assassino foi logo em continente preso. O cadáver exposto na loja do seu mestre Silva Guimarães "O Pimpona", próxima do local do crime, onde foi visitado por muito povo até que a justiça o levantou.

1891 — Faleceu em Donim o abastado capitalista João Antunes Guimarães, fundador do Asilo de Inválidos em Donim.

1900 — Com assistência do Presidente da Câmara e de alguns membros da mesma, foi aberto ao público e começou a funcionar o novo matadouro, aos Pombais, acabando o velho sistema de matar o gado a malho.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (3) Os Argonautas, de Apolónio de Rodes

Apollonii Rhodii: Argonauticon libri IIII; cvm annotationibvs Henrici Stephani ex quibus quantam in hanc editionem contulerit diligentiam cognosci poteri .- [Paris]: Excudebat Henricus Stephanus, anno 1574.

Os Argonautas são um poema épico em quatro cantos, de Apolónio de Rodes, poeta grego que viveu em Alexandria e em Rodes. A sua poesia é influenciada por Homero. O quarto livro descreve o regresso venturoso dos Argonautas, pelo mar Negro. Esta obra foi traduzida para latim por Varrão (116 - 27 a.C.) e inspirou Virgílio (70 - 19 a.C.) especialmente no IV livro da Eneida. O exemplar da edição de 1574 da Biblioteca da SMS pertenceu a Francisco Martins Sarmento, que em 1887 publicou um estudo em que interpreta a lenda dos Argonautas.

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janeiro 31, 2006

Efemérides: 1 de Fevereiro

O príncipe Augusto de Leuchtenberg, primeiro marido de D. Maria II. Gravura recortada, colada em papel com um ramo de flores bordado à mão. Da colecção de gravuras da SMS.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1662 — O D. Prior, D. Diogo Lobo da Silveira, aprovou os Estatutos que o Cabido concluíra em 9 de Janeiro de 1662, os quais vigoraram até à reorganização da Colegiada, 1891, no todo, ficando depois a vigorar, só em parte, até à supressão da mesma.

1835 — Chega a notícia oficial de ter chegado a Lisboa o príncipe Augusto marido da rainha Sr.ª D. Maria II; tocaram logo a repiques e deram-se bastantes foguetes do ar. À tarde saiu da Câmara um luzido bando (enquanto andou fora tocaram muitos repiques e deram muitos foguetes do ar) mandando pôr luminárias nestas 3 noites. À noite houve iluminação na igreja e casa da misericórdia e andou pelas ruas uma música a tocar o hino. P. L.

1863 — Domingo da septuagésima. - Houve animada soirée mascarada na Sociedade Recreativa, dançou-se até às 3 da madrugada; distinguiu-se uma mascarada representando as deformidades e imensas variantes da política e dos homens dela.

1873 — Principia a funcionar o Banco de Guimarães.

1886 — Abertura da aula de aritmética, geometria e escrituração industrial da escola industrial Francisco de Holanda, no palacete dos Laranjais. Assistiram o Inspector das Escolas Industriais do Norte, o Secretário do Instituto Industrial do Porto, a direcção da Sociedade Martins Sarmento e muitos cavalheiros; os alunos matriculados foram 29, todos do sexo masculino.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (2) Paisagem (Dórdio Gomes)

Dórdio Gomes, Paisagem, óleo sobre tela, 1932.

Da colecção da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 30, 2006

Efemérides: 31 de Janeiro

O Castelo de Guimarães numa gravura do séc. XIX.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1385 — D. João I, por carta dada em Montemor-o-Novo, toma debaixo da sua protecção a sua igreja de Santa Maria de Guimarães, as dignidades, cónegos e beneficiados dela por seus capelães, ordenando que lhe seja, defesas guardados e cumpridos todos os privilégios, honras e graças que eles e à dita igreja eram outorgados.

1807 — Principia por ordem da Câmara, a adoptar-se o sistema de numerar as casas e indicar nas esquinas os nomes das ruas.

1836 — Um dos sócios da Sociedade Patriótica Vimaranense propõe a demolição do Castelo por haver servido de prisão política no tempo de D. Miguel. P. L.

1881 — Na noite deste dia, pelas 8 horas da noite, devido ao peso das chuvas, desabou parte da cerca das freiras de Santa Clara, que confrontava a sul com o quintal do D. Priorado da Colegiada. O muro abatido foi talvez na extensão de 8 metros, e muito ainda o que ficou abalado.

1917 — Na noite de hoje 31 para a manhã de 1, furtaram na igreja de S. Tiago de Lordelo, por meio de chaves falsas, 1 vaso dourado, do sacrário, 1 cálice dourado, uma lâmpada de prata, 3 resplendores de prata, duas varas e um vaso pequeno de metal, deixando ficar o pé. Em 9 de Fevereiro, objectos e gatunos estavam na esquadra policial desta cidade.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Tesouros sarmentinos: (1) A Pedra Formosa

A Pedra Formosa é o ex-libris da Sociedade Martins Sarmento. É um monumento singular, baptizado pelo povo de Briteiros por causa da beleza da sua ornamentação. Ao longo de muitas décadas, o mistério que a envolvia alimentou aceso debate entre os especialistas acerca da sua natureza e função.

É um monólito de granito lavrado há uns três mil anos, com quase três metros de largura e mais de dois de altura. Apesar das suas dimensões e peso, calculado em mais de cinco toneladas, já foi objecto de várias trasladações. Segundo a tradição, a primeira ocorreu quando foi levada à cabeça, desde o alto da Citânia até ao adro da Igreja de Santo Estêvão de Briteiros, por uma moura fiandeira.

Sabe-se agora que a Pedra Formosa fazia parte da estrutura de um balneário composto por três espaços distintos: átrio com um tanque onde caía a água corrente, destinado a banhos frios, antecâmara de transição e câmara para banhos de vapor, tipo sauna. O vapor era produzido lançando água sobre seixos previamente sobreaquecidos num forno adjacente a esta última câmara. A Pedra Formosa erguia-se entre a antecâmara e o espaço da sauna, permitindo o acesso através da pequena abertura semicircular situada na sua base, concebida de modo a evitar a fuga de calor, mas suficiente para permitir a passagem de uma pessoa.

As “pedras formosas” são, pela sua importância material e simbólica, os achados mais valiosos que os arqueólogos podem encontrar nas ruínas dos velhos castros. Já se conhecem umas quantas. Mas a que hoje se pode ser admirada no Museu da Cultura Castreja, em S. Salvador de Briteiros continua a ser ‘a’ Pedra Formosa: a maior, a mais bela, a que precedeu e deu o nome a todas as outras.

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janeiro 29, 2006

Efemérides: 30 de Janeiro

João de Meira. Óleo de Abel Cardoso.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1458 — O Duque, senhor de Guimarães, o juiz, ouvidor, vereação e a maior parte dos homens bons e povo da vila e arrabaldes dela, não obstante o privilégio que o concelho desta vila tinha " que nenhum fidalgo nem infanção não houvesse casa de morada na dita vila contra vontade dos moradores dela", concedem ao fidalgo da casa do duque, Fernão de Sousa, licença para vir morar nesta vila (por esta causa correra demanda que ora cessava) impondo-lhe diversas condições com penalidades. Perg. nº 60 da C. M.

1591 — É feita transacção entre as freiras de Santa Clara de Guimarães e Francisco Leão, abade de Santa. Cristina de Arões, dando-se por terminado o pleito que se havia levantado sobre a anexação da dita igreja ao referido convento, ficando ela de pagar às religiosas metade dos seus frutos e rendimentos.

1766 — O Cabido, em observância às ordens que tinha recebido do D. Prior, celebra uma festa em acção de graças pelas melhoras do Conde de Oeiras (depois marquês de Pombal), irmão dele D. Prior, em cuja festividade foi orador frei Cristóvão (?), recebendo pelo sermão 19$200 reis; houve fogo, iluminação, etc., sendo toda a despesa 32$240 reis, paga pelas mesas capitular e prelacial.

1826 — Provisão confirmando o estabelecimento da fábrica de curtume de couro de casca e sumagre de José Gomes e filho João Gomes Guimarães, no lugar da Corredoura, freguesia e couto de S. Torquato, concedendo-lhe os respectivos privilégios.

1860 — A Câmara pede ao seu presidente, Visconde de Pindela, que era deputado da nação, para lhe alcançar o convento do Carmo.

1865 — A Câmara dirige duas representações a El-rei, pedindo: - que nos estudos a que se estava procedendo para o caminho-de-ferro do Porto a Braga se considere como ponto obrigado a cidade de Guimarães; - mande estudar e construir a directriz do caminho-de-ferro do Porto ao Peso da Régua pela margem do Sousa.

1882 — Em sessão de direcção da Sociedade Martins Sarmento é apresentada uma proposta do vogal Dr. Avelino da Silva Guimarães, para compra da livraria do jurisconsulto Bento António de Oliveira Cardoso, para a Sociedade estabelecer biblioteca e para representar à Câmara, mostrando-lhe a necessidade e conveniência de a criar. A proposta foi aprovada com um aditamento em sessão da mesma direcção a 1 de Fevereiro seguinte.

1886 — Parte para Lisboa uma numerosa comissão da colónia vimaranense no Porto, presidida pelo Dr. João Vasco Leão, juiz de uma das varas cíveis do Porto, para apresentar na Câmara dos Deputados a representação da mesma colónia, aprovada na reunião que houve ali, pedindo a aprovação do projecto de lei de Franco Castelo Branco para a anexação deste concelho ao distrito do Porto.

1907 — Na escola médico-cirúrgica do Porto defendeu tese, e obteve 20 valores, classificação máxima, o Dr. João Monteiro de Meira, um dos mais talentosos e laureados académicos das modernas (então) gerações escolásticas.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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A neve também cai em Guimarães

1971. Vista de Guimarães, com a Amorosa em primeiro plano. (fot. de Belmiro P. Oliveira)

Hoje a neve apareceu nos sítios mais insólitos de Portugal. Em Guimarães, está um dia de sol radioso. Mas, de vez em quando, a folheca também cai por cá. Até em Agosto.

No extraordinário diário vimaranense que o paleógrafo João Lopes de Faria nos legou, encontram-se diversas notícias de nevões em terras de Guimarães. Por exemplo:

03 de Fevereiro 1684: Cai extraordinária quantidade de neve, que atingiu grande altura, levantando-se também furiosa ventania que causou enormes estragos, destruiu e lançou por terra corpulentas árvores.

11 de Fevereiro 1695: Na capa de pergaminho de uma nota do tabelião Nicolau de Abreu, pela parte de dentro, está escrito o seguinte: "A 11 de Fevereiro de 1695 foi o ano (deveria dizer o dia?) da maior neve que houve há muitos anos e assim o afirmam homens de muita idade e entanto que desceram muitos lobos cá para baixo e um chegou à Madrôa e viu muita gente e foi pelo campo da Honra às Lameiras do Palhares e aí o viu Francisco Borges Peixoto da quinta de Laços.”

14 de Janeiro 1830: "Apareceu, logo de manhã, tudo coberto de folheca." P. L.

26 de Dezembro 1836 "Ao amanhecer apareceu tudo coberto de neve, de maneira que estavam os telhados das casas, as ruas, terreiros e montes todos brancos. Não havia exemplo de uma camada de neve tão grande desde Janeiro de 1829 em que houve uma igual, e da qual se supôs a quase extinção da ferrugem (bicho) das oliveiras, tendo desde então dado as oliveiras bastante azeite, o que há muitos anos não tinha acontecido, muito principalmente nesta província do Minho, onde muitos lavradores tinham cortado os seus olivais por lhe não darem azeite". P. L.

11 de Abril 1837: Caiu por espaço de algumas horas uma tão grande quantidade de neve, a que chamam folheca, que cobriu todos os montes e se não fosse a chuva que se lhe seguiu custaria muito a derreter, fazendo um frio intensíssimo. As pessoas que tinham sido atacadas de gripe continuavam a passar incomodadas por causa do frio, o qual tinha sido tão continuado, que só apenas no fim de Março é que tinham havido alguns dias em que o tempo esteve mais macio. Por este tempo ainda estavam, uma parte das vides por arrebentar e as que tinham arrebentado ou eram de casta ou eram das que estavam abrigadas. Os poucos gomos de vide que haviam estavam amarelos. Os poucos centeios que tinham espigado, tinham sido queimados pela neve e, em geral, havia poucas ervas porque o Inverno tinha sido muito seco e tinha havido muitas neves. PL

3 de Abril 1847: De manhã apareceu tudo coberto de neve, levando bastante tempo a derreter e havendo um intensíssimo frio. Toda a gente se admirou de haver tanta neve e tão tarde. Em algumas partes a neve subiu acima de 2 palmos de altura.

24 de Agosto 1850: Neste dia caiu neve em Guimarães e nos dias seguintes houve calor.

13 de Fevereiro 1853: Neste dia e nos dois seguintes caiu no concelho grande quantidade de neve, que atingiu altura de 2 palmos.

17 de Fevereiro 1853: Lê-se no Braz Tisana - Guimarães, 17 de Fevereiro. Hoje está um dia muito lindo; mas a neve por enquanto vai resistindo ao sol. Os males que a neve tem causado são muito graves. Em Basto está o povo fechado nas casas, pois consta que a neve ali tem a altura de homem: é certo que nem o correio tem vindo. Para os sítios de Barroso parece que morreram três almocreves, bem como as cavalgaduras, todos gelados. Para os lados de Fafe foi a neve tanta que três dias se não pôde sair para fora das casas, muitas das quais se alagaram e caíram, bem como oliveiras, laranjeiras e outras árvores que não puderam com o peso da neve. Em Pentieiros (Guimarães) consta que morreu um almocreve com as cavalgaduras enterradas na neve. Para os sítios da Serra de Santa Catarina os vizinhos tiveram de fazer buracos nas casas para puderem passar o comer uns dos outros e o mesmo aconteceu para os lados de Abação. Do Marão ainda nada se sabe, só sim dos lobos virem de lá fugindo. Enfim, não obstante o dia lindo de hoje, os montes, os campos e os telhados estão cobertos de neve. Teme-se muito que morra o gado com fome por não poder pastar. - Há já bastantes acções de 1.000$000 réis cada uma para a construção do novo teatro.

25 de Janeiro 1880: Desde o meio-dia à meia hora da tarde caiu folheca abundantemente. A Penha ficou toda branca de neve, o termómetro marcava dentro, em casa, 10 graus centígrados.

8 de Janeiro 1889: Das 3 às 4 e meia da tarde caiu tanta folheca que chegou nas ruas a ter 4 dedos de altura, e depois choveu muito que a derreteu toda.

7 de Janeiro 1895: Caiu muita folheca: a Penha ficou toda branca.

8 de Fevereiro 1898: Às 8 horas da manhã caiu tanta folheca que cobriu o monte da Penha até S. Roque.

2 de Fevereiro 1902: Domingo. - De manhã houve grande nevada que caindo em pequenos flocos e com a atmosfera seca, deu causa a um fenómeno deslumbrante. Às 11 horas da manhã o regimento nº 20 de infantaria, com mais de 200 homens, saía da missa na igreja de S. Francisco e seguia para o quartel pelo Toural, produziu-se um destes quadros que poucas e raras vezes se presenciam, marchando o regimento sobre uma chuva de flores brancas que em grande quantidade atapetava o chão e se penduravam dos bonés, ombros e fardas dos militares produzindo um efeito fantástico. Na 2ª feira de manhã e durante a noite novas quedas de neve se produziram em tamanha abundância que os telhados pareciam todos enormes, cobrindo por completo as casas; a Penha esteve encantadora. Alguns carros das carreiras de Braga e Basto não saíram e os que de lá vieram chegaram muito mais tarde e os cavalos cansadíssimos. Tiraram-se algumas vistas fotográficas da cidade. Dizia-se que desde 1854 não houvera igual. Em algumas ruas atingiu 5 centímetros.

11 de Fevereiro 1906: A Penha esteve coberta de neve.

1 de Março 1908: Neste dia, de manhã, e também no dia seguinte de manhã, apareceu a Penha coberta de neve, desde o Senhor dos Serôdios até à Fonte Santa.

27 de Janeiro 1915: Desde as 6 até às 7 da manhã caiu neve em abundância que atingiu 5 centímetros de altura; era uma delícia ver os montes, nos quais se conservou 8 dias, árvores e telhados tudo coberto de neve. As serras do Gerês, Marão, Lameira cobertas com grande altura.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 28, 2006

Efemérides: 29 de Janeiro

Avelino da Silva Guimarães (óleo de Abel Cardoso)

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1781 — A Câmara mandou lançar Bando pelas ruas, para que todas as pessoas se vestissem de luto em demonstração de sentimento pela morte da rainha mãe, D. Mariana Vitória, 3 meses rigoroso e outros 3 aliviado, e os pobres que não pudessem comprar luto trariam os sinais dele, que estavam estabelecidos por estilo, sob pena de castigo, conforme parecesse justo ao Senado e de ser dada conta a S. Majestade de tal desobediência. O Bando foi votado pelo pregoeiro da Câmara, vestido de capa e volta e um fumo grande no chapéu pelas costas abaixo, e duas caixas de guerra destemperadas e cobertas de baeta preta, tocando por todas as ruas.

1842 — Ao meio-dia foi aclamada nesta vila a Carta Constitucional de 1826 e a rainha pela Câmara e autoridades, tomando pouca parte nesta aclamação os habitantes da vila. Logo depois da aclamação saiu um bando da Câmara a convidar os habitantes da vila a porem luminárias tanto na noite deste dia, como na noite dos dias seguintes. Por este acontecimento não houve outro sinal de regozijo público senão alguns foguetes do ar e repiques de sino. A aclamação foi feita por ordem do administrador geral de Braga. P. L.

1882 — No palacete do Toural, é eleita em assembleia-geral, presidida pelo bacharel Rodrigo Teixeira de Meneses, uma direcção provisória para tratar dos primeiros elementos da organização definitiva, até 9 de Março, da Sociedade Martins Sarmento e foi proclamado sócio honorário o Dr. Francisco Sarmento.

1883 — A Sociedade Martins Sarmento realizou à noite na sua sala a 1.ª conferência. Foi conferente o Dr. Avelino da Silva Guimarães, sobre o estado das indústrias neste concelho e meio de as melhorar.

1888 — Mr. Felix Barreau fez a sua 3.ª ascensão nesta cidade no balão "La Sirenne" subindo a altura de cerca de 600 metros e correndo na direcção, impelindo pelo vento com bastante velocidade, caiu em um pinhal na freguesia de S. Tiago de Candoso.

1919 — Às 8 e meia da noite, manifestação acompanhada por duas bandas de música saiu do Largo de D. Afonso Henriques tocando o hino da Carta, foi ao quartel militar, Câmara, Administração e comando militar, de regozijo; houve entusiásticos discursos e aclamações à monarquia, rei, Paiva Couceiro e outros, promovida por um grupo de jovens monárquicos.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Humor vimaranense: do Azemel à blogosfera

O Padre Faria, numa caricatura de José de Meira (1905)

Nos tempos que correm, assiste-se ao aparecimento de novas formas de escrita de humor em Guimarães, que se difundem através da blogosfera. Escritos em Guimarães, têm-se destacado dois projectos, de naturezas completamente diferentes: o 4800Guimarães, dedicado à condição vimaranense, e o Sou Burro, escatológico e imprevisível. Ambos retomam uma velha (e rica) tradição local.

A imprensa periódica vimaranense tem uma longa história. Todavia, há uma vertente que se foi perdendo, em especial a partir dos tempos de chumbo iniciados em 1926 (como alguém disse, o cinzento acinzenta) e nunca mais foi retomada com a força que tinha antes: a tradição satírica, burlesca, humorística e crítica, iniciada logo em 1822 com o Azemel Vimaranense, em cujo cabeçalho se lia:

Aqui vão troando

Os ecos das bombas,

Que estouram nas trombas

dos Rinocerontes

No inventário da colecção da imprensa vimaranense existente na Sociedade Martins Sarmento, encontram-se os seguintes títulos com carácter humorístico: O Formigueiro (1879-1881), O Zirro (1887-1888), O Grulha (1898), O Malho (1914), O Melro (1914), Aurora Académica (1915), O Espião (1915), O Bando (1915), O Melro (1915), O Pardal (1916), A Sentinela (1916-1917), Gil Vicente (1918-1924), O Taralhão (1924), A Ortiga (1925-26) e O Zezista (1930). Dentro de algum tempo, estes jornais estarão disponíveis na Internet através do sítio da Casa de Sarmento.

Um dos mais geniais escritores vimaranenses foi João de Meira, a quem a morte prematura impediu que nos tivesse legado a obra que prometeu. Tinha um refinado sentido de humor, que se espelha nos seus dons de falsário (que usava por puro divertimento, imitando os estilos de diferentes autores de renome). Com o seu irmão José de Meira, compôs um curioso Álbum de Glórias, com uma inscrição em alemão gravada na capa: Was murret ihr? (O que estais a resmungar?), que a Sociedade Martins Sarmento guarda no seu arquivo. Integra duas séries de caricaturas traçadas pela pena do irmão José, entre 1905 e 1907, onde se retrata mais de meia centena de figuras da sociedade vimaranense daquele tempo. João de Meira legendou as caricaturas, descrevendo em versos satíricos as figuras retratadas. A figura que aparece ao cimo desta nota representa o Padre Faria, a quem João de Meira se refere como a seguir se lê:

Ao depois que morreu o Mastodonte

O Mamute e outros bichos colossais,

Deus pondo a imensa mão na imensa fronte

Disse: — É preciso fazer outros que tais!

E tomando da argila, enfastiado,

Com imenso trabalho e agonia,

Talhou um Mastodonte tonsurado,

Fez o novo Mamute, padre Faria!

Aí o vedes, tal qual ele é;

Negra a batina e negra a alma dura...

A meia rota a deixar ver o pé

Que ainda sonha com a ferradura!...

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"Voz do Céu retumbando na Terra", exposição até 31 de Janeiro

A exposição Voz do Céu, retumbando na Terra com os formidáveis ecos do horroroso terramoto, que se ouviu no 1 de Novembro de 1755, onde se mostra a notável colecção de folhas volantes sobre terramotos que Francisco Martins Sarmento doou à Biblioteca da SMS poderá ser visitada até ao próximo dia 31 (terça-feira).

Para assinalar esta exposição, a SMS editou o folheto de onde foi retirado o título da exposição, no qual José de Almeida Castelo-Branco Bezerra glosa o seguinte soneto, atribuído a um anónimo:

Treme a terra insensível elemento,

Dorme a terra no homem animada,

Uma terra com culpa sossegada,

Outra terra sem culpa, e em tormento.

A que nunca pecou por pensamento,

Dos castigos do Céu tão assustada,

A que deve temer ser castigada,

Sem temor, no pecado está de assento.

Tempo é, terra vital, de recordar,

Se não queres, ó homem, perecer,

Trata, ó terra vital, de ressurgir;

Pois a terra te vem a despertar,

Que te faça temor, o seu tremer,

Já que a fez tremer tanto o teu dormir.

A edição, de 200 exemplares numerados e marcados com o selo branco da SMS, pode ser adquirida na SMS pelo valor de 2 euros cada exemplar (mais 50 cêntimos para despesas de envio, no caso de pedidos de entrega através do correio).

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janeiro 27, 2006

Efemérides: 28 de Janeiro

Mosteiro de S. Torcato

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1688 — Alvará por resolução de 3 de Abril de 1687, concedendo, a requerimento da Câmara, que houvesse feira ou mercado na vila de 15 em 15 dias, que noutro tempo fora concedida de mês em mês quando a população era menor. Actualmente fazia-se mercado todas as semanas mas só se pediu como fica dito.

1727 — Provisão de El-rei D. João V pela qual, a pedido do Cabido de Guimarães, manda copiar da Torre do Tombo uma provisão de El-rei D. Afonso V que confirma os privilégios e mercês do mosteiro de S. Torcato, anexo à Colegiada.

1811 — Aviso régio louvando o D. Prior pelo zelo e prontidão com que satisfez à comissão que lhe foi encarregada da cobrança das duas contribuições extraordinárias de defesa, relativas à Colegiada, dando neste objecto mais uma evidente prova de quanto se interessava e contribuía para a causa pública.

1836 — "Na noite deste dia foram espancados nesta vila alguns Realistas, ficando alguns bem mal tratados, pelos Constitucionais, por aqueles terem encontrada alguma exaltação, e por terem escrito uma carta ao redactor do Artilheiro, escrivão Bandeira, atacando-o a ele, à rainha, ao seu defunto pai, etc., e tendo posto pasquins" P. L.

1842 — Marcha para o Porto o batalhão de infantaria nº 14, para se reunir à guarnição daquela cidade em defesa da rainha e da Carta Constitucional. P. L.

1870 — Saiu o 1º número do jornal "Fraternidade", político e noticioso. Administrador António Vieira Correia da Cunha.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 26, 2006

Efemérides: 27 de Janeiro

Guimarães em dia de nevão

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1280 — Falece no convento de S. Domingos de Guimarães o Beato Frei Lourenço Mendes, notável em todas as virtudes cristãs. As suas relíquias estão actualmente sob guarda da Ordem Terceira. - Vid. Diccion. "Portugal" 4, 1012.

1657 — A Câmara determina que a ponte de Sta. Luzia que andava a fazer-se de 16 palmos de largo, se lhe acrescentasse mais um palmo.

1840 — Às Trindades, deram duas facadas em um procurador de demandas, chamado Manuel Basto, ao pé da sua casa, morava na rua de Val-de-Donas. Passados 2 dias foi preso um sapateiro, filho de um Vieira da rua de Couros, por o ofendido se queixar de ser ele que lhas tinha dado. As facadas foram dadas, segundo se dizia, por ele Basto ser procurador de uma demanda contra o sapateiro. P. L.

1858 — A Câmara faz a 1ª tabela com o número de badaladas para os sinais de incêndio, dividindo para isto a cidade em 7 estações, sendo 10 o número de badaladas para a 1º estação e 22 da última, as quais eram dadas depois de dar o toque a rebate.

1858 — A Câmara representa a El-rei pedindo-lhe que a Câmara de Braga lhe entregue um exemplar de cada obra que na biblioteca dessa cidade existisse em duplicado, para nesta estabelecer bilblioteca.

1884 — Sobe pela primeira vez à cena, no teatro de D. Afonso Henriques, o drama inédito de costumes popular "A Cruz do Outeiro" devido à pena do nosso cónego doutor António Joaquim de Oliveira Cardoso.

1886 — A Sociedade Martins Sarmento reúne-se em assembleia geral, com forma de comício, no teatro de D. Afonso Henriques, para novamente representar ao parlamento a favor do projecto da desanexação deste concelho do distrito de Braga apresentado pelo nosso deputado João Franco Ferreira Pinto Castelo Branco.

1886 — O povo de Braga recebe com entusiasmo a comissão que no dia 20 partiu para a capital para tratar sobre o conflito bracaro-vimaranense. Houve discursos, não faltando os do visconde de Pindela!!! Malandro, falso filho de Guimarães!!!

1901 — Fez estreia a companhia equestre, ginástica e mímica, composta de 15 pessoas de ambos os sexos e 11 cavalos de várias raças amestrados em liberdade e saltadores, dirigida pelo professor de equitação M. Luigi Cardinali, condecorado na cidade do Porto com a medalha de ouro e o diploma de honra.

1915 — Desde as 6 até às 7 da manhã caiu neve em abundância que atingiu 5 centímetros de altura; era uma delícia ver os montes, nos quais se conservou 8 dias, árvores e telhados tudo coberto de neve. As serras do Gerês, Marão, Lameira cobertas com grande altura.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 25, 2006

Efemérides: 26 de Janeiro

O Testamento de Mumadona

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

959 — É desta data o solene testamento ou doação que fez "Mumadona" ou "Dona Muma" dotando com grandes bens e móveis o seu mosteiro duplex que havia fundado em Guimarães à honra do Salvador do mundo e de Sta. Maria, sendo já o 4º abade Ordónio. Ela era tia e colaça de D. Ramiro II rei de Leão e viúva de Hermenegildo Gonçalves.

1488 — O cónego Gonçalo Martins, como procurador do Cabido, na forma ou em virtude de uma sentença eclesiástica de Braga, toma posse da capela de Santa Luzia que era de uma gafaria administrada pela Câmara, ficando desde então o seu rendimento anexo à mesa capitular, até à supressão da Real Colegiada.

1818 — Nasce em Vizela o bacharel em matemática, filosofia e medicina José Joaquim da Silva Pereira Caldas, cuja bibliografia se encontra no dicionário Bibliográfico Português.

1840 — Veio em procissão para a capela dos Terceiros Franciscanos a imagem do Senhor da Pedra, a de S. Roque, para que Deus permitisse que não continuassem as chuvas, que havia mais de 4 meses não cessavam de cair, sendo causa de que a maior parte das colheitas estavam por fazer. Acompanhavam-na a Ordem Terceira de S. Francisco, algumas irmandades e muitíssimo povo. P. L.

1852 — O "Periódico dos Pobres no Porto" deste dia, noticiando o enterro do pintor Roquemont, que viveu alguns anos em Guimarães, no Porto, diz, deixou ao seu amigo Nicolau Arrochela, a quem nomeou 2º testamenteiro, o seu retrato, uma luneta que fora do mano do mesmo Arrochela e 4 volumes da História dos Monumentos antigos e modernos; ao filho do Arrochela 15$000 réis para comprar um cavalo para se divertir; e ao filho do visconde Azenha 250$000 réis para comprar um cavalo para passear.

1868 — No teatro D. Afonso Henriques, o vimaranense Sebastião Augusto de Magalhães Brandão dá um espectáculo de jogos de física recreativa, em benefício da construção da torre, lado sul, da igreja de Nª Sª da Consolação e Santos Passos, sendo a 3ª parte do espectáculo a decapitação do muito conhecido Lourenço Aveiro.

1879 — Os ourives desta cidade e alguns da freguesia de s. Martinho de Travassos reúnem na casa da Associação comercial e resolvem representar para que no caso de ser reformado o serviço de contrastaria, não se centralize todo na cidade do Porto, como dali pretendiam, mas se crie também um contraste nesta cidade de Guimarães

1913 — Realizou-se no Internato Municipal anexo ao Liceu o acto solene da inauguração da Caixa Filantrópica de Socorros a Estudantes Pobres.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 24, 2006

Nos 200 anos do nascimento de Bento Cardoso

No dia 25 de Janeiro de 2006 completam-se 200 anos sobre o nascimento de Bento António de Oliveira Cardoso. Filho de Francisco José Gonçalves de Oliveira e de Maria Teresa da Encarnação, foi um advogado de grande fama, a quem Camilo Castelo Branco se referiu no capítulo IV de A Brasileira de Prazins (“O Dr. Adolfo absteve-se de entusiasmos, e pôs-se a estudar a questão, em conferências com o Bento Cardoso, de Guimarães, e o Torres e Almeida, o Rasqueja de Braga, dois chavões”). Escreveu sobre assuntos de jurisprudência.

Cidadão activo e participante, esteve envolvido, na década de em 1830, na Sociedade Patriótica Vimaranense. Fez parte da comissão da subscrição para socorro dos pobres de Lisboa vítimas da epidemia da cólera morbus, que recebeu, em Fevereiro de 1858, um agradecimento publicado em Portaria do Ministério do Reino. Em 1869, integrou, com, entre outros, Martins Sarmento, José Sampaio e Alberto Sampaio, a comissão da filial em Guimarães da Associação Arqueológica de Lisboa, de que acabaria por pedir escusa, alegando achaques e a sua vida laboriosa.

Uma das suas facetas mais destacadas foi a de bibliófilo. A sua biblioteca era famosa pelas preciosidades que guardava, despertando grande interesse entre os coleccionadores. Numa das primeiras reuniões após a criação da Sociedade Martins Sarmento, em Janeiro de 1882, o Dr. Avelino da Silva Guimarães propôs a compra da livraria de Bento Cardoso, para com ela dar início à instalação de uma biblioteca da Sociedade, sugerindo que se mostrasse à Câmara de Guimarães a necessidade e a conveniência da sua criação. Apesar de ter sido aprovada, a compra dos livros não se concretizaria então. Apenas teria lugar após a morte de Bento Cardoso, em 12 de Abril de 1886. Nessa altura, a direcção da SMS fez um esforço financeiro considerável para se antecipar à hasta pública que já estava anunciada. Em boa hora o fez.

Em grande parte composta por obras de Legislação e Direito, a biblioteca de Bento Cardoso guardava diversas preciosidades, entre as quais se destacam umas Ordenações de 1565, os Estatutos da Universidade de Coimbra, de 1591, e um exemplar da edição princeps de Os Lusíadas, de 1572, cujo fac-símile foi recentemente editado pela Universidade do Minho.

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Efemérides: 25 de Janeiro

Balança e pesos de pedra para pesagem de linho (da colecção da SMS)

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1613 — Em vereação foi taxado com os da governança que o linho de Coimbra fosse a 500 réis a pedra, e a linhaça a 200 réis a rasa; e ninguém levasse linho ou linhaça para fora do termo sob pena de 30 cruzados e 30 dias de cadeia.

1742 — Provisão mandando demarcar no monte da Falperra, limites de Guimarães e Braga, com assistências dos procuradores das duas Comarcas, terreno para casas de capelão, ermitão, guarda de paramentos, horta, e entregar à irmandade de Sta. Maria Madalena, que há pouco tinha edificado o templo, para ela tapar e fazer as edificações.

1806 — Nasce Bento António de Oliveira Cardoso, cavaleiro de S. Tiago da Espada, bacharel em Cânones e jurisconsulto muito notável e considerado.

1822 — Luminárias por ser o 1º aniversário da instalação das cortes em Lisboa. Nesta noite deu o Vago-Mestre, botequineiro (era João Manuel da Costa) um copo de água aos seus fregueses, aonde se cantou o hino constitucional. P. L.

1835 — Nesta noite vai a polícia desta vila a Ronfe e Brito para fazer prender vários realistas. Só traz preso o "Vila Verde". P. L. NB: Este Vila Verde era Francisco Joaquim de Abreu Vale, desta vila, residente em S. Vicente de Oleiros, tinha 50 anos, casado, ex-escrivão dos almotacés; foi para a Relação em 12 de Março deste ano.

1870 — A Câmara oficia ao Cabido consultando-o se está de acordo em que seja removido o polígono que se achava derrubado, e a oliveira que estavam fronteiros ao Padrão, para o vazio entre o Passo do Postigo da Guia e a parede do claustro (encostada à Capela de S. Brás) ou se para tal fim preferia outro local.

1880 — Desde o meio-dia à meia hora da tarde caiu folheca abundantemente. A Penha ficou toda branca de neve, o termómetro marcava dentro, em casa, 10 graus centígrados.

1884 — Colocou-se a última pedra que remata o frontão da basílica de S. Pedro, no Toural.

1885 — Da igreja de S. Domingos sai em procissão de penitência, a imagem de Nª Sª dos Terramotos em andor, acompanhada por mais de 6000 pessoas, por causa dos terramotos ocorridos em Andaluzia, Espanha. Nos dias anteriores houve preces e sermão, e também o houve antes de sair a procissão, sendo de todos orador o prior de freguesia do Salvador de Souto, Luís Dias da Silva.

1891 — É inaugurada no edifício da Sociedade Martins Sarmento a escola de ginástica e instrução militar com 22 alunos, criada pela mesma Sociedade.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento

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janeiro 23, 2006

Uma bernarda... minhota

A propósito das notícias acerca do conflito entre Guimarães e Braga, ocorrido há 120 anos, que por estes dias têm sido referidas nas nossas “Efemérides”, o jornal humorístico Maria Rita publicou por aquela altura, sob o título Uma bernarda... minhota, a gravura que se reproduz acima, com a seguinte legenda:

"Braga, a Fiel, na pessoa dos snr. Valada, agrediu Guimarães, o glorioso Berço da Monarquia, na pessoa do snr. de Margaride. A batalha travou-se renhida e violenta, e as duas cidades batem-se furiosas. Braga armada dos pés à cabeça, ergue os seus tamancos; Guimarães armada até aos dentes... dos seus garfos, resiste corajosa ao ataque, esperando que o snr. Valada volte costas! E o Porto, de braços cruzados, jura aos seus deuses que não entra na questão, porque lá diz o ditado: "Entre pais e irmãos, não metas as mãos". Quer dizer, o Porto tem os olhos na Travessa... da Espera."

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Efemérides: 24 de Janeiro

Vista do Campo da Feira. Ao fundo, a igreja do Senhor dos Passos.

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1561 — Doação da capela de Jesus na igreja Colegiada ao lado direito da capela-mor, feita por D. Duarte, duque de Guimarães e padroeiro da dita igreja, a Francisco de Mesquita, ascendente dos da casa de Vila Pouca, para seu jazigo e de seus descendentes, na qual com o consentimento do d. Prior já estavam sepultados seus pais, por terem feito benfeitorias nela, com obrigação de a fabricarem com tudo o necessário e que lhes fosse mandado pelos prelados em visitação.

1805 — Francisco Joaquim Moreira de Sá obtém alvará régio para a fábrica do papel de vegetais, como invenção sua.

1833 — Pelas duas horas da tarde principia a ouvir-se nesta vila muitíssimo fogo de artilharia para as partes do Porto, o qual durou até às 9 horas da noite, causando bastante admiração aos habitantes da mesma, pois que não havia parte alguma onde se não ouvisse. Este fogo foi em consequência de alguns navios que estavam fora da barra para entrar, trazendo gente e víveres, vindo para proteger o desembarque à esquadra do Sr. D. Pedro, que tinha estado em Vigo, sendo a maior parte do fogo que s e ouviu da supradita esquadra. Também as tropas do Sr. D. Pedro (combateram) as do Sr. D. Miguel para as partes de Matosinhos, morrendo muita gente de parte a parte. Entrou tudo o que vinha nos navios. P. L.

1851 — Portaria régia concedendo à Ordem 3ª de S. Domingos a igreja e sacristia do extinto convento de S. Domingos.

1856 — 5ª-feira. Na noite deste dia para o seguinte o povo da rua de Couros esteve em número crescido com paus e outras armas em volta da igreja do Senhor dos Passos para impedir que o órgão dali fosse para o teatro, para a representação do Frei Luís de Sousa. Levaram depois o da capela de S. Domingos. - Notícia no "Domingo" de Lisboa.

1864 — Visitaram esta cidade e retiraram para o Porto a 26 deste, à noite, o conde de Terena a seu genro Marquês de Monfalim.

1881 — Na noite de 24 para 25 choveu aqui um vendaval desfeito, quebrando nos campos algumas árvores e abatendo uma casa nas Oliveiras do Campo da Feira, moinho e telhado sobre a cama onde dormia uma mulher, que foi necessário tirar dos entulhos.

1886 — Grande comício, promovido pela comissão de vigilância, no salão da Associação Artística Vimaranense em que foram apresentadas mensagens de diversas corporações aderindo às resoluções tomadas pela comissão de vigilância sobre "A União ao Porto".

1898 — Deu entrada nesta cidade, puxada a 23 juntas de bois, uma enorme caldeira destinada à fábrica de tecidos de linho e algodão que se andava construindo na Avenida da Indústria, da qual eram proprietários o Visconde de Sendelo, Pedro Pereira da silva Guimarães & Companhia.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 22, 2006

Efemérides: 23 de Janeiro

O Toural em 1932

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1400 — Foi sagrada a capela-mor (anterior à actual) da igreja da Colegiada, mandada edificar por El-rei D. João I. Foi sagrante o bispo de Coimbra, D. João de Azambuja com licença do arcebispo de Braga, D. Martinho de Miranda, que teve por assistentes o arcebispo de S. Tiago da Galiza, D. João Manrique, e o bispo de Cidade Rodrigo, D. Rodrigo. Estiveram presentes El-rei D. João I e sua esposa D. Filipa, e o filho bastardo de El-rei, D. Afonso, conde de Barcelos e mais tarde duque de Bragança.

1401 — Carta de El-rei D. João I, dada em Guimarães, mandando aos juízes da cidade do Porto e guardar os privilégios concedidos à Colegiada, para que os caseiros dela não paguem as peitas, fintas nem talhas e outras; também isenta os mesmos de trabalhar na adua (muralha), obra que se estava fazendo na cidade do Porto, e a que as justiças os queriam obrigar. Foi dirigida aos juízes da cidade do Porto.

1531 — Em vereação "acordaram que por o impedimento de Galiza da peste, de que Deus nos guarde, nenhum almocreve não vá à Galiza buscar peixe nem sardinha sob pena de dois mil réis de cada vez, além da pena do mandado de El-rei nosso senhor e os que lá forem não entrem sob a dita pena sem licença dos guarda-mores, e isto por haverem por informação que morrem agora em muitos lugares de Galiza, e foi apregoado" NB: Este termo está depois daquele de 23 e de um de 27.

1641 — Em vereação foi acordado que não mais se pagasse o real de água da carne e vinho imposto pelo rei de Castela.

1825 — É conduzida processionalmente com acompanhamento do Cabido, comunidades religiosas e todo as irmandades de Guimarães a imagem do Senhor crucificado, da capela de Vila Pouca da igreja da Colegiada para a nova capela do Campo Santo. P. L.

1832 — Vindos das prisões de Viana e Valença, chegam setenta e tantos presos por opiniões políticas, entre os quais o Domingos Ferraz de Sta. Luzia desta vila, vinham sem algemas. Partem no dia seguinte para Alijó, sendo presos por cordas, por assim o exigir o governador militar desta vila que era Fortunato Cardoso, ainda que nisso tivesse bastante repugnância o comandante que os trazia e a quem eles tinham sido entregues. P. L.

1876 — A assembleia geral da irmandade de N.ª Sr.ª da Consolação e Santos Passos aprova a criação de um asilo de mendicidade que havia sido deliberado em sessão de mesa de 17 de Dezembro de 1875, e aceita o donativo de 50$000 réis do padre António José Rodrigues Cândido, abade de S. Tomé de Abação, 1º benfeitor do mesmo asilo.

1880 — Hoje arborizou-se o largo de S. Francisco, plantando-se ali 30 oliveiras da Austrália - Acácia Melanoxilon. Os habitantes do largo requereram logo à Câmara contra tal plantação, alegando que aquelas árvores os assombravam no Inverno, e pedindo antes a preferência de outras de folhas caducas. Dias antes cortaram-se as antigas e grandes carvalhas de S. Francisco, fronteiras ao lado norte da igreja, e que tinham dado o nome ao sítio; ficou apenas uma, e havia tenção de arborizar o mesmo local com árvores mais próprias, que ainda até hoje 29 de Janeiro de 1932 se não realizou.

1883 — Na noite deste dia para o seguinte, os ladrões arrombaram a porta lateral-norte da capela de Sta. Luzia e, entrando, roubaram da imagem da Santa um cordão de ouro, coroa de prata, anel e uns olhinhos de ouro, tirando a cabeleira e quebrando um braço à imagem mais pequena. Também levaram dali uma caixa de esmolas, que arrombaram e deixaram ficar na ponte de Sta. Luzia.

1884 — A Associação Artística Vimaranense representa ao Governo, secundando a da Sociedade Martins Sarmento, pedindo a criação nesta cidade duma escola industrial.

1886 — O nosso deputado João Franco Castelo Branco discursa na Câmara dos Deputados sobre o conflito brácaro-vimaranense.

1928 — Principiou a fazer-se de mosaico o pavimento, ruas, do jardim do Toural.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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janeiro 21, 2006

Efemérides: 22 de Janeiro

A antiga igreja de S. Paio, vista a partir do Toural

Algumas das efemérides vimaranenses deste dia, coligidas por João Lopes de Faria:

1588 — Sentença do ouvidor de Braga, Sebastião Gil, sede vacante, concedendo que o cano da água vá pelo adro da igreja de S. Paio, o que já autorizara o Cabido da Colegiada padroeiro. A Câmara alcançara provisão régia para trazer água para a vila, e já ali estava, e agora para passar pelo adro para o novo chafariz do Toural pretendia licença.

1644 — O cónego arcipreste de Guimarães, Baltazar de Meira, perfilhou, na nota do tabelião Francisco Veloso, a Francisco Meira, que o houve de Bárbara de São Francisco.

1744 — A Câmara, nobreza e povo, informam a S. M. que era justo dar-se de esmola 400$000 réis das sobras dos bens de raiz aos frades de S. Francisco para reedificação da capela-mor, onde haveriam de colocar o corpo da venerável senhora D. Constança de Noronha, e da tribuna.

1787 — O Cabido, em sessão plenária, delibera demolir a torre de N.ª Sr.ª da Guia que estava a alagar-se, para o que desde 18 de Fevereiro de 1778 tinha provisão régia que lhe concedia a pedra da dita torre para a construção da sua nova casa capitular, e que, pela demora havida em a demolir, a Câmara pedira a S. M. lha concedesse para as ruas da vila.

1838 — O Barão de Almargem, general da província, estabelece aqui seu quartel general, que desde muitos anos era em Braga. P. L.

1875 — Esteve aberta nesta cidade, em Braga e no Porto, a subscrição para o novo Banco Comercial de Guimarães, a qual excedeu muito a quantia pedida, que era de 500 contos em 1000 acções de 50$000 réis, havendo por isso rateio talvez superior a 80 por cento.

1879 — Principiou-se a fazer a parede para fechar o terreno de N.ª Sr.ª da Penha. A 29 e 30 deste mês fizeram-se ali as primeiras plantações de árvores. A cerca ficou completamente fechada no mês de Fevereiro, fazendo-se a segunda plantação a 9 de Março deste ano. - Vide este dia 9.

1893 — Falece em S. Clemente de Sande, onde era vigário colado, o padre Torquato José Rodrigues. Lia exorcismos, tinha boa fortuna; deixou um papagaio às freiras Capuchas, mas não lhes deixou com que o manter e para o trabalho que lhes veio dar.

Fonte: Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento.

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Exposição: "Estação Arqueológica", de Isabel Carvalho

Prosseguindo o ciclo de arte contemporânea em curso na Galeria de Arte da Sociedade Martins Sarmento, está patente, até ao próximo dia 20 de Fevereiro de 2006, a exposição Estação Arqueológica, de Isabel Carvalho.

Isabel Carvalho, nasceu no Porto em 1977. Tem desenvolvido actividades como Artista Plástica, autora de BD. É professora extensão de Guimarães da ESAP. Licenciada em pintura pela Faculdade de Belas Artes do Porto, fez mestrado no Camberwell College of Arts (London Institute). Integra o colectivo “Alíngua”, que edita a revista Satélite Internacional, ao grupo artístico Ateliers Mentol, ao ZOINA, grupo feminista de intervenção artística. Participou , entre outras, nas exposições “Arte-Público”, 2002, Museu de Serralves, Porto e Culturgest, Lisboa; “WAW-women against women”, 2002, Galeria Marta Vidal, Porto; “National Museum”, 2004; “16 salas, 1 espaço” , 2005, no Laboratório das Artes em Guimarães; “Tale about Urban Piracy”, 2005, no Centro de Artes Visuais de Coimbra; projecto “Terminal”, no Hangar k7 na fundição de Oeiras.

Isabel Carvalho integrou o grupo de artistas que participaram no projecto de Carla Cruz, “All My Independent Women”, que esteve patente da Galeria de Arte da SMS em Setembro e Outubro de 2005.

Nesta Estação Arqueológica, como escreve Mário Moura no texto de apresentação que escreveu, existe “uma forma de arqueologia, de recolha e de classificação. Livros para criança ilustrados, dicionários de rimas, posters educativos ou propagandísticos, estatuetas Disney em plástico corroído, cadernos escolares semi-preenchidos, são recuperados em farrapeiros e alfarrabistas, para serem depois reproduzidos com afinco, a sua caligrafia e os desenhos ampliados com paciência, em grandes composições ou séries temáticas, documentando aquilo que é suposto ser, de acordo com o senso comum da nossa sociedade, uma adolescência no feminino”.

O booklet da exposição está disponível para download.

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janeiro 20, 2006

Efemérides: 21 de Janeiro

Capela-mor da Igreja da Colegiada da Oliveira

Alguns acontecimentos do dia 21 de Janeiro, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1712 — O escultor Pedro Coelho, morador na freguesia de S. João de Gondar, obriga-se ao Cabido, na nota do tabelião Manuel da Silva, a construir-lhe por 170$000 réis, os caixilhos e mais obra da capela-mor da Colegiada, os quais correriam até ao retábulo, guarnecendo com eles os painéis e frestas, e os claros entre umas e outras, repartindo-os em três painéis com os mesmos caixilhos, e ao pé dos santos correrem outros caixilhos enxambrados uns com os outros semelhantes aos redondos com meias canas que estavam nas naves da igreja, para cuja planta lhe assistiria o escultor António de Andrade, morador nesta vila, e outras mais condições relativas à escultura, que constam deste contrato.

1797 — De madrugada, faleceu no convento dos Capuchos, com opinião de santidade, Frei Luís do Porto ou das Chagas, obrando o milagre de dar vista à mulher do cirurgião, que o curava, imediatamente à sua morte antes que no convento dessem fé do falecimento, pois ela já estava com vista recuperada quando lá os sinos deram principio ao sinal fúnebre. Ele tocava muito bem viola, o que fazia quando lhe estavam curando as feridas. O seu retrato, ainda eu o vi acantonado com outros painéis na sacristia do convento; desapareceu próximo ao ano de 1880.

1849 — Por iniciativa de Rodrigo (Reilha) Martins da Costa, Domingos (da Custodinha) António de Freitas e Jerónimo de São Carlos Fernandes da Silva Ribeiro, planeou-se neste dia a fundação de um teatro, por meio de acções de 1$000 réis, no grande salão do extinto convento de S. Francisco, na parte que fazia esquina para a rua do Quintal. Foi inaugurado em 6 de Maio do mesmo ano com o drama, em 5 actos, "O Cigano" e com a comédia "Um duelo no terceiro andar".

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janeiro 19, 2006

Efemérides: 20 de Janeiro

A antiga Avenida do Comércio (actual D. Afonso Henriques)

Alguns acontecimentos do dia 20 de Janeiro, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1529 — El-rei D. João III, em Lisboa, confirma a carta dada por El-rei D. Fernando em Leiria a 30 de Novembro de 1376 em que determina "que os fidalgos possam estar em a vila de Guimarães oito dias quando aí vierem e nos ditos oito dias lhe poderão ser dadas sem dinheiro, e o mais que por seus dinheiros e se aí estiverem mais tempo pagarão as ditas casas e camas, e o mais que houverem mister" - Perg.º nº 75 da C. M.

1609 — O arcebispo D. Agostinho de Jesus deu a cabeça de uma das onze mil virgens a Gonçalo Faria de Andrade, e este deu-a ao convento de Sta. Clara.

1766 — Decreto do arcebispo, ordenando à abadessa de Sta. Clara não conceda locutório, nem dê licença, a religiosa alguma para ir falar à portaria, nas rodas ou crivos, sem examinar primeiro com toda a vigilância a qualidade das pessoas que procuram falar às religiosas, e que depois de conceder as ditas licenças, por julgar necessárias, vá pessoalmente aos locutórios e examine, se as pessoas são as mesmas para quem as concedeu, e se nelas há perturbação, ou divertimentos impróprios do estado religioso.

1869 — Inauguração da Real Fábrica de Tecidos de Algodão, Linho e Lã, no lugar de Caneiros, freguesia de Fermentões, fabrico manual, sob a firma comercial de Guimarães, Filho e Sobrinho. O título de real foi-lhe em portaria de El-rei D. Luís e o infante D. Augusto.

1875 — Instalação do Banco Comercial de Guimarães, na casa no nº 19 do Campo da Misericórdia. Principiou a funcionar em 1 de Maio de 1875.

1880 — À noite, recebeu-se a notícia de que pelo ministério das Obras Públicas haviam sido expedidas ordens para se proceder imediatamente aos estudos da avenida de ligação entre esta cidade e a estação do caminho-de-ferro, em Vila Flor. Às 8 e meia uma banda de música, seguida de um numerosíssimo grupo de populares, com archotes acesos, percorreram as principais ruas dando vivas.

1886 — A Câmara de Guimarães representa à dos Deputados pedindo-lhe a aprovação do projecto que desanexa o concelho de Guimarães do distrito de Braga e o anexa ao do Porto.

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janeiro 18, 2006

Efemérides: 19 de Janeiro

O Toural numa gravura antiga, com a igreja de S. Sebastião (demolida) e o chafariz que foi trasladado para o Largo Martins Sarmento

Alguns acontecimentos do dia 19 de Janeiro, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1587 — Tendo os fregueses de S. Sebastião de Guimarães requerido ao Arcebispo, alegando-lhe que a sua igreja já era antes ermida, por a freguesia de S. Paio ser muito grande e não caberem na igreja dela os fregueses todos e, por outros motivos, o arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires por visitação a fez paróquia e dividiu as freguesias e número de fregueses que a cada uma devia.

1786 — Registrou, na Câmara, a sua marca de ourives de prata Francisco José da Silva.

1809 — Abriu-se a aula de retórica e poética no convento de S. Domingos, regida por frei António Pacheco.

1853 — A rainha D. Maria II, "atendendo à distinta ascendência de Nicolau de Arrochela Vieira de Almeida, fidalgo da sua real casa, par do reino; e querendo perpetuar a memória da honra que lhe fez de a hospedar em sua casa (de Guimarães) por ocasião da sua visita às províncias do Norte" faz-lhe mercê de o elevar à grandeza destes reinos com o título de Conde da Arrochela em sua vida.

1886 — Partiu no comboio do correio da cidade de Braga para Lisboa, a comissão de 9 bracarenses eleita no meeting que na dita cidade teve lugar no dia 17 para apresentar a representação que nele foi aprovada contra a desanexação do concelho de Guimarães do distrito de Braga. Saíram do edifício da associação comercial a Câmara com a bandeira, corporações civis, colégios, bombeiros e duas bandas de música até à estação onde à saída do comboio houve os vivas do estilo.

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Efemérides: 18 de Janeiro

O antigo tanque do Carmo, junto no local onde hoje se situa o Lar de Santa Estefânia

Alguns acontecimentos do dia 18 de Janeiro, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1841 — Na noite de hoje para amanhã foi incendiado o teatro desta vila por acinte, em consequência do Barão de Vila Pouca (senhor do teatro) o ter negado a uns curiosos que queriam repetir nele uma peça que poucos dias antes tinham apresentado em cena. Ao incêndio só acudiram os empregados da Bomba, pois os imensos habitantes da vila que se dirigiram para o sítio donde se dizia que era o fogo, logo que viram que era no teatro se conservaram meros espectadores, fazendo pouco caso de que o teatro ardesse, não porque eles em outros casos semelhantes não mostrassem energia em fazer cessar os estragos que sempre costuma fazer este devorador elemento quando se assenhora de qualquer edifício, mas pelas poucas simpatias que nesta vila tinha o Barão de vila Pouca, senhor do teatro, que foi vítima das chamas. Tudo que era combustível da casa do teatro ardeu, e só ao que se acudiu foi a que não ardessem as casas dos vizinhos que ficavam contíguas à mesma casa do teatro. De madrugada apareceu a igreja de S. Sebastião cercada por polícia para prender mancebos para o recrutamento que estavam na novena. Não prenderam senão um. P. L.

1849 — A administração geral dos correios anuncia achar-se estabelecida uma nova expedição de correspondência para Guimarães, além das duas que já existiam cada semana, saindo as malas de Lisboa nas 2ªs, 4ªs e sábados de tarde, e chegando a Lisboa nas 2ªs, 4ªs e 6ªs de manhã.

1872 — Foi sepultado na igreja de S. José do Carmo o benemérito cidadão e professor primário Francisco António de Almeida (foi o meu professor), iniciador e instituidor do asilo de crianças, de ambos os sexos. Denominado "Asilo da infância desvalida de Santa Estefânia, amor de Deus e do Próximo". Era natural de Lisboa, aí foi sargento de infantaria, e residiu muitos anos nesta cidade de Guimarães.

1917 — A igreja de Sta. M.ª de Silvares foi roubada por meio de chave falsa: roubaram 2 vasos de prata, 2 cálices e suas patenas, violam o Sacrário e espalharam sobre o altar-mor as sagradas partículas.

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janeiro 16, 2006

Efemérides: 17 de Janeiro

O Abade de Tagilde, segundo José de Meyra.

Alguns acontecimentos do dia 17 de Janeiro, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1770 — Falece em Lisboa D. Paulo de Carvalho e Mendonça, D. Prior (56º) de Guimarães, irmão do Marquês de Pombal, chegando depois da sua morte a sua nomeação de Cardeal feita por Clemente XIV a 29 de Janeiro de 1770.

1803 — Provisão concedendo a António José Pereira, da rua de Alcobaça, licença para estabelecer uma casa de pasto à imitação das de Lisboa e mais cidades, podendo aí vender atabernado vinho do Douro e de Basto, ficando sujeito às posturas da Câmara. Foi ouvida a Câmara antes de ser concedida, etc. Ele era inteligente na arte de cozinha. Esta estalagem passou depois ao Dionísio, ao Manuel José Pereira e ao Francisco António Alves " o Malcriado".

1830 — Deram uma grande maçada a um ourives, oficial do Molarinho, que o puseram em estado de ser logo sacramentado e ungido, e logo foi para o hospital da Ordem 3ª de S. Francisco até que lá morreu no dia 22 de Maio do corrente ano; supõe-se que apanhou por ser constitucional, a maçada foi-lhe dada ao Arco dos Capuchos. Neste dia e noite houve mais porradas não só na vila mas também em Sto. Amaro de onde veio preso o filho do Serafim, José Nogueira. P. L. - Adição e correcção: Do registo hospitalar de S. Francisco consta: Domingos José da Silva, viúvo, ourives, da rua da Tulha, entrou a 17 de Janeiro, saiu a 6 de Março, tornou a entrar a 4 de Maio e morreu a 23 de Maio de 1830. Foi sepultado na capela dos 3ºs de S. Francisco.

1836 — Às 7 horas da noite houve sessão da Sociedade Patriótica Vimaranense. Lida a acta, foi aprovada com uma emenda. Leite de Castro leu uma carta de Ferreira de Castro participando à Assembleia ter entregue a congratulação (vide dia 3 deste mês e ano). Souto leu uma proposta para se formar um teatro nacional nesta vila, a qual foi combatida por Pinto Teixeira e Abreu Ferreira e sustentada por Bandeira, Costa, Abreu, Leite de Castro e Lima; e posta à votação foi aprovada. Pinto Teixeira, como relator da comissão de Instrução Pública, leu um projecto que ficou sobre a mesa. Passou-se à ordem da noite que era a continuação da discussão dos artigos adicionais e aditamentos, e foi levantada a sessão às 10 horas.

1856 — De hoje para amanhã esteve o povo da rua de Couros em número crescido com paus e outras armas em volta da igreja de N.ª Sr.ª da Consolação, para impedir que o pequeno e fraco órgão dali fosse para o teatro para a representação do "Frei Luís de Sousa". Foi levado para isso o da capela dos 3ºs de S. Domingos.

1868 — 6ª feira - À noite, por iniciativa do Visconde de Sta. Luzia, à imitação do que já havia sido feito em Freixo de Espada à Cinta, percorreu a cidade um cortejo fúnebre, formado por homens cobertos de palhoças (coroças) e que, de archote na mão, prestaram as últimas honras ao cadáver do ministério demissionário Fontes Ferrão, que traziam em uma tumba e que iam enterrar, como enterraram, precipitando-o, entre selvagem gritaria, de cima do muro da praça de mercado em construção. Entre a vozearia que fazia o coro fúnebre do cortejo, e o badalar compassado de uma campainha, ouviam-se obscenidades de selvajaria contra os ministros demitidos. Ficou conhecido isto por "Enterro do Fontes".

1872 — Quarta-feira- De madrugada apareceu separada do tronco, serrada à altura de um pouco mais de um metro, a oliveira da praça de N.ª Sr.ª da Oliveira.

1886 — Domingo. À 1 hora da tarde reuniu-se o povo de Braga em comício no teatro de S. Geraldo para protestar contra o projecto de desanexação do concelho de Guimarães do distrito de Braga e anexação ao distrito do Porto, apresentado ao parlamento pelo deputado por Guimarães, João Franco Pinto Ferreira Castelo Branco, motivado pelo conflito brácaro-vimaranense. Falaram diversos cidadãos, entre os quais o vimaranense Visconde de Pindela (infiel à sua pátria natal, onde em tempo tantos louros colheu). Assistiu a Câmara com a bandeira municipal e diversas corporações, etc. foi eleita uma comissão de 7 membros para levar ao parlamento, a Lisboa, uma representação contra a desanexação.

1887 — Foi assinado o despacho do padre João Gomes de Oliveira Guimarães, reitor de Mascotelos, para abade de Tagilde.

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Exposição: Voz do Céu retumbando na Terra

A exposição Voz do Céu, retumbando na Terra com os formidáveis ecos do horroroso terramoto, que se ouviu no 1 de Novembro de 1755 prossegue com a colaboração dos Serviços de Documentação da Universidade do Minho e da Casa de Sarmento – Centro de Estudos do Património, que tem permitido mostrar algum do valioso património cultural que a Sociedade Martins Sarmento tem à sua guarda.

Os ecos do Terramoto de 1 de Novembro de 1755 em Lisboa nos sentimentos e na consciência dos portugueses e europeus da época foram múltiplos e profundos, como se pode apreciar pelas publicações e referências ao terramoto que se multiplicaram nos anos seguintes. A exposição das reproduções de folhas volantes do século XVIII sobre terramotos, em especial sobre o terramoto de 1755, pertencentes à Sociedade Martins Sarmento, que se encontra patente no átrio da Biblioteca Geral da Universidade do Minho em Braga, na B-in e na Sociedade Martins Sarmento em Guimarães, pretende ilustrar o sobressalto que o terramoto provocou também na consciência dos homens que lhe sobreviveram, bem como as interpretações e explicações que desde logo se avançaram para a tragédia de Lisboa.

Estão expostas cópias de 35 folhetos publicados entre 1742 e 1757, incluídos numa colecção que pertenceu à biblioteca do arqueólogo Francisco Martins Sarmento, que integra exemplares raros ou únicos.

É também possível apreciar nesta exposição algumas gravuras da época dedicadas à mesma temática; o poema de Voltaire, de 1756, sobre o desastre de Lisboa e alguma bibliografia existente sobre a matéria em questão.

Para assinalar esta exposição, a Sociedade Martins Sarmento fez uma edição fac-similada do folheto Voz do Ceo retumbando na terra com os Formidaveis eccos do horrozo terremoto que se ouvio no 1 de Novembro de 1755. Esta publicação, de que se tiraram duzentos exemplares numerados e marcados com o selo branco da SMS, está disponível para venda nos locais onde a exposição está patente.

A exposição poderá ser visitada de 16 a 31 de Janeiro, de segunda a sexta, das 9 às 20 horas da Biblioteca Geral da Universidade do Minho e na B-in, e na Sociedade Martins Sarmento, de terça-feira a Domingo, no horário de abertura do Museu.

O catálogo da exposição está disponível para download.

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janeiro 15, 2006

Efemérides: 16 de Janeiro

Alguns acontecimentos do dia de hoje, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1489 — Bula do Papa Inocêncio VIII autorizando a supressão de 3 conesias e delas criar 6 meias conesias, da Colegiada.

1613 — A Câmara deliberou que o sino de correr se trouxesse para a casa das audiências (que estava junto desta Câmara), conforme a determinação de 21 de Dezembro de 1606, mandando-se fazer um campanário (pondo-se a pregão), e segurar as paredes da casa 8 porquanto havia quem o tangesse por menos que no castelo.)

1832 — Entra uma leva de quarenta e tantos presos políticos que estavam nas cadeias de Braga. Na sua entrada, desde a Conceição até à cadeia, onde pernoitaram, foram acompanhados por muitos recrutas de caçadores do Minho e algum povo, que lhes vinham a dar muitas pupadas e assobios, chamando-lhes muitos nomes injuriosos. A maior parte dos presos vinham algemados. Na noite seguinte foram pernoitar em Margaride e daí foram para a província da Beira, para Almeida. P. L.

1875 — Tem esta data uma representação assinada em S. Miguel de Vizela por 115 indivíduos das freguesias de S. Miguel das Caldas, Tagilde, S. Faustino e S. Paio de Vizela, Ínfias, Polvoreira, Nespereira, Mascotelos, Gandarela, Conde, Guardizela, Lordelo e Moreira de Cónegos, pedindo à Câmara dos Deputados não aprove o contracto que a Câmara Municipal fez provisoriamente com uma sociedade anónima, estabelecida na cidade de Guimarães, denominada "Companhia dos Banhos de Vizela", principalmente na parte em que segundo as plantas do já então falecido engenheiro Dejant a construção havia de ser na bouça das Pedras (parece ser onde está) que além da ficar distante 456 metros das nascentes das águas, era preciso, por causa das grandes inundações, elevar a dita Bouça à altura da estrada nova. - Diário do Governo nº 32 a fl. 220 de 12 de Fevereiro de 1875.

1907 — À 1 hora da noite houve incêndio no Asilo de Santa Estefânia.

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Efemérides: 15 de Janeiro

Alguns acontecimentos do dia de hoje, extraídos do manuscrito Efemérides Vimaranenses, de João Lopes de Faria, pertencente à Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento:

1664 — Recebe uma honrosíssima patente de mestre de campo "ad honorem" o bravo militar João Rebelo Leite, por antonomásia "lidador vimaranense" - Vide Apontamentos para a História de Guimarães, 1º vol. Pág. 129 e o jornal Vimaranense "Espectador" nº 49.

1743 — O arcebispo de Braga, D. José de Bragança, ordena, sob pena de suspensão, à abadessa de Santa Clara que no seu convento se dê execução às disposições por decretos capitulares de visita dos seus antecessores, que não estejam revogados, e nele não haja música a canto de órgão, "assim para se evitar a comunicação com as criaturas do século, que de outra sorte fica sendo necessária para se ensinarem a tocar alguns instrumentos e cantar muitos papéis com outros mais inconvenientes", mas sim se cantem os ofícios e se solenizem as festas a cantochão, usando de missal e antifonário que havia o dito canto. Isto por não ter tido bom resultado a concessão que lhe fizera em 17 de Dezembro de 1736.

1858 — Às 6 horas da tarde houve explosão em casa dum fogueteiro, na rua de Gatos. A casa da pólvora era situada no fim do quintal e a explosão foi quando ele estava ceando com a família, ignorando-se o motivo porque a pólvora se incendiou. O telhado da casa foi a grande distância e as casas da rua e das contíguas tremeram.

1883 — Falece, de tarde, vítima duma congestão cerebral, tendo 71 anos, o comendador Cristóvão José Fernandes da Silva " O Cidade", solteiro, grande benfeitor da Ordem 3ª de S. Francisco, foi o concluidor do seu hospital, além de outras importantes obras, com que a dotou, tais como: os guarda-ventos da igreja e da capela, o douramento desta e do altar dos Santos Marrocos, o carro fúnebre, etc. Foi importantíssimo capitalista, proprietário, industrial e negociante de curtumes, deixando avultada fortuna e não tendo herdeiros forçados; não fez testamento, mas por tempo, apareceram alguns falsos. Foi voz corrente que ele era já falecido há 2 ou 3 dias e só neste dia por causa de arranjos é que os 2 primos e os domésticos anunciaram o óbito.

Publicado por Sociedade Martins Sarmento às 03:28 PM | Comentários (0)

janeiro 13, 2006

Novos regulamentos dos Museus e da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento

Os Museus da Sociedade Martins Sarmento (Museu Arqueológico, em Guimarães, e Museu da Cultura Castreja, em S. Salvador de Briteiros) e a Biblioteca Pública da Sociedade Martins Sarmento têm novos regulamentos de funcionamento, que foram aprovados na última Assembleia Geral da Sociedade.

Os Regulamentos agora em vigor adequam as regras de conservação, tratamento e disponibilização para acesso público das vastas colecções museológicas da Sociedade Martins Sarmento.

Estes documentos estão disponíveis para consulta e download:

Regulamento dos Museus da Sociedade Martins Sarmento

Regulamento da Biblioteca Pública da Sociedade Martins Sarmento

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Serviço Educativo da SMS inicia projecto inovador

A Sociedade Martins Sarmento, iniciou o projecto “O Museu vai à Escola”, que conta com o apoio da Casa de Sarmento e da Câmara Municipal de Guimarães.

Esta iniciativa, desenvolvida por técnicos da Sociedade Martins Sarmento que intervêm no espaço da sala de aula, aposta na conjugação das vertentes lúdica e educativa, visando dar a conhecer ao público mais jovem algumas das peças mais significativas dos acervos museológicos e patrimoniais da Sociedade Martins Sarmento. Pretende-se, simultaneamente, mostrar e explicar alguns dos momentos fundamentais que estão na base da evolução da humanidade, as conquistas e os progressos conseguidos, dando ainda particular relevo a alguns dos acontecimentos que marcaram a História de Portugal até à Batalha de Aljubarrota.

Procura-se mostrar às crianças que é possível aceder ao passado, para o conhecer e compreender, através do legado que nos foi deixado pelos antigos e que hoje se pode observar e admirar nos museus.

Também a cidade de Guimarães merece uma atenção especial no âmbito do projecto em curso, apostando-se na divulgação da sua riqueza histórica, monumental, cultural e artística.

Trata-se de uma iniciativa inovadora, que leva o Museu à Escola, com o objectivo de criar e desenvolver junto das crianças o gosto pela história, pela arqueologia e pelos museus.

Publicado por Sociedade Martins Sarmento às 07:56 PM | Comentários (0)

janeiro 01, 2006

Em 2006 a SMS comemora o seu 125.º aniversário

No próximo dia 20 de Novembro comemora-se o 125.º aniversário da instalação da Sociedade Martins Sarmento, numa reunião que teve lugar numa das salas da Assembleia Vimaranense, convocada por Avelino Germano da Costa Freitas, Avelino da Silva Guimarães, José da Cunha Sampaio, Domingos Leite de Castro e Domingos José Ferreira Júnior.

O objectivo era homenagear Martins Sarmento, não com uma festa ruidosa, nem com um monumento de granito ou mármore, mas com uma instituição duradoura cuja obra perpetuasse o nome do arqueólogo vimaranense. Na acta daquela reunião, que aprovou os primeiros estatutos da Sociedade Martins Sarmento, transcreve-se um documento que explica a intenção do grupo de iniciadores, onde se lê:

Pensamos que é esta a manifestação mais condigna. Poderia erigir-se um monumento em granito ou mármore, abrindo-lhe na base inscrições comemorativas; mas não será um anacronismo que neste século de actividade intelectual prefiramos a inscrição à associação, o mármore a um pensamento em actividade constante, a inércia de uma coluna ao vivido movimento de uma instituição, que deve prosperar se nunca lhe falecer a vossa protecção e a dos nossos conterrâneos?

O monumento pode esboroar-se e desaparecer no fragor das tempestades, ou no vandalismo das guerras: a instituição, se cria raízes, se preenche uma necessidade real, se representa um progresso na educação social, vive além das convulsões, adquire condições de perpetuidade, permanece enquanto não está satisfeito o seu fim, enquanto se não torna inútil por novos progressos, vivendo ainda assim na memória dos que lerem as páginas da sua história.

Assim nasceu a Sociedade Martins Sarmento, que foi inaugurada no dia 9 de Março seguinte (data do aniversário do nascimento do seu patrono).

A Instituição, que foi criada como Promotora da Instrução Popular, ganhou raízes, dando um grande impulso ao desenvolvimento do ensino em Guimarães. Ao mesmo tempo, criou um Museu, uma Biblioteca Pública, começou a publicar a Revista de Guimarães, tornando-se numa das mais respeitadas instituições culturais e científicas de Portugal. Chegou aos nossos dias sabendo adaptar-se à mudança dos tempos, mas respeitando sempre o seu passado.

Para assinalar esta data, a Direcção da Sociedade está a preparar um programa de comemorações, cujos actos principais ocorrerão entre 20 de Novembro de 2006 e 9 de Março de 2007.

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dezembro 31, 2005

Efemérides vimaranenses para 2006

O Padre Gaspar Roriz, um dos iniciadores das Festas Gualterianas, com Albano Belino (à Direita)

Quando termina 2005, fazem-se projectos para o novo ano que aí vem, onde haverá lugar para assinalar os números redondos em que se celebram as efemérides. Aqui ficam algumas, relacionadas com Guimarães:

Em 25 de Janeiro decorrem 200 anos sobre o nascimento do advogado, Bento António de Oliveira Cardoso. Escritor de assuntos de jurisprudência, foi um dos mais reputados juristas do seu tempo. Possuía uma preciosa biblioteca, em grande parte composta por obras de Legislação e Direito, que viria a ser adquirida pela Sociedade Martins Sarmento após a sua morte. Entre os livros que Bento Cardoso coleccionou ao longo da sua vida, destaca-se a famosa primeira edição de Os Lusíadas que hoje pertence à Biblioteca da Sociedade. Faleceu em 12 de Abril de 1886.

Em 24 de Fevereiro, passa o primeiro centenário sobre o nascimento do Padre Arlindo Ribeiro da Cunha, filósofo, historiador e literato. Nasceu na freguesia de S. Torcato.

No dia 21 de Maio completam-se os primeiros 100 anos sobre a data da publicação no Diário do Governo da constituição do governo presidido pelo conselheiro João Franco Ferreira Pinto Castelo Branco, várias vezes eleito deputado por Guimarães. A notícia foi recebida nesta cidade com grandes manifestações de regozijo, nas quais tomaram parte quatro bandas de música e alguns milhares de pessoas, que aclamaram João Franco.

Em Agosto de 2006 celebram-se os primeiros 100 anos das Festas Gualterianas, criadas em 1906 pela Associação Comercial e Industrial de Guimarães, com o objectivo de revitalizar as velhas Feiras de São Gualter.

Em 19 de Agosto, passa o primeiro centenário da morte do escritor Valentim Brandão Moreira de Sá Júnior, que pertencia à ilustre família vimaranense dos Moreiras de Sá. Esteve no Brasil, onde se dedicou ao jornalismo e ganhou fama de polemista feroz. Faleceu em Guimarães. Na Biblioteca da Sociedade existem as seguintes obras de sua autoria: Sombras e luz (teatro), de 1863, A Virgem do Campo (teatro), de 1868, R. S. Tiberio Gracho (no Mundo maçónico), Vieira de Castro (no Mundo profano), de1870, e Collegio Americano (XVII anno de sua fundação), de 1897.

Em 14 de Setembro passa um século sobre a morte de José Martins de Queirós Minotes, autor da obra Estudos sobre o Turf, que foi publicada na Revista de Guimarães entre 1886 e 1895.

Em 29 de Setembro passam 200 anos sobre o nascimento de Bernardo de Morais Correia de Castro, que viria a ser o 1.º conde da Azenha, senhor do morgado da Parada de Infanções, capitão de cavalaria, comendador da Ordem de Cristo e da de S. Bento de Avis.

Em 2 de Setembro celebram-se 150 anos sobre a data em que veio a público, pela primeira vez, o jornal A Tesoura de Guimarães. Editando-se duas vezes por semana, durou até Janeiro de 1859. É este o mais antigo periódico de Guimarães, depois do Azemel Vimaranen

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