A altura não podia ser pior para recuar. Em tempos de crise, como a que Portugal atravessa, há maior tendência para consumir drogas lícitas e ilícitas, nota Rodrigo Sousa Coutinho, director clínico da Associação Ares do Pinhal. Outros dirigentes associativos repetem aquela reflexão. O próprio presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) o faz. Não há dados precisos sobre isto. Há a percepção de quem está no terreno a lidar com novos e velhos consumidores e depara com recaídas. "Temos criadas as condições a nível social que fazem recear o recrudescimento do problema", reconhece João Goulão, que é também presidente do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência. O médico fala na crise económica e financeira e do que ela arrasta - desemprego, pressão, stress, desespero. "Há aumento de recurso a psicofármacos e álcool nestas fases. Pode haver em relação a substâncias ilícitas."
O desemprego e a precariedade laboral abrem caminho a actividades informais - e criminais, como o pequeno tráfico. Muitos estudos o mostram. Mas quem mais confirma a tese do consumo associado à crise são os alcoólicos. Nas consultas dadas nas estruturas de tratamento do IDT, replicam-se os exemplos de trabalhadores de oficinas, fábricas, empresas de construção que não recebem salário e entram em grandes estados de stress. Há novas respostas para eles. Algumas unidades terapêuticas passaram a receber alcoólicos por períodos de três meses renováveis por outros três. Os responsáveis por essas unidades agradecem ao IDT. É que, com o aumento dos toxicodependentes em programas de metadona, a sua clientela diminuiu. A nova clientela, contudo, ainda não abunda. Que se passa? João Goulão tem uma teoria: "As fronteiras entre o consumo de bebidas alcoólicas e o alcoolismo são mais difíceis de estabelecer. Os alcoólicos têm dificuldade em assumir que precisam de um tratamento de longa duração, que implique um afastamento do trabalho, da família." Mas nem só as características dos doentes ditam esta aparente resistência. "A opção é recente, ainda não entrou nos hábitos dos terapeutas. Tenho expectativa que haja um crescimento palatino." A.C.P.
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A altura não podia ser pior para recuar. Em tempos de crise, como a que Portugal atravessa, há maior tendência para consumir drogas lícitas e ilícitas, nota Rodrigo Sousa Coutinho, director clínico da Associação Ares do Pinhal. Outros dirigentes associativos repetem aquela reflexão. O próprio presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) o faz. Não há dados precisos sobre isto. Há a percepção de quem está no terreno a lidar com novos e velhos consumidores e depara com recaídas. "Temos criadas as condições a nível social que fazem recear o recrudescimento do problema", reconhece João Goulão, que é também presidente do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência. O médico fala na crise económica e financeira e do que ela arrasta - desemprego, pressão, stress, desespero. "Há aumento de recurso a psicofármacos e álcool nestas fases. Pode haver em relação a substâncias ilícitas."
O desemprego e a precariedade laboral abrem caminho a actividades informais - e criminais, como o pequeno tráfico. Muitos estudos o mostram. Mas quem mais confirma a tese do consumo associado à crise são os alcoólicos. Nas consultas dadas nas estruturas de tratamento do IDT, replicam-se os exemplos de trabalhadores de oficinas, fábricas, empresas de construção que não recebem salário e entram em grandes estados de stress. Há novas respostas para eles. Algumas unidades terapêuticas passaram a receber alcoólicos por períodos de três meses renováveis por outros três. Os responsáveis por essas unidades agradecem ao IDT. É que, com o aumento dos toxicodependentes em programas de metadona, a sua clientela diminuiu. A nova clientela, contudo, ainda não abunda. Que se passa? João Goulão tem uma teoria: "As fronteiras entre o consumo de bebidas alcoólicas e o alcoolismo são mais difíceis de estabelecer. Os alcoólicos têm dificuldade em assumir que precisam de um tratamento de longa duração, que implique um afastamento do trabalho, da família." Mas nem só as características dos doentes ditam esta aparente resistência. "A opção é recente, ainda não entrou nos hábitos dos terapeutas. Tenho expectativa que haja um crescimento palatino." A.C.P.