“A sustentabilidade não é inimiga da competitividade”

19-09-2012
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Ministra da Agricultura defende a necessidade de promover políticas verdes nas empresas e entidades e refere a importância da atribuição de fundos.

Os projectos de sustentabilidade ganham uma relevância ainda maior numa altura de crise, já que podem até ser a solução para a redução de custos das empresas. É esta a visão de Assunção Cristas, que exemplifica as várias políticas levadas a cabo pelo Ministério da Agricultura. Em entrevista ao Diário Económico, a propósito da edição deste ano dos Green Project Awards (GPA), a ministra lembra ainda a importância dos fundos comunitários para ajudar a implementar mudanças de mentalidade e garante que o Fundo Português de Carbono (FPC) não está morto.

Neste contexto faz sentido falar de economia verde?

O mais possível. Estes são sempre momentos em que se proporciona uma reflexão sobre a realidade e a busca de novas soluções. Por exemplo, reabilitar em vez de construir é, neste momento, uma saída verde, que aproveita o recurso que já existe, o que é muito positivo porque o que já está edificado está inserido num tecido urbano consolidado.

Não teme que num momento de austeridade a reacção das empresas seja a oposta, procurar as soluções que já conhecem?

Depende do que estamos a falar. Se uma empresa quiser procurar uma sede, em vez de ir para um edifício novo, optar por adaptá-la tendo em conta preocupações ambientais que lhe vão trazer poupanças significativas ao nível, por exemplo, da energia, vai diminuir os custos. Claro que não há receitas mágicas. E por isso é que iniciativas como os GPA são importantes, porque dão exemplos muito concretos sobre o que é que se pode fazer para racionalizar os nossos recursos e ter poupanças significativas. Aí estamos a ajudar as empresas a ser competitivas. A sustentabilidade não é inimiga da competitividade.

Que tipo de projectos tem promovido o Governo na lógica do aproveitamento dos recursos?

A reforma do Estado, o Plano de Redução e Melhoria da Administração Central do Estado (PREMAC), está a levar a muita reestruturação do parque imobiliário para juntar organismos dentro do mesmo edifício.

É possível quantificar?

Não lhe consigo dar um valor exacto mas este é um esforço que está a ser feito por nós e pelos outros ministérios. Estamos a adoptar medidas como racionalizar a frota automóvel e trabalhar mais em equipa utilizando os mesmos recursos. Procuramos que as pessoas que estão no terreno se juntem nos mesmos edifícios para fazer acções conjuntas através do ‘carpooling'. Quando nos deslocamos só vai um segundo carro quando o primeiro está cheio. O nosso carro é um escritório em andamento!

O seu Ministério foi um dos primeiros a aplicar muitas medidas, até se falou muito na medida da gravata... é possível quantificar o impacto?

Olhe, outra! Já nem me lembrava! E o consumo de água da torneira, por exemplo. Ainda não conseguimos quantificar, mas estas questões casam com reformas mais profundas, relacionadas com a agilização dos procedimentos, que terá impacto.

O Ministério tem um orçamento específico para financiar iniciativas como os GPA?

Não há um ‘budget' mas há um histórico. Os orçamentos têm vindo a ser reduzidos, mas tem-se mantido esse apoio. Além disso, há o nosso apoio institucional inequívoco e isso tem-se mantido.

Há algum projecto que a tenha surpreendido nesta edição?

Apreciei a diversidade temática, ou seja, a sustentabilidade é um desafio que é transversal. Em todos os domínios temos atitudes, comportamentos e projectos de sustentabilidade e temos opções que podemos fazer.

É muito complicado convencer os empresários mais velhos a mudar o modo de funcionamento das empresas?

É preciso mostrar as boas práticas e como mudanças em determinado tipo de comportamento podem ser benéficas para o ambiente, mas também para os custos da empresa. Esse ponto vai muito da replicação do exemplo e também dos apoios. É por isso que quando olhamos para as oportunidades dos fundos comunitários, atribuí-los a aspectos relacionados com eficiência energética é positivo, para aproveitar os recursos.

Na conferência promovida pelo Diário Económico referiu-se à necessidade de trabalhar em parceria e promover sinergias. Porquê?

Há muito conhecimento em Portugal que beneficia se for partilhado. Se trouxermos as pessoas para partilhar esse conhecimento mais resultados teremos. Não temos uma população muito grande, mas temos massa crítica para, trabalhando entre si e com a de outros países, trabalharmos com impacto.

O que aconteceu ao Fundo Português de Carbono(FPC)?

O FPC tem projectos que apoia e cooperação a nível internacional. Há projectos que estão concluídos, outros que estão em marcha. O fundo existe, tem os seus recursos, limitados mas os seus recursos, e está muito atento a oportunidades de apoio.

O presidente da APA, Nuno Lacasta, referiu que as acções foram vendidas a um preço que agora não justifica a entrada de novos investidores...

O preço do carbono baixou muito. A discussão que se tem na União Europeia é como é que tornamos esses activos apelativos quando o preço era suposto ser um e baixou radicalmente. Há créditos de carbono atribuídos a países que ainda tinham um grande desenvolvimento a fazer e, com o próprio valor do carbono a nível internacional e num contexto de recessão, há menos necessidades de atribuir créditos de carbono. Se o carbono tiver outro valor mais capacidade nós teremos para actuar. Ao valor a que está neste momento acaba por não ser o instrumento que se tinha planeado inicialmente.

Ministra da Agricultura defende a necessidade de promover políticas verdes nas empresas e entidades e refere a importância da atribuição de fundos.

Os projectos de sustentabilidade ganham uma relevância ainda maior numa altura de crise, já que podem até ser a solução para a redução de custos das empresas. É esta a visão de Assunção Cristas, que exemplifica as várias políticas levadas a cabo pelo Ministério da Agricultura. Em entrevista ao Diário Económico, a propósito da edição deste ano dos Green Project Awards (GPA), a ministra lembra ainda a importância dos fundos comunitários para ajudar a implementar mudanças de mentalidade e garante que o Fundo Português de Carbono (FPC) não está morto.

Neste contexto faz sentido falar de economia verde?

O mais possível. Estes são sempre momentos em que se proporciona uma reflexão sobre a realidade e a busca de novas soluções. Por exemplo, reabilitar em vez de construir é, neste momento, uma saída verde, que aproveita o recurso que já existe, o que é muito positivo porque o que já está edificado está inserido num tecido urbano consolidado.

Não teme que num momento de austeridade a reacção das empresas seja a oposta, procurar as soluções que já conhecem?

Depende do que estamos a falar. Se uma empresa quiser procurar uma sede, em vez de ir para um edifício novo, optar por adaptá-la tendo em conta preocupações ambientais que lhe vão trazer poupanças significativas ao nível, por exemplo, da energia, vai diminuir os custos. Claro que não há receitas mágicas. E por isso é que iniciativas como os GPA são importantes, porque dão exemplos muito concretos sobre o que é que se pode fazer para racionalizar os nossos recursos e ter poupanças significativas. Aí estamos a ajudar as empresas a ser competitivas. A sustentabilidade não é inimiga da competitividade.

Que tipo de projectos tem promovido o Governo na lógica do aproveitamento dos recursos?

A reforma do Estado, o Plano de Redução e Melhoria da Administração Central do Estado (PREMAC), está a levar a muita reestruturação do parque imobiliário para juntar organismos dentro do mesmo edifício.

É possível quantificar?

Não lhe consigo dar um valor exacto mas este é um esforço que está a ser feito por nós e pelos outros ministérios. Estamos a adoptar medidas como racionalizar a frota automóvel e trabalhar mais em equipa utilizando os mesmos recursos. Procuramos que as pessoas que estão no terreno se juntem nos mesmos edifícios para fazer acções conjuntas através do ‘carpooling'. Quando nos deslocamos só vai um segundo carro quando o primeiro está cheio. O nosso carro é um escritório em andamento!

O seu Ministério foi um dos primeiros a aplicar muitas medidas, até se falou muito na medida da gravata... é possível quantificar o impacto?

Olhe, outra! Já nem me lembrava! E o consumo de água da torneira, por exemplo. Ainda não conseguimos quantificar, mas estas questões casam com reformas mais profundas, relacionadas com a agilização dos procedimentos, que terá impacto.

O Ministério tem um orçamento específico para financiar iniciativas como os GPA?

Não há um ‘budget' mas há um histórico. Os orçamentos têm vindo a ser reduzidos, mas tem-se mantido esse apoio. Além disso, há o nosso apoio institucional inequívoco e isso tem-se mantido.

Há algum projecto que a tenha surpreendido nesta edição?

Apreciei a diversidade temática, ou seja, a sustentabilidade é um desafio que é transversal. Em todos os domínios temos atitudes, comportamentos e projectos de sustentabilidade e temos opções que podemos fazer.

É muito complicado convencer os empresários mais velhos a mudar o modo de funcionamento das empresas?

É preciso mostrar as boas práticas e como mudanças em determinado tipo de comportamento podem ser benéficas para o ambiente, mas também para os custos da empresa. Esse ponto vai muito da replicação do exemplo e também dos apoios. É por isso que quando olhamos para as oportunidades dos fundos comunitários, atribuí-los a aspectos relacionados com eficiência energética é positivo, para aproveitar os recursos.

Na conferência promovida pelo Diário Económico referiu-se à necessidade de trabalhar em parceria e promover sinergias. Porquê?

Há muito conhecimento em Portugal que beneficia se for partilhado. Se trouxermos as pessoas para partilhar esse conhecimento mais resultados teremos. Não temos uma população muito grande, mas temos massa crítica para, trabalhando entre si e com a de outros países, trabalharmos com impacto.

O que aconteceu ao Fundo Português de Carbono(FPC)?

O FPC tem projectos que apoia e cooperação a nível internacional. Há projectos que estão concluídos, outros que estão em marcha. O fundo existe, tem os seus recursos, limitados mas os seus recursos, e está muito atento a oportunidades de apoio.

O presidente da APA, Nuno Lacasta, referiu que as acções foram vendidas a um preço que agora não justifica a entrada de novos investidores...

O preço do carbono baixou muito. A discussão que se tem na União Europeia é como é que tornamos esses activos apelativos quando o preço era suposto ser um e baixou radicalmente. Há créditos de carbono atribuídos a países que ainda tinham um grande desenvolvimento a fazer e, com o próprio valor do carbono a nível internacional e num contexto de recessão, há menos necessidades de atribuir créditos de carbono. Se o carbono tiver outro valor mais capacidade nós teremos para actuar. Ao valor a que está neste momento acaba por não ser o instrumento que se tinha planeado inicialmente.

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